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Minha história como colecionador de Selos

História de: Ayrton Penedo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/07/2014

Sinopse

Ayrton teve seu interesse por selos despertado aos 15 anos. No entanto, só após ter se aposentado começou a investir na sua coleção com mais cuidado. Passou a colecionar selos ligados a cruz vermelha e essa coleção já foi 03 vezes premiada. Ayrton participa como expositor na Brasiliana no estande 72055 e espera ser premiado.

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História completa

P/1 – Boa tarde seu Airton, gostaria de começar essa entrevista pedindo que o senhor nos diga seu nome completo, local e data de nascimento

 

R – Meu nome é Airton Penedo, eu nasci no Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 1935

 

P/1 – O senhor pode falar também a sua profissão?

 

R – Eu sou funcionário aposentado da Caixa Econômica

 

P/1 – Já aposentado?

 

R – Há bastante tempo, desde 90

 

P/1 – Desde 90? E o senhor nasceu aqui no Rio de Janeiro e cresceu aqui?

 

R – Sim

 

P/1 – Onde? Que bairro?

 

R – Eu nasci em frente ao Palácio do Catete

 

P/1 – Como é que era o catete na sua infância?

 

R – Eu, na realidade, não tenho muitas lembranças, porque depois disso, a minha mãe me trouxe para outro bairro, ai eu cresci e fui criado no Catumbi

 

P/1 – Foi criado no Catumbi?

 

R – É

 

P/1 – E o Catumbi da sua infância? Qual é a lembrança mais marcante?

 

R – Eu… o meu apartamento era… eu morava num apartamento que dava fundos para o cemitério e eu soltava pipa e à noite, eu me impressionava, porque o fogo farto saía das sepulturas e ficava azulado, aquilo me impressionava um pouco. Mas depois, eu fiquei acostumado e não me assustava mais. Soltava pipa, como todo garoto, tinha um amigo meu que morava numa casa na rua Miguel de Paiva e eu ia lá, jogava bola, enfim, uma infância normal.

 

P/1 – Eu queria que o senhor me dissesse também, como é que começou o seu interesse por colecionar selos, como é que foi essa historia?

 

R – Na realidade, minha… meu interesse pela filatelia começou quando a namorada… aliás, o namorado da afilhada da minha mãe, um dia, ela me levou na casa dele e ele era filatelista, ai ele me deu uns selos do Brasil, ai eu fiquei entusiasmado, na época…

 

P/1 – Quantos anos o senhor tinha?

 

R – Na época, eu já tinha 15 anos. Ai, eu me interessei e comecei a colecionar selos do Brasil. Ai, o tempo foi passando e aquilo ficou um pouco esquecido, porque a vida da gente vai acontecendo e eu conheci uma pessoa e casei cedo e depois disso…

 

P/1 – Casou cedo?

 

R – Casei com 24 anos. Depois disso, minha responsabilidade aumentou, porque a família também aumentou e a filatelia ficou esquecida bastante tempo. Depois disso, a vida foi ficando mais fácil, as obrigações foram diminuindo, meus filhos cresceram e ai, a responsabilidade passou a ser deles, enfim, eu passei a ter mais tempo e ai, em 90… 1990, quando eu me aposentei, eu faço parte do Grupo Filatélico e a gente tinha muito contato com pessoas e um deles me falou que…

 

P/1 – Mas o senhor começou esse contato quando o senhor se aposentou, em 90?

 

R – Não, eu já era sócio do clube, mas como eu trabalhava em dois empregos, eu tinha pouco tempo pra frequentar

 

P/1 – Mas então, o senhor manteve uma certa ligação?

 

R – Mantive, mantive, tanto é que uma vez, a gente foi num passeio organizado por eles e tinha uma pessoa lá que me incentivou a fazer uma coleção temática, que é bastante interessante, você tem opções mis para você escolher um tema e eu fique pensando no assunto e fiquei pensando, enfim, o que poderia escolher e ai, acabei escolhendo pela Cruz Vermelha, que hoje é uma exposição que já foi premiada várias vezes em exposições na Brasiliana, na Lubratex, enfim, Brasiliana não, Lubratex…

 

P/1 – Perdão, pode repetir?

 

R – Lubratex, é uma exposição que tem entre Brasil e Portugal e ela é bienal, às vezes, não acontece em biênios não, às vezes, acontece em triênios. Mas ai, fui evoluindo e agora, cheguei a um ponto que eu tio pretendendo ganhar ouro, porque até então, eu tô batendo na trave, é medalha de vermeil, vermeil, não consigo atingir o ouro. Eu pretendia… aliás, pretendo chegar a essa premiação aqui, mas eu creio que vai ser difícil, porque a competição é muito forte e eu acho que talvez eu não consiga, mas se a minha premiação aqui for boa, ai eu terei condições de numa exposição nacional, conseguir o ouro. É isso que eu almejo, pelo menos uma vez, ganhar um ourinho.

 

P/1 – Então vamos por partes. Me conta um pouquinho, como é que se procura selo, como é que se começa uma coleção, quais os caminhos?

 

R – Bom, em principio, você começa com selos, mas o expositor temático, ele não pode se ater especificamente a selos, ele tem que procurar peças, envelopes, V-Mails, e se ater a esses detalhes, porque só selos não vai te dar a premiação necessária, você também tem quer avio na escolha e gastar um pouquinho de dinheiro e depois…

 

P/1 – No caso da Cruz Vermelha, aonde o senhor começou a procurar?

 

R – Eu… inicialmente, eu procurei um senhor que também era colecionador de Cruz Vermelha, e ele me cedeu algumas peças, que ele já era adiantado, bem no assunto, dai pra frente, eu fui me especializando e vendo revistas especializadas, procurando na internet e o próprio Grupo Filatélico, a gente frequentava leilão, e foi adquirindo peças e fazendo o possível para incrementar a minha coleção e chega a um ponto que você acaba tendo material suficiente e você, depois, com a sua perspicácia, vai fazendo aquilo evoluir. É isso.

 

P/1 – Ai, da Cruz Vermelha é do mundo inteiro?

 

R – Ah é! No caso, a coleção temática, ela se atem especificamente a um tema, não importa a origem do selo, ou da peça em questão, existem peças que são importantes, esse V-Mail por exemplo… o V-Mail é uma peça que na guerra… na Segunda Guerra Mundial, os americanos… o volume de correspondência era muito grande e os aviões ficavam sobrecarregados, então, eles passaram a microfilmar a correspondência, ai chamaram de Victory Mail – Correio da Vitória e abreviou-se para V-Mail. Então, isso era… é uma peça interessante, que você, além de tê-la em forma diminuta, vamos dizer assim, ela é bem reconhecida.

 

P/1 – Qual é a peca que o senhor mais gosta da sua coleção? Tem uma predileta?

 

R – É o V-Mail, é uma peça interessante

 

P/1 – É esse?

 

R – É

 

P/1 – E a mais antiga?

 

R – Mais antiga… assim, de memória é difícil, mas tem peças de mil, novecentos… na Primeira Guerra Mundial, 1914, por ai

 

P/1 – A sua coleção, o senhor sabe o número de peças? Que ela já monta?

 

R – Ela já… eu fiz um inventario, assim de cabeça não dá para lembrar não.

 

P/1 – O senhor tem o inventario da coleção?

 

R – Tenho, tenho, inclusive, é uma condição sine qua você poder participar, que o comissário exige que você apresente o inventario a ele, para ele poder inclui-la na exposição.

 

P/1 – E é a primeira vez que o senhor participa aqui no Rio?

 

R – Não, já participei em várias delas. Agora, a nível internacional, é a primeira, porque o máximo que eu tinha atingido até agora, era a Lubratex, que é Brasil e Portugal, mas a Brasiliana, pra você poder participar, é preciso que você tenha ganho medalha de vermeil e eu já consegui três ou quatro, entendeu? Estou habilitado a frequentar, vamos dizer assim.

 

P/1 – E o quê que o senhor me contaria assim, uma particularidade da sua coleção, ou alguma historia, se foi difícil conseguir algum objeto mais difícil?

 

R – Não, aquilo que eu te falei…

 

P/1 – Ou que encontrou por acaso, tem alguma história curiosa?

 

R – Não. nesse aspecto, não. a gente vai conseguindo as coisas… o filatelista, ele… uma das… como direi, virtudes dele é ser paciente. Eu, por exemplo, andava atrás de uma série de selos da Guiné-Bissau, que reunia os fundadores da Cruz Vermelha. Eu mandei, inclusive, e-mail pra Guiné-Bissau para ver se conseguia e nunca cheguei a adquiri-la. Ai, um belo dia, numa exposição que teve há pouco tempo atrás que eu já não me lembro… minto, foi uma reunião de comerciantes no Hotel Novo Mundo, ali no Flamengo, ai passei nas vearias mesas que os vendedores colocam lá, manuseando lá, apareceu a bendita (risos)

 

P/1 – Por acaso?

 

R – Por acaso. E isso foi aquilo que eu te falei, a paciência é uma virtude, né?

 

P/1 – É, essa surpresa é boa. E assim, de também, com os Correios, o senhor tem alguma historia que o senhor… de carta…?

 

R – Não.

 

P/1 – Ligada a sua vida?

 

R – Não.

 

P/1 – Alguma encomenda?

 

R – A minha relação com os Correios é além de ser temática, eu também faço Brasil, então eu também tenho muito contato com o pessoal lá dos Correios. Faço peças, carimbos comemorativos, enfim, coisas desse tipo…

 

P/1 – O senhor tem assim, todo um carinho, né, pela sua coleção?

 

R – Ah tenho (risos). O que me causa espécie não é bem o termo, o que me deixa um pouco triste é que quando eu for embora, o meu filho não se interessa nem um pouquinho, ai não sei o quê que vai ser feito. Eu já falei para a minha mulher, inclusive, eu já deixei um testemunho dizendo pra não vender a qualquer um, porque a minha coleção do Brasil, ela tá em avide e eu fiz toda ela em computador, tá bem organizadinha. Ai, eu deixei lá no primeiro álbum, uma recomendação para que não entregue para qualquer um, que procure os grupos filatélicos, que muita gente vai querer comprar peças do Brasil, que também são importantes e eu disse… citei algumas que… Feira Mundial de Nova York, alguns blocos de grande interesse, tal e se o pessoal não tivesse esse cuidado, tal e que se não fizessem isso, que eu ia puxar o pé deles (risos)

 

P/1 – E o seu estande aqui, o senhor trouxe só  Cruz Vermelha, ou trouxe Brasil também?

 

R – Não, não. Aqui é só a temática que eu trouxe

 

P/1 – Só a temática?

 

R – Porque a do Brasil seria a tradicional, mas não…

 

P/1 – E o contato com os outros filatelistas aqui na feira?

 

R – É sempre bom. Eu tenho um amigo meu, que é o Frederico, que é a Historia postal, parece, ele é um filatelista bem graduado, vamos dizer assim, já foi graduado em exposições internacionais, com medalha de ouro, tal, ele tem bom… é indicado para ganhar o ouro tambem

 

P/1 – E tem possibilidade de haver troca, de o senhor ter outra surpresa, encontrar um outro selo que o senhor estava procurando?

 

R – Eu já tô numa situação um pouco adiantada, tá? Eu pesquiso aqui, ali, acolá, selo propriamente dito, não, o que mais importa agora, são peças e peças são caras, não é assim que você acha com facilidade

 

P/1 – Peças como envelope, como o quê?

 

R – É, envelopes, de modo geral, são bastante importantes, quanto mais antigo, mais caro, quanto mais raro, mais caro também. e também, você tem que ter o cuidado de também não estourar o teu orçamento, né, que afinal de contas, isso é um hobby, você tem que se ater a esse detalhe, senão, fica prejudicial a você mesmo e à família, certo?

 

P/1 – Tem alguma outra história que o senhor gostaria de contar aqui, deixar gravado?

 

R – Ah… minha vida foi uma vida comum (risos), já tô no meu outono e espero que o meu pronunciamento seja visto por alguém que se interesse  por filatelia, que é um hobby bastante interessante.

 

P/1 – Eu queria agradecer a sua participação aqui por ter colaborado conosco

 

R – Pois não, obrigado

 

P/1 – Muito obrigada.

 

 

FINAL DA ENTREVISTA

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