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História de: Diotino Perez da Silva
Autor: Rosana Tiemi Saito
Publicado em: 27/02/2013

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Entrevista de Diotino Perez da Silva realizada em 02/11/2012 Entrevistadoras: Rosana Tiemi Saito e Elisabeth E. Jafet Cestari Família Meu nome é Diotino Perez da Silva. Nasci em São Paulo no bairro da Bela Vista em 08 de agosto de 1954. Meu avô materno nasceu em Belém do Pará e com um ano de idade foi para a Espanha e minha avó materna é espanhola. Minha avó e avô paternos são de origem indígena e portuguesa respectivamente. Tive pouco contato com os meus avôs paternos. Os pais do meu avô materno vieram para o Brasil para trabalhar na construção da Ferrovia Madeira Marmoré e depois de um ano voltaram para a Espanha. Na época da 1ª Guerra Mundial voltaram para o Brasil e fixaram residência na Bela Vista. Meu pai nasceu em Barbacena – Minas Gerais. Ele conheceu minha mãe no trem com destino a festa do vinho em São Roque. Meu pai sempre trabalhou com aplicação de sinteco e minha mãe era do lar, mas antes do casamento parece-me que ela trabalhou com costura. Tenho 1 irmão e 1 irmã. Os dois são aposentados. Minha irmã mora na zona norte e meu irmão mora no interior. Origem do Nome Eu tenho um tio que era espanhol e tinha esse nome. Naquela época tinham esse costume de homenagear parentes e me colocaram esse nome. Dio significa Deus e Tino significa pequeno, ou seja, Deus Pequeno. Infância Passei minha infância na Zona Norte. Meus tios moravam na casa da frente e nós morávamos nos fundos. Atrás ainda tinha um terreno grande que tinha plantação de milho, mandioca, banana, pé de laranja e manga, parecia uma chácara. No final tinha um rio que cortava a propriedade. -Brincadeiras Antigamente a gente tinha as brincadeiras de acordo com a época do ano. Época de empinar pipa, correr atrás de balão e bolinha de gude. A gente também brincava muito na rua de polícia e ladrão, mãe da rua, bate lata (que era um tipo de esconde-esconde), jogar bola ou simplesmente, ficar com os amigos conversando. Primeira lembrança da escola Tenho 2 lembranças da escolinha: A primeira, uma companheirinha da escola me desafiou: “Duvido você fugir da creche”. Eu fugi e não quis mais voltar para a escola. A segunda lembrança é da escola de madeira chamada Escola agrupada de Vila Mazzei. Primeira Professora Minha primeira professora chamava-se D. Rute. Ela deu aula para mim no 1º e 2º anos. Ela era muito brava, gostava de dar “croc” na cabeça da gente, mas ela foi uma das minhas melhores professoras. Eu tive aulas particulares com ela na casa dela, pois antigamente era diferente, você estudava até a 4ª série e tinha exame de admissão para passar para 5ª série. As aulas que eu tive com ela foram preparatórias para esse exame. Formatura A minha formatura do 4º ano foi bem marcante. Minha mãe comprou um sapato novo para a formatura. Resolvi que iria estreá-lo na escola. Por azar, choveu e meu sapato ficou todo molhado. Eu cheguei em casa e o coloquei no forno e ele ficou todo retorcido. Ela ficou muito brava, mas levou ao sapateiro e conseguiu arrumar. Juventude Naquela época era difícil sair, por exemplo, ir ao cinema. Tinha o problema da locomoção e do dinheiro. Eu preferia jogar bola, ir ao baile, conhecer garotas novas, fazer novas amizades e participar de festas de famílias. Depois da maioridade, gostava de viajar para o interior, sair com o meu primo e participar de bailes de formatura com a banda Supersom TA. Eles tocavam música dos Beatles, Roberto Carlos, enfim, músicas das décadas de 70 e 80. Primeiro namoro Não tive muitas namoradas. A primeira foi uma amiga de trabalho. Passeamos umas duas vezes no Ibirapuera e depois não teve continuidade. Trabalho Meu primeiro emprego eu tinha doze anos de idade. Um pai de um amigo meu tinha uma oficina de tapeçaria. Ele construía e reformava sofás. Trabalhei dois anos com ele como ajudante. O primeiro registro em carteira foi em uma tinturaria na Bela Vista. Eu pegava e entregava as roupas, principalmente nos hotéis. Era trabalho de rua. Depois trabalhei como Office boy e no início da década de 70 fui trabalhar em uma Seguradora. Antes dos 18 anos, tudo que eu ganhava dava para minha mãe, pois teve uma época que meu pai saiu de casa e eu tive que ajudá-la. Depois dos 18 anos, comecei a ter vida própria e a administrar o dinheiro que eu ganhava. Trabalhei em um banco de investimentos e na área financeira e contábil de uma indústria têxtil. Estudos No período de 1973 a 1978 fiquei sem estudar. Trabalhava no centro da cidade e era difícil o deslocamento. Eu tinha cursado até o primeiro ano colegial. Depois desse período, voltei a cursar o Colegial técnico em Eletrônica, mas não era o que eu queria. Após finalizar o colegial, prestei vestibular para o Mackenzie em Engenharia. Eu passei, mas não tinha como pagar. Optei pela faculdade Superior de Administração e Negócios e iniciei o curso de Administração de Empresas. Na época, consegui o crédito educativo e resolvi terminar a faculdade, mesmo sabendo que não era o curso que eu queria fazer. Casamento Conheci minha esposa dois anos antes de terminar a faculdade na cidade de Igarapava em um baile de carnaval. Namoramos por três anos. Ela trabalhava em um laboratório em São Bernardo do Campo e compramos um apartamento lá. Casamos na igreja matriz de Santo André, mas quem fez o nosso casamento foi o diácono porque eu não quis me confessar. A festa foi no salão da igreja. Reunimos o pessoal do interior, meus parentes, enfim a família toda. Passamos a lua de mel no clube que pertencia à Sabesp em Campos do Jordão. Estou casado há 30 anos. Filhos Tenho dois filhos: Mariana e Flávio que nasceram em São Bernardo do Campo. A Mariana tem 28 anos de idade, trabalha e faz pós-graduação no Mackenzie. O Flávio trabalha e pretende iniciar uma pós no ano que vem. Os dias de hoje Eu atualmente estou aposentado. Faço trabalho voluntário e participo de um trabalho em rede na área social. Eu sou voluntário no Centro de Valorização da Vida (CVV) faz cinco anos. No CVV atuei como coordenador de posto e desenvolvi outras atividades na área de divulgação do CVV. Atualmente, dentro do CVV, participo das ações comunitárias. Esse trabalho consiste em aproximar as ações do CVV com outras instituições e a população em geral. Após essa experiência comecei a trabalhar com redes sociais principalmente que tem a mediação do SENAC da Bela Vista. Vamos ajudando uns aos outros e nos projetos que cada um tem. Por exemplo: trabalhamos com o pessoal de rua, com o mutirão da cidadania que consiste em levar para as pessoas de rua a cidadania. Fazer com que eles conheçam seus direitos e os programas que a Secretaria da Assistência Social tem para oferecer. Quero desenvolver este trabalho na Zona Norte, onde eu moro. Sonhos Gostaria que meus filhos se casassem e constituíssem uma família. Eu gostaria de ter netos. Outro sonho é arrumar uma atividade que eu pudesse ajudar as pessoas, no sentido de orientá-las a procurar seu próprio caminho. Tenho vontade de mudar para o interior e ter uma vida mais sossegada, mas não sei se eu me adaptaria agora, pois minha vida é muito movimentada com vários compromissos e atividades nas redes e no CVV. Quero que os meus filhos sigam o caminho deles. Como foi contar a sua história? Foi bom lembrar-se de algumas coisas, principalmente da infância. Naquela época não tinha arroz empacotado, você comprava no saco. A maioria dos mantimentos era vendida na feira. Muito legal você lembrar-se de como era antigamente e de como é hoje. Lembrei-me da primeira vez que visitei o Parque Ibirapuera, a escola de samba Vai-Vai entre outros. Acho que é assim mesmo, o melhor tempo é aquele que a gente viveu. Agradecimentos Final da entrevista.
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