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História

"Minas tem sempre uma esquina"

História de: Tadeu Ferreira Rodrigues da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/11/2004

Sinopse

Em seu depoimento, Tadeu Ferreira Rodrigues da Silva conta sobre sua infância e o trabalho do pai no Grupo Votorantim com a transferência do Rio de Janeiro para Belo Horizonte. Fala sobre seus empreendimentos, como o Bar do Tadeu, que passou por diversos nomes até se estabelecer como Cervejaria Brasil, e de outros bares de esquina que marcaram. Não deixa de falar também do filme “Cabaré Mineiro”, que participou da produção, e criação da casa de show de mesmo nome. Conta também como o boteco se tornou ponto de encontro para diversos artistas, incluindo o Clube da Esquina, e citando as histórias mais interessantes. Fala da importância do Museu do Clube da Esquina e da honra do Museu ter como lugar de lançamento o seu bar.

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História completa

P/2 – Tadeu, boa tarde.

 

R – Boa tarde.

 

P/2 – Queria começar, então, a entrevista perguntando o seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R – O meu nome é Tadeu Ferreira Rodrigues da Silva. Eu nasci por um acidente de percurso no estado do Rio de Janeiro, na cidade de Barra Mansa, em junho de 1953.

 

P/2 – Por que foi um acidente de percurso?

 

R – O meu pai trabalhava no Grupo Votorantim e nesse período ele estava, foi transferido para Barra Mansa.  Mas logo depois nós fomos para Bahia, em Santo Amaro da Purificação. Moramos lá dois anos e meio na terra do Caetano e voltamos para Minas em 1960. Eu me considero um tremendo mineiro, com certeza.

 

P/2 – E os seus irmãos são mineiros também?

 

R – Não, lá nós temos... Eu tenho um irmão mais velho paulista, seis fluminenses, uma baiana e três mineiros. 

 

P/2 – E Tadeu, você, então, passa a sua infância em Belo Horizonte em que bairro ou em que bairros?

 

R – É... eu morei quando nós viemos eu morei no interior, no município de Ouro Preto, na siderúrgica, a antiga Usina Wigg, em Miguel Burnier. E vim para Belo Horizonte no final de 1963 para estudar. Aí, morava em pensão junto com dois irmãos mais velhos. E daí tive uma vida, vamos dizer assim, de rua, sem pai, sem mãe para vigiar e, de certa forma, um garoto no meio de adolescentes e eu me auto-intitulo um boêmio precoce. (risos)

 

P/2 – E Tadeu, e qual foi o seu primeiro emprego, o seu primeiro trabalho?

 

R – Como é uma família grande a gente tem que ajudar o pai, né? Onze filhos. Mesmo com um bom emprego a gente tinha que trabalhar, né? Em 1970, o meu pai acreditou na minha capacidade de trabalho e nós compramos uma mercearia que eu havia trabalhado de balconista lá uns dias. A mercearia não estava indo bem e eu enchi a cabeça do meu pai. Ele acreditou. Eu tinha na época uns 17 anos e ele deu uma força e comprou a mercearia para eu trabalhar com meus irmãos. Daí entrei no comércio.

 

P/1 – E como é que chamava a mercearia e era em que bairro?

 

R – Essa mercearia ficou com o nome do antigo proprietário. Era o Supermercado Marcelo. Era no bairro Anchieta, na Rua Vitório Marçola.

 

P/1 – E aí, como é que foi tocar aí o Supermercado Marcelo?

 

R – Foi uma experiência muito interessante. O negócio deu certo. A gente cresceu. Tinha uma padaria ao lado que não deu certo. Nós ocupamos o espaço da padaria e fiquei com a loja onde era a pequena mercearia fechada por um ano. Mas como eu já tinha uma grande vocação boêmia e para bar, nesse espaço da antiga mercearia eu abri o meu primeiro bar. E desse primeiro bar, aí eu tive um contato, para a minha felicidade: o Fernando. Eu já era... Eu achava “Travessia”, naquela época, para mim, eu considerava um grande hino. Aquela coisa da gente adolescente, solta voz na estrada. Isso é tudo muito bonito, né? A gente... O Fernando buscava na sacola cerveja, essa coisa toda. Ele, esposa dele, a (Leize?). Por sinal, uma grande figura que eu tenho uma maior admiração por ela. Daí logo que eu abri o bar, nós estreitamos o nosso relacionamento.

 

P/2 – Ele morava por ali? Por que ele ia comprar cerveja lá?

 

R – Ele mudou para frente, para um prédio em frente à mercearia. Então daí... E o Fernando brinca... E logo que eu abri o bar, aí realmente nós passamos a ter uma convivência mais próxima e daí, vamos dizer assim, criou uma bela amizade. Uma amizade que eu tenho pela família, por todos os irmãos, né? A gente ainda brinca que eu sou o décimo primeiro da família. (risos)

 

P/1 – Como é que chamava o bar?

 

R – O bar ficou conhecido pelo meu nome. Ficou conhecido como o Bar do Tadeu. Não tinha uma placa, não tinha nada. Era uma coisa despretensiosa. Assim, eu queria... Eu enxergava, assim, um amadorismo muito grande em alguns bares. Eu queria ter um bar que eu tratasse o cliente como eu gostaria de ser tratado. Então foi uma coisa assim... Daí não tinha uma placa, não tinha nada. Foi uma coisa. Era uma coisa pequena e tal. E começou com a participação do Fernando. A coisa virou, assim, uma coisa! O negócio pegou uma dimensão muito grande, que o Fernando brinca que ele transferiu a sala de visita e o escritório dele para o meu bar. Então ele morava num apartamento pequeno. Todas as visitas ele recebia no bar. Então, com isso criou uma... Criou um ponto de encontro, um ponto de encontro muito grande dessas pessoas todas ligadas principalmente à música, né? E nesse período, o Fernando fez um trabalho pessoal do Grupo Corpo... procurava o Fernando e o encontro era no meu bar. Eu acabei participando também do espetáculo “Maria Maria”, que foi o primeiro trabalho de balé que o Fernando fez com o Milton Nascimento e o coreógrafo argentino Oscar (Arraz?), junto com o Grupo Corpo. E eu embarquei nessa história. Trabalhei, fiz assistência de cenografia. A princípio seria com (Eulo Maia?), mas houve um desentendimento lá. Acabou que quem fez o cenário foi a Suzana Otero. Eu passei a trabalhar com ela e fiz assistência de cenografia do texto... espetáculo “Maria Maria”. Depois, no futuro, fiz também com eles “O Último Trem”, com a mesma equipe.

 

P/2 – E o “Maria Maria” foi em que ano?

 

R – “Maria Maria” foi em 1975.

 

P/2 – Tadeu, ter bar dá um trabalho danado. Como é que você conciliava isso com assistente de cenografia do...

 

R – Nesse período, eu já coloquei um amigo que ficou, assim, também como gerente. Essa coisa toda. Então a gente tinha... Dava um jeito de dar uma saída e de fazer as coisas, né? 

 

P/2 – E como é que foi a repercussão do “Maria Maria”?

 

R – Ah, o “Maria Maria” foi um espetáculo fantástico, né? Foi muito bonito... foi sucesso total, né? Fez muito sucesso no exterior. Já as viagens fora do Brasil, eu já não fiz. Eu não participei porque em 1976, durante uma turnê em Brasília, eu fiquei em Brasília com um grupo, que nós fundamos a 3x4, Escola de Fotografia e Cinema Super 8 e nesse período eu abandonei o bar. Deixei com os meus irmãos e morei em Brasília. Nesse projeto com o Juvenal Pereira, (Quinersem?), uns fotógrafos ligados à área de jornalismo e foi um projeto, vamos dizer assim... um projeto muito bonito, poesia pura. Um projeto que durou pouco tempo, mas foi fantástico. Foi muito interessante também.

 

P/2 – Era uma escola de fotografia?

 

R – Era uma escola de fotografia. Chamava 3x4, Escola de Fotografia e Cinema Super 8. 

 

P/2 – E depois dessa experiência, o que é que acontece?

 

R – Bom, depois dessa experiência, a escola, infelizmente, ela não teve vida longa, né? Eu voltei para Belo Horizonte e nesse período fiz um estúdio de fotografia com o Cristiano Quintino, tentando sair um pouco do bar. O bar teve uma invasão muito grande de pessoas... Vamos dizer assim, uma tietagem muito grande e nós fomos expulsos do bar, assim, de certa forma. Então virou um tumulto. O bar passou a ser até uma coisa desagradável depois de um certo tempo. E eu fiquei muito desgastado com isso. Aí eu voltei a fazer esse trabalho de novo com fotografia e foi quando o Tavinho Moura já frequentava o bar, o Murilo Antunes, eu já conhecia essa turma toda, Beto e todos. Aí eu participei com Murilo Antunes, com Tavinho Moura do trabalho do filme “O Cabaré Mineiro”, que a princípio chamaria “O Aventureiro São Francisco”, mas no decorrer das filmagens, depois foi mudado o nome para “Cabaré Mineiro”.

 

P/2 – Então vamos falar um pouco mais do Cabaré. O Cabaré era um projeto do Carlos Alberto.

 

R – Do Carlos Alberto Prates. E era um filme muito interessante que se chamaria “O Aventureiro São Francisco”... originalmente seria isso. Mas durante as filmagens, um acidente de percurso, vamos dizer assim, acabou se tornando... Foi batizado, depois rebatizado de “Cabaré Mineiro”. Foi um trabalho muito interessante e muito divertido de fazer e eu participei da produção e fiz algumas fotografias de cena para o Carlos Alberto Prates, que ele havia me pedido e tenho uma curiosidade... uma coisa muito interessante, que em Montes Claros, nós conseguimos o salão paroquial onde foi feito uma réplica de um cabaré. (risos) E tinha uma cena maravilhosa com a Tânia Alves. Então tinha orquestrazinha do lado, o pessoal dançando. Aí teve figuração, Augustão, Bala Doce, figuras folclóricas do lugar. E foi um negócio fantástico. Então foi reproduzido um cabaré, o palco com uma passarela. No fundo tinha um painel que foi pintado pelo Godofredo Guedes, pai do Beto e foi muito interessante. Aquilo ali me despertou uma coisa, falei: “Poxa, isso aqui que a gente precisa fazer em Belo Horizonte de novo.” Fazer um pequeno cabaré, uma casa voltada a música, essa coisa toda, que depois, no futuro, eu fiz junto com o Wagner Tiso. Em 1985 eu fiz o Cabaré Mineiro, eu Wagner Tiso e o Cláudio César.

 

P/2 – Então, vamos voltar para o filme, que ninguém ainda não falou dele. Então vamos aproveitar para você contar um pouco e Tavinho, segunda-feira, vai falar um pouco mais provavelmente. Você podia contar, assim, em resumo, qual é a história, onde foram as locações, quem trabalhou?

 

R – Eu peguei logo no início da produção, mas eu ficava mais em Belo Horizonte. Eu fazia os contatos e a colocação de pessoal, de mandar de buscar em aeroporto. Eu fiz uma assistência de produção e quando eu fui, fiz o acompanhamento no set de filmagem, algumas fotografias para o Carlos Alberto, algumas fotografias de cena. Então o filme originalmente o Tavinho fez a trilha e o Tavinho conhece muito mais. Ele participou. No depoimento dele vai ter uma história mais completa. Mas era interessante. Era a história de um jogador, que ele subia o Rio São Francisco no vapor, jogando um carteado. Era o Paixão, que o personagem era... O ator foi o Nelson Dantas. Era uma história muito divertida e uma coisa muito engraçada. Então tinha participação de Tânia Alves, quem mais?! A Eliane Narducci, assim, tem alguns nomes que a memória hoje. (risos) Mas, então, foi bastante divertido. Foi Montes Claros. A gente teve uma locação em Grão Mogol. Então foi para o Norte de Minas. E foi um trabalho muito interessante.

 

P/2 – E você ficou sabendo a reação do pessoal que emprestou o salão paroquial depois que o filme ficou pronto?

 

R – Não. Aí essa história, depois eu não fiquei sabendo. Mas, quer dizer, tinha esse lado engraçado da história que, de repente, um cabaré num salão paroquial.

 

P/1 – Como é que é essa história do salão paroquial?

 

R – Precisava de um espaço, né? Precisava de um espaço na cidade, um espaço amplo, né, onde se criasse esse ambiente. E o que foi conseguido na época era, curiosamente, o salão paroquial que permitia essa montagem. Então foi com isso aí que foi feito. Ficou muito bem feito... muito interessante.

 

P/2 – É verdade. Não parece de modo algum que está ali do lado da igreja. 

 

R – É, com certeza. 

 

P/2 – E como é que foi a repercussão do filme?

 

R – Olha, o filme foi interessante. Eu não sei esse problema de distribuição, essa coisa toda. Eu acredito que não foi um filme que tenha dado um grande sucesso de bilheteria, mas quem viu, gostou. Depois eu não fiz um acompanhamento assim. O Carlos Alberto, o Tavinho, têm uma informação maior. Não foi um filme, assim, de grande sucesso de bilheteria, mas com certeza um filme muito interessante.

 

P/2 – Não, mas sucesso de crítica.

 

R – É, sucesso de crítica, com certeza.

 

P/2 – Aí veio a idéia, então, de fazer o Cabaré Mineiro?

 

R – É, de fazer o Cabaré Mineiro. Nesse período, a gente... A fotografia, o cinema é uma produção... Belo Horizonte é um mercado complicado e eu com isso acabei voltando para o boteco, fazendo paralelamente o botequim. E fiz um boteco, um barzinho de novo no Santo Antônio e também não pus nome. Mas ficou conhecido. Seria o Cor de Rosa, que era um predinho antigo, de esquina, onde funcionou uma mercearia. Mas virou o Bar do Tadeu de novo. De certa forma eu não queria porque a gente já tinha sido invadido uma vez e lá, de certa forma, aconteceu a mesma coisa. Depois lá se transformou no Bar do Lulu, que foi um bar conhecidíssimo em Belo Horizonte. Um ponto que marcou também Belo Horizonte. E, paralelamente com esse bar, ainda fiz a produção do filme “O Chico Rei” e fizemos também, eu participei com o Fernando Brant, o Milton e o Oscar Arrais do outro espetáculo deles, “O Último Trem”. Então, ainda fazendo essa... Tendo essa atividade. O bar, para continuar reunindo as pessoas, como uma fonte de renda mais fixa e algumas produções que a gente ficava aí. Você tem uma produção hoje... depois você fica desempregado, você faz uma coisa. Então o bar para continuar dando continuidade ao encontro dessas pessoas que começaram, que continuaram, assim, a me acompanhar. Então depois desse bar que foi. O bar foi muito pequeno e muito sucesso e foi complicado também. Durante, ainda, na existência desse bar, eu já estava um pouco desanimado com ele, a gente fez o filme “Idolatrada” do Paulo Augusto Gomes. A equipe de produção, a gente fazia alimentação na Pizzaria Dona Derna, que o _______ (Biaggi?), filho da Dona Derna, patrocinou isso para gente. E ele, nesse momento, a mãe dele havia morrido, ele me ofereceu a casa, a Pizzaria Dona Derna, que nós revivemos a Casa dos Contos, que era o nome original. Eu fiz junto com a atriz Nely Rosa em 1981, que eu já queria fazer uma coisa menos pessoal, onde eu aparecesse menos, que a gente não tivesse uma invasão. Onde as pessoas pudessem frequentar sem uma invasão muito grande de pessoas que não faziam parte, vamos dizer assim... que deturpava o ambiente. E aí, fiz a Casa dos Contos em 1981 com a Nely Rosa. E de novo, virou ponto de encontro desse pessoal todo, né? Somado a turma da música, da fotografia, do cinema, que eram as pessoas, assim, que eu tinha uma ligação maior e o pessoal do teatro, que acompanhou mais a Nely Rosa. Então, não que houve um racha, mas que depois eu saí da Casa dos Contos. Fiz a Cervejaria Brasil e a Casa dos Contos até hoje ficou como uma casa mais frequentada pelo pessoal do teatro. E os meus botequins mais com o pessoal da música, que valeu até uma brincadeira do Ferdy Carneiro, no Pasquim, que ele fez uma brincadeira comigo, assim, me comparando ao flautista de (Raney?). Onde eu ia, ia aquela corriola atrás. (risos)

 

P/2 – Tadeu, desses anos todos, você deve ter presenciado muitas histórias curiosas. Você podia contar algumas aí publicáveis.

 

R – Às vezes, assim, a memória, às vezes, fica...

 

P/2 – O Fernando, por exemplo, seu amigo de mais tempo, devem ter passado aí momentos interessantes, você podia contar alguma história com ele.

 

R – Com o Fernando, assim, sempre muito interessante a convivência, o relacionamento, né? O Fernando é uma pessoa muito fácil de relacionamento, essa coisa toda. Uma pessoa muito afetiva, muito carinhosa, é um grande irmão. Assim, nada muito, vamos dizer assim, nada muito... A presença dele sempre foi muito marcante, mas eu não lembro de nada, assim, que eu possa... Dessa convivência veio um tio, o tio Mozart, que todos nós, carinhosamente, tratamos de tio Mozart, que é vivo e que era uma figura fantástica. Declamava alguns poemas e essa coisa toda. E tinha um poema dele, fantástico, “E a puta morreu”. Eu não lembro totalmente, mas ainda... Eu sei que ele, às vezes, no final da noite, ele declamava: “Dois soldados e quatro velas; Velaram a noite inteira por ela; Outras putas vieram e perguntaram; Para quem ficarão os vestidos dela?” Aí passa uma coisa que eu perdi da memória, mas sei que termina assim: “Não houve notícia fúnebre nos jornais; E os filhos da puta não souberam”. Ah, tem um trecho: “Um deputado mandou flores; Não houve notícia fúnebre nos jornais; E os filhos da puta não souberam.” (risos) Aí tem algumas brincadeiras. Tem coisas assim. Tem uma brincadeira: O Tadeu Franco veio para Belo Horizonte e morava sozinho. Então virou o nosso bar. Essa época já era o Bar Brasil e o Tadeu não saía de lá. Era o ponto dele, era o ponto de encontro e que valeu uma brincadeira. Teve um dia um amigo dele passou, Tadeu estava lá no bar, falou: “Tadeu, tudo bem? Vai sair de casa hoje?” (risos) Aí que virou também, assim, uma brincadeira que alguns chamam de o Lar Brasil. Então é o Lar Brasil. Tem algumas histórias, mas a gente não é assim de... Eu não sei se vou conseguir lembrar mais algumas assim.

 

P/2 – A gente vai te ajudando a lembrar. E você disse que o Fernando fazia lá o escritório. Então o Fernando compôs algumas letras. Algumas músicas foram criadas lá nos seus bares?

 

R – Sempre no ponto de encontro, né? Ali era o local onde o Fernando encontrava com todo mundo, né? O Bar da Vitória, o Marçola, o Bar do Tadeu, vamos dizer assim, nessa época, o Tuti Maravilha também fez vários shows em Belo Horizonte. Ele produziu vários shows. Então, nós tínhamos assim essa frequência toda após os shows, baixava todo mundo para o meu boteco, né? E tivemos, assim, algumas passagens complicadas de pessoas que não entendiam o ambiente. E tinha um sujeito muito maluco, um tal de Cipó, bebia muito, se drogava e aí teve uma cena ruim, mas acabou tudo certo. Estava num projeto... se não me engano um fim de tarde, no Francisco Nunes, então estava Luiz Melodia, Rosinha de Valença e Copinha e o bar lotado. Esse sujeito chegou, quebrou mesa, foi uma coisa assim, uma correria, uma confusão e eu como eu sou uma pessoa muito grande e muito forte, corajoso para caramba, mas sempre tive que peitar essas pessoas. E a única pessoa que o Cipó respeitava... ele me respeitava. E ele é enorme, o apelido Cipó e tudo, e eu dedinho em riste, encarava o sujeito e ele afinava para mim assim. Afinava para mim. Não afinava, me respeitava, né? Então eu sempre me fiz respeitar dessa forma e tudo. Mas era desgastante. Foi complicado o final da história do bar. Lá foi complicado.

 

P/2 – Sei. Você estava falando da sequência das casas. Então, atualmente, você estava no Bar Brasil?

 

R – É, nesse período, nós fizemos o Cabaré Mineiro, né? Eu saí da Casa dos Contos, fiz a Cervejaria. Foi onde houve uma divisão, assim, de público, vamos dizer. E essas pessoas continuaram frequentando a cervejaria. Daí já vinha a idéia do... Eu tinha a intenção de fazer uma casa para música e a dificuldade do músico em Belo Horizonte, aquela coisa de tocar num botequim, em um local totalmente improvisado, nos bares, essa coisa toda. E eu sempre fui contra isso, porque eu acho que, assim, a música ela deve ser tratada de uma forma com mais respeito, principalmente o músico, né? Então, não... Eu não era contra a música em bar, só que eu achava que um bar que eu viesse a fazer deveria ter um tratamento melhor. Daí, surgiu a idéia... a idéia antiga voltado ao filme “O Cabaré Mineiro.” Logicamente, com a autorização do Carlos Alberto. Eu pedi emprestado o nome do filme para a gente criar a casa e fiz junto com o Wagner Tiso em 1985, o Wagner Tiso e o Cláudio César. Nós fizemos. Criamos o Cabaré Mineiro, que foi uma casa de espetáculos. Fizemos, assim, grandes shows. Marcou uma época em Belo Horizonte também. 

 

P/2 – Quem já se apresentou no Cabaré Mineiro?

 

R – Ah, praticamente todo mundo, vamos dizer assim. (risos) Nós ainda pegávamos alguma com a participação do Wagner no Rio e essa coisa toda. Pegamos alguma carona no Free Jazz e fizemos alguns shows internacionais também. Fizemos o Newton Marsalis, fizemos o Wayne Shorter, fizemos Al Di Meola e daqui, praticamente todo mundo: Elza Soares, Cauby Peixoto, Eduardo Dussek fez um show fantástico, João Bosco. Daí praticamente dessa turma, uma turma nova também. Então foi muito legal. Paulo Moura, Sivuca. Então o Cabaré, o Cabaré se tornou, assim, foi um período muito fértil, de muita produção, de muita coisa. Foi uma casa muito interessante que, com certeza, deixou um espaço aberto na cidade. Hoje a cidade carece desse espaço.

 

P/1 – Quantos anos o Cabaré Mineiro ficou aberto?

 

R – O Cabaré agora eu vou... Eu fiquei no Cabaré até final de 1988. Houve uma ruptura na sociedade. Tinha feito um acordo com o Gonzaguinha... Que ele veio para Belo Horizonte, ele sempre quis fazer alguma coisa pela cidade, na cidade. Ele participou da Rádio Inconfidência junto com o Fernando, da reestruturação da Rádio Inconfidência, e a gente precisava de mais energia e essa coisa toda. O Cabaré tinha... Também era uma casa que tinha uma dificuldade financeira, porque o custo operacional alto. Você tem um show que você tem uma rentabilidade boa, mas, às vezes, o outro você não tem. A gente estava em busca de uma parceria. E, a princípio, com a autorização do sócio, eu fechei um acordo com Gonzaguinha. Ele entraria para a sociedade. Mas no meio do caminho houve um desentendimento lá e tanto Wagner quanto o Cláudio resolveram colocar outros dois sócios, que eram antigos funcionários que já eram funcionários da casa. Então com isso, houve uma ruptura e o Gonzaguinha acabou não entrando. Eu fiquei insatisfeito com a história e eu saí em início de 1989 e depois o Cabaré funcionou mais uns três, quatro anos e encerrou a atividade.                                           

 

P/2 – Então, retomando a entrevista número nove com Tadeu Ferreira Rodrigues da Silva. Tadeu, então você estava contando desses shows todos. Cabaré Mineiro. Você sai da sociedade e aí você vai desenvolvendo então qual projeto?

 

R – Depois que eu saí da sociedade, eu tinha a Cervejaria Brasil, que continuava como ponto de encontro dessas pessoas. A Cervejaria é um local muito agradável, um jardim muito bonito, um quiosque de sapé e era... E ali conviviam todas as pessoas: Paulinho Pedra Azul, essa turma mais nova toda foi chegando. Tadeu Franco, Celso Adolfo, Juarez Moreira. Então virou mesmo esse ponto, né? Já a Cervejaria, já existia desde 1983 e me ofereceram a esquina. Tinha um comércio desativado e a esquina tinha um predinho fantástico. Um predinho da década de 20 e com a minha saída do Cabaré me ofereceram, coincidentemente me ofereceram o ponto da esquina. Tinha um comércio fechado e eu achei aquilo ali fantástico para fazer o bar da esquina, o bar de esquina e recuperei o prédio. Era um predinho. Nós recuperamos um projeto do Milton de Castro, que tinha feito também o projeto da Cervejaria e também o projeto do Cabaré Mineiro. Aí, nós recuperamos o prédio e fizemos um bar, um bar de esquina, que é uma tradição. Minas têm sempre uma esquina. E aí, até hoje, é o reduto dessa turma, né, tanto que...

 

P/2 – Quem frequenta lá?

 

R – Ai... Tavinho?! Continua Tavinho, Murilo Antunes, que desde o primeiro bar, a gente criou um relacionamento também... uma amizade muito legal entre a gente. O Beto, que é um companheirão. O Beto Guedes, tem até uma curiosidade. Tem uma história legal, sabe assim? Na cervejaria, final de noite, às vezes... Eu sempre gostei de saxofone, mas eu não sou músico... Sou um aprendiz. Então, às vezes, chegava na madrugada lá, às vezes ficava eu, o Beto, Tadeu Franco e teve uma noite lá... A gente começou assobiar umas músicas do Godofredo, Paulinho Pedra Azul, eu, Tadeu Franco e Beto Guedes. Aquelas brincadeiras fim de noite. Minha esposa ficou grávida, a Rosiana. Eu fui casado com ela 20 anos e Rosiana ficou grávida e aí, tem uma brincadeira: o Beto tinha um saxofone tenor e eu gostava muito de sax e falei que tinha... Gostaria de aprender, porque depois eu faço um parênteses aí o porque dessa história do sax. Então naquela brincadeira, o Beto falou comigo o seguinte: “Se nascer menino eu vou te dar o sax, mas com a obrigação de você estudar”. Só que a minha filha nasceu mulher. (risos) Então o Beto falou: “Não, mulher tocando saxofone não é interessante”. Quer dizer, a idéia dele era o sax... Eu tinha que aprender, mas eu tinha que ensinar o meu filho. Como nasceu mulher, ele achava que não. Então ele me deu meio saxofone. (risos)

 

P/2 – Meio.

 

R – Ele me deu meio saxofone. Então a maneira. Quer dizer, nós não tínhamos jeito de dividir o sax. Aí ele mudou, ele queria um sax alto, então eu comprei a metade do sax alto para ele. Eu paguei a metade  e ele me deu o sax tenor. Hoje ainda arranho lá. Faço umas aulas... Estou fazendo, mas ainda sou um aprendiz. Eu já tenho praticamente 20 anos, mas eu pego, abandono, pego, abandono. Não consegui estudar muito tempo. Então tem essa... Tenho meio saxofone do Beto.

 

P/2 – Você tem uma _______ interessante que você acompanhou se relacionando continuamente com toda a turma, uma coisa que talvez eles não tenham esse convívio todo direto, não é verdade?

 

R – É, a gente... Esse tempo todo, a gente sempre... O bar, através do bar, eu sempre patrocinei, de alguma forma, alguma coisa. Então patrocinava com o que eu poderia oferecer, além do espaço de encontro, dessas coisas todas, sempre que vinha um músico. Não só a música: o cinema, o teatro... Eu sempre participava com o que eu tinha a oferecer, que era alimentação, essa coisa toda. Então, com isso criou, desde do primeiro bar, esse relacionamento que eu sempre tive de estar dando um apoio de qualquer forma, que a gente sabe da dificuldade que a gente passa e já passou. Ainda continua passando nesse país, de se criar, de ter um trabalho. E como eu sempre fui apaixonado por fotografia, então eu fotografava. Eu cheguei a trabalhar profissionalmente, né, com coisa, mas hoje a fotografia continua mais só uma paixão mesmo, né? Mas ainda com projetos de retomar. Se a gente der mais uma incrementada na produção cinematográfica em Minas, que tem algumas propostas aí, quem sabe eu ainda... Eu ainda estou aí com pique para fazer alguma coisa. E os amigos ainda... Acho que ainda vão me chamar.

 

P/2 – Tadeu, eu tive a informação que vocês também se reuniam, alguma das suas casas para fazer uns encontro às portas fechadas, que se chamava aí, o Reveco para cozinhar. O que...

 

R – Isso aí, quer dizer, todo final... No final de ano, a gente fazia o nosso encontro. Então sempre teve essa parceria. O Fernando... Tem até uma brincadeira. O Fernando também, ele fez um... O Reveco sempre me ajudou na cozinha. O Reveco sempre me deu dica e essa coisa toda. Desde da primeira cervejaria, o Reveco me ajudou no cardápio e foi interessante que a Cervejaria Brasil quando nós fizemos, aí nós fizemos uma pré-inaugural lá, só com essa corriola. O Tavinho Moura, ele tem uma habilidade manual interessante. Ele tem uma marcenaria em casa. Ele estava fazendo uns bonecos, uns cataventos e essa coisa toda. E ele fez um boneco que nós... Que foi batizado de Brasilino. Então nós fizemos a inauguração do Brasilino. Não foi essa corriola... Reveco, Tavinho, Fernando, Murilo, Beto e antes de abrir a casa, nós fomos lá para pintar o boneco e colocar. E nisso também o Fernando e o Reveco criando o cardápio. Aí criaram um prato lá, que ficou batizado de (Fo Scargot?), que era uma receita do Reveco, que não dava para ficar no cardápio, ia ficar esquisito. Aí, foi batizado de Abre Coração. O Fernando pôs o nome de Abre Coração porque esse prato é um coração de frango, um coração de galinha no vinho, no vinho branco e essa coisa toda. Aí ficou essa... Então sempre teve isso, uma parceria. O Fernando brinca que a letra dele é a música do Reveco, o “Abre Coração. E a gente sempre fez isso. Então toda vez que ia fazer alguma coisa, chamava essa corriola. A gente... E disso aí, a gente... Eu passei a fazer todo final de ano, a gente fazia um encontro no mês de dezembro. Aí, quer dizer, oficialmente o Reveco, mas aí o Beto participava. Tem um amigo nosso que faz parte também há muito tempo, o Carlos Starling, o Pavão, e ele também dava seu palpite na cozinha... Mexia. E Tadeu Franco e a gente mantinha essa reunião todo ano. Uma confraternização dessa corriola do boteco.

 

P/2 – E que pratos que eram feitos? Você se lembra?

 

R – Ai, variava. O Reveco fez uma... Como é que chamava aquela atriz italiana? Aquela dos seios enormes? Cicciolina?

 

P/2 – Cicciolina.

 

R – Cicciolina. Então o Reveco, uma vez, fez uma Cicciolina, que era um peito de frango... Um peito de frango à Cicciolina. Então o Reveco sempre inventava alguma coisa. Sempre cada um inventava um prato e virava aquela confusão na cozinha e cada um fazia sempre alguma coisa com carne de sol. Tavinho, que fazia uma coisa, o Murilo dava um palpite, o Beto fazia uma salada. O Tadeu Franco fez ou já fez uns pratos também. Então, cada um inventava um prato lá e todo ano a gente tinha um prato e era uma festa, uma festa fantástica.

 

P/2 – Você cozinha?

 

R – Também. E gosto.

 

P/2 – E quais são os pratos que celebrizaram aí as suas casas?

 

R – Olha, sempre nessa área do tira-gosto. Esse prato Abre Coração teve um período que foi um prato que fez sucesso, um tira-gosto, né? Nós tivemos, assim, deixa ver se eu lembro... Tinha um frango recheado na primeira casa. Deixa eu ver mais o quê... O Reveco uma vez, nós fizemos... O Reveco fez aí também um Cassoulet, que é uma feijoada com feijão branco. Uma coisa mais fina, mais magra também. Durou um tempo, né? Mas depois de muitos anos, a Cervejaria foi pegando uma vocação mais de restaurante. Eu lancei uma chapa (Rexô?) para carne. Então ficou, assim, ficou uma tradição muito grande como uma casa de carne. A Cervejaria Brasil e o Bar Brasil, eu reservei o espaço porque enfumaçava o ambiente, essa coisa toda, o bar ficou preservado sem carne, sem essa carne que defumava os clientes. (risos)

 

P/2 – E Tadeu, vamos falar um pouquinho de cachaças aí. Que grandes cachaças que você teve aí sempre à mão?

 

R – Nós tínhamos nessa época já com o relacionamento com o Murilo Antunes algumas cachaças de Pedra Azul. Tinha Cantagalo, Gameleira, que foram cachaças... Tinha Faísca, Fagulha, essas são, se não me engano, de Teófilo Otoni e as de Pedra Azul. E já também, já desde essa época, as cachaças de Salinas, né, que hoje Salinas se transformou num grande... Salinas quase se transformou numa marca de cachaça, né? As cachaças do Norte de Minas, que são aí muito bem aceitas, como Havana, que faz um sucesso muito grande. Tinha Motinha, Claudionor de Januária que era uma cachaça muito boa. Ferreira foi uma cachaça também que teve um período, depois sumiu do mercado. Voltou atualmente a uma boa cachaça de novo. Vamos ver se eu lembro mais alguma interessante aí. São várias marcas, mas aí tem...

 

P/2 – Qual é, Tadeu, qual é a característica da boa cachaça?

 

R – Bom, eu não sou um grande conhecedor de cachaça. Eu gosto, mas a cachaça ela tem que ser saborosa, suave, aquela que não desce queimando, que tenha um bom... Um cheiro e um paladar interessante, que você sinta. Eu tenho, assim... Tem alguma cachaça que está ficando com um paladar muito forte da madeira. Então eu acho que isso atrapalha um pouco, né? Mas eu prefiro as cachaças mais suaves e a gente tem... Hoje tem umas cachaças mais, vamos dizer assim, novas que estão muito bem no mercado. Eu posso até citar algumas aí: Central de Minas, a Germana. Deixa ver uma outra cachaça muito boa... Tabaroa, que são cachaças aí... Minas continua produzindo cachaça de muita qualidade. Então, mais ou menos por aí.

 

P/2 – É um pólo cachaceiro.

 

R – É, com certeza.

 

P/2 – Nos dois sentidos, né? (risos) E Tadeu, nós estamos chegando no fim da entrevista. Eu queria que você contasse para gente como você está vendo essa iniciativa de se criar um Museu do Clube da Esquina?

 

R – Eu, particularmente, acho assim a idéia fantástica porque, nada bairrista, mas eu acho que é uma história legal que marcou uma época e continua. Marcou uma época, um movimento musical que marcou uma época. Tem muita história para contar da família Borges, que eles iniciaram isso aí. Da vinda do Milton para Belo Horizonte, o Fernando, essa turma. É todo mundo novo, jovem, cheio de energia, com muita poesia, com muita vontade de fazer e eu acho isso fantástico porque tem uma geração mais nova aí que não participou e não conheceu totalmente isso. Então nós estamos aí, vocês estão aí preservando isso aí, essa história que tem a ver com Belo Horizonte, com Santa Tereza e que tem, com certeza, um marco na música, uma coisa muito importante. E aí o depoimento nosso, meu inclusive está aí, fico agradecidíssimo de estar fazendo parte dessa coisa aí. Eu entrei nessa, vamos dizer assim, entrei nessa turma em 1974... Quer dizer, daí já não saí mais. E acho muito interessante e o que a gente puder contribuir, em termos de material, essa coisa toda, vamos fazer. Vamos aí.

 

P/2 – Ótimo. E Tadeu, como é que você sentiu essa homenagem, a reunião do lançamento do Museu Clube da Esquina ser justamente no seu bar?

 

R – Claro que para mim, eu fiquei extremamente feliz porque, de certa forma, é um reconhecimento para mim. Veio como um reconhecimento, assim, de uma participação que eu tive junto com todos. O Murilo Antunes sabe, Tavinho, Beto, essa coisa toda, toda de uma participação, assim. Ali sempre foi, eu sempre procurei dentro do meu espaço, dentro dos botequins que eu criei pela vida, de criar um espaço de encontro, um ponto de encontro das pessoas e, felizmente, isso aconteceu. Então é como Fernando tem... O Fernando fez um texto bonito para mim uma época que eu fiz uma exposição de fotografia, e eu pedi para o Fernando fazer uma coisa para mim e ele fez lá “Bodas de Prata do Bar do Tadeu” e contou uma história muito legal, que eu fiquei, assim, muito feliz pelo que ele falou, que ele falou toda verdade da nossa relação e dessa coisa toda. E ele termina dessa forma, que “nos bares do Tadeu, muita coisa se fez, muita coisa se criou”. Então eu fico satisfeito por isso, de fazer parte. Assim, tenho o maior orgulho de fazer parte dessa história e fiquei extremamente feliz de poder ceder o meu espaço lá, que ainda é o ponto, continua sendo o ponto de encontro dessa maravilhosa turma.

 

P/2 – Então, Tadeu, muito obrigado pela sua entrevista.

 

R – Eu que agradeço.

 

Fim do depoimento.

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