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História

Militante de Carteirinha

História de: José Genivaldo da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/01/2021

Sinopse

Jose Genivaldo nos conta sobre sua trajetória de militância dentro da empresa Petrobras. Sua ligação com sindicatos, greves, e sua luta contra as reformas trabalhistas adotadas dentro da Petrobras pelo governo Collor e FHC, e a privatização da empresa estatal.

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História completa

P/1 – Pra começar, Silva, eu queria que você dissesse o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.


R – Meu nome completo é José Genivaldo da Silva, a cidade que eu nasci é São Bernardo do Campo, a data, 21 de agosto de 1961.


P/1 – E qual é a sua atividade atual dentro da companhia?


R – Hoje eu tô liberado para exercer o mandato sindical que eu tenho na Federação Única dos Petroleiros. Mas a minha atividade dentro da empresa é técnico de manutenção.


P/1 – E quando você entrou na Petrobras?


R – Entrei na Petrobras em 3 de dezembro de 1984.


P/1 – E você entrou indo trabalhar onde?


R – Na manutenção, eu entrei como mecânico.


P/1 – E Silva, quando foi que você começou a se interessar pelas questões dos trabalhadores?


R – Na verdade eu venho de um “berço sindical”, da cidade onde eu nasci, em São Bernardo do Campo. Minhas primeiras experiências com o movimento sindical foram nas greves de 1977, 1978. Até então o Presidente do Sindicato era o Lula, onde Lula era apenas um apelido, hoje faz parte do nome dele. Então, eu comecei a ter contato com movimento sindical naquelas greves, porque, até então, eu tive dentro de um processo de Ditadura, e eu tinha em torno de 16 anos de idade naquela época, e a gente não tinha muito contato com o movimento sindical. Mas foi à partir daquelas greves; porque eu fazia o Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial] pela Ford e, durante as férias escolares do Senai, éramos obrigados, de certa forma, a fazer estágio na empresa. E foi justamente em um período de férias desse, que eu tive contato com o movimento sindical através daquelas greves de 1977, 1978, no ABC.


P/1 – E como é que era a sua participação? Conta um pouco.


R – A participação, acho que é a participação de todos os jovens nesse momento. Primeiro, todo jovem tem aquela tendência a querer mudar o mundo, a ser rebelde, a botar um pouco o seu senso de liberdade pra fora. Então, como a gente vinha de uma Ditadura, sempre de repressão, a gente não tinha muito dessas coisas que eram feitas. Quando teve esse contato, a sensação foi de participação. Mas foi até interessante porque quando eu estava fazendo estágio, quando estouraram as greves, inclusive dentro da Ford; onde o pessoal, os trabalhadores, viraram os carros. Eu não participei, efetivamente, era um garotão, estava vendo aquilo. Era um mundo novo, nunca tinha visto aquilo na minha vida. Quando eu vi aquela manifestação; eu acabei acompanhando dentro, ficando próximo nesse processo, foi aí que eu comecei a entrar em contato, vi que existia todo o movimento sindical,  uma luta dos trabalhadores, com 16 anos de idade. Foi quando  eu conheci também, a minha primeira demissão na empresa, por motivo de greve. Após terminada a greve, eu fazia o Senai, a empresa chamou os meus pais, que eles filmaram durante a greve, e mostrou; não a minha participação, mas a minha tomada em vários pontos da greve, que eu estava lá vendo. E aí, disseram para os meus pais que não era aquele tipo de operário padrão que eles queriam, se eles estavam pagando um curso pra mim no Senai, era para que eu pudesse desenvolver e tal. E não tinha mais interesse da empresa. Então, mesmo sem terminar o meu curso do Senai, acabei conhecendo a minha primeira demissão por participação em greve com 16 anos de idade.


P/1 – Ainda como estagiário, né? [risos].


R – Ainda como estagiário.


P/1 – E quando você foi trabalhar na Petrobras, você me contou ali fora, que você se filiou ao sindicato logo no dia seguinte, né?


R – Na verdade, até por ser uma empresa estatal, você tem um pouco mais de liberdade no processo de conduzir. Apesar que naquela época a gente vinha de uma recém-abertura, o processo político no país ainda tinha muita repressão, mas eu me filiei no dia seguinte e, em questões de meses, eu já estava participando de congressos da categoria, congressos nacionais do movimento sindical.


P/1 – E como estava estruturado o sindicado dos petroleiros do litoral paulista?


R – Na época não era do litoral paulista, era Sindipetro Cubatão. Estava estruturado porque vinha numa gestão de dirigentes sindicais, que era o que a gente chamava “pelegos” na época. A CUT [Central Única dos Trabalhadores] havia sido recém-criada, tinha um ano e tal. Mas daí comecei a me envolver com companheiros ligados ao embrião da CUT recém-criada. Foi quando começamos a fundamentar nossas discussões pra crescimento de várias células de oposição pelo país afora, dentro da Petrobras, pra retomar o sindicato no campo cutista. 


P/1 – E como era a participação dos trabalhadores nessa época?


R – Sempre teve uma participação efetiva dos trabalhadores, principalmente na Petrobras. nossos índices de sindicalização sempre foram altos, até por ser o único patrão, mesmo sendo uma categoria nacional. Então, nós sempre tivemos uma participação efetiva; os trabalhadores sempre estiveram envolvidos em todas as discussões, todos os debates que ocorriam. Eram tempos difíceis, mas havia um envolvimento maior dos trabalhadores nas discussões do dia a dia, principalmente por mudanças, para romper com aquele padrão que vinha da época da Ditadura, essas coisas todas. Havia uma movimentação crescente no sindicato dos petroleiros, nacionalmente, por motivos de mudança, se agregar na questão da CUT, mudar as direções sindicais, para lutar.


P/1 – E além de mudar as questões sindicais e se inserir à CUT, o que estava em pauta nessa época, de reivindicação?


R – Nessa época eram reivindicações que quase todo ano a gente ..., a gente estava em campanha salarial. Tinha de uma campanha salarial, já começávamos no ano seguinte uma outra campanha, que eram as questões mais corporativas da categoria, né? Questões do acordo coletivo, reivindicações. E tinha também como nossa bandeira, a isonomia, a equiparação de direitos, porque todos funcionários novos que entravam na Petrobras não tinham os mesmos direitos que os antigos. Então, nós estávamos numa fase de briga, pra extensão dos mesmos direitos e tal. Até porque eu era um funcionário novo na empresa.


P/1 – E aí? Teve algum sucesso?


R – Tivemos sim, não tivemos todos de uma vez mas, na turma nossa que tinha entrado, após três anos; porque os acordos eram renovados a cada ano, desde os três anos nós conseguimos zerar nossos direitos, no sentido de nossos direitos serem iguais aos dos antigos. Então, a cada ano, havia um avanço no sentido de equiparar nossos direitos.


P/1 – E Silva, em relação à fundação da FUP [Federação Única dos Petroleiros], você participou? Como é que foi?


R – Participei. Devido a minha atuação de militância na Petrobras logo no início, eu entrei em 1984. Em 1991 eu fui eleito o Presidente do Sindicato, foi a primeira chapa no campo cutista naquele momento. Porque, até então, eram gestões que vinham desde a época da Ditadura, gestões que ficavam 12, 16 anos.  A primeira Direção no campo cutista foi a minha Direção, no qual eu fui eleito Presidente, em 1991. Naquela época não tinhamos a Federação Única do Petroleiros, nós nos reuníamos nacionalmente através do chamado “Comando Nacional dos Petroleiros”; eram dirigentes que se reuniam. Como nós precisávamos fazer frente a vários dirigentes sindicais que ainda permaneciam nos cargos desde a época da Ditadura, em um primeiro momento, nós começamos a criar um embrião chamado Dnpc [Departamento Nacional dos Petroleiros da CUT]. Eram 21 sindicatos petroleiros no país na época, e, desse total, nós tínhamos apenas dois sindicatos no campo da CUT, que era o sindicato de Campinas e do Paraná. À partir desses dois sindicatos, começaram a ter os embriões para poder espalhar pelo Brasil afora. Aí, começamos a conquistar outros sindicatos, e antes de 1991, quando ganhamos o sindicato, já tinha sido criado o Dnpc, onde se reunia pra tirar discussões da categoria e tal. Quando conquistamos a maioria dos sindicatos, de uma certa forma, nós criamos o Comando Nacional dos Petroleiros, que era ele que discutia uma pauta única com a Petrobras, nacionalmente. Ainda tinham alguns sindicatos que eram dissidentes e não faziam parte, era minoria. Inclusive, eles eram ligados à antiga Fenap [Federação Nacional dos Petroleiros]. Mas, com o passar do tempo, nós fomos conquistando cada vez mais sindicatos e a Fenap foi dissolvida e foi criada a Federação Única dos Petroleiros. Mas, antes de ser Federação Única dos Petroleiros era Fucp [Federação Única Cutista dos Petroleiros], porque ainda existia uma outra federação. Então, pra sacramentar que essa era a única cutista, teve esse nome no primeiro mandato, que foi de um ano, mas logo em seguida, veio o estatuto,  e criamos a Federação Única dos Petroleiros.


P/1 – E como é que foi a sua participação? Como é que você viveu esse momento?


R – Antes de ir pra Fucp eu cheguei a ser coordenador do comando nacional dos petroleiros, foi no último mandato do comando nacional. O meu mandato foi um mandato de transição, de deixar da existência do comando para ir pra Fucp. Então, quando eu fui pra Fucp, eu já fui como diretor, durante um ano. Depois eu me afastei porque a gente vai no processo de renovação sempre, eu saí da direção nacional, continuei na minha militância, mas regionalmente. Eu voltei à Federação em 2002, 2003, já como Secretário de Finanças da FUP.


P/1 – Desculpe-me, eu acho que você falou e eu me esqueci. A criação da Fup foi em qual ano?


R – O embrião da Fup se deu, mais ou menos, em 1993, 1994.


P/1 – E quando ela se estruturou, quando deixou de ser Fucp e...


R – 1991, 1992... É, foi 1993.


P/1 – E nesse momento em que ela se consolidou, como era a organização da Fup, como ela funcionava?


R – Quando ela se estruturou, todos os sindicatos eram filiados à federação, todos contribuíam mensalmente para formar um caixa para ela poder sobreviver, com funcionários. Devido a atividade dela ser nacional, nós precisávamos nos locomover. Com os sindicatos filiados, criamos o estatuto, e o aprovamos em um congresso da categoria; aliás, comparado com outras entidades, era um dos estatutos mais democráticos possíveis, porque ele abrange toda a participação efetiva dos trabalhadores, garante o espaço concreto. Criamos o estatuto e, a partir dali, elegemos uma Direção, em Congresso; as nossas direções da federação são eleitas em congressos, e fomos tocando, organizando a categoria e fazendo várias greves memoráveis na história dos petroleiros.


P/1 – E nesse tempo que você está na Fup, você viveu algum tempo de mudança dentro da política e da organização da federação?


R – É. Na realidade, nós tivemos várias brigas desde a constituição da federação, várias lutas. Em governos passados, na época de FHC [Fernando Henrique Cardoso], do Collor, tivemos grandes greves fortes, realizadas pela categoria e sob o comando da federação. Inclusive, a nossa maior greve, em duração, foi a greve de 1995, com 32 dias de greve. E, inclusive, foi nessa greve que eu tive o meu contrato de trabalho suspenso. Eu fiquei nove anos afastado da empresa. Da empresa, mas não do movimento sindical, nem da luta. Fiquei afastado, com contrato suspenso, sendo apenas reintegrado em um processo de anistia em 2003, já em um outro Governo e outra situação. E de lá pra cá continuamos na mesma luta, fazendo mobilizações, brigando, sempre pra poder conquistar avanços pra nossa categoria. 


P/1 – E dessa greve de 1995 que você mencionou, você tem alguma coisa que te lembre, das manifestações, alguma história pra conta?


R – Não tenho porque nessa época eu não estava na Direção do Sindicato . E nem estava na direção da Fup. Mas participei de um comando de greve, lá na refinaria de Cubatão. E, por incrível que pareça, essa foi a única refinaria, das nossas dez refinarias no país, que ocupou os meios de produção. Então, ela foi ocupada pelos trabalhadores, por praticamente 20 dias consecutivos. E ali trouxe experiências notáveis de solidariedade, amizade, das pessoas que conviviam com os mesmos problemas, mesmas aflições, mesmas preocupações, uma vez que você estava ocupando uma refinaria, um meio de produção; sem ver seus familiares, sem ver ninguém, durante 20 dias. Foi uma experiência inesquecível para todos que participaram daquele movimento em Cubatão. A greve era nacional, todo mundo estava participando mais, efetivamente na Refinaria de Cubatão, da qual eu fazia parte do comando de greve, nós ocupamos o meio de produção. Foi onde teve mais demissões, mais punições, até porque o movimento foi com mais enfrentamento naquela época.


P/1 – Silva, agora em 2003, que você voltou pra Diretoria da Fup...


R – Da Federação.


P/1 – Como é que foi essa eleição, o que essa Diretoria pretendeu mudar ali dentro?


R – Voltamos à partir de 2003 e, de lá pra cá já houveram três eleições em Congresso. Até então o nosso mandato era de dois em dois anos, então, a cada dois anos a gente tava tendo eleição e sendo reconduzido com renovações, mas reconduzidos na Direção. Agora que é o mandato de três anos, que teve a mudança no estatuto. Mas de lá pra cá a gente continua com os mesmos propósitos, de entender que a  Federação é um dos instrumentos de transformação da sociedade. Nós estamos com um princípio, o princípio cutista, nós não podemos ficar somente brigando pela questão do “nosso umbigo”, pela questão meramente corporativista, somente por melhores condições de trabalho, melhores salários dos petroleiros. Nós entendemos que a federação dos nossos sindicatos têm um papel de transformação da sociedade, tem que se envolver na luta do dia a dia de todos os trabalhadores, da sociedade, de todos os movimentos sociais. Então, esse é o papel que a gente vem fazendo sempre na federação; não só lutando pelas questões corporativas da categoria, do seu dia a dia, mas também não esquecendo que o mundo não se cerca só nos petroleiros, existe toda uma sociedade e a gente tem que trabalhar em conjunto com os movimentos sociais.


P/1 – Silva, qual você acha que foi o seu melhor momento dentro da Fup?


R – Dentro da Fup ou dentro da Petrobras? [risos].


P/1 – Pode ser as duas coisas [risos].


R – Eu acho que a gente vive em constantes momentos de... Eu não sei dizer o melhor momento. Eu acho que, quando você entra numa empresa; em 1984 e hoje. Nós estamos em 2009, quase 25 anos de empresa. Eu acho que a gente constrói vários bons momentos, não só na empresa, mas na luta do movimento sindical. A gente poderia citar inúmeros, mas eu acho que um dos grandes momentos que eu passei aqui enquanto experiência, crescimento de vida, solidariedade, companheirismo, relação coletiva, essas coisas todas, foi na greve de 1995. Foi a minha maior experiência.


P/1 – E nesse período de nove anos, da greve de 1995 até você voltar, como é que foi?


R – Inclusive na minha gestão, em 1991, nós conseguimos constituir o chamado “fundo de greve”, chamado de “Associação Beneficente Cultural dos Petroleiros”. Esse fundo de greve tinha como objetivo justamente esse; em momentos difíceis, de luta da categoria, você ter um fundo que pudesse amparar ou ajudar as pessoas para não ficar desprovida, até por causa da perseguição que era muito grande, né? Em 1991, nós constituímos um fundo e, em 1995, quando nós fomos demitidos e alguns ficaram com contrato suspenso, em algumas bases tinha esse fundo criado, inclusive a nossa. Então, ele acabou dando uma ajuda de custo, de sobrevivência, para esses petroleiros que foram demitidos, em torno de 17 na minha refinaria. Entre desses 17, estava eu. A gente pôde sobreviver com essa ajuda de custo, não era um salário, como se você estivesse trabalhando, mas era uma ajuda de custo para que você pudesse sobreviver. Fora isso, a gente continuou na militância, nas direções, próximo ao sindicato, rodando naquele satélite do mundo sindical. E contribuindo na luta, no dia a dia do sindicato, e também brigando, incessantemente, pelo nosso retorno à empresa, um processo tanto no campo judicial, como no político, em Brasília. Mesmo nos nove anos afastado, continuamos militando no sindicato pra categoria, contribuindo em todas as lutas que estavam tendo aí.


P/1 – E nesse período houve alguma atividade que você acha que possa ter se destacado?


R – Não. Tivemos vários momentos, discussões em Brasília, ocupação do Salão Verde do Congresso contra a privatização da Petrobras. Você pode reparar que em todas as categorias estatais que nós tínhamos, praticamente a Petrobras foi uma das únicas que sobreviveu. Todo o Sistema Telebrás [Telecomunicações Brasileiras S.A], Embraer, setor energético, todas essas empresas foram praticamente privatizadas. Telefonia, Vale do Rio Doce. A única empresa que o Governo não conseguiu privatizar, apesar das tentativas, foi a Petrobras, por luta da greve de 1995. Então, continuamos constantemente nessa briga, até hoje, para não deixar privatizar a empresa.


P/1 – Silva, quais são, quais eram, e você poderia dizer como era antes e como é agora, as principais estratégias de luta dentro do sistema sindical?


R – A principal estratégia sempre foi estar no dia a dia, na base, conversando, num trabalho efetivo com nossos companheiros de base, nossos trabalhadores. Essa é a nossa maior estratégia, do ponto de vista de organizar os trabalhadores. Não perder a ligação e nem o nosso “umbigo”, o nosso “cordão umbilical” com a categoria, com a base. A nossa maior estratégia é estar lá de pronto, ouvindo os trabalhadores, suas reivindicações, suas angústias, no sentido de estar na conscientização coletiva. Esse é o nosso maior papel, a nossa maior estratégia, estar junto com os trabalhadores, no sentido de ter uma conscientização maior do papel deles na sociedade, de transformação, essas coisas todas.


P/1 – E como é que vocês tentam uma sensibilização da sociedade não-petroleira às questões da categoria?


R – É difícil, há um preconceito muito grande. Porque foi trabalhado na época do Fernando Henrique, e mesmo na época do Fernando Collor, que nós, trabalhadores estatais, ou, nós trabalhadores da Petrobras éramos marajás, privilegiados, essas coisas todas. Acho que até hoje tem um pouco disso na sociedade, principalmente quando havia aquela ânsia de privatização e havia as propagandas do Governo, do elefantão andando: “Isso aqui é uma estatal, os funcionários públicos”. Então, havia muita confusão nesse aspecto, nessa dificuldade que nós tínhamos de relação com a sociedade. Às vezes éramos mal compreendidos, como ainda somos hoje. É difícil essa relação de dizer que nós, petroleiros, estamos numa categoria diferenciada, que morre de dois a três petroleiros por mês. Trabalhamos na unidade de risco, segurança, já vimos vários companheiros morrer em acidentes, não só de incêndio, em refinarias, em unidades, companheiros morrendo de várias formas. Às vezes as pessoas têm um pouco distante que é uma indústria que mata, que polui. Então, essa relação com a sociedade é um pouco difícil. É  como aquela história que às vezes a gente até brinca entre nós: “Todo mundo vê a pinga que eu tomo, mas os tombos que eu levo, ninguém olha” [risos]. É um pouco disso, todo mundo vê a empresa que a gente trabalha mas, quantos morrem por dia, quantos estão se acidentando, quanto estão se contaminando por leucopenia e outras doenças ligadas aos derivados de petróleo, isso ninguém vê, o mundo não mostra. Mas todo mundo vê quando se discute a PLR [Programa de Participação de Lucros de Resultados] dos petroleiros, ou quando se discute o salário dos petroleiros e tal. Agora, nós somos uma categoria organizada nesse aspecto, pra sempre avançarmos. Mas nós não desistimos desse processo de dialogar com a sociedade e mostrar que não somos esse “bicho-papão”. Até porque durante a greve vem sempre a mídia, vem sempre a Direita, tentando colocar a opinião pública contra nós, dizendo o nosso salário, dizendo isso. E até colocando a questão de GLP [Gás Liquefeito de Petróleo], como foi em 1995, dizendo para as donas-de-casa que o gás de cozinha estava faltando por causa dos petroleiros quando, na realidade, nós não tínhamos feito isso.


P/1 – E quais foram as principais conquistas que você aponta?


R – Eu acho que estamos em constante conquista, nós tivemos várias principais conquistas. Uma delas, que eu acho que foi a principal delas, foi não deixar essa empresa ser privatizada na época em que tudo estava sendo privatizado, nos governos anteriores. Essa, acho que foi a principal luta que coloca como nossa principal conquista, não deixar essa empresa ser privatizada. Mas tivemos, sim, várias conquistas corporativas, do ponto de vista da relação da segurança, de salário, na reintegração de todos os nossos benefícios da época do Fernando Henrique. São conquistas esparsas que temos tido, mas, com certeza, a maior conquista nossa foi não deixar essa empresa ser privatizada.


P/1 – E agora, Silva, pensando numa coisa mais da Política nacional e a relação com os outros sindicatos, como é que era o movimento sindical nos anos 1980, logo que você chegou nele?


R – A relação do movimento sindical nos anos 1980 era uma relação de mudança, de transformação. Estava tendo mudança naquela cultura e na forma que os dirigentes sindicais vinham. Porque a maioria dos que estavam nos anos 1980, eram dirigentes sindicais oriundos do PCB [Partido Comunista Brasileiro], não é do PC do B [Partido Comunista do Brasil], lá do PCB. Um pessoal que acabou, de uma certa forma, sendo encastelado nas direções, conviveu com aquela questão, na época dura das perseguições. Nos anos 1980, era uma relação de uma necessidade de mudança no país, e isso ficava claro nos grandes movimentos que ocorreram no ABC, nas greves dos metalúrgicos, 1978, 1979, 1980, 1983... Havia uma mudança na sociedade por mais liberdade nessa questão. E nós, petroleiros, não estávamos diferente disso; em 1980, nós estávamos na retomada dos sindicatos, numa direção mais progressista, essas coisas todas. Então, é um pouco disso nos anos 1980, a necessidade de mudança, não só no país, mas também internamente, através de sindicato.


P/1 – E qual você acha que foi o momento em que a luta política dos sindicatos ficou mais difícil?


R – Olha, eu só posso dizer da época que eu estou na empresa, não posso voltar lá atrás. Nós tivemos momentos difíceis, que a história nos mostra, em 1964, 1968...


P/1 – Ah, claro, mas aqui o que interessa é a sua história. 


R – Agora, de quando eu entrei até agora, os momentos mais difíceis foram após a greve de 1995, depois de 32 dias. Ali, o Governo tentou, com a greve , diminuir todo o espaço que tínhamos tido de conquista até aquele momento. Foi a época de maior repressão dentro da empresa, demissões, perseguições, época da “chibata” mesmo, vários cortes de direitos, na categoria. Por mais que a gente resistisse, tinha uma dificuldade depois daquela greve, para o pessoal retomar a luta novamente. Ficamos estagnados em torno de dez anos, sem conseguir reagir. Foi o momento em que a empresa mais avançou nos cortes dos nossos direitos, na repressão, em outras questões que, para nós, eram fundamentais no dia a dia. Foi aonde a empresa conseguiu, de certa forma, romper, o que tínhamos conseguido depois de muitos anos de luta, que era o coletivo, a solidariedade, a visão de classe. A empresa começou a implantar sistemas de individualismo, o funcionário que cuidasse da sua vida teria muito mais chances de crescer do que aquele que pensasse coletivamente. Então, houve toda uma massificação por parte da empresa, de dividir a categoria de várias formas. Vieram ___ de ___, salários que visavam exclusivamente a individualidade, que era um pouco do neoliberalismo, que quando teve a ascensão do Fernando Henrique, de implantações. Isso foi um momento difícil que passamos, mas que, depois de um certo tempo, nós começamos a, novamente “engatinhar”, recuperando nossa autoestima e tal.


P/1 – Você falou que nessa época foram cortados benefícios da categoria, você poderia dar alguns exemplos?


R – Temos vários exemplos; nós tínhamos uma cláusula de estabilidade de emprego, emprego não, estabilidade plena. Não que a empresa não pudesse demitir, mas ela não poderia demitir por motivos imotivados. Ela poderia demitir até por motivos disciplinares, mas havia todo um____ para fazer isso. Essas cláusulas foram as primeiras a serem suprimidas. Outras questões foram direitos que tinham no dia a dia; nós tínhamos licenças, liberações, cinco licenças remuneradas por ano, pagamento de hora extra nos trabalhos, nos feriados, nos turnos, que inclusive foi motivo de uma greve que aconteceu recentemente. Foi nessa época que foi cortado, uns foram retirados e outros foram comprados através de indenizações, coisas desse tipo. Então, foram vários ataques que tivemos nesse período do Fernando Henrique Cardoso, principalmente, na questão dos novos funcionários que entraram na empresa a partir de 1997, ou seja, dois anos depois da greve de 1995. Em 1997, os funcionários que entraram, que foram poucos, depois não entrou mais nenhum, eles não tinham os mesmos direitos. Só viemos resgatar há alguns anos atrás, já no novo Governo, essa coisa toda, mas eles não tinham os mesmos direitos. Como a Petrobras, quer queira ou não, por mais que nós petroleiros somos mal compreendidos pela sociedade, mas, a sociedade, enquanto visão da empresa, ela a tem como “a menina dos olhos”, uma empresa orgulho do país, que deu certo, tal. Então, o que nós percebemos, nesse processo todo, foi que o Governo percebeu que dificilmente conseguiria privatizar a Petrobras, como privatizou as outras estatais. Então, passou por um “dividir para governar”, um fracionamento da empresa. Começou a dividir a empresa em vários pedaços, começou a criar uma política... Quer dizer, se eu tenho uma opinião pública que defende essa empresa, eu preciso colocar a opinião pública contra essa empresa. Foi a época que o Governo não investiu em reposição de mão-de-obra. Nós éramos 65 mil funcionários lá atrás, foi reduzido a 32 mil funcionários. Foi a época em que ocorreram mais acidentes; A P-36 afundou no mar, teve o acidente na Baía de Guanabara, o acidente na Bacia do Paraná, foi a época que a empresa mais poluiu. E havia uma ação premeditada disso, porque havia a necessidade de colocar a opinião pública, a sociedade, contra a empresa. A empresa que polui a Baía de Guanabara, que mata os pássaros, não sei o quê. A ineficiência gerencial afunda a plataforma, mas era uma política premeditada do Governo. Havia uma política de sucateamento da empresa; eu preciso sucateá-la para depois privatizar. Esse processo acabou sendo interrompido com muita resistência, muita briga, mas existia a intenção clara do Governo. A nossa sorte em tudo foi que nesse ínterim a gente conseguiu ter um ____ quando mudou de Governo. Aí, mudou para outro patamar; é a empresa que investe, que contrata, que cresce no mundo, no país. ___, porque senão, o nosso futuro poderia ter sido complicado se esse Governo continuasse com aquela política neoliberal de privatização, tal.


P/1 – Você estava destacando as relações da empresa com o Governo. E como é que é ser sindicalista numa empresa de Governo, uma estatal?


R – Na realidade, a gente vive em crise de identidade constante. Ser ou não, quando é ou quando não é? No início, o que nós percebemos, é que a categoria petroleira, por sempre defender o Governo que aí está, antes dele entrar, acho que criava... Não apenas a categoria, acho que nós sindicalistas também. Achávamos que uma vez que o Governo entrasse, ele iria governar apenas para nós, petroleiros. E aí, pessoal perdeu um pouco o ___, porque o Governo não iria governar só pra petroleiro, mas para toda uma sociedade, que não podia olhar só para o “umbigo” de um petroleiro. Então, muita gente, até hoje, não compreendeu isso, acha que o Governo deveria nos ter defendido, por ter ido às ruas, brigado, que o Governo deveria olhar para os petroleiros, até por ser uma empresa estatal. Agora, nós tivemos muitas conquistas nesse Governo. E as conquistas que nós tivemos, nós fomos buscar também. Como fizemos greve nesse Governo também. Hoje, há um amadurecimento em saber diferenciar aquilo que é bom e que tem que ser elogiado, daquilo que a gente acha que é ruim e tem que ser criticado. Nós entendemos que esse Governo, é um Governo em disputa. Governar esse país depende de alianças que o Governo faz que chega a “doer na nossa espinha,”  a “doer nas costas” determinadas alianças. Mas procuramos ter uma compreensão desse processo. Agora, é um Governo em disputa, se os trabalhadores não estiverem em movimento, às vezes a gente tava num choque assim quando ia entrar em uma greve, uma movimentação: “Pô, vai fazer greve agora?” “Pô, vai enfraquecer”. Não, pelo contrário, o próprio Governo já havia dito: “É um Governo de disputa, se vocês não disputarem o espaço, a Direita disputa”. Então, quando estamos fazendo greve, ou brigando, não estamos brigando contra o Governo, estamos brigando pra puxar o Governo para o lado de onde ele veio, que é o dos trabalhadores. Então, é uma disputa de classe na realidade, não é contra. Vem cá, vamos brigar pra pressionar. Porque se os banqueiros, se os empresários pressionam o Governo constantemente, os trabalhadores têm que pressionar também, através de seus movimentos, tal. Agora, que é uma relação complicada, é. É uma relação que, às vezes, a gente fica assim... É uma situação nova, nunca passamos por isso. Mas acho que umas porradas que a gente vai tomando e vai dando ao mesmo tempo, todo mundo vai amadurecendo um pouco nesse processo. Mas que é uma relação diferenciada, nova, e, às vezes, muito complicada, é. Você tá numa empresa onde o acionista majoritário é o Governo e ter as posições de ___ linhas governamentais e você tem que fazer, muitas vezes, esse enfrentamento. Agora, por outro lado, também, que pesa a empresa ser uma estatal, é uma empresa de economia mista, é uma empresa que, nós chegamos a dizer constantemente, que ela precisa ser desprivatizada por dentro. Há muitos resquícios de governos passados, ainda colocada. Você não muda uma empresa como essa da noite pro dia. Então, a gente percebe que ainda existe muitas pessoas dentro da empresa que gostaria de voltar ao status quo de antigamente, da época da “chibata”, da Ditadura. E tem muitos privatistas dentro da empresa. E, por ser uma empresa de economia mista, tem muita influência do mercado, porque tem muitos acionistas, né? O Governo tem controle de mando, mas hoje, a empresa, tá totalmente no mercado de ações, muito mais do que deveria estar. Tanto que existe uma campanha nossa, para o Governo resgatar essas ações, para torná-la uma empresa pública, que não é. 


P/1 – Silva, você até falou um pouco que, com o Governo Lula, houve uma mudança do direcionamento político, de deixar de ser uma coisa totalmente neoliberal. Mas, em relação à categoria dos petroleiros, houve uma mudança mais direta?


R – Houve muitas mudanças, antigamente a nossa grande preocupação; nós deixávamos até as nossas questões corporativas, do dia a dia dos petroleiros de lado, para lutar por uma coisa maior que era a privatização. Então, a nossa pauta, antigamente, era contra a privatização. O tempo todo o movimento sindical voltado pra essa coisa, hoje, não. Hoje o petroleiro respira tranquilo,  nós nos damos ao luxo de discutir salário, fundo de pensão, condições de local de trabalho, que até há um tempo atrás a gente não conseguia ter tempo pra discutir essas coisas, porque tinha que ficar discutindo a não privatização. Hoje isso não está no nosso cenário. Então, houve mudanças sim, do ponto de vista do petroleiro, da nossa organização, que hoje estamos voltados não só para questões da sociedade de maneira geral,  estamos hoje com uma grande bandeira de luta que é a questão do pré-sal e, que  questão que foge a uma questão meramente corporativa da categoria. Porque o petroleiro, achava que o petróleo ficando no país, sendo vendido, ele iria ganhar. Mas a questão da nossa luta é uma questão de soberania, sobrevivência, de resgate. Então, nós temos bandeiras de luta e estamos em constante briga, inclusive com o Governo, que continua fazendo os leilões para atender mercado, essas coisas todas. Mas tivemos uma vitória, quando nós conseguimos forçar de uma certa forma, discutir na sociedade e com o próprio governo, de tirar dos leilões, pelo menos em um primeiro momento, essas grandes reservas do pré-sal. Então, são várias bandeiras de luta ainda pela frente. 


P/1 – Silva, como é que se dá a relação da Fup com as demais organizações de trabalhadores do meio do petróleo, da Petrobras?


R – Olha, isso também é um fato novo para nós. Como eu disse pra você, no passado tínhamos 21 sindicatos, alguns se fundiram, e acabaram ficando 17 sindicatos. Sindicatos na Bahia, e em São Paulo, que acabaram se unificando em apenas um sindicato, e ficamos em 17. Com o advento do Governo, essas disputas ideológicas colocadas no meio sindical, nós tivemos alguns afastamentos de entidades que saíram da Federação. Hoje, no total, são seis sindicatos de 17, temos 11 sindicatos que permanecem filiados, essas coisas todas. Acabou criando um... Tínhamos nossas disputas internas enquanto movimento sindical, mas não nesse estágio em que estamos hoje. Hoje, nós estamos num estágio de disputa porque tem sindicatos, que, por saírem, acabam, de certa forma, favorecendo a empresa do ponto de vista de resistir as nossas conquistas, uma vez que tem um segmento com duas frentes de petroleiros no país. Mas a relação com o movimento sindical, de uma forma geral, no campo da CUT, com essas categorias, é boa. Sempre tivemos uma boa relação. Até com os próprios companheiros que desfiliaram da federação. Mas é um problema que a gente tem pra ser resolvido no futuro.


P/1 – Tem divergências em alguns pontos mas, em outros...


R – Em outros nós não temos pontos, caminhamos juntos, tal.


P/1 – Agora, Silva, pensando um pouquinho mais no Silva, a pessoa, e não o Diretor da FUP. Como é que a sua militância sindical interferiu na sua vida?


R – [risos], interfere em todos os aspectos, no familiar; ficava aquilo. Com os filhos?. Os filhos vêm, você acaba não acompanhando o processo de crescimento dos filhos, porque a vida coloca um pouco isso, muitas viagens, afastamentos. Hoje meus filhos já estão grandes, 22, 23 anos. Mas eu me lembro que, em 1991, quando eu tomei posse do sindicato, os meus dois filhos mais velhos estavam nos meus braços, eram três, cinco anos, coisa assim. Então, essa vida toda que você tem de ficar fora. Por exemplo, eu moro em São Paulo, fico aqui a semana toda, às vezes fico 15 dias direto, vou de final de semana. Isso, nas lutas, nos afastamentos, faz com que você fique um pouco distante da família. Por mais que eu tente diminuir essas situações; e isso interfere na nossa relação de família, essas coisas todas. Mas, por outro lado, a gente acaba conversando muito, eles acabam tendo um entendimento do processo hoje, mas ficam algumas seqüelas do ponto de vista de relacionamento familiar, esposa, essas coisas todas. Mas é um papel que a gente tem e tal, pra quem se insere nesse processo do movimento sindical. Acho que qualquer luta de transformação da sociedade, seja o movimento sindical, partido político, ou em outros segmentos, na questão ambiental. Qualquer luta faz com que as pessoas tenham que fazer sacrifícios de suas vidas particulares, até. Só espero que meus filhos não sejam reacionários por conta disso. Porque, às vezes, a gente vê comentários de um filho, ouve história de que os pais são comunistas, são sindicalistas, que os filhos, às vezes, se tornam reacionários por conta do afastamento dos pais [risos], mas espero que meus filhos não sejam, e estou educando para que eles tenham um concepção de militância, sociedade, de coletivo e brigar pelo próximo, essa coisa toda.


P/1 Silva, quais são, hoje, as principais questões em pauta no movimento dos trabalhadores?


R – Hoje os principais pontos em pauta são garantir que as reservas do pré-sal permaneçam no país, a principal pauta, hoje, é brigar pela mudança na lei do petróleo, para garantir que essas reservas de petróleo encontradas em grande quantidade; que uma vez que estiver jorrando para fora, vá colocar o Brasil como terceiro ou quarto país em produção de petróleo no mundo. Essas reservas têm que ficar com o país, têm que sanar grandes dívidas que o país tem com a população, tem que ser transferida em Educação, Saúde. Tem que garantir que essas reservas não sejam __ de uma forma em vão. Essa é a nossa maior bandeira, dos petroleiros, hoje, é garantir que as leis do petróleo sejam mudadas para garantir a soberania do nosso povo e não ser, como vários países da África e em outros lugares, que têm petróleo em baixo e uma grande pobreza em cima.


P/1 – Silva, eu queria encerrar a nossa entrevista, perguntando o que você achou de ter participado e o que você acha do programa Memória da Petrobras.


R – Eu acho que isso mostra os novos “ventos” da empresa, na sociedade. Eu acho interessante esses espaços, espaços esses que não tinhamos lá atrás. A História era sempre contada da forma dos vencedores e nunca dos vencidos, ou dos que tomaram seus tombos e tal. E nós nunca tínhamos tido um espaço desse, do trabalhador colocar a sua visão na empresa, no movimento sindical, na sua óptica. Então, eu acho que esse espaço foi super necessário, foi uma conquista também. Porque na nossa empresa nada é dado, tudo é conquistado. Isso também foi uma conquista de briga, de mudança, dos ares que estão soprando, de uma certa forma, na América Latina como um todo. Mas recentemente, ontem, antes de ontem, as eleições em El Salvador, a gente vê que novos ares estão soprando na América Latina. Então, eu acho que é importante esse espaço de Memória, esperamos que ele continue. Inclusive, uma nova geração está chegando agora, que é eles que vão assumir esses papéis para daqui a 20 anos. Daqui a pouco tá chegando meu tempo na empresa, daqui mais uns oito anos  chega o meu tempo. E essa nova geração que vai entrando, acho que tem que ficar um pouco dessa história, das lutas, das brigas, pra eles entenderem que nada que está aqui foi de graça. Muita gente tombou, muita gente morreu no passado,  muitos foram demitidos, muitos sumiram. E tudo o que eles hoje estão pegando, entrando na empresa, muita gente batalhou pra que eles pudessem chegar nesse espaço. Acho que, ter esse registro dessa memória, dessas lutas nossas, nós achamos fundamental para o crescimento da categoria e da sociedade. Até porque muitas das gerações que estão entrando hoje na Petrobras são gerações que vêm dos bancos acadêmicos da época dos oito anos do Fernando Henrique, de PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira], neoliberalismo, aquela formação acadêmica que viu... São esses que estão entrando na Petrobras hoje, então, todos nós temos um papel fundamental para eles entenderem que não é individualismo, não é sectarismo que vai construir uma empresa e contribuir para a vida profissional dele, que é no coletivo. E a gente fecha sempre com um grande ditado: “Eu prefiro errar coletivamente que acertar sozinho”. É isso que a gente sempre coloca para os novos. É isso.


P/1 – Obrigada Silva.


R – Tá ok.

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