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História

Mil bons exemplos para contar

História de: Eduardo Silhetes Ferreira Xavier
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/01/2016

Sinopse

Nesta entrevista, Eduardo nos conta sobre sua infância em Juiz de Fora, sua relação conturbada com seu pai e seu irmão, a força de vontade de sua vó e sua brincadeiras de criança. Nos fala sobre sua paixão de adolescência que o levou a começar no trabalho cedo e sua entrada na Siderúrgica Mendes Júnior. Depois, nos fala sobre seus outros empregos em tempos difíceis de recessão, sua vida na faculdade e seus dois casamentos, que lhe rendeu seus dois filhos, apesar das separações e dos distanciamentos que a vida lhe impôs - seja pelas próprias relações, seja pela distância entre as cidades de Minas Gerais. Eduardo também nos conta a história de como conheceu Iara, sua atual esposa, e de como conceberam a ideia d'Os Caçadores de Bons Exemplos. Disso nos conta casos e histórias que passaram na estrada, projetos que conheceram Brasil afora e o cotidiano de Caçador de Bons Exemplos. Eduardo nos conta sobre os próximos planos dos Caçadores e de seus sonhos para o futuro.

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História completa

O meu nome é Eduardo Silhetes Ferreira Xavier, eu nasci dia cinco de julho de 1968, sou natural de Juiz de Fora, Minas Gerais.

 

Meu pai faleceu quando eu tinha 11 anos… que na realidade, antes de separar, o meu pai teve uma embolia cerebral que paralisou o lado direito dele, então ele não mexia com um braço, com a perna e perdeu a voz, só balbuciava, não conseguia formar palavras e não queria aprender a escrever com a esquerda, né.

 

Aí ficamos em Juiz de Fora, meu pai depois faleceu, porque como ele tinha fumado na adolescência, na vida normal dele até antes dele sofrer a embolia, o coração dele já tava muito dilatado e aí foi tentar fazer na época uma cirurgia cardíaca, uma ponte de safena, fez, foi um sucesso, mas aí de sábado pra domingo, ele piorou e aí faleceu, teve aquela melhora repentina, assim: “Vai sair no domingo”, de repente, amanheceu morto. Aí com a morte dele, continuamos morando com a minha avó e o meu irmão, quando jovem, quando criança, ele tinha problemas neurológicos, então ele tomava um remédio controlado, que ele ficava muito nervoso, tal, então ele tomava remédio e tal, então toda atenção familiar era mais para o meu irmão porque ele era o mais velho, né, antigamente tinha isso, se você consegue um bom emprego, primeiro para o mais velho, depois… vai seguindo uma cadeia assim, uma sequência de prioridades.

 

Aí eu tenho uma trajetória dentro da Mendes Junior. Entrei lá com 16 anos e lá, tem uma politica dentro da empresa que quando surge uma vaga de auxiliar de escritório, lá a gente chama de boy, chama office-boy, né, é office-boy, mas na realidade, a função era continuo, é o menino que leva correspondência, lá dentro da empresa tinham uns 20 e poucos que ficavam dentro da empresa, então  gente andava de bicicleta distribuindo correspondência…

 

Fiquei de 84… aí o que aconteceu? Aí teve as promoções internas dentro dessa empresa e eu cheguei até onde poderia chegar, porque acima, o próximo cargo seria o do meu chefe, coordenador e acima dele, o chefe de divisão. Então, cheguei até onde eu podia chegar e aí, aconteceu de em 91 ter essa crise e aí, foram mandando as pessoas embora. Inclusive meu chefe foi mandando… porque aí criaram, na época, o setor de informática e aí me passaram para esse setor do departamento do transporte e a gente trabalhava quatro pessoas e aí, teve essa crise, foi mandando um, aí acumulei o serviço dele, dois, três e no final, fiquei sozinho até 91.

 

Aí participei de um processo de seleção, não passei, mas a mesma empresa que fez esse processo de seleção fez para uma outra empresa em Ubá, aí falou assim: “Já tem num processo de seleção que ele ficou em segundo, quer ouvi-lo?”, porque aí não precisa abrir o processo, era a mesma vaga, né, mesmo segmento. Aí, fui para lá, aí senti lá, me ouviram e disseram: “É você mesmo”, aí fui para Ubá. Lá em Ubá, eu já tinha feito uma especialização na UNIPAC em Juiz de Fora, onde esse Jair era professor lá também, só que de outra matéria. Aí quando eu fui para Ubá, a maneira que eu encontrei de fazer amizade era fazer uma outra especialização lá que eles estavam começando com parceria com a Universidade Federal de Viçosa, Associação Comercial, Sebrae criaram o primeiro curso lá, o MBA de Gestão Empresarial, falei: “É uma boa oportunidade de eu fazer amizade na cidade, porque eu não conheço ninguém”, fui para ser gerente geral de uma empresa, né? E foi excelente, porque aí, eu conheci vários outros gerentes de empresa, aí fiz lá, fiquei lá uma gestão, porque eram empresa que de quatro em quatro anos, eles têm eleição, aí muda a diretoria e aí, eu fiquei mais um ano na outra diretoria, aí ele resolveu colocar mais uma outra pessoa, eu treinei essa pessoa e aí quando eu tava para sair, surgiu Divinópolis.

 

Já com a Iara... eu trabalhava numa empresa e a Iara trabalhava em outra e por uma coincidência da vida, ela tinha vivido várias coisas, tinha quebrada e tal e tava ajudando a sogra dela a resolver um problema na empresa em que eu trabalhava. E teve uma reunião nesse dia, onde estava o meu chefe, meu superintendente, e ele me chamou para essa reunião.

 

Começamos a namorar, ela contou o sonho dela, que ela tinha um sonho de dar uma volta ao mundo e ter 50 filhos. Não sei de onde ela tirou isso, eu achei que era brincadeira, falei assim: “Essa mulher tá querendo me testar". Eu tô dentro”, e a partir dali, nós começamos a… ficamos junto, em um ano, nós casamos,

 

E em 2008, indo para roça, ela teve um insight, a gente até brinca que lá em Minas, a gente chama de clarão. Teve um clarão, assim, uma viagem não é para conhecer lugares, não é uma viagem para conhecer o mundo, paisagens, é uma viagem para conhecer pessoas, pessoas que fazem algum trabalho social de fazer uma transformação porque vocês precisam disso para poder criar 50 filhos, como que vocês vão criar 50 filhos do jeito que vocês vivem, com esse mundo materialista e tal… pronto! Ela teve essa ideia, falou, continuamos, chegamos na roça lá do meu sogro, continuamos para a festa, não contamos para ninguém, aí falamos: “Tá, como vamos fazer isso? Primeiro, não podemos contar para ninguém, porque na hora que você falar que você vai ter 50 filhos, vão te chamar de doida. Quando você falar que você quer dar uma volta ao mundo, vão te internar, então vamos guardar isso só para a gente, vamos tentar planejar isso”.

 

E esquecemos, a gente ia trabalhando, tal, tal… aí quando chegou no meio de 2010, não sei se foi julho, em algum momento em 2010 é que caiu a ficha, porque lá quando ela teve esse insight, veio também: ‘quando você tiver 30 anos, e como você vai fazer uma viagem de cinco anos pelo mundo, quando você voltar você vai estar com 35. Então dos 35 aos 40, dá para você ter três filhos biológicos, de preferencia, trigêmeos. Tem dois com o Eduardo, tenho cinco, adoto 45, 50, fechou a conta’, foi isso que ela pensou lá, indo pra roça

 

Em Minas, a gente não procura as coisas. A gente caça, então: “Tô caçando o meu óculos, tô caçando a minha calca, que eu perdi”, então a ideia era essa: buscar pessoas que estão fazendo alguma ação social. Então, primeira coisa, chegar e perguntar. Então, a gente chega na cidade e pergunta: “Quem é um bom exemplo?” “Não sei, não tem isso aqui”, aí a gente tenta, se a pessoa não lembrar, a gente vai para outro lugar, num posto de combustível, numa padaria, no supermercado, a gente vai perguntando e sempre aparece.

 

Aí foi um monte de entrevistas, um determinado momento do nosso projeto, acabou o dinheiro, que foi em 2013. Aí, resolvemos financiar o nosso carro durante 12 meses. Financiamos ele no ano de 2013, que a gente vendeu o carro em dezembro de 2013 e começamos 2014 de mochila. Aí acontece a coisa mágica que é a reportagem em setembro. Aí, a gente já tava com o carro financiado, ia perder o carro, mas a reportagem não sabia. A reportagem só falou que a gente ia vender o carro para continuar de mochila, só. Nós não falamos que o carro tava financiado. E aí, de repente, sai a matéria, muita gente entra nas redes sociais, quer nos ajudar, quer mandar dinheiro e a gente fala assim: “Que beleza! Uma divida, um monte de gente, vamos pagar a divida, né, e viver”, e aí, a gente resolve tomar uma outra decisão, de não aceitar essa doação, que quem quisesse doar dinheiro para gente, procurasse um projeto perto da sua casa, quer dizer, ele ia ter que conhecer alguma coisa perto da sua casa e ajudar esse projeto lá. E aí, foi uma briga: “não, mas eu quero doar para vocês”  “Tá, o dinheiro é nosso, só que você vai levar pra gente para um projeto perto da sua casa”, daí deu outro rebuliço e aí foi onde surgiu a reportagem lá no Caldeirão que eles ficaram sabendo que a gente não tinha patrocínio, não tinha apoio, queriam nos ajudar: “Nós temos um programa aqui que chama ‘Agora ou Nunca’, vocês participam, vocês têm que vir aqui dia 28 de outubro e vale 30 mil reais”, dia 28 de outubro é o dia do aniversário da minha esposa, da Iara e 30 mil, a gente devia 36 mil. Aí que nós contamos que a gente tinha uma divida, aí eles ficaram doidos e tal. E aí, aconteceu, naturalmente, de ir no programa, ganhar o quadro e eles ainda nos deram um caminhãozinho que nós pudemos vender ele para gerar recursos para 2014. Aí estamos vivendo até hoje.

 

E aí, nós arrumamos um outro problema para 2015, que a gente ia… nós terminamos  que na realidade, o projeto era cinco anos em uma viagem pelo mundo, a gente ia fazer dois anos no Brasil e três anos fora. E aí, nós fomos ficando no Brasil, fomos ficando no Brasil, porque como você não tem patrocínio, não tem apoio, você vai do jeito que… vai indo, vai indo… e aí, terminamos 31 de dezembro, a ideia era 2015, a gente ir para o exterior, ficar um ano lá, vender o carro para gerar recursos pra gente ir e ir de mochila um ano, 49 países em todos os continentes. Isso seria para esse ano de 2015

 

Nós rodamos todos os estados brasileiros, mais o Distrito Federal, foram 220 mil quilômetros rodados.

 

O nosso sonho é viver o hoje. A gente tenta todos os dias viver o hoje. A gente tem alguns planejamentos para o futuro, que são esses aí que eu falei, do livro, do aplicativo, da viagem, de ir para o exterior, na realidade, não é nem… é só para ter um contraponto!

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