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Meus muitos-poucos 19 anos

História de: Laura Kotscho
Autor: Laura Kotscho
Publicado em: 26/04/2022

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História completa

“A aura de Laura é linda, linda, leve e luz, luz que brilha e ilumina o lar de L’aura”. Esse foi o pequeno poema que minha mãe fez para mim quando nasci, dia 27 de março de 2003. Sou nascida e criada na cidade de São Paulo, por meus pais, Fernando e Mariana, e pelo meu padrasto Rodrigo, junto com meus dois irmãos mais novos, Isabel e André. Desde pequena sempre fui muito comunicativa. Inserida em uma família de jornalistas, sociólogos e roteiristas, meu futuro estava quase traçado desde que nasci: ser uma comunicadora. Não é atoa que minha primeira palavra foi “Alô” e que com míseros 9 meses de idade já estava falando pelos quatro cantos. Considero essa “sina” de querer viver no mundo da comunicação algo extraordinário, não coisa melhor. Quando pequenas, as crianças sempre tem ambições de carreiras, que normalmente não são aquelas que vão seguir no futuro, e comigo não foi diferente. Fugindo dos clássicos de veterinária e professora, eu queria ser carteira. Acreditava que poderia entrar na casa de todo mundo para tomar um café e conhecer a história de vida de cada morador da minha cidade. Foi uma grande desilusão de infância quando descobri que isso não seria possível. Atualmente, se eu fosse pensar na minha vida profissional daqui a uns anos, eu me imagino sendo jornalista. Dessa forma eu vou poder concretizar o meu sonho de infância, que dura até hoje, que é de conhecer a história das pessoas, porque afinal, o jornalista é um contador de histórias. Sempre fui uma grande admiradora do jornalismo, e como tenho duas grandes figuras da área na família, minha mãe, Mariana, e meu avô, Ricardo Kotscho, a cada história de alguma matéria que eles contam eu fico cada vez mais apaixonada pela profissão. Sonho em trabalhar no meu programa jornalístico favorito, o Profissão Repórter, da TV Globo, comandado pelo grande Caco Barcellos, e também cobrir o desfile das escolas de samba no carnaval, comemoração pela qual sou apaixonada. Desde criança virava a noite assistindo a cobertura do carnaval pela TV e de vez em quando fui ao sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Além do jornalismo, outra área que sou apaixonada é a do entretenimento. Sou uma ávida noveleira. Acompanho todos os horários desde 2014, quando vi a novela Em Família, que passava no horário nobre da TV Globo, escrita pelo Manoel Carlos. De lá pra cá já assisti novelas dos anos 70, 80, 90… Tudo graças à internet. Adoro acompanhar esse produto do audiovisual autenticamente brasileiro, e acredito que deveríamos valorizar muito mais as novelas, que fazem parte da nossa cultura. Isso configura outro grande sonho meu, que é um dia trabalhar em uma novela, em qualquer área, seja no roteiro, produção, direção… Acho fascinante. Uma vez meus tios por parte de mãe, Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani, que são roteiristas da TV Globo, me levaram, de presente de aniversário, para o Projac, atualmente Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Foi como se eu estivesse na Disneylândia. Na época estavam começando a gravar a novela das 21h a Força do Querer e eu visitei os estúdios, as cidades cenogŕaficas, os camarins, as salas de figurinos, o acervo, conheci os atores, e até participei como figurante em uma cena. Nunca vou me esquecer desse dia. Andava pelos corredores maravilhada, sem acreditar que aquilo estava acontecendo. A novela tem um papel muito importante na minha vida pessoal também, em relação à representatividade. É de senso comum a importância da representatividade de minorias em qualquer lugar de destaque e/ou poder e nesse caso, na novela Em Família, as atrizes Tainá Müller e Giovanna Antonelli protagonizaram um casal que foi extremamente importante para minha aceitação como mulher bissexual poucos anos depois. As pessoas próximas de mim costumam dizer que novela é coisa de velho e que por isso tenho alma de idosa. Eu discordo completamente que a novela está restringida a qualquer faixa etária, mas já em relação à alma de idosa acredito que não tenho muito como me defender. Enquanto os jovens da minha idade gostam de ouvir eletrônica, pop e funk, eu coloco no meu fone o rei Roberto Carlos e outros grandes artistas da MPB, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Ana Carolina, Gal Costa, Rita Lee… Mas para além disso, o que mais contribui para essa minha “alma de velha” é a minha paixão pelo modão. Sei decor a letra de pelo menos 50 músicas dos Amigos (Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo). Quando tem um karaokê por perto não consigo resistir, senão à cantar os clássicos do sertanejo. Em minha festa de aniversário de 19 anos - aliás, eu amo comemorar meu aniversário- o primeiro tópico da lista do que não podia faltar era um karaokê para eu poder cantar meus modões, e os clássicos de Sandy & Junior com a minha mãe. Apesar desse gosto - que eu considero extremamente sofisticado - , eu já tive paixões de adolescente por diversos artistas do pop. Aos 13 anos meu quarto tinha mais fotos do cantor americano Justin Bieber do que da minha própria família e amigos. Quando o cantor veio ao Brasil, fiz minha mãe ir comigo no show no dia do aniversário dela. Já com 15 anos foi a vez de me apaixonar pelo grupo de pop Now United, que faz grande sucesso entre os jovens no país. E mais uma vez fiz minha mãe me levar no meet & greet dos artistas, quando eles ainda não eram tão famosos, agora no dia das mães. Essas paixões exageradas, e outras que não citei, como com diversas séries e cantores, me fazem acreditar que sou uma pessoa intensa. Quando eu estou interessada, vou a fundo, descubro tudo, me torno uma expert no assunto. Essa característica da minha personalidade condiz muito com meu signo - sim, eu sou daquelas que acredita em signos - de áries. Sou intensa, brava, mandona e quero tudo do meu jeito. Tiro satisfação, falo o que penso, e fico estressada facilmente. Ao mesmo tempo, sou uma pessoa bem alto astral, que gosta de sair e que topa tudo, até mesmo ir ao Canindé para ver um jogo da Portuguesa da série B do Paulista com meu amigo, sendo que sou palmeirense e não acompanho muito o futebol. Enfim, sou uma “mulher de fases”, como diz a letra dos Raimundos. Sendo essa pessoa de gênio forte - para não dizer muito mandona - sempre queria mandar nas apresentações de final de ano, jogos em torneios e trabalhos escolares, desde a creche até o Ensino Médio. E em casa não era diferente, nas brincadeiras com meus irmãos e primos, sempre queria assumir a liderança. Costumávamos brincar de faz de conta sempre com os mesmos personagens, que meu tio Bráulio inventou para nós: os guerrilheiros do Esquadrão Bolchevique que lutavam contra o Lorde Romanov, liderados pelo Trotsky. Minha personagem se chamava Natasha. Sempre que íamos para a casa da família em Porangaba, no interior de São Paulo, ou para a casa da praia, em Toque-Toque Pequeno, gravavámos filmes - de qualidade extremamente duvidosa - contando mais uma aventura do Esquadrão Bolchevique. É claro que nós, com nossos 6 a 10 anos de idade, não tínhamos a menor ideia de que aquela brincadeira era uma alusão à história real da Revolução Russa. Quando fui ter essa matéria no colégio, levei um susto quando a professora começou a falar sobre minha brincadeira de infância. Ainda sobre a questão de liderança, se por um lado posso ter sido extremamente inconveniente, por outro acredito que isso me fez querer ir atrás de participar e tomar frente em trabalhos, organizações e debates. Durante meu período escolar, eu gostava de participar de tudo: ser representante de sala, organizar eventos, fazer atividades extracurriculares… Com isso, acabei entrando, com 14 anos, na ONG que participo até hoje, chamada Projeto Veredas (www.projetoveredas.org), e que hoje sou vice-diretora. Sendo voluntária, obtive conhecimentos em áreas que nunca tive muito interesse, como logística de transporte e de obras, vendas, orçamentos, elaboração de marcas de roupa, além de participar de áreas que sempre gostei, como organização de eventos, como festivais de música e palestras. Por mais que não tenha tanto gosto em me aprofundar nessas áreas, eu sempre tive interesse em aprender coisas novas. Quero muito saber andar bem no skate, surfar, tocar piano lindamente - atualmente sei apenas o básico - , fazer tricô, costurar, fazer origami, desenhar, pintar, programar… Enfim, de tudo um pouco. Mas o principal foco agora é aprender línguas estrangeiras, principalmente alemão, romeno e árabe, que são os idiomas dos meus descendentes, além de querer aprender uma segunda língua brasileira, a LIBRAS. Olhando para trás, acho que a laurinha “tonhonhoin” - apelido que me deram quando pequena devido aos meus cachinhos que balançavam quando eu andava e pareciam uma mola- tem muito orgulho da mulher que ela se tornou, agora com 19 anos recém completados: uma mulher forte, ativista, e poderosa - no bom sentido-. Devo isso tudo graças à minha criação em casa, da minha mãe e do meu padrasto, e da minha família por parte de mãe, os Kotscho, além de claro, a escola onde passei 14 anos da minha vida, o Colégio Santa Cruz, no bairro Alto de Pinheiros. Juntos, eles me ajudaram a moldar meu caráter, minhas opiniões e princípios. Fazem parte de quem eu sou. Devo muito a todos os meus professores do colégio, a quem tenho imensa admiração. Para encerrar essa pequena narrativa da minha vida, acho que nada melhor do que falar sobre a minha autêntica família: os Kotschos. “Pequena, mas barulhenta”, como nos definimos com orgulho, todos temos o dom de sermos muito animados, fiéis e companheiros uns aos outros, mas também um pouco fora da curva na doideira e aleatoriedades. Vou te contar, é difícil ser prima nessa família: o povo é bom em tudo o que faz, e faz com gosto! O orgulho de ser Kotscho resume tudo isso que escrevi nos últimos parágrafos. É ser quem eu sou, ter crescido nessa família, sendo respeitada e amada por todos. Por isso, encerro com uma pequena alusão ao grande Carlos Drummond de Andrade: vai Laura, ser Kotscho na vida.

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