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Meus cinco filhos...

História de: Alessandro Lopes
Autor: Alessandro Lopes
Publicado em: 03/03/2017

Sinopse

Essa é uma parte da minha história de vida e que relata momentos muito difíceis que eu e minha esposa Sabrina passamos ao longo desses últimos 24 anos de casados. Escrevi em meu perfil que tenho dois filhos, mas na verdade são cinco e é isso que quero lhes contar. Venham comigo, pois ao compartilhar esses fatos, com certeza vou revivê-los e aprender mais uma vez com todos eles!

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História completa

Para quem leu o texto do meu perfil onde constam as “Informações Pessoais” pode estar se perguntando: Como assim, cinco filhos? Já que escrevi que tenho dois, a Ingrid de 17 e o Lucas de 15 anos. Pois bem, inicialmente é isso mesmo, mas essa história é um pouco mais complexa. Eu e minha esposa Sabrina começamos a namorar em 21/01/1991, isso depois de pelo menos uns cinco anos de amizade, pois nossos pais eram amigos e frequentavam o mesmo grupo da igreja Bom Jesus dos Aflitos que fica na Vila Hortência em Sorocaba/SP e nós ficávamos com os monitores que cuidavam das crianças; era um tipo de catequese indireta e nós adorávamos. De início eu nem imaginava, mas a Sabrina já gostava de mim, só que nunca me falou e eu a enxergava como amiga, aliás, minha melhor amiga. Os anos se passaram e chegou nosso momento e o namoro nos pegou; foram quatro anos de um namoro saudável, intenso e pudemos nos conhecer cada vez mais, aliás, abro aqui um parêntese: No dia em que a pedi em namoro demos um primeiro beijo demorado e inesquecível, pois ali se iniciou uma história que jamais imaginaríamos durar tantos anos e ser tão cheia de desafios, alegrias e tristezas, derrotas e vitórias e tudo mais que um relacionamento pode trazer. Você pode estar pensando: E o que tudo isso tem haver com os cinco ou dois filhos? Calma, já vou esclarecer, mas posso adiantar que tem tudo a ver, é a nossa história! Entre o final de 1994 e o início de 1995 veio a incrível descoberta; Sabrina estava grávida! Isso mesmo, grávida com 19 anos de idade, após quatro anos de namoro, pois infelizmente acabamos “avançando o sinal”, nos descuidamos e a gravidez não planejada nos pegou de surpresa e nos colocou diante de um enorme desafio. E agora, o que fazer? Como e para quem contar? Meus pais? Os pais dela? Amigos? Vocês não imaginam como foi difícil tudo isso. Decidimos então contar primeiro para a minha mãe Sônia e dai com sua ajuda contar para os pais da Sabrina e assim foi. Esse momento de ter que contar para o meu sogro Dejair e a minha sogra Katerine (In memoriam), foi um dos que mais me custaram em toda vida, pois não imaginava qual seria a reação deles diante desse fato tão complexo, afinal éramos duas crianças, imaturas e cheias de sonhos. Chegamos à casa dos meus sogros, os dois estavam na sala assistindo TV, anunciei que precisávamos conversar, lembro como se fosse hoje, baixei o volume da televisão e com a voz tremula, olhos marejados e coração na boca, comecei a lhes contar a novidade. Para a nossa surpresa, e lógico, após alguns segundos de perplexidade, meu sogro simplesmente, pôs a mão no bolso, sacou uma grana e me pediu para ir buscar cerveja no Bar da esquina, pois apesar de tudo, de toda complexidade do momento, precisávamos comemorar a notícia de uma nova vida que se aproximava! Ufa, nem acreditei. Sem que ninguém nos obrigasse a isso, eu e Sabrina decidimos nos casar e ir morar sozinhos e assim foi em 29/04/1995 na mesma igreja Bom Jesus dos Aflitos, aliás, onde passamos por muitos momentos de nossas vidas, seja na catequese, nos grupos de jovens e outros momentos que viriam após o nascimento dos nossos filhos, como os batismos por exemplo. Os amantes da matemática já devem nesse momento ter feito às contas e ter percebido que se casamos em 1995 e se eu escrevi no meu perfil que minha filha Ingrid tem 17 e o Lucas tem 15 anos, e estamos em 2020, com certeza essa conta não fecha; e é isso mesmo, nosso filho, da primeira gravidez da Sabrina teria hoje 24 anos, já que deveria ter nascido em meados de Agosto de 1995, mas não foi bem assim que aconteceu e vou lhes contar o porque. Em nossa lua de mel, no litoral paulista, no município de Mongaguá, acabamos perdendo nosso primeiro filho, pois a Sabrina começou a sentir contrações em plena areia da praia, era feriado, dia primeiro de Maio logo após nosso casamento e nossa vida foi do céu ao inferno em minutos e o que era só felicidade se transformou em horas de pesadelo que ainda me custa relembrar. Sabrina estava aproximadamente do quinto para o sexto mês de gravidez, tinha ocorrido um descolamento de placenta uns meses antes, mas tudo fora resolvido e naquele momento estava tudo bem até onde sabíamos. Fomos viajar porque tudo estava bem, mas quis a vida nos colocar diante de um dos nossos maiores desafios. Após percebermos que algo estava errado, decidimos pedir ajuda; solicitei a um policial que estava na rua que nos levasse para um hospital, ele não estava com a viatura e então parou o primeiro carro que passou e ordenou aquela família que nos levasse a maternidade mais próxima, foram anjos para nós. Chegamos à maternidade de Mongaguá, e fomos recepcionados pelos enfermeiros, pois não havia nenhum médico na unidade e isso foi só o começo do pesadelo. Imagine eu, um jovem de 19 anos, inexperiente, com poucos recursos financeiros, sem saber exatamente o que estava acontecendo, em pleno feriado, diante de uma maternidade sem médicos. Eu não sabia o que fazer. A enfermeira cujo nome não me lembro, levou minha esposa e informou que haviam chamado o médico que viria do hospital de Santos e que eu teria que aguardar; Como sabia que iria demorar, sugeriu que eu fosse ao apartamento, e trouxesse as coisas da Sabrina e eu fui e na verdade desesperado aproveitei para fazer as malas, arrumar o apartamento e deixar tudo pronto para partirmos assim que tudo aquilo passasse, pois aquela “Lua de mel” não fazia mais sentido. Quanta ingenuidade, pois eu nem imaginava o que se seguiria. Quando voltei à maternidade o médico já havia chegado e me recepcionou de uma maneira muito arrogante, sem se dar conta da minha fragilidade naquele momento e informou de forma resumida, sem detalhe algum que minha esposa estava em trabalho de parto, nosso filho iria morrer, pois era muito prematuro para suportar o nascimento e que como estava em uma posição contrária ao padrão para um parto normal, eu deveria rezar para que ele virasse e facilitasse o parto, caso contrário, minha esposa corria risco de morte. Foi um choque tremendo, pois até aquele momento não havia passado pela minha cabeça que poderíamos perder nosso filho e ele, o médico, dizer que minha esposa também poderia morrer, foi demais para mim, fiquei muito mal, desorientado, sem saber o que fazer e o pior, não tinha coragem de ligar para os nossos pais para contar o que estava acontecendo, pois temia pela minha sogra que era cardíaca. As horas se passaram, o bebe virou, o parto normal ocorreu e infelizmente como o médico previu, o nosso filho ficou vivo somente por dez minutos, pois por falta de formação dos pulmões não conseguiram mantê-lo respirando nem artificialmente. Pude ver minha esposa e confirmar que estava bem dentro do possível é claro e em seguida fui conhecer meu filho mesmo morto e aquela imagem daquele ser tão pequeno, tão frágil, mãos iguais as minhas, cabeludo nunca saíram de minha mente, rezei por sua alma e agradeci a Deus por ter sido feita a Sua vontade. Aqui volto um pouco no tempo, pois preciso contar algo que ocorreu antes durante as horas que fiquei entre o hospital e o apartamento, pois só encontrei paz em uma igreja no centro de Mongaguá, Paróquia Nossa Senhora Aparecida; Lá sentei em um banco e chorei, mas chorei muito e pedi o tempo todo que Deus me ajudasse e depois de um tempo meu coração encontrou paz e decidi voltar e dai vocês já sabem. Depois de tudo resolvido, já era fim de tarde, decidi ligar para nossos pais e dar a notícia; até então ninguém sabia de nada, somente eu e a Sabrina; passamos por tudo isso sozinhos, sem saber o que realmente estava ocorrendo conosco. Nossos pais... Imaginem! Perderam o chão, entraram no carro e se deslocaram de Sorocaba a Mongaguá em apenas duas horas quando o normal desse trajeto é ser realizado em três horas, estavam nervosos, ansiosos, mas enfim nos encontramos e dai palavras foram desnecessárias, nos abraçamos e senti todo apoio do mundo naquele momento. Acalmaram-se e puderam ver a Sabrina e ficar mais tranquilos; claro que muito tristes pelo netinho que não conseguiu resistir. Como nosso filho nasceu e permaneceu vivo por alguns minutos, no dia seguinte tivemos que registrá-lo, velá-lo e sepultá-lo e isso tudo foi surreal, de repente nossa lua de mel tinha se transformado em um momento muito, mas muito triste para todos nós. Chamamos nosso filho de Lucas Oliveira (mais tarde o nosso Lucas que hoje tem 15 anos se tornou o Lucas Alexandre) e decidimos sepultá-lo em Mongaguá, para não passarmos pelo sofrimento de um velório em Sorocaba, onde com certeza teríamos muitos parentes e amigos vivendo esse tormento. Minha sogra, católica fervorosa como todos nós, batizou o Lucas Oliveira em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, rezamos muito e o sepultamos no cemitério municipal de Mongaguá, que fica ao pé de um morro muito bonito e que naquele momento nos abraçou trazendo uma paz muito verdadeira. Bem meus queridos, são cinco né, dois vocês já sabiam Ingrid e Lucas Alexandre, e o primeiro o Lucas Oliveira acabei de contar como o perdemos. E os outros? Faltam dois ainda para chegarmos a cinco não é mesmo. Após um ano e meio aproximadamente da perda do primeiro Lucas, Sabrina estava grávida novamente, tudo ia bem, mas no mesmo período da gravidez como a do nosso primeiro filho, a história se repetiu e perdemos novamente o nosso bebe, nesta altura era uma menina, mas ela nasceu praticamente morta, ou seja, estava viva, nasceu e morreu em seguida e foi declarada “Natimorto”, não precisamos registrá-la, mas isso não mudou em nada, pois a espada fora cravada novamente em nossos corações e passamos novamente por todo o pesadelo, parecia um filme repetido, só que com uma dor mais do que real. Os médicos descobriram através de exames que minha esposa tinha uma falha no colo do útero e por isso não conseguia levar a gravidez até o fim e sinceramente achávamos que não merecíamos essa dádiva de ter filhos naturais, foram duas perdas seguidas e isso nos abalou muito, íamos vivendo, trabalhando, enfim, lutando, mas no fundo sentíamos um vazio imenso, pois era nosso sonho ter filhos, ser pai e mãe e isso parecia distante. Felizmente após alguns anos e depois de termos morado no ano de 2001 em Lisboa, Portugal (essa é outra história...), onde no Santuário de Fátima aos pés da imagem de Nossa Senhora minha esposa pediu que Maria intercedesse por nós junto a Deus Pai e confiou todo esse problema a Deus, voltamos para o Brasil, para nossa querida Sorocaba, e seguimos com nossa vida e para nossa felicidade surgiu um anjo, Dr. Alexandre Abdala, Ginecologista e Obstetra que cuidou muito bem da Sabrina, investigou, fez vários exames, e confirmou que não havia problema algum, estava curada, Deus operou um milagre em nossas vidas e logo em seguida ela engravidou e teve uma gravidez tranquila e que chegou com sucesso até o nono mês quando nasceu a Ingrid, nossa filha tão aguardada e que hoje tem 17 anos e é uma garota adorável. Após certo tempo a Sabrina teve um sangramento, corremos para a emergência e após os exames, pasmem, estava grávida de novo e nem sabíamos e infelizmente o que ocorrera foi um aborto espontâneo, ou seja, tínhamos perdido o nosso terceiro filho. Depois disso veio o Lucas Alexandre não menos aguardado que hoje tem 15 anos e é o nosso garotão e dai... Dai chega né gente! Cinco filhos, muita história, muito sofrimento e aprendizado e o mais importante, confiamos e esperamos em Deus, acreditamos em Sua vontade e a recompensa foi grandiosa, nossos filhos Ingrid e Lucas Alexandre são muito especiais, saudáveis e nos enchem de orgulho e hoje somos muito felizes e os nossos outros três filhos com certeza são anjos que cuidam de todos nós!

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