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História

"Meu sonho é ter minha casa"

História de: Marcos Rogério da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/03/2005

Sinopse

Marcos é marido de Gilmara, que também foi entrevistada pelo Museu da Pessoa. Os dois vivem embaixo do Viaduto Alcântara Machado, no Brás. Nesta entrevista, ele nos conta sua história e seus sonhos para o futuro. 

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História completa

P/1 – Marcos, a gente queria começar o nosso depoimento com você falando seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Meu nome é Marcos Rogério da Silva, me encontro no Viaduto da Alcântara Machado. Data de nascimento, dia quinze de outubro de 1975.

 

P/1 – Você nasceu onde, Marcos?

 

R – São Paulo.

 

P/1 – Aqui mesmo na capital?

 

R – Capital.

 

P/1 – E conta pra gente, como é o nome de seus pais, de onde eles são?

 

R – Minha mãe [se] chama Maria Margarida da Silva. Pai ignorado.

 

P/1 – E a sua mãe nasceu onde?

 

R – Nasceu no Estado da Bahia.

 

P/1 – Quando ela veio pra São Paulo?

R – Não me lembro.

 

P/1 – E como é a sua infância, Marcos? Conta pra gente um pouquinho.

 

R – Ah, minha infância foi muito sofrida. Com seis anos eu perdi minha mãe, fiquei até os doze na casa de meus parentes. Com doze eu saí pra rua por causa de muito sofrimento familiar; muita briga, apanhava muito. Fui pra rua e estou até hoje.

 

P/1 – Você morava onde antes de sair?

 

R – Eu morava na Lapa, zona oeste.

 

P/1 – Mas era o quê, uma casa?

 

R – Casa.

 

P/1 – Sua mãe morava com seus irmãos?

 

R – Não. Minha mãe faleceu quando eu morava em Osasco, aí eu fui morar na Lapa com meus tios.

 

P/1 – Então conta pra gente um pouquinho... Primeiro essa história de Osasco: você morava com sua mãe e seus irmãos?

 

R – Morava com minha mãe e com meus irmãos. Tive meu… Quase minha infância lá, até seis anos. Depois de seis [anos] minha mãe faleceu, aí meus parentes pegaram a [minha] tutela. Fui morar com uma tia minha no bairro da Lapa. Fiquei lá, comecei a estudar, até os doze anos.

Eu, na escola, conheci o crime. Sobre o negócio de roubos, drogas, tudo. Acabei catando amizade com o pessoal, aí com doze anos eu saí de casa. Saí de casa por causa de muito sofrimento também, já estava envolvido com eles, aí fui pra rua. Fui para o centro da cidade, que é a Praça da Sé. Fiquei lá [por] muito tempo, tive um pouco tempo na Febem e saí, graças a Deus.

Agora eu estou me encontrando no viaduto da Alcântara Machado. Conheci agora a Comunidade da Erundina, eu estou frequentando lá diariamente, todos os dias. Conheci minha esposa, a Gilmara, tudo na rua. Logo em breve nós dois vamos casar. E eu vou vivendo minha vida, infelizmente na rua, mas graças a Deus, com saúde, sem problemas nenhum.

 

P/1 – Conte pra gente um pouquinho da sua mãe. Ela trabalhava com o quê?

 

R – Trabalhava com máquina de costura. Ela tinha uma pequena empresa de costura, né? Poucas máquinas, umas seis, sete máquinas.  

 

P/1 – E do que vocês brincavam na sua infância? Que tipo de brincadeira vocês faziam?

 

R – Ah, minha brincadeira mais… [Pra] falar a verdade mesmo, era pegar a rabeira de ônibus, porque eu morava bem próximo à favela. O pessoal, a molecada ali gosta de brincar de bola, negócio de ônibus. Eu, de bola mesmo nunca gostei. Nunca gostei de jogar bola, o único esporte que eu não sou adaptado.

 

P/1 – E você estudava lá em Osasco?

 

R – Estudava.

 

P/1 – Em que escola você estudava?

 

R – Não, lá era creche. Depois, quando eu fui para a Lapa, eu fui para o Colégio Anhanguera.

 

P/1 – Você estudou até que série?

 

R – Até a sexta.

 

P/1 – E esse período da FEBEM, você ficou quanto tempo na FEBEM?

 

R – Ah, eu passei um ano e seis meses lá.

 

P/1 – Onde, em que unidade?

 

R – Adolescente.

 

P/1 – Não, mas que unidade da FEBEM?

 

R – Número onze.

 

P/2 – É aqui no Tatuapé?

 

R – Tatuapé.

 

P/2 – E como era lá na FEBEM?

 

R – Ah, lá era muito ruim, os funcionários batiam. Os funcionários discriminavam a gente por a gente ser... Mesmo [quem] não está envolvido com droga, com roubo. Ter caído lá dentro como pessoas carentes, de rua… Eles discriminavam, batiam. Qualquer coisinha tinha que colocar de castigo, eles faziam muitas coisas ruins para nós.

 

P/2 – Tinha alguma coisa legal que acontecia lá dentro?

 

R – Ah, tinha só os esportes. Os esportes eram legais. Alguns funcionários também eram legais, não vou falar que não. Mas também tinha aquele lado ruim, né?

 

P/1 – E você saiu da FEBEM quando?

 

R – Ah, eu saí está com muito tempo. Eu saí quando eu estava com dezesseis anos.

 

P/1 – A pessoa fica lá até quando, Marcos?

 

R – Ah, depende da pessoa. Se a pessoa apronta, faz alguma coisa mais pesada, um crime mais pesado… A pessoa, dependendo [do que fez], fica até os dezoito ou não. Se os parentes vão e tiram, tudo bem; se não tiram, fica até os dezoito. Se a pessoa não se comportar bem, desce para uma unidade chamado “E”. É o “E5” e de lá desce para uma cadeia pública.

 

P/2 – Você tinha amigos na FEBEM? Como era o convívio com as pessoas?

 

R – Tinha amigos lá e também tinha inimigos por causa de confusões, brigas. A gente arruma muita inimizade. Também tinha a parte legal, que eram os amigos. A gente conversava diariamente, dormia no mesmo quarto. Era beliche, um dormia em cima, outro dormia embaixo. Ficava tudo assim, normal. Alguns esportes, piscina, campo também etc.

 

P/1 – Vocês estudavam lá, como é que era?

 

R – Eu estudava.

 

P/1 – Lá dentro mesmo, na própria FEBEM?

 

R – É. Lá dentro eu estudava e trabalhava lá dentro mesmo.

 

P/1 – Fazia o quê de trabalho?

 

R – Eu trabalhava lá no escritório central da FEBEM. Eu era tipo um office boy lá dentro. Andava em todas as unidades, levar todas as documentações dos menores que chegam e de antes, então tinha que bater relatório, fazer tudo para poder levar para o diretor assinar. Quando tinha que levar, deixava lá, depois tinha que buscar. Dava um prazo pra ir buscar tudo.

 

P/1 – Você saiu da FEBEM e foi para a rua ou foi para algum lugar?

 

R – Não, eu fui para a rua.

 

P/1 – Quando foi isso?

 

R – Daí… Tô com dezesseis - não, estou com 24. Foi com dezesseis anos, faz uns oito anos.

 

P/1 – Você foi morar onde, Marcos?

 

R – Ah, eu fui morar na rua.

 

P/1 – Mas em que lugar? Você tinha um lugar específico?

 

R – Eu fui morar no viaduto da [Avenida] Alcântara Machado.

 

P/1 – Onde você mora hoje ou não?

 

R – Onde eu moro hoje.

 

P/1 – Como é morar na rua naquele lugar?

 

R – Ah, é muito sofrimento. A polícia chega, tira a gente de lá ou às vezes bate. Com esse negócio de arrastão da prefeitura do Celso Pitta, eles vêm e catam nossas coisas. Ontem mesmo nós perdemos todas as nossas coisas, perdemos tudo porque eles vieram catar. Não tem conversa porque eles vêm junto com a polícia ajudando - é a metropolitana que acompanha eles. Se discutir apanha também, então tem que deixar levar, né? E se vai para buscar, eles não devolvem mais.

Eles querem tirar a gente de lá, mas não tem onde colocar. Vai colocar onde? A gente sai dali pra ir para outro [lugar], então não tem jeito. Já tem o conhecimento, fica por ali mesmo. Só que eles levam nossas coisas.

Não é para a gente ficar lá, mas não tem para onde ir. Vai para que local? Ainda mais [com] eles levando as coisas, não tem jeito. Tem que continuar mesmo onde está, na vida que está... Na vida sofrida e triste.

 

P/1 – Quando você saiu da FEBEM você arrumou algum emprego?

 

R – Não consegui arrumar emprego, não.

 

P/1 – Por que?

 

R – Ah, por causa das discriminações.

 

P/1 – Por que você tinha saído da FEBEM, é isso?

 

R – Por que eu tinha saído da FEBEM.

 

P/1 – Mas você já chegou a trabalhar lá como office boy; eles não assinaram a sua carteira?

 

R – Trabalhei lá, só que lá não é nada assinado. Tem que trabalhar para poder ter um relatório bem… Sob a diretoria de lá da casa para poder ganhar uma liberdade mais rápido, então tem que trabalhar mesmo, obrigado. Carteira, documentações, lá não tem esse negócio, só para funcionário público mesmo.

 

P/1 – E depois que você morou nesse viaduto foi para onde, depois que você saiu da FEBEM?

 

R – Não, depois que eu saí da FEBEM eu fui para o viaduto e estou até hoje morando na rua.

P/1 – Mas você morou em outros lugares?

 

R – Ah, eu morei noutros viadutos também. No Glicério, morei na Favela da Paz, que é lá mesmo, próxima ao viaduto. Minha vida foi só rua mesmo.

 

P/1 – Mas você morou no prédio da Encol, é isso?

 

R – Morei no prédio da Encol, casa invadida também.

 

P/1 – Como vocês escolhem o espaço pra morar? Vocês veem o lugar, invadem, como é?

 

R – A gente ia aos locais, nas casas que estão abandonadas. A gente invade e depois limpa, coloca luz, arruma tudo. Fica lá dentro morando até o proprietário vir e conversar, né?

 

P/1 – Eles não prendem vocês?

 

R – Não, não prendem, só tiram. Dependendo da conversa eles tiram, dependendo, eles deixam. Com certeza, [em] 99% [dos casos] eles tiram. Eles não deixam.

 

P/2 – Marcos, você está casado, né?

 

R – Tô casado.

 

P/1 – Conte como você conheceu sua mulher.

 

R – Eu conheci minha mulher na rua, ali no Pátio do Colégio, próximo à Praça da Sé. Eu passando à noite lá, ela se encontrava numa comunidade do pessoal de rua que dá as alimentações, dá os negócios. Ela estava lá, nós conversamos, acabamos ficando juntos naquele dia e estamos até hoje, né? Pra mim, foi bem… Pelo menos me ajuntei com uma pessoa que eu gosto, que me ama. Eu a amo também e estamos até hoje próximos. Agora nós vamos [nos] casar, né?

 

P/2 – Você a viu e já gostou dela?

 

R – Eu a vi, acabei gostando dela e ela acabou gostando de mim. Foi um olhar à primeira vista. Estamos juntos e agora ela vai ter o filho, está grávida de cinco meses. Estamos aí pra poder cuidar, né?

 

P/2 – Só me conta uma coisa, voltando no tempo um pouco. Você falou que quando era criança, você conheceu o pessoal dos crimes, das drogas. Como foi esse contato?

 

R – Foi através de escola. O pessoal estava usando do lado de fora; eu cheguei e, passando, senti aquele cheiro, que é o cheiro da maconha. Achei gostoso, aí eu pedi para os caras para poder dar uns dois. Os caras deixaram e de lá para cá eu acabei me infiltrando junto a eles.

Comecei a usar drogas. Todo dinheiro que eu catava da família era direto para a droga; comprava roupa boa, eu vendia para comprar droga. Depois de muito tempo eu conheci o crack e acabei me afundando no crack. Porque não é bem… O crack não é bom para ninguém, né? É ruim pra bastante, acaba fazendo a pessoa perder tudo. Perde tudo que tem: perde esposa, casa, família, roupa, perde tudo.

Conhecendo essa Gilmara, minha esposa, eu acabei saindo. [Há] oito meses eu não coloco nada na boca, de droga nenhuma, de bebida nenhuma. Só o cigarro mesmo. Foi através dela que eu consegui parar e ela também é uma pessoa que não usa nada, nem fuma nada. Aí ficamos nós dois.

 

P/1 – Como é que vocês conseguem dinheiro Marcos?

 

R – Ah, às vezes pedindo, às vezes fazendo coisas que não são agradáveis mesmo.

 

P/1 – Atualmente, como é que vocês estão pedindo dinheiro?

 

R – Não. Atualmente eu não estou pedindo. O pessoal da comunidade ajuda, o pessoal da Erundina ajuda também bastante. O Orlando, a Neusa, o Cláudio, o pessoal lá, todos ajudam a gente, então dá para viver aos poucos até a gente conseguir arrumar uma coisa melhor.

 

P/1 – Desde quando vocês estão indo lá na Casa da Erundina?

 

R – Ah, eu estou indo já faz… Desde quando abriu.

 

P/1 – E o que vocês fazem lá?

 

R – A gente faz atividades, toma banho, lava a roupa. A gente se alimenta, toma o café da manhã, come o almoço, aí depois a gente faz a atividade da casa - faz limpeza lá, tudo. Depois dá o horário, a gente vai embora.

 

P/1 – Vocês vão só para a casa para dormir, é isso?

 

R – Não, nós vamos para lá só pra fazer atividades. Depois nós voltamos para o local onde nós estamos.

 

P/1 – E você… Lá na Erundina eles não fazem acompanhamento para arrumar emprego?

 

R – Ah, eles fazem. Fazem acompanhamento, fazem tudo. Se você consegue um emprego, eles batem documentação para você, uns papéis, encaminham tudo, aí veem se conseguem, numa boa. Às vezes eles mesmos arrumam emprego para você, conversando - mas não para todo mundo, para alguns que eles veem que não dão trabalho mesmo. Não é querendo me vangloriar, tipo meu caso mesmo. Eu não dou trabalho [em] nada, então eles veem para mim, veem para ela, para aqueles dois que estão aqui também… Para as pessoas que não aprontam, que não arrumam confusão, [que] não fazem nada de mal dentro da casa. [Que] pretendem respeitar o local, o convívio onde se encontram, né? Da porta para fora é outra conversa.

 

P/1 – Onde vocês dormem, lá debaixo do viaduto, tem muita discussão entre os próprios moradores, tem muita briga?

 

R – Ah, tem! Tem briga bastante, às vezes sai até morte, mas o que a gente pode fazer? Não pode fazer nada. A gente não pode entrar no meio, né? Por que se entrar no meio acaba sobrando para nós mesmos, então nós temos que deixar.

 

P/2 – Mas por que ocorrem essas mortes?

 

R – Por causa do crack. Tudo hoje que está ocorrendo com pessoas assim é a respeito do crack.

 

P/2 – E você tem procurado algum trabalho ultimamente?

 

R – Ah, eu tenho procurado, mas tá difícil.

 

P/1 – Você tem ainda algum parente? Você tem irmãos?

 

R – Tenho irmão, mas eu não me dou bem com minha família. Minha família pra lá e eu pra cá. De vez em quando eu até vou visitá-los. De vez em quando eu telefono pra eles, mas para conviver não dá mais certo.

 

P/1 – Eles moram lá em Osasco?

 

R – Moram em Osasco.

 

P/1 – E eles sabem que vocês estão na rua?

 

R – Não. Às vezes, quando eu vou visitar, eu acabo mentindo pra eles. Pra não deixar eles mais atormentados, com mais preocupações, eu acabo mentindo. Falo que eu tô numa casa, que eu estou bem, mas o certo mesmo é que eu não tô bem. Tô na vida sofrida. Eu pretendo passar pra eles uma coisa melhor, que eu tô vivendo bem, mas só dentro de mim mesmo que eu sei a minha situação, a minha vida, o dia-a-dia.

 

P/1 – Marcos, você tem algum projeto, um sonho, alguma…?

 

R – Meu sonho é ter minha casa, construir minha família, dar educação. Trabalhar.

 

P/1 – Deixa eu perguntar uma coisa: como é o convívio de vocês com o pessoal que mora no bairro? As pessoas que moram lá no Brás, como é esse convívio?

 

R – Como assim, a vizinhança? Que...?

 

P/1 – Isso!

 

R – A sociabilidade?

 

P/1 – Isso, as pessoas que moram lá.

 

R – Ou o pessoal de rua mesmo?

 

P/1 – Não, o pessoal do bairro mesmo.

 

R – O pessoal do bairro discrimina bastante. Por motivo de estar na rua o pessoal muito discrimina, então não é bem… O pessoal não trata bem, trata mal.

 

P/2 – Como é essa discriminação?

 

R – Ah, o pessoal xinga, o pessoal olha com outro olhar, né? Qualquer coisa, se você tá passando perto o pessoal sai para o outro lado, atravessa. Se aconteceu qualquer coisa e você parar por perto… Se tiver uma viatura o pessoal já logo chama, pá. Nós não temos sossego, nós não temos paz. Mesmo sem fazer nada nós não temos paz.

 

P/2 – Você tem algum caso para contar pra gente que seja uma história desses problemas com os moradores ou com a polícia?

 

R – Não, sobre assim não, no momento não.

 

P/1 – Tirando essa época que você esteve na FEBEM, fora isso você chegou alguma vez a ser preso?

 

R – Não. Nunca tive passagem nenhuma… É isso aí.

 

P/1 – E o convívio entre vocês de rua?

 

R – Ah, com alguns é bom, com outros é ruim. Com aqueles que não usam droga, não usam nada, nós somos bons também, porque aquelas pessoas que não usam nada querem mais é ter amizade com o pessoal que também não usa.

Com aqueles que usam, já não dá certo. Às vezes, o pessoal que usa vem pedir alguma coisa pra você e você sabe que são usuários. Você sabe que tudo que você der pra vai tudo pra droga, então você acaba negando; falam pra você que é ‘miguelagem’, acabam arrumando [problema] pra você. Tem muitos também que não arrumam, se vierem arrumar também... Arrumam e cobram porque sabem que você não usa nada. A pessoa maneira, então fica do jeito que tá.

 

P/1 – E as pessoas que moram ali debaixo do viaduto, todas elas frequentam a Casa da Erundina?

 

R – Nem todas. Algumas não vão por motivo de confusões que já tiveram lá dentro lá. Como posso dizer? O pessoal tá suspenso. Ficam suspensos [por] um mês por motivo de uma bebida alcóolica lá dentro ou de um tóxico ou uma briga mesmo. O pessoal dá suspensão pra ver se alguma pessoa consegue se conscientizar um pouco e parar de fazê aquilo, pelo menos ali, dentro da casa. Pra dar o respeito, né? Outras vão ao Pedroso mesmo, que é lá perto da [Avenida] 23 de Maio, outras vão aqui no Belenzinho mesmo, então poucas pessoas vão.

 

P/1 – Você mora já há muito tempo no Brás, nesta região.

 

R – Moro!

 

P/1 – E você gosta do Brás?

 

R – Gostar ninguém gosta, mas é obrigado a gostar porque não tem outro local, outra maneira, então tem que ficar ali mesmo.

 

P/1 – Mas o bairro em si, não é nem onde você mora, mas...

 

R – Ah, o bairro não é bom.

 

P/1 – Por que?

 

R – Muito movimento ali. Ali, o que tem mais é droga. Pessoas que não usam mais - o meu caso, que eu parei -, ter força pra ficar ali é um pouco difícil. Mas estamos superando, né?

 

P/1 – Conte pra gente o tipo de atividades que vocês fazem lá na Erundina.

 

R – Ah, nós fazemos limpeza diariamente ali. Lavamos louça também, o pessoal se alimenta, faz uns jogos que tem na casa, faz artes - desenho, esse negócio, só.

 

P/1 – Marcos, a gente vai terminar o nosso depoimento. Você quer falar mais alguma coisa?

 

R – Não, no momento não.

 

P/1 – Tá jóia, então obrigado.

 

P/2 – Obrigado.




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