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História

Meu sonho é a música

História de: Josefa da França Batista
Autor: Luciana Tavares Dias
Publicado em: 18/04/2017

Sinopse

Em seu depoimento, Josefa da França Batista fala sobre sua infância no Povoado de Morena no município de Esplanada na Bahia, a vivência com sua família no nordeste, a dificuldade de se criar sozinha e conta os maus pedaços que viveu quando ficou órfã aos nove anos de idade com a morte do pai e seguidamente da mãe em um período de três anos. Conta sobre sua mudança para São Paulo na década de 1960, vinda em um pau-de-arara em uma viagem de oito dias. Conta quando aos 24 anos de idade ainda não tinha tirado seu registro de nascimento e que foi tirado em São Paulo. Em suas lembranças da chegada em São Paulo conta suas impressões sobre a grande cidade, a terra da garoa, e sua ansiedade em conhecê-la e relata sobre seus estudos na capital paulista, fala sobre o início da sua educação incentivada pela tia que também conseguiu trabalho para ela na metrópole, conta que aprendeu a ler e a escrever somente em São Paulo e deixa claro sobre a importância de querer estudar. Fala sobre os primeiros estudos no seminário dos padres em Moema e depois no colégio Cristo Reis, local em que terminou sua alfabetização, conta sobre a preparação para ir para o ginásio e o curso de admissão que na época era exigido para entrar no ginásio onde estudou na escola Miguel Roque e fala da dificuldade dos estudos em matemática com o aprendizado da equação de segundo grau e do encontro com o professor Renato que a ajudou nesse ensino. Relata o encontro com o marido espanhol, o então, viúvo Pablo Sanches Garcia e a vivência desse casamento, conta sobre a interrupção dos estudos a pedido do marido que conseguiu terminar apenas o segundo ano técnico em química. Fala sobre o fruto desse casamento, sua única filha, Lolita e de como foi escolhido seu nome e comenta que hoje a filha vive na Inglaterra com o genro e o netinho. Conta sobre o seu seguimento religioso e de sua família na religião Mórmom da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e da importância que a religião foi em sua vida e na criação da filha. Também conta sobre sua paixão pela música e os instrumentos musicais, a flauta e o clarinete e do início dos estudos musicais, da dificuldade de encontrar professor de música e de como descobriu o curso de ensino de música oferecido pelo Sesc, como conheceu o professor de música e os incentivos feitos por este em sempre aprender um novo instrumento, em sempre evoluir na aprendizagem. E termina sua história falando dos sonhos de finalizar a aprendizagem do clarinete e de viajar à Inglaterra ao encontro dos familiares, a filha, o genro e o neto.

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História completa

Eu tinha uma amiga, uma irmã da fé e ela ficou sabendo que eu queria tocar flauta e ela tinha uma flauta e um livro que acompanhava a flauta e ela falou assim: “Jô, você quer?”, eu falei: “Eu quero” e ela me deu a flauta, daí amarra a flauta soprando, só que ela falou assim pra mim: “Com uma condição, você vai aprender a tocar e tocar o hino da igreja pra mim, tudo bem?” ”Tudo bem”, só que eu não tinha professor e eu fiquei soprando, assim, eu sozinha em casa. E um dia, eu fiquei conhecendo uma professora, também uma irmã da fé de é professora de música e eu procurei ela, ela falou pra mim: “Eu posso dar aula pra você com uma condição, arruma mais pessoas”, aí eu falei pra ela assim: “Eu só posso arrumar mais uma pessoa que também tem o desejo de aprender” “Traga, venha. Eu vou ensinar”, nós íamos lá na casa dela uma vez por semana num período de duas horas e ela ensinava pra nós, começou a ensinar flauta doce pra nós.


Só que ela precisou mudar e eu fiquei sem professora, nós ficamos sem professora e nós ficamos procurando. Então, numa escola era 150, em outra era 250, em outra era 100 e eu sempre falava: “Poxa vida, eu não posso pagar”, o moco falava: “Nem a metade?” “Nem a metade, não posso pagar é nada” “Tá bom, então não posso ajudar também” “Tudo bem”.


Certo dia, eu estava conversando com uma amiga e essa amiga faz atividades no SESC. Eu estava conversando com ela sobre a flauta, né, e ela falou assim: “Você sabia que no SESC tem um setor só de música? Por quê que você não vai lá?”, eu falei: “Verdade?”, ela falou: “Vai lá quem sabe, você consegue”. Eu fui lá no SESC, aí me informei: “Aqui tem sim, curso de flauta doce” “Maravilha” “Tal dia é a inscrição”, e eu fui fazer a inscrição e no dia da inscrição, na hora da inscrição, adivinha quem estava lá? Professor Renato. Uma atendente perguntou: “Mas que curso, como é que você vai fazer?” e o Professor Renato estava aqui do meu lado e falou: “Você sabe ler partitura?” “Sei” “Então coloca ela no iniciante. Você já sopra?” “Não, eu sopro, mas não tem nenhum sentido” “Coloca ela no iniciante”, e aí, me colocou no iniciante e aí, nós tocamos durante… ele me ensinou durante seis meses e depois de seis meses veio o desafio: “Agora você precisa trocar de instrumento” “Eu não vou ficar na flauta?” “Não, você pode ficar na flauta, mas você tem que tocar um outro instrumento, também, porque o SESC quer que você evolua” ‘Tudo bem, mas que instrumento?” “Tenta a… escolhe você, tem esse; tal, tal, tal”, eu falei: “Flauta transversal”, aí ele me apresentou a dona flauta transversal e eu fui experimentar, o som até que saiu, mas aí, eu tenho uma dor assim, nesse braço, assim, é a posição, eu sentia muita dor, aí eu falei: “Professor, não tem condições” “Eu já sei, que tal clarinete?” “Clarinete? Eu nem conheço” “Eu vou te apresentar ele”, aí trouxe uma caixa, abriu e tal: “Esse é o clarinete”, montou o clarinete e falou: “Sopra”, eu soprei e não saía nada, tornei a soprar e começou, ele falou: ‘Então é isso, fica nesse, tudo bem? Você tá sentindo alguma dor no braço?” “não, senhor, não estou sentindo” “Então, vamos para o clarinete” e esta é… através daí, eu me apaixonei pelo clarinete e pela flauta também, né? No entanto que hoje eu faço a flauta tenor e o clarinete. No ano passado, o Professor Renato chega: “Mas você precisa tocar outros instrumentos”, eu falei: “Qual?” “Flauta baixo” “Não, flauta baixo não, porque eu não tenho condições de comprar, eu quero tocar um instrumento que eu possa comprar e tenha condições de carregar” “Tá, tudo bem, então você vai continuara flauta tenor até que você consiga comprar uma flauta baixo” ‘Tá bom”, e eu estou lá na tenor e no clarinete. E é isso.


Na sala de aula, a gente tem uma convivência muito boa com os alunos. Então, são amizades lindas que eu faço através da música.

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