Busca avançada



Criar

História

"Meu interesse na área socioambiental"

História de: Silvia Regina Cauzzo Braga
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/07/2008

Sinopse

Silvia Regina Cauzo Braga relata sobre as mudanças nas suas áreas de atuação dentro da Unimed até chegar no setor de responsabilidade social. Nos conta que, apesar da pouca experiência na área, foi convidada para o cargo porque tinha um interesse muito grande no tema socioambiental. Descreve sobre o processo de implementação da responsabilidade social na Unimed Rio desde o seu início. Compartilha como a Unimed decidiu desenvolver projetos sociais próprios, além dos patrocínios que oferece, e o papel fundamental do Instituto Ethos neste processo todo.

Tags

História completa

P/1 – Então queria começar a entrevista Silvia com você nos dizendo seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

 

R – Silvia Regina Cauzo Braga, eu sou carioca, nascida no dia 17 de junho de 1965.

 

P/1 – 17 de Junho, geminiana?

 

R – Sou geminiana.

 

P/1 – Muito bom! E qual a sua atividade Silvia?

 

R – Eu sou analista de responsabilidade social da Unimed [Confederação Nacional das Cooperativas Médicas] Rio, hoje.

 

P/1 – O que faz analistas de responsabilidade da Unimed Rio?

 

R – Um pouquinho de muitas coisas, né, mas basicamente a gente faz a análise realmente dos projetos que estão vindo a nós, né, para uma possível parceria, um possível apoio. Cuidamos também do sistema de gestão dos projetos que já estão na casa, né, quer dizer, acompanhamento, monitoramento, avaliação desses projetos. E a gestão da responsabilidade social como sendo uma coisa que permeia várias áreas e várias iniciativas do negócio, porque é uma coisa que é encarada um pouco também como uma estratégia de sobrevivência e perenidade dos negócios hoje em dia. Então a gente faz um pouquinho dessas coisas todas e mais as atividades do dia a dia, né, enfim de controles e procedimentos essas coisas mais básicas, né?

 

P/1 – Você tem indicadores próprios, Silvia, pra escolha desses projetos?

 

R – A gente têm. A gente desde de 2005... quer dizer, que na verdade a responsabilidade social na Unimed Rio veio num crescente, né, ao longo dos anos, sempre teve alguma coisa haver com isso, pela própria natureza do negócio. Porque é uma cooperativa de médicos, né, e o médico sempre tem uma questão social muito grande envolvida, a maioria deles pelo menos, então sempre tiveram ações nesse sentido. Depois, essas ações foram consolidadas numa espécie de programa, depois esse programa migrou para uma área, então hoje, assim, a gente tem uma área que cuida desse todo. E na verdade assim, a gente criou ao longo do tempo, pelas experiências dos projetos que a gente vinha recebendo, de tudo que acontecia, alguns quesitos básicos pra quem está pretendendo ser apoiado responder, que fica disponível na nossa Internet. Quer dizer, qualquer pessoa pode enviar um projeto, e a partir dessa primeira entrada que a gente faz uma análise, depois posterior contato, daí a gente vai trabalhando mais profundamente, então a gente tem alguns - não chamaria de indicadores - a gente tem alguns critérios pra gente tá olhando pelo menos, inicialmente, esses projetos.

 

P/1 – E as demandas são muitas, são variadas?

 

R – São muitas, são variadas eu acho que por ser um tema ainda muito novo, apesar, né, dos dez anos ainda é muito novo, é uma matéria muito nova, a gente tem uma demanda que é realmente assim voltada pro assunto e tem uma demanda que não é, porque as pessoas ainda não entendem muito bem. Então elas acham que às vezes um patrocínio de uma coisa que é puramente para mercado, tem haver com responsabilidade social, porque é um patrocínio numa situação, né, que condiz com uma questão social, mas nem sempre eles são projetos de responsabilidade social. E, também, depende muito da estratégia de cada empresa nesse cenário, porque a gente tem desde quem faz só investimento social, quem faz filantropia, então assim depende muito, também, da empresa que tá sendo pleiteada. No nosso caso na Unimed Rio, a gente tem uma prioridade para os projetos realmente que tem continuidade, que tem comprometimento, que a gente consegue avaliar impacto, né, e mensurar um pouco disso tudo, né, e do caminho que isso tudo vai ter dali pra frente. Mas é sempre um caso estudado, todos os projetos que a gente recebe a gente estuda todos, todos eles, a demanda é bem grande [risos].

 

P/1 – Imagino. Silvia como você conheceu o Instituto Ethos?

 

R – Ah, eu conheci o Ethos foi uma coisa até bem engraçada, porque eu não sou da área de responsabilidade social eminentemente, quer dizer, eu não sou uma economista, ou alguém que se aprofundou nesse assunto. Na verdade eu vim da área de marketing e eu cheguei na Unimed pela área de Relações Públicas que eu sempre trabalhei com eventos. Então eu cheguei por essa vertente e no meio do caminho houve uma mudança e aí eu acabei sendo convidada pra fazer parte dessa área de responsabilidade social, num momento onde a gente tava trabalhando muito as questões mesmo de como é que a gente queria, quer dizer, como é que a Unimed queria que ela fosse vista dali um tempo nesse cenário e tanto eu, que era pessoa que estava sendo chamada pra ficar ali, quanto a gestora, que estava ali atuando também, não tínhamos muita experiência nessa área. Ela um pouco mais do que eu porque estava na casa há mais tempo e eu nenhum na verdade, né? Assim eu acho que eu fui chamada muito mais porque tinha empatia com o tema, gostava da temática. E aí era muito engraçado, porque eu passei quase um ano, literalmente, ligando quase todo dia pro Ethos, porque nós já éramos associados, a Unimed já era associada. Ela me falou “Olha a gente é associado do Ethos”, então assim todas as demandas que a gente tinha “Poxa a gente quer fazer uma coisa assim, como é que a gente vai estabelecer esses critérios?” Aí ligava pro Ethos, era muito engraçado, diariamente é até metafórico, mas pelo menos umas duas vezes por semana eu falava com o pessoal do Ethos e aí passava assim duas horas no telefone, uma hora e meia no telefone. Tinham umas pessoas que já me conheciam, mas me atendiam tremendamente bem e pra esclarecer dúvida mesmo, “Vem cá não tô entendendo, o que quer dizer isso?” “Olha, isso aí é assim Silvia”, aí me explicava as coisas. Os próprios indicadores mesmo do Ethos, né, quando a gente pegou a primeira vez o caderno eu falei “meu Deus do céu! O que é isso?” porque eu não tinha conhecimento daquela realidade, né? Então assim o conhecimento foi por esse motivo, porque a Unimed já era associada então era um caminho, né, a gente seguia, a gente sabia do referencial, de toda importância, de toda contribuição, então a gente falou “Bom, deve ser um pessoal muito bom mesmo! Então vamos na cola, né?”. E as primeiras vezes que a gente ligou, a gente foi muito bem recebido por todos que nos atenderam naquele momento, então a gente meio que ficou freguês, né, então a gente ligava sempre que tinha uma dúvida a gente ‘tum’ corria pro Ethos. E aí conversávamos muito, era muito engraçado que eu não conhecia ninguém, o rosto das pessoas ninguém, só vim conhecer assim, dois anos depois quando a gente começou a vir nas conferências, né, a gente nem participava ainda, porque era uma realidade realmente muito nova pra gente, e a gente trabalhou muito pra arrumar a casa primeiro pra depois poder sair de casa, né? E assim foi por esse contexto que a gente conheceu, e tiveram algumas pessoas que foram especialmente muito carinhosas, João Cervoso (?) do UniEthos (?), a Gláucia Luiz que nem está mais no Ethos, já saiu, a Solange Rúbio que está até hoje e é uma pessoa de contato muito próximo, porque ela depois assumiu as questões dos grupos regionais, então ela faz a intermediação do Ethos no grupo Rio. Então a gente tem contato direto com ela e, assim, eram pessoas que a gente freqüentava o telefone, literalmente, né? Era ligar e ficar duas horas no telefone conversando, mas era muito bom.

 

P/1 – Silvia, a Unimed Rio patrocina projetos, mas ela também desenvolve as suas ações próprias?

 

R – É, a gente tem, agora, a gente tá desenvolvendo... a gente até 2005 a gente só fazia apoios, parcerias com projetos já instituídos e aí a gente sentiu uma necessidade também de tá desenvolvendo algumas coisas. Até por umas demandas que nós tínhamos específicas e, também, porque quando a gente começou a se voltar pra dentro de casa a gente percebeu, né, que a responsabilidade social começa dentro da própria casa, então a gente foi arrumar algumas coisas também, né, alguns projetos que a gente fez para o público interno, coisas que a gente ainda tá caminhando para o público interno. E tem alguns projetos que a gente desenvolve que nem são para o público interno não, são projetos que a gente desenvolveu, mas eles se referem, a referência dele é a comunidade, é a comunidade onde a gente está inserido, né, basicamente.

 

P/1 – E esses projetos que vocês desenvolvem têm um alinhamento com os indicadores do Ethos?

 

R – É, na verdade assim, não é que tenha um alinhamento, mas a gente sempre tem os indicadores como uma base, né, então assim a gente sempre procura olhar os indicadores como uma fotografia do momento e as oportunidades que você ainda vê ali dentro. Quer dizer, eu acho que você preencher um indicador é sempre um momento onde você está fazendo uma reflexão, né, então você pára e fala “Hmm, eu achei que estava bem aqui, mas ainda tenho que andar mais esse tanto”. Então acho que assim, a gente não tem uma preocupação em estar alinhado, mas a gente sempre usa como referencial de consulta, de marco de fotografia, vamos dizer assim, pra gente dizer “Hmm ainda falta um pouco, então vamos mais por aqui”.

 

P/1 – Tá. Quer dizer que você vem nessa área de responsabilidade dos três últimos anos pra cá? Como é que você avalia o posicionamento das empresas há três anos atrás e hoje nas empresas brasileiras? Você acha que melhorou esse movimento?

 

R – Eu acho que sim, eu vejo bastante evolução em algumas áreas mais especificamente que em outras, com a convivência você vai vendo que realmente tem muitas empresas com boas práticas, práticas maravilhosas assim, né, que você pode usar como _____________, porque realmente são muito boas. Mas eu acho que falta ainda um longo caminho, principalmente em alguns quesitos, eu acho que a parte da integração, da responsabilidade social, na gestão mesmo do negócio, lá no princípio da coisa eu acho que ela ainda tem um bom caminho. Acho que as partes sociais, a parte comunidade, público interno, né, a gente já caminhou bastante, valorização da diversidade. Acho que tem alguns nichos onde a coisa emperra um pouco mais, eu acho que a governança é um desses nichos, a parte de fornecedores também é um nicho ainda meio que emperrado, então assim, acho que são nichos que a gente ainda tem que caminhar bastante, mas assim, nesses curtos três anos eu já vi muita mudança em muitas coisas.

 

P/1 – Que bom. Olhando pra frente, daqui há dez anos, como é que você acha que o Ethos deve se posicionar? Daqui até os próximos dez?

 

R – Olha, eu acho que o Ethos ele virou uma referência e enquanto referência tem uma responsabilidade muito grande, eu vejo muito as iniciativas de disseminação do Ethos, são sempre muito bem vindas e muito bem acolhidas. Então eu acredito que eles tenham esse poder, vamos dizer hoje, de sensibilizar por eles mesmos. Então eu acho que eles vão ter que fazer disso cada vez mais essa bandeira, né, porque se você falar que você vai trazer uma pessoa do Ethos, um curso do Ethos para a empresa, aquilo já por si só gera uma demanda, então eu acho que essa responsabilidade deles terem que trazer mais, cada vez mais e promover cada vez mais. Porque assim, é diferente você estar numa conferência como hoje, porque você está num público muito similar, né, mas às vezes você ouve alguns painéis, algumas coisas que você gostaria que metade da sua empresa ouvisse pra entender algumas situações, então eu acho que é isso que eles vão ter que tentar articular, trazer mais pessoas que não são da área para o conhecimento. Porque é difícil você levar, você vai sair daqui, você vai fazer um relatório, você vai fazer uma apresentação, mas você não tem aquele toque humano que aqui na situação, acho que esse é que é o grande desafio hoje em dia, para sensibilizar essas pessoas que ainda estão ainda insensíveis.

 

P/1 – O que você acha dessa iniciativa do Ethos, de ouvir o depoimento das pessoas durante a conferência?

 

R – Eu acho bom, acho bom na verdade durante a conferência ou não, porque eu acho que eles vão ter recurso, né? Eu acho que é uma fonte de subsídio muito grande até pra idéias, pra coisas que de repente eles não pensaram ou até mesmo pra uma reflexão sobre o caminho que eles estão sendo vistos, né, como é que eles estão sendo vistos pelas pessoas, porque uma coisa é como a gente gostaria que de ser visto, outra coisa é como as pessoas efetivamente vêm a gente, então eu acho assim, acho muito corajoso, né, principalmente se isso for realmente utilizado pra fins de colocar as idéias em prática, aí eu acho melhor ainda.

 

P/1 – Tá bom então.

 

R – Tá bom?

 

P/1 –Silvia muito obrigada pela entrevista.

 

R – Obrigada vocês!


Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+