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História

Meu amor tem covinhas

História de: Vinicius Lelli
Autor: Vinicius Lelli
Publicado em: 15/09/2020

Sinopse

Diário de Vinicius Henrique Gomes Lelli, 25 de agosto de 2020. Jornada, dia 4.

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História completa

Viver em sociedade é um desafio em todas as gerações, pois nem sempre conseguimos entender o lado do outro, seus gostos, visões, ações e o não entendimento faz com que nos desentendamos com outrem, inclusive com quem estamos criando laços fortes. É a partir deste ponto que quero começar dizendo que recentemente tive momentos difíceis com essa pessoa e que agora estamos em outro degrau, que após a frente fria, o sol quente bate na pele do corpo todo e que agora o momento é outro e melhor. Tivemos ótimos momentos juntos, hoje estamos criando outros e futuramente sei que teremos mais e melhores do que já tivemos, destacarei um que se mostrou gostoso, revelador, intenso. Em fevereiro deste ano, marcamos um viagem no interior de São Paulo, cidadezinha chamada Monteiro Lobato, no chalé Abraço das Montanhas. Demos entrada numa sexta-feira no cair da tarde, passamos a noite comendo dadinhos de tapioca, tomando um vinho meia boca, batendo altos papos e nos encantando com a rústica casa de madeira, dando aquele ar de interior chique, as cigarras macho cantando incessantemente marcavam a trilha sonora do carinho gostoso que habitava entre nós: eu, minha namorada e as cigarras de fundo (precisei de três dias para não mais aguentar o estrondo sonoro das cigarras no pé do ouvido em todo final de tarde). No segundo dia, seguinte à primeira noite, portanto, domingo, fomos caminhar, pisar as terras, sentir o cheiro do verde do mato, olhar o límpido céu de Monteiro Lobato, estávamos à procura do mercadinho mais próximo da região, que ficava não sei quantos quilômetros da casa, sei que nos primeiros 30 minutos de caminhada era tudo alegria, risos e rios, passadas curtas nos passos e pássaros cantando conversando, gado e cachorros (uma pequena observação sobre os cachorros de Monteiro Lobato: não são nada receptíveis, são escandalosos e sem nenhuma educação, cheios de dar sustos nos visitantes, pois latem e correm atrás de você sem mais, nem menos, mas não mordem, o que sabem mesmo é te dar sustos, rir da sua cara e depois sair dando as costas pra você, abanando seus rabos felizes de terem pregado mais uma peça em mais um visitante), voltando, depois da primeira hora de caminhada e nada de chegarmos no mercadinho, o corpo começava a dar sinais de cansaço físico e mental, pois o mau humor já nos estava sondando embaixo de tanto sol, o que atenuou o cansaço foi a água do meu cantil que durou um bom tempo sem esquentar. Resumindo, chegamos depois de duas horas e meia (ou mais, não me recordo, era muito sol na cabeça (risos)) de caminhada, sei que prometemos nunca mais inventar de caminhar sem nos preparar e conhecer o local, mas sei que no caminho, descobrimos rios, cachorros mal educados, uma capelinha cheia de santos e velas com a tinta a cal sumindo e nenhum pé de árvore frutífera com fácil acesso (Monteiro Lobato tem mais gado do que árvores frutíferas acessíveis, além de cachorros que pregam peça em você). Sei que, chegando em casa, digo, no chalé, tomamos um banho gostoso, preparamos uma tapioca assada com requeijão e depois de alguns copos de cerveja gelada consumir, rimos feito hienas de todos os acontecimentos do dia e naquele momento de risadas e gargalhadas, algo senti olhando para ela, rápido pensei que queria mais daquilo tudo, que essa mulher de dentes brancos, pele preta, tatuada e de sorriso com covinhas deixou um gosto no céu da boca, em meu peito, esse gosto que chegou e perdura, é o gosto do meu amor por ela.

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