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Metamorfose

História de: Sergio Coelho Pinheiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/10/2021

Sinopse

Sergio Coelho nasceu no município de Tubarão em Santa Catarina, no dia 23 de fevereiro de 1955. Nascido na Quarta-Feira de Cinzas, é um apaixonado por Carnaval. 

Tem toda sua família em Minas Gerais, é o único que não nasceu no estado porque seu pai era contador da Siderúrgica Nacional e passou 4 anos trabalhando em Santa Catarina.

É o mais novo de dois irmãos. Herdou do avô paterno e materno o gosto pela viagem e o dom da fala. Teve uma infância de muita liberdade brincando na rua. 

Perdeu seu pai no ano de 1966, aos 33 anos, em um acidente de carro em Volta Redonda. Após o acidente a vida da família mudou. Eles tiveram de deixar a casa da vila e foram morar em Carambola em cima da estação de trem da Ferrovia Leopoldina, ficaram nessa casa por um ano. Frequentava a matinê de domingo no cinema da cidade, foi quando começou a gostar de atuar.

Depois, com o dinheiro do seguro, a família se mudou para o Rio de Janeiro indo morar em Duque de Caxias no mesmo prédio dos avós maternos. Com 11 anos entrou no primeiro ano ginasial, no Educandário São Jorge. Quando adolescente, frequentou os Festivais da Canção no Maracanãzinho o que aguçou sua paixão pela música. Divide com o irmão a paixão pelo Flamengo, e ingressou na torcida organizada Flaxiense. Jogava mal, mas ganhou uma medalha no futebol de um campeonato escolar. 

Concluiu esses estudos escolares ali e ingressou na Unigranrio para cursar Ciências Contábeis. Apesar de sempre querer ser ator, por estar no período da Ditadura o seu avô o proibiu. Se considerava um E.T. na sua turma de faculdade, mas se empenhou e esteve sempre nos primeiros lugares da turma. 

Por indicação de um professor foi ver a peça Godspel que mudou a sua vida. Inspirado montou sua primeira peça na Igreja, para comprar os bancos da sala de jovens, sem nunca ter entrado em um teatro.   

Para ajudar a custear seus estudos fez prova de datilografia para o Banco de Crédito Real de Minas Gerais e passou. Trabalhou dois meses e meio no banco e depois recebeu a indicação de ir trabalhar no Banco de Boston. Após um ano e cinco meses, fez a prova para vaga de auxiliar de contabilidade em FURNAS. Ingressou na empresa em 1975, com 20 anos, no último ano de faculdade, para ocupar um posto na Fundação Real Grandeza. 

Começou a cursar sua segunda formação universitária em Engenharia Operacional Civil na Universidade Santa Úrsula.  Sai da casa da mãe e se muda para morar com amigos, na Tijuca, no apartamento da família. Anos depois se muda definitivamente para Botafogo. 

Com 27 anos, decidiu mudar de carreira e investir em ser ator. Ingressou em uma companhia de teatro em São Paulo. Durante a semana trabalhava em Furnas e nos finais de semana atuava nos teatros em São Paulo. 

No final da década de 80, montou sua segunda peça, o musical infantil “Formigando”, que ficou em cartaz por um ano no Rio de Janeiro e fez sua primeira viagem para a França.

Em FURNAS já ajudava como voluntário no departamento cultural da empresa. Com a ajuda de um Diretor, após 13 anos trabalhando como contador na Fundação Real Grandeza, foi transferido para a área Cultural.  Procurando mais qualificação como ator de teatro, se inscreveu no processo seletivo do curso de ator da CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, mas não foi aceito na prova prática. Muitos anos depois, em 2018, retornou como professor palestrante na área de captação de recursos para produções culturais. 

No início de 90, criou e implantou o primeiro Espaço FURNAS Cultural, um projeto da Fundação Real Grandeza dentro do auditório de FURNAS. Com o patrocínio de um ano para o espaço pela Coca-Cola montou a exposição e os espetáculos de música sobre Mozart, o Festival de Jazz, o Festival de Cinema dos anos 50 e mais tantos outros projetos de muito sucesso na cidade.  Além de produtor cultural do espaço atuava também como assessor de imprensa e captador de recursos dos projetos.

Em 1992, o Espaço Cultural da Fundação foi fechado e todos os funcionários devolvidos para FURNAS. Coelho então passou a atuar na área de cultura dentro do departamento de recursos humanos, desenvolvendo oficinas de teatro, música, dança e fotografia, além de eventos culturais com foco nos funcionários da empresa.

Em 2003, transferido para a área social, Coelho assumiu novamente a produção dos eventos culturais e os editais de cultura do Espaço FURNAS Cultural retornando com uma intensa agenda de ocupação do espaço. 

Ficou muito feliz quando se aposentou porque o espaço continuou ativo e tiveram outras pessoas que assumiram seu trabalho até a desocupação do complexo do Escritório Central. 


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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Sergio

 

Vivi a época do movimento hippie. Eu tinha um cabelão, andava com calça jeans, toda rasgada. Meu irmão fazia muito trabalho manual, bolsa de couro, chinelo de couro com sola de pneu. E era assim que eu entrava na faculdade, chegava lá, aquele monte de gente, todo mundo de terninho e gravata. Chegava eu com aquelas bolsas comprida, cabelo, eu parecia um ET no meio daquele povo. Eu me lembro, que eu tinha um professor, foi o único que me entendeu. Era um professor de português, na faculdade. Ele um dia chegou e falou: eu fui ver um espetáculo ontem, que eu tenho certeza que você vai gostar. Eu falei: Ah é! Ele falou: é! chama Gospel, é um musical que tá acontecendo lá em Botafogo, na Amélia Barreto, num circo. Eu fiquei com aquilo na cabeça, e aí eu fui ver, e aquilo mudou a minha vida.




Em Furnas eu entrei quando tinha 20 anos. Eu entrei em 1975. Eu estava terminando a minha faculdade de Ciências Contábeis, eu terminei no semestre seguinte. Foi até um problema sério, quem me indicou, era o pai de um amigo nosso, morava no nosso prédio, lá em Caxias. E tinha um irmão dele, que era gerente lá, contador na Fundação Real Grandeza de Furnas. Aí abriu a inscrição, aí ele falou: tem uma prova lá, você não quer fazer? Eu fui, fiz! Mas foi assim, você se inscrevia, e era uma prova objetiva, era uma prova de contabilidade, era uma prova dificílima. Mas eu consegui passar, meu irmão não passou. E aí foi assim que eu entrei. Eu era funcionário de Furnas, cedido para a Fundação Real Grandeza, que é a fundação de previdência social que existe até hoje. Aí trabalhei lá durante 13 anos, como contador, foi quando eu vim para Furnas. 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

A minha virada mesmo, profissional, foi no finalzinho da década de 80 e início de 90. Que eu deixei a engenharia. Eu não cheguei nem a cogitar ser engenheiro de Furnas, quando eu estava terminando a engenharia, foi quando eu viajei para França e comecei a estudar francês e fiquei apaixonado, não sei o quê, e comecei a mexer com teatro de novo, foi quando eu montei o formigando. Em Furnas, a fundação Real Grandeza, já tinha um departamento, que cuidava dessa parte cultural, eram duas pessoas que cuidavam disso. E eu era muito amigo deles, eu estava sempre lá ajudando, montando exposição, não sei o quê. E aí um dia, a gente estava montando uma exposição, sobre Van Gogh, se eu não me engano, sobre a vida de Van Gogh. Eles conseguiram até pela embaixada dos Países Baixos, da Holanda. A gente estava montando essa exposição e entrou um diretor da DG, que era o segundo nome da empresa, tinha o presidente, e o da DG na época, que era o Gilberto, não me lembro o nome dele. Esse cara foi outro anjo da guarda na minha vida. A gente estava lá montando, já eram umas 9 horas da noite, ele entrou e falou: mas que barato, não sei o que, gosto muito do trabalho que vocês fazem, e você está sempre aqui, você gosta muito do que você faz? “Não, eu estou sempre aqui, mas eu sou voluntário, porque eu sou contador, eu não posso trabalhar, infelizmente nessa área, eu estou até pensando em ir embora”. Falei para ele. “Porque eu quero trabalhar com arte, quero trabalhar com isso, é isso que eu quero”. “Mas você quer mesmo”? Falei: quero, mas eu não posso, é desvio de função, meu cargo é contador, como é que eu venho parar na área cultural. Aí tá, ele foi embora, no dia seguinte me ligaram para ir na sala do meu diretor financeiro. Ele falou: você foi transferido para o setor cultural. E foi assim, cara. Eu cheguei lá, não tinha mesa para eu sentar, eu sentei numa prancheta, que era alta assim. E dali a minha vida mudou, mudou literalmente. Eu cheguei sem saber nada, com muita vontade né. Aí vem a coisa do teatro. Aí quando eu voltei, que eu falei, agora eu vou fazer teatro. Eu fui na CAL, que é a Casa de Artes Laranjeira, que é uma casa bem famosa, existe até hoje no Rio. Quem era o dono da CAL, que era diretor, era o Ian Michael, que era um crítico de teatro excelente, um estudioso, tem vários livros. Aí eu fui lá, peguei o programa, vou fazer isso aqui, não sei como eu vou fazer, mas eu vou fazer. Aí estudei, estudei, no dia eu fui lá, fiz a minha prova escrita, tirei a minha nota máxima. Aí fui na prova prática, aí apresentei a cena que eles tinham me dado, apresentei. Aí, “e cena que você teria que trazer”? “Não tem nada aqui dizendo que eu teria que trazer uma outra cena”. Eles tinham me dado a documentação do ano anterior, e tinham mudado. “Cara, mas ninguém me falou, não, vou ligar para o Ian Michel”.  Aí eu liguei: Ian, olha só, aconteceu isso”. “O que eu posso fazer, você vai para casa, pega uma cena, ensaia e vem, você vai ser o último a se apresentar”. Mas aí, uma porcaria, a prova foi um horror, porque eu estava inseguro, nervoso, eu era o primeiro a fazer. Aí não passei. Aí eu falei: um dia eu vou entrar nessa escola para dar aula, eu pensei comigo, isso lá não sei aonde. E a 2 anos atrás, eu fui dar aula na turma de encerramento, explicar como é que se lida com projetos culturais e como é que você seleciona. Depois eu virei curador, virei parecerista de projetos culturais, do Centro Cultural do Banco do Brasil, de Furnas. E eu fui para CAL, pela professora dos formandos, eram 200 e poucos alunos, ela falou para mim: ô, se por acaso alguém se levantar e sair, você não se preocupa não, porque é normal, eles não têm muita paciência não, você vai ter uma hora para falar. Eu falei 2h30, ninguém se levantou. Mas o que eu fiz, eu contei as minhas experiências. Aí eu comecei a minha aula falando: olha, a última vez que eu entrei nessa casa aqui, eu fui reprovado, e eu jurei que eu ia voltar um dia para dar aula, e eu estou aqui hoje, mas eu não tenho nada que eu vá falar, que não seja do meu aprendizado, que eu aprendi sozinho, a vida me ensinou. Aí eu comecei a mostrar. Cara, foi maravilhoso! As pessoas ficaram até o final, eu saí de lá com a alma lavada. Falei: caraca, nada como um dia atrás do outro. Para você ver, quando você determina, você fala, a minha vida vai mudar, eu vou fazer isso, o mundo inteiro veio falar: você é um idiota, caguei! E não me arrependo, faria tudo de novo, poderia até ter feito antes, se não fosse a maldita da ditadura, que eu teria tido, talvez um pouco mais de coragem. Porque foi um período nefasto, que só cultivou medo e receio, e violência, e coisa ruim. Coisas que a gente está revivendo, mas enfim, outro momento.

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Por sete anos eu trabalhei, entrei com 20, com os 27 eu comecei a mexer com o teatro, aí montei o formigando. Mas a virada mesmo, aconteceu de 89 para 90, foi quando a gente criou o primeiro espaço Furnas cultural. (...) O primeiro espaço Furnas Cultural, chamava Espaço Furnas Cultural, porque a gente usava a estrutura de Furnas, que era o auditório e o hall do auditório, que a gente fazia uma galeria dele. Mas era um projeto da Fundação Real Grandeza, patrocínio da Fundação Real Grandeza. Aí veio a era Collor, que também foi um desastre para Cultura, tirou tudo, acabou com tudo da Cultura. E eu já estava nessa época, trabalhando no Espaço Furnas Cultural, foi a época que eu mais trabalhei na minha vida, porque tiraram todo dinheiro. Aí começaram a ligar, das outras instituições, para fazer movimento. Aí eu conversei com esse casal que trabalhava comigo, “gente, a gente tem duas opções, ou a gente senta e chora, e cruza os braços, ou nós vamos para iniciativa privada, Furnas tem tantos fornecedores, tantos parceiros, a Fundação também. E a gente foi. Aí mandamos um projeto para a coca-cola, que era grande patrocinadora, na época, nem a Petrobras era tanto, era a coca-cola, de cultura na época, aqui no Rio de Janeiro. Aí mandamos um projeto de 200 anos de Mozart, uma exposição, um evento, exposição, conserto, palestras. Aí ligou, a gente recebeu uma ligação, da diretora-geral, o Papa da coca-cola, que você tem que esperar 6 meses para ser atendido. A mulher ligou pessoalmente, querendo marcar, a pessoa não, a secretária dela, querendo marcar uma entrevista com a gente. Eu tremi nas bases, essa minha amiga também, eu falei: caraca, vamos lá! Aí chegamos lá, ela recebeu a gente naquele salão enorme, aí ela falou: não conheço vocês, não sei onde é que fica esse espaço Furnas Cultural, mas quem faz um projeto desse, com essa qualidade de programação visual, com esse capricho, não vai fazer besteira. Eu vou dar o patrocínio para vocês, mas vocês tenham certeza, eu vou estar lá para ver. E ela foi, e foi um sucesso. Fizemos a exposição, eu vim pegar o material de Mozart com um Consul da Áustria, aí São Paulo, fui de avião num dia e voltei com todo aquele material na ponte aérea, fui de manhã e voltei de tarde. Montamos, fizemos aquela exposição maravilhosa, ela veio e deu um patrocínio para gente, de um ano. Aí nós fizemos miséria, fizemos festival de jazz, várias exposições, eu tenho tudo isso documentado. Esse foi o primeiro espaço Furnas Cultural, que a gente usava o espaço, em nome de Furnas, porque era no auditório de Furnas. A gente fez um festival de jazz, com seis bandas, inclusive duas de São Paulo. Entupiu! Aí resolvemos fazer no final do ano, com as duas maiores bandas, que fizeram mais sucesso, que era Rio Jazz Orchestra, daqui do Rio e a Tradicional Jazz Banda, de São Paulo. Aí montamos um palco, aqui no pátio de Furnas, a gente botou quase cinco mil pessoas na semana, na sexta-feira tinha mil pessoas no pátio externo de Furnas, mil pessoas para assistir a Tradicional Jazz Banda. A gente fez de segunda a sexta, foram quase seis mil pessoas, isso tudo patrocínio da coca-cola. Isso daí eu já estava, foi quando eu dei a minha virada.  Quando eu entrei, nesse espaço Furnas Cultural, a pessoa que era a coordenadora. Era uma pessoa muito capaz, mas era uma pessoa muito vaidosa, muito insegura. E quando eu entrei, eu estava com meu espetáculo Formigando, em cartaz, eu tinha contratado uma assessora de imprensa, para fazer a divulgação para mim. A assessora era top de linha, e ela me ensinou tudo, e eu falei para ela: Tânia, eu não tenho dinheiro para te bancar durante muito tempo, eu vou te bancar durante dois meses, só que eu te peço, se você puder ser generosa de me ensinar, porque depois eu vou ter que correr sozinho. E ela me ensinou tudo de divulgação, quando eu entrei no espaço Furnas Cultural, essa pessoa que era responsável pelo espaço, era jornalista, só que não entendia nada de divulgação. Você é jornalista, você sabe, tem uma engrenagem, tem vários protocolos que você tem que seguir, porque você não pode avançar o sinal, você tem que saber como é que chega, como é que você faz um release, criar uma situação para que aquilo seja aceito no meio de um monte de propostas. Aí ela virou para mim e falou assim... ela sentia que eu estava muito cheio de gás, essa pessoa de Furnas. Eu não vou nem falar o nome, acho que não é ético. E ela falou: eu vou te dar no primeiro evento, você vai fazer sozinho, eu não vou te ensinar nada, você vai fazer sozinho. Eu falei: bom, para mim é um presente. Ela achou que ia me derrubar. E aí eu fiz um festival de cinema, dos anos 50, só de séries, Nacional Kids, Billy the Kid. Aí eu descobri um colecionador desses filmes, que mora no Espírito Santo, Paulo Tardin, ele tinha tudo isso em película e tinha os cartazes da época dos filmes. Então ele me mandou o material de ônibus, eu peguei esse material, a gente tinha a máquina de projeção lá em Furnas, só tinha uma máquina, quando era um filme muito grande, parava, botava o outro rolo, em película, fizemos um festival. E fiz uma exposição em baixo, na galeria, com os cartazes da época. Cara, eu consegui matéria em tudo que foi jornal, em tudo quanto foi revista, as pessoas se estapeavam na porta de Furnas. Eu fazia apresentação na hora do almoço e depois do expediente, lotado todos os dias. E aí foi assim, o meu primeiro evento. Mas por quê? Eu fui me cercando de pessoas que podiam me ajudar. Aí tinha um menino que eu conhecia, que trabalhava no Globo, que conhecia não sei quem, que foi perguntando e foi indo, e aí foi esse boom, aí foi embora, aí fui aprendendo. E foi aí que dessa essa grande virada. Depois veio essa coisa do Collor, que esculhambou com tudo, mas aí a gente deu uma virada, foi um período maravilhoso. Aí fecharam o espaço Furnas Cultural, em 92, acabou, só durou quatro anos. Aí todos os funcionários de Furnas, emprestados, que era o meu caso, e dessas pessoas também, nós passamos para Furnas. Aí eu vim para a área de recursos humanos, só que eu fui trabalhar com cultura na área de RH, cultura com empregados, para empregados. Que aí o espaço cultural Furnas Cultural, só vai voltar a cena, em 2003, já no governo Lula, com Doutor José Pedro de Rodrigues Oliveira, que também é outro anjo da guarda que apareceu na minha vida, que era presidente de Furnas, que é meu amigo, assim. É isso, a passagem foi essa, demorou um pouquinho, mas foi com segurança.

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Quando a gente voltou com o Espaço Furnas Cultural, eu falei para o doutor José Pedro, esse que era o presidente de Furnas, que era um outro anjo na minha vida. Nós não vamos usar a lei Rouanet, eu não tenho nada contra a lei rouanet, é único instrumento que a cultura tem para conseguir patrocínio. Mas Furnas tem que entender que cultura é investimento, não é gasto. Então o senhor vai me dar um valor X, e eu tenho que te dar retorno, e eu vou lhe dar retorno, eu faço questão que esse dinheiro entre no balanço, como um dinheiro que saiu, e eu vou lhe dar o retorno entrando, com retorno institucional, de imprensa. Assim, eu comecei com R$ 200.000, eu nem falava, que eu tinha amigos que era diretor do Centro Cultural Banco Brasil, de outros lugares, eu nem falava quanto que eu tinha de dinheiro. Mas com esses 200 mil, no final do ano eu já dei um retorno de 600.000, de mídia espontânea. Tinha uma agência que vinha, que me dava esse suporte de fazer a minutagem, essas coisas todas. Eu sei que no final, bicho, eu tinha um retorno de quase 5 milhões de reais, de mídia espontânea. Sabe quem era o assessor de imprensa? Eu! Eu nunca tive, porque assim, tinha uma assessoria de imprensa que era voltada para energia. Uma assessoria de cultura e outra coisa. E eu que fazia! Tinha uma estagiária, uma menina de 20 anos, teve um dia que a gente entrou no elevador, o senhor José Pedro começou a me elogiar, esse presidente, o elevador estava cheio, eu falei: Sr. José Pedro, muito obrigada, mas o senhor tem que elogiar essa menina aqui, quem conseguiu essa matéria essa semana, foi ela, ela é estagiária, e o estágio dela está acabando, olha o talento que nós vamos perder. A menina ficou branca. Eu acho que foi com isso que a gente foi criando laços de admiração e de respeito. Eu me lembro que eu consegui o Fantástico. Na época da copa do mundo, eu não me lembro que copa que foi, todos os espaços culturais fizeram exposições, sobre as copas. A gente tinha feito um edital, e quem ganhou o edital, era um rapaz que tinha uma exposição sobre o futebol. É esse que a gente vai montar. E aí eu mandei, como todo mês eu mandava entrevista para todo mundo. A gente tinha tanta entrada nas coisas, que o pessoal, quando chegava lá, quando terminava a matéria, falava: até o mês que vem! Não sabia nem o que vinha, mas já sabia que tinha. Aí me ligaram do Fantástico, da Globo. “Olha, eu estou com o seu release aqui, se você pudesse mandar material mais completo”. Eu tenho uma Vespazinha, uma lambreta. Eu peguei a minha vespa, sai que nem um doido, de Botafogo até a Rede Globo. “Eu queria falar com a Luciana”. Quando ela veio, ela falou: cara, foi você que veio? Ela se sentiu respeitada, de eu ter ido. Eu falei: você tem noção do que você está me oferecendo, você está me oferecendo o Fantástico. Ela botou essas fotos da exposição, no fundo do Fantástico, só aí foram dois milhões 800 e sei lá quantos mil de mídia espontânea, num domingo, naquele horário nobre. O cara quase morreu, o artista, que não era nem conhecido aqui do Rio de Janeiro. Desse universo de que eu entrei como um ET e fui me transformei como lagarta, e fui me transformando numa borboleta mesmo, cara. E fui batendo asas e fui voando.




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