Busca avançada



Criar

História

Menino do Rap, fruto da comunidade

História de: Wilson Tito Soares Junior
Autor: Estefania Lorenzetti
Publicado em: 31/10/2018

Sinopse

Wilson Tito, conhecido como Will ou Juninho é um jovem adulto nascido na comunidade Vila Divinéia em Santa Cruz do Rio Pardo, interior do estado de São Paulo. Teve o Cras Betinha como porta de entrada para o mundo do Rap, tendo participado do primeiro FALAVILA onde, após uma oficina de rap e uma construção coletiva de letra de música, se apresentou no cinema da cidade com lotação máxima. Ele lembra desse dia como um marco histórico em sua vida.

Tags

História completa

Meu nome é Wilson Tito Soares Junior, eu sempre fui sozinho, não tive meu pai nem minha mãe por que eles se separaram por motivos pessoais deles. Eu fui criado pela minha avó e meu avô, nasci prematuro de seis para sete meses e quase morri. Meus avós são meus pais de criação mas sempre tive a presença dos meus pais biológicos. Na minha infância em sempre brincava sozinho até eu entrar na creche Frei Chico, Centro Social São José, e lá eu comecei a fazer várias amizades. Nós brincávamos, ganhávamos ovo de páscoa, no dia das crianças tinha um almoço especial que era na AABB e na época do Natal nós também ganhávamos a sacola no natal com vários presentes; era muita alegria pra mim.

 

Se hoje eu sou o que eu sou um pouco é por causa da Creche do Frei Chico. Eu brincava na rua, de polícia e ladrão, esconde-esconde, jogava bola e reuniam vários moleques. As vezes a gente atravessava a cidade para jogar bola, nós íamos batendo bola na rua, brincando e petecando. Nosso sonho era ser jogador de futebol para dar uma vida melhor pra nossa família, mas comigo infelizmente não acabou acontecendo, eu tomei outros rumos. Eu lembro que eu joguei no São Caetano que era aqui em Santa Cruz, eu tinha uns 08 ou 09 anos, e o lance que me marcou foi que eu peguei a bola na entrada da área e sai driblando todo mundo e ao invés de eu ter chutado pro gol eu passei a bola pra um moleque mas ele estava impedido, ele fez o gol, mas não valeu. Daí eu fique bravo, né.

 

Na adolescência minha cabeça estava meio fora de si, eu pensei várias vezes em entrar pro mundão por causa de várias “fitas”que acontece, né. Tem aquela fase em que você esta se descobrindo, você não sabe o que quer da vida e eu recebi propostas de entrar pro mundão. Só que como eu pensava muito no meu avô e na minha avó e meu pai também me falava pra não mexer com essas coisas, meus avós são tudo pra mim. Muitos ainda me julgam pelo meu estilo, acham que uso drogas ou que trafico. Se você se viciar é dinheiro jogado fora, ao invés de você comer um lanche você joga fora seu dinheiro por um prazer momentâneo. Eu entrei no mundo do Rap por causa do meu tio, com ele eu comecei a escutar. Teve a oficina de Rap no CRAS-BETINHA, eu comecei a escrever, nós gravamos um clip com a letra que a gente fez. Fomos apresentar no cinema o FALAVILA, nós subimos no palco e cantamos nossa letra. Foi muito legal.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+