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História

Memórias de uma dedicação plena à indústria farmacêutica

História de: Antônio Aloysio Russo
Autor: Valdir Portasio
Publicado em: 09/06/2021

Sinopse

Infância em São Paulo, capital. Formação em Química e vida profissional inteira dedicada à indústria farmacêutica. Crescimento profissional simultâneo à expansão da empresa na qual mais aprendeu, se desenvolveu e por mais tempo se doou. A experiência de ter participado diretamente dos processos de mudança de sede e da expansão do Aché.

História completa

Projeto Aché Depoimento de Antônio Aloysio Russo Entrevistado por Immaculada Lopes e Eliana Reis São Paulo, 20 de fevereiro de 2002. Realização: Museu da Pessoa Código: ACHE_HV002 Transcrição: Jurema de Carvalho Revisão de Augusto Gonçalves Barbosa P/1 – Immaculada Lopes P/2 – Eliana Reis R – Antônio Aloysio Russo P/1 – Eu queria começar perguntando teu nome completo, data e local de nascimento. R – Meu nome é Antonio Aloysio Russo, eu nasci no dia 28 de agosto de 1943, em São Paulo. P/1 – Teus pais são de São Paulo também? R – São paulistas. P/1 – Onde que eles nasceram? R – Em São Paulo mesmo, capital. P/1 – Está certo. E a tua família toda nasceu... Teus irmãos também nasceram em São Paulo? R – Todos de São Paulo. P/1 – Quantos irmãos? R – Dois irmãos. P/1 – Dois irmãos. Você lembra da tua infância? Qual o bairro que você passou a infância? R – A infância mesmo em passei em Pinheiros, na Rua Francisco Leitão, onde eu nasci. Eu morei lá até, mais ou menos, uns 10 anos de idade, depois mudei para a Vila Madalena. P/1 – Como é que era essa casa na Francisco Leitão? R – Era interessante porque, antigamente, as famílias, principalmente as famílias italiana, meus avós, nós morávamos tudo numa casa só. Era um quintal grande com várias... Duas, três casas e nós morávamos juntos. Na frente era sempre a matriarca e depois nós morávamos nas outras casas que tinham na área lá. Um terreno muito grande... P/1 – Eram os pais de quem? Pais do teu pai? R – Dos meus pais. Do meu pai. P/1 – Como é que se chamavam os teus avós? R – Meu avô era Rafael Russo e minha avó Emmanuela (Prince?) Russo. P/1 – Você sabe quando que eles vieram para o Brasil? R – Eu não me recordo. P/1 – Eles vieram casados, será? R – Vieram, vieram casados. P/1 – Você sabe dessa história, porque eles vieram para o Brasil, como é que foi a chegada deles? R – Foi naquela época da imigração. Eles vieram como imigrantes mesmo. Naquela época que veio vários italianos para o Brasil e eles vieram no mesmo período. Veio eles e, inclusive, a mãe dele, que era minha bisavó. P/1 – Que moravam na casa. R – Moravam também na mesma casa. Depois ela faleceu... Ela só tinha ela. P/1 – Que lembranças que você tem do seu avô, Russo? R – Meu avô, eu não cheguei a conhecer. Ele faleceu antes de eu nascer. A minha avó sim, bastante lembrança porque ela me acompanhou toda minha infância. Na realidade, ela que me criou porque meu pai e minha mãe trabalhavam e eu ficava com ela. Ela me trocava, me levava para a escola, me ensinava um pouco de italiano, falava todas as palavras mais comuns; travesseiro, (cuscino?), (cucciara?), que é o talher. Então, a gente foi... Tinha esse vocabulário e ela me... Eu vivia junto com ela. P/2 – Ela cozinhava bem? R – Nossa! Aos domingos era aquele almoço com a família toda, pasta, massa. Ela mesma gostava de preparar. Então, ali vinha toda a família. Hoje, a gente perdeu um pouco disso. P/1 – O teu avô, você não conheceu, mas você sabe o que ele fazia? R – Ele era carroceiro. Eu não conheci, mas o meu pai conta que ele era carroceiro. Tinha os cavalos, a carroça e fazia transporte. Naquela época trabalhava, talvez, no mercadão, próximo do mercado, fazia entrega, transportava coisas. Trabalhava nisso aí, fazia isso. P/1 – E da tua avó, você falou que ela te levava na escola, como assim? Vocês iam a pé? R – É, veja, eu morava na Francisco Leitão, eu fiz o Primário no Godofredo Furtado, um grupo escolar que ainda tem até hoje, que é na Rua João Moura. Ela tinha problema... Defeito na perna, tinha dificuldade de andar muito. Ela me levava da Francisco Leitão até o início da Henrique Schaumann, que hoje, é uma descida, tinha um rio, tinha uma ponte. Ela me levava ali, ali ela parava. Eu descia aquela ponte e subia a João Moura. Ela ficava ali me olhando até virar para entrar na rua da escola. E à tarde ela fazia a mesma ______, ficava ali esperando até eu chegar. P/1 – Você era bom aluno? Você lembra da tua época de escola? R – Eu era bom aluno, era peralta, um bom aluno, mas peralta. P/1 – Que lembranças que você tem da escola? Como que era essa escola que você estudou? R – Naquela época, escola do Governo era o top porque era difícil, não tinha muita escola particular. Então, quem ia estudar na escola do Governo não tinha distinção de classe. Era todo mundo, era do pobre ao rico, era escola padrão. Quer dizer, lá naquela época, a gente tinha mestre, era mestre mesmo. Tem professores que eu lembro até hoje. No segundo ano tinha uma professora que se chamava Dona Olga, uma morena, quando você fazia alguma arte ela dava assim, um croque na cabeça, batia [risos]. E aquilo foi marcando, mas tinha uma disciplina, tinha aquela coisa toda. Mas, jovem juntos fica... Aquele pessoal que sentava no fundo da classe, tal, aquela coisa... P/1 – Você lembra de alguma dessas travessuras, dessas brincadeiras? R – Nós sempre brincávamos na hora do recreio, na fila. Na fila, pintava o outro, essas coisas. ______ a mala. Então escrevia com giz na mala que, naquela época, a gente usava uniforme. A gente tinha uniforme. Era calça azul marinho e camisa branca. Então, a gente escrevia com giz na mala e pá. Batia na bunda do cara. Manchava tudo de branco e o cara não sabia, achava que era uma mala só. Mas era aquela coisa, mas era tudo coisa sadia, sabe? Sem... Porque tinha ____ os amigos, não era briga, sabe? Era brincadeira mesmo, gozação. P/1 – E em casa, quais eram as brincadeiras? Eram em casa, era na rua? R – Essas brincadeiras eram mais assim na rua. Hoje mudou bastante. Quando voltava da escola, tinha um período, um horário para brincar porque a minha mãe trabalhava, meus irmãos... A diferença de idade para meu irmão mais velho, depois de mim, era de 9, 10 anos. Então, praticamente, eu participei da criação dele. Fazia mamadeira, trocava ele, dava banho porque minha mãe trabalhava. Quando eu chegava da escola assim... O meu pai e a minha mãe trabalhavam em horários alternados. Ela entrava de manhã, ela trabalhava de manhã no Hospital das Clínicas, acho que das 7h às 14h. Meu pai ficava das 2h e saía às 23h. Então, nesse ínterim, eu voltava da escola e cuidava dele. Eu, praticamente, participei da vida dele. Tem um fato curioso que, até há pouco tempo, ele não fumava na minha frente, me respeitava como se eu fosse um pai. Era muito bacana. P/1 – Os teus pais trabalhavam no Hospital das Clínicas como enfermeiros, é isso? R – Enfermeiros, é. Enfermeiro e enfermeira. P/1 – O que você lembra desse trabalho? Eles vestidos de branco? R – De branco. Todas as vezes que eu ia no Hospital das Clínicas para participar de festas, de comemoração da criança, minha mãe me levava para fazer consulta, eu passava o dia lá porque ela trabalhava lá. Ela trabalhava na sala de enfermagem e eu ficava lá com ela, passava quase que o dia. Conhecia os médicos, conhecia as outras enfermeiras, a gente ia às festas. Era impecável. Naquela época era aquela coisa branca, engomada, ________ aquela toquinha, mas era impecável. Meu pai a mesma coisa, todo de branco, uniforme que a gente sabe que é hoje. P/1 – Como é que você descreveria, assim, a figura da tua mãe? Como é que era a tua mãe? R – Minha mãe foi uma pessoa assim... Sempre foi, ainda é uma pessoa muito ativa. Quer dizer, sempre as iniciativas, sempre partiram mais dela, em termos de estudo, de escola, com toda dificuldade dela trabalhando, mas era sempre... Dentro das possibilidades dela, sempre teve uma coisa com ela que ela tem até hoje, é uma marca dela. Sempre que comprar, é sempre o melhor, ou então não compra. Ela não aceita coisa... Como é que eu posso dizer? Que não seja boa, que não seja de boa qualidade, ela não aceita. Tudo, tudo que você imagina. É roupa, é comida, era um carro. Ou tem, é bom ou não tem. Ela não tem meio termo. Gozado, ela é ainda assim hoje. E ela tem umas coisas que ela tem uma marca dela. Sabão em pó tem que ser Omo, se não for Omo, não tem outro. Azeite tem que ser Gallo, incrível. Eu comprei uma vez uma marca Andorinha, tão bom quanto o Gallo, eu comprei num supermercado. Ela falou: “Não, esse aqui eu não quero, eu quero Gallo”. Então, ela tem uma coisa dela que é isso aí. Ela não muda, ela é assim, sempre foi assim. Mas é uma pessoa batalhadora, sabe? Bonita, sempre muito bem vestida, sempre foi. Depois que ela se aposentou, caiu um pouco. Meu pai também uma coisa sempre... Naquela época, trabalhava-se de terno, aquela coisa. Tinha que ser de gravata, muito bem ______, mas tudo rigoroso [risos]. Então, nós fomos criando aquele padrão rigoroso de disciplina. Não sei se era certo ou se era errado, mas era assim antigamente. Você não tinha muita abertura como tem hoje, para falar com os pais sobre sexo. Você aprendia na vida mesmo, na rua porque dentro de casa era muito difícil ter esse tipo de orientação. P/1 – Eu queria que você contasse um pouquinho mais do dia a dia dessa tua casa. Quer dizer, era muita gente, teu pai e tua mãe trabalhavam fora, você ficava em casa com a tua avó. R – E os meus tios. Os irmãos de meu pai, solteiros, moravam na casa. Então, tinham mais três ou quatro, cinco que moravam tudo na casa. Trabalhavam e eu tinha meus tios na casa, que a gente jogava muito botão, jogo de botão. Hoje você compra o jogo de botão pronto. Tem aquelas fichinhas acrílico, _________. A gente pegava e cortava o botão para fazer o jogo de botão. Quando eles iam vestir não tinha botão no paletó, na coisa. Nossa, eles já vinham seco em mim. Várias vezes, com aquela bronca, com aquela coisa. Mas tudo... Mas era uma brincadeira sadia. Quer dizer, era peraltice. Chegava lá: “cadê o botão?” Não tinha. Eram aqueles botãozão de capa, você lixava eles e... P/1 – Isso você jogava com seus amigos? R – Com os amigos do bairro. Jogava na casa de um, na casa de outro, depois que voltava da escola à tarde. De noite não tinha muito que sair, mas era mais à tarde mesmo. P/1 – Você ficou nessa casa até que época, Russo? R – Na Francisco Leitão? P/1 – Você tinha qual idade mais ou menos? R – Eu acho que eu tinha, mais ou menos, acho que 13 anos mais ou menos... P/1 – Aí vocês se mudaram para onde? R – Para Vila Madalena, para Rua Harmonia. P/1 – Você se lembra porque vocês se mudaram? R – Essa casa... Mesma coisa, continuou a mesma coisa. Quer dizer, a família morando numa casa grande. Só que essa casa era dos meus avós maternos. Era uma casa maior, tinha mais acomodação. Já tinha meus irmãos e ali era uma casa pequena assim, que a gente morava naquele tempo era menor. O terreno era grande, mas a casa era pequena. Essa era uma casa que tinha mais acomodação, aí nós mudamos para lá. P/1 – Se mudou todo mundo? R – Não, veja bem... aí, na Francisco Leitão era a família do meu pai. Então, o que ficou era a família da minha avó. Minha avó, mãe da minha mãe, morava lá. Ela ____ meu avô, continuavam morando na frente e nós morávamos numa casa mais, que tinha mais... Que era maior, né? P/1 – Essa mãe da tua mãe não era italiana, ela era brasileira? R – Era brasileira, era paulista. P/1 – O que ela fazia, era dona de casa? R – Dona de casa. P/1 – Você lembra de algum detalhe de como que era o dia a dia com ela? R – Ah, lembro. A gente mexia muito com ela. Ela tinha um dedo da mão, eu acho que direito, um dedo duplo assim, sabe? ____ dedão era duplo. Então, ela... Tudo o que ela fazia a gente olhava, aquilo era curioso. A gente ia pegar naquilo, achava aquilo interessante. Era mais assim, realmente, dona de casa. No domingo, a gente _____, ia almoçar com ela. Eu lembro muito dela, não como assim... Mas fazendo comida, fazendo aqueles bolinhos de chuva, aquelas coisas assim, de culinária. P/1 – E a escola, você mudou também nessa época? R – Aí, depois, eu da Godofredo Furtado era só... A gente chamava naquela época de primário. Era só até a quinta série. Aí tinha a quinta série, aí você tinha que fazer a admissão. Para entrar no ginásio, você tinha que prestar, como se fosse um vestibular. Você não entrava direto. Você tinha que prestar um vestibular para entrar. Aí, eu prestei no Fernão Dias Paes, na rua Pedroso de Moraes, aqui em Pinheiros. Era também um colégio considerado padrão, como era o Caetano de Campos naquela época. E ali era gozado porque para entrar foi difícil. Eu entrei na segunda chamada porque tinha muito candidato, tinha que alcançar aquela média, aquela ansiedade. Era um colégio do Estado, de alto padrão. E usava um uniforme, __________ tinha uniforme também. Antigamente era um tipo de um brim, cáqui, cor de cáqui, camisa branca, gravata preta, meia preta e sapato preto. Tinha que usar uniforme. Naquele calor da sala, tinha muita sala de madeira. Nossa, quando caía naquela sala, aí era terrível. Não tinha ventilação, não tinha nada, ______ A parte interna era ótima, _______ quando expandiu, fizeram um pátio e uma sala de madeira na época, que se fazia. Quando caía naquelas classes era terrível. P/1 – E lá você estudou até o científico? R – Até o científico, estudei até o científico no Fernão Dias. P/1 – Esse tempo todo em Pinheiros? R – Tudo em Pinheiros. P/1 – Como é que era Pinheiros naquela época? Você lembra das ruas de Pinheiros, que lugares você frequentava do bairro? R – Pinheiros tem uma particularidade na época de Natal, que marca muito é Natal, a época de Natal, a época das quermesses. A Igreja do Calvário, tem a Igreja do Calvário, em frente ali, todo ano tinha quermesse ali. Ainda tem, acho que tem... Onde tem aquela pracinha de antiguidade, era ali que se fazia na época das festas juninas, tudo ali, as quermesses era ali. E na época de Natal, o charme era você passear na Teodoro Sampaio porque era toda enfeitada com decorações dos lojistas. Você ia paquerar, _________ as meninas, tinha show à noite de cantores, os próprios lojistas faziam. Então aquilo era tomar um banho, 18h, 19h e ficar ali. Subir aquela Teodoro Sampaio de cima a _____________, vai e vem. P/1 – A primeira namorada é do bairro de Pinheiros? R – Olha, namorar, namorar, realmente foi a minha esposa. Foi com quem eu casei. P/1 – Foi quando você conheceu? R – Eu acho que mais ou menos em 1966. P/1 – Você lembra quando conheceu, como? R – Eu fui no casamento de um irmão dela. A gente jogava bola na Vila Madalena, na 7 de Setembro, na Vila Madalena. O irmão dela jogava junto comigo também e todo sábado a gente saía para baile. Todo sábado tinha bailinho. A nossa diversão era o bailinho. Todo sábado tinha um baile. Na casa de um, na casa de outro, a gente se reunia na esquina ali e ia para os bailes. “Como é o meu irmão que está casando hoje, tem uma festa, depois a gente sai.” Foi aí que a gente teve... Eu não a conhecia, tive o primeiro contato, conhecer, mas ficou um tempão assim da gente se conversar, falar. Como eu comecei a frequentar mais o bairro porque ______ interesse, jogava bola, comecei a frequentar mais a parte de cima da Vila Madalena, que eu morava mais na parte de baixo, morava perto do Cemitério São Paulo, lá no começo. Nessa casa da Harmonia, um negócio interessante que eu esqueci de falar para vocês, dava enchente. Toda vez, na época de carnaval, podia preparar “enchente.” Enchia mesmo, ficava encher de perder tudo. ___________ mostrar para vocês, limpava ainda. P/1 – Como é que vocês se preparavam para enchente, tirava tudo? R – Quando dava tempo, que ela vinha, porque era tudo de terra. Quando vinha... Tinha um rio ali. Agora eles canalizaram, mas tinha um rio ali. Transbordava, eu morava logo embaixo, na baixada. Aquilo era assim, o cemitério aqui, a rua descendo aqui, eu morava nessa parte debaixo aqui. Ali, choveu, começava a escurecer, começava a levantar as coisas. Lógico, quando dava, né? Quando não, perdia tudo. Enchia tudo d’água. P/1 – Você chegou a ficar preso na casa? R – Nossa! Mas teve uma vez que eu tive que pegar a minha mãe, pendurar assim, no... Onde ficava o cano do chuveiro para não... Segurava, levantei ela, falei: “Segura aí, vou ficar aqui até onde dá”. Levantando as coisas e água entrando, não tinha jeito. Pegamos várias enchentes. Foi uma das causas, depois nós mudamos para a Vila Beatriz, aqui para cima. P/1 – Aí você começou a frequentar o lado de cima da Vila Madalena? R – Isso, aí eu comecei a frequentar essa parte mais de cima. P/1 – Quantos anos de namoro até o casamento? R – Seis anos. P/1 – E o casamento foi onde, Russo? R – Foi na Igreja do Calvário. P/1 – Você lembra assim, da cerimônia, lembra algum detalhe? R – Lembro. Foi interessante. Naquela época, eu trabalhava na Squibb e tinha uma moça que trabalhava comigo, na área _______ controle de qualidade. A irmã dela, não sei se vocês chegaram a ver, tinha um conjunto que se chamava “Os Vips”, um conjunto da Jovem Guarda, do Roberto Carlos, aquela coisa toda. E eles montaram um buffet, sabe? E a irmã dela trabalhava com esse cara. Aí, eu falei: “Vou fazer... Estou querendo fazer assim...” “Vamos fazer com os... Faz com Os Vips, que eram famosos naquela época.” Fizemos a festa na própria igreja. Foi um caos, tudo aquilo que a gente combinou, eles não estavam, acho, que preparados. Eles estavam iniciando, foi gente demais, foi uma loucura. P/1 – Mas eles tocaram na festa? R – Não, não. Eles serviam, eles montaram um buffet. O forte deles era tocar e cantar, só que depois eles montaram um buffet, para contratar, para servir. Fazia a festa, bebida, salgado, doce, aquela coisa toda. Aquilo tudo que nós combinamos foi muito bacana. Fizeram _________, fizeram todo menu. ________ não deu nada certo. Então, foi um caos. Mas marcou, porque a gente se preparou tanto para aquilo e no fim não deu... Quer dizer não pode dizer assim que deu certo, foi muita gente. P/1 – Vocês se casaram e foram morar aonde, Russo? R – No Rio Pequeno. P/2 – Aí não mais com a família? R – Não, aí já era uma casa nossa mesmo. Antes de casar já tinha comprado a casa, foi preparando, mobiliando, comprando máquina de lavar roupa, geladeira, fogão no Cássio Muniz, no Consórcio do Cássio Muniz e pagando [risos]. Aí casamos. A máquina não chegava, aquele som não veio. Mas foi muito bacana. No primeiro mês, no primeiro dia que casamos, voltamos da lua de mel, entramos em casa, falei: “E agora?” Não tinha aquela coisa, nunca me preocupei em pagar conta. Sempre morei com meus pais, não comprava, não fazia compra. Aí, cheguei: “E amor, o que nós vamos comer? Não tem nada dentro de casa!” Não tinha nada e tinha que pagar as contas, eu falei: “Meu Deus do Céu! E agora?” [risos]. A Clarisse trabalhava e ela saiu do emprego e sacou o fundo de garantia dela. Foi a nossa salvação [risos]. Não tinha o que comer. P/1 – A lua de mel foram passar onde? A lua de mel foi onde? R – Foi em São Lourenço, naquelas estações de água lá. Quer dizer, aquela que tinha. Eu era sócio daquele Clube Delfim Verde, era um clube de campo que tinha. E você tinha direito a passar... Você tinha alguns lugares que você podia escolher para passar a lua de mel. Na verdade, a gente queria ir para Cabo Frio, mas nós casamos no dia 18 de abril. A época de 21 de abril tem aqueles feriados prolongados. Eu, na minha ingenuidade, falei: “Chegando a hora, eu marco.” Que, tudo lotado. Então, eu peguei o que sobrou. Na realidade, não foi escolha, foi o que sobrou. “Algum lugar que tem é esse aqui.” “Está bom.” Peguei um ônibus na Estação da Luz, ali perto da Estação da Luz, passa numa rua e fomos [risos]. P/1 – Você falou da Squibb, eu queria saber um pouquinho desse teu início de carreira. Você fez o científico e aí você foi fazer? R – Aí, eu fiz Química no Eduardo Prado, Liceu Eduardo Prado, lá no Itaim. P/1 – Como que foi a escolha desse curso de Química? Você lembra o que te influenciou? R – Eu acho que naquela época, veja bem, o meu pai, ele antes dele trabalhar no Hospital das Clínicas, ele trabalhou, ele tem uma carteirinha de químico, técnico-químico na época. Ele trabalhava numa fábrica, como se fosse uma indústria farmacêutica, era em frente à minha casa na Francisco Leitão. Era Laboratórios Camargo... Depois eu preciso ver o nome. Ele trabalhava lá. Eles faziam sabonete, faziam aquelas cápsulas. Então, ele já tinha aquela coisa, ele sempre falava e era em frente. Ele trabalhava ali. Eu era um molecão, crianção, quatro, cinco anos. Ele atravessava a rua, ia almoçar em casa. Eu acho que ficou um pouco daquilo lá. Naquela época também virou uma coqueluche, um modelo. Era Química ou Eletrônica. Todo mundo estava fazendo aquilo. Sei lá. De repente, hoje, talvez seja Administração de Empresa, sei lá, algum outro curso qualquer. Então, era um modismo. Eu já tinha uma queda por aquilo, gostava, acabei fazendo. P/1 – E quando você se formou, você arrumou teu primeiro emprego ou foi ao mesmo tempo? R – Durante, durante... Quando eu estava ainda estudando eu trabalhei, eu comecei nesse Laboratório ________ na rua Pinheiros. Aí, depois ele mudou para Belo Horizonte, eu fui para lá, fiquei três meses lá, montando o laboratório junto com eles. Mas não podia. Nós mudamos assim, em dezembro, e como as férias escolares iam até março, eu estava no último ano do Liceu, eu fui para lá, montamos tudo, organizamos todo o pessoal. Teve um negócio curioso porque ali era um bairro... Onde é hoje a Fiat, sabe onde tem a Fiat ali? Um bairro industrial, não tinha indústria farmacêutica lá. Então, esse laboratório foi para lá porque foi todo aquele incentivo de imposto, na época de Magalhães Pinto, para mudar para lá. Mas a mão de obra tinha que treinar. Não existia pessoas porque a indústria farmacêutica é uma indústria particular, você tem todos os cuidados. A gente fabricava uma injeção __________. As meninas tinham assim, eram meninas na roça, que aquele bairro ali era um bairro de roça, não tinha como trazer pessoal de Belo Horizonte para lá. Não tinha como, não dava. Então, você pegava aquele pessoal, treinar, fazer, dar roupa para eles vestirem porque eles eram descalços. Naquela época, eles usavam o quê? Alpargata rosa, aquele que tinha sola de corda, tivemos que comprar aquilo. Mas elas pegavam as ampolas, elas quebravam. Estavam acostumados a apertar um cabo de enxada. Então, ali foi um negócio, foi uma coisa que marcou muito. Quer dizer, a gente aprendeu muito. Três meses, a gente foi... Eu, sozinho, jovem ainda, tentando passar aquilo para o pessoal. Aí, depois, eu voltei para São Paulo, fiquei prestando algum serviço aqui para eles, comprando alguma coisa, quando quebrou alguma máquina, fazendo algum contato. Mas depois eu... Aí, me formei e falei: “Agora, não tem máquina. Agora, eu tenho que procurar o meu caminho porque está muito ruim assim.” Foi quando eu entrei primeiro, eu entrei na Bristol, Laborterápica, Bristol, entrei como estagiário lá. Estava me formando, fazer estágio. Minha mãe conseguiu através de um médico conhecido, que era médico, eu acho da Bristol, ele me conhecia, fui fazer estágio. No segundo mês de estágio, já me contrataram como funcionário. P/1 – Para fazer o quê? R – Na parte de Controle de Qualidade. Aí, eu fiquei dois anos na Bristol e fui convidado para ir para a Squibb. Na Squibb entrei na parte de Controle de Qualidade também, na parte de fermentação, controle de qualidade. Depois, comecei a trabalhar na parte de desenvolvimento de produtos, fui para analista, depois passei para supervisor de Controle de Qualidade. Trabalhei 8 anos na Squibb. Em 1972, eu saí da Squibb, recebi um convite do Aché, aí fui para o Aché. P/1 – Você já tinha ouvido falar do Aché, eu imagino, antes, ou não? R – Sim, mas muito pouco, muito pouco, porque veja, como eu trabalhei sempre em multinacional, já é uma empresa organizada, já tem um padrão, as coisas já vêm prontas da matriz e ali era um desafio. Um desafio que eu sempre quis, porque nessas empresas multinacionais, você tem ideias, mas você não pode pôr em prática. Não adianta. Tem um padrão, que você chega uma hora que você tem um limite. Então, muitas coisas você queria fazer, mas infelizmente não era possível, devido aos parâmetros, procedimentos que a empresa tinha. Esbarrava nisso e não tinha jeito. P/1 – Como é que foi esse convite? Como é que surgiu o convite para ir para o Aché? R – O Adalmiro, ele já conhecia um _______ em pó que chamava Grécia. Era uma fábrica de móveis aí na Rua Lisboa, em frente a Igreja do Calvário, de estofado. E um dos motoristas do Aché tinha uma perua que ele usava, que era para fazer as entregas, ele ia de Pinheiros. E um outro rapaz também, que trabalhava parte, nos escritórios do Aché, um primo, que é meu amigo até hoje e a Vera, que é a esposa dele, trabalhava também no Aché, secretária dele, a gente se conhecia. Aí, eles me convidaram para jogar bola lá também no Grécia, de sábado, lá. Hoje é onde fica o Eldorado, o Shopping Eldorado. Ali era tudo campo de futebol, tudo areia. Chamava Areião ali. E nós jogávamos bola lá. Todo sábado, à tarde, jogava o Grécia. A família vai, conheci de jogar bola. Ele, um dia, me ligou, a secretária dele, falou: “Olha, eu estou precisando de uma pessoa para vir trabalhar aqui no Aché, você não conhece alguém no Squibb, alguém jovem que tenha formação, que queira crescer com a empresa?” “Eu vou verificar, vou ver se tem alguém.” Tinha alguns amigos, mas não queria indicar porque não tinha segurança. Não vou indicar uma pessoa, poxa vida, que a gente não conhece as pessoas. Não quis indicar. Aí foi indo, foi indo, até que um dia ela falou: “Na realidade, eles querem você vá para lá.” Eles já me conheciam, sabiam o meu perfil lá, quem eu era no Squibb, tal. E falei: “Está bom.” Conversei com eles, falei: “ Está bom, vamos conversar.” Aí, eu fui. Era ali na... O escritório era na Álvares de Carvalho, ficava toda a parte de vendas e de marketing. Ficava ele e o Victor _________. Aí, eu fui lá, marquei um dia, fui fazer uma entrevista, falei com o Victor, conversei um pouco com o Miro, mas era o Victor que cuidava dessa parte de desenvolvimento de produtos, lançamentos. Conversamos um pouco, tal. Ele falou: “Está bom”. Aí, pegamos o carro, me pôs no carro, não tinha carro naquela época, ia de ônibus para lá e fomos para Santana, lá no Imirim. “Você vai conhecer a fábrica e na fábrica está o Depieri. __________________________________________________. Aí, olhei, tal. Eles me falaram o que eles queriam de mim: “Tudo bem, não tem problema, vamos lá”, eu falei: “Quer saber de uma coisa, se eu tiver que dar uma cabeçada é agora, né?” Estava casado há pouco tempo. Agora, eu vou. O Aché está aparecendo agora. Eu senti, deslumbrei que eu ia ter oportunidade de desenvolver, então eu gostaria de fazer. Vou chutar: “O meu salário é tanto”, eles toparam [risos]. P/1 – Aí, você foi contratado para qual função exatamente? R – Quando eu entrei, eu entrei para organizar o Controle de Qualidade. Aí, depois, eu _______. Estava fazendo fábrica, Controle de Qualidade no Imirim e desenvolvimento de produtos. Foi aí que nós começamos ter muitos produtos que estavam lá parados. O Victor, o Victor é o criador das ideias. Então, ele criava os produtos, falava mais ou menos o que ele queria, mas não tinha quem pusesse aquilo em prática, que transformasse aquilo em produto, que desse cor, sabor, forma, qualidade no produto, estabilidade. Eu, como já vinha com uma certa bagagem da Squibb, que já trabalhei nessa parte de desenvolvimento, então eu peguei os projetos que estavam parados e começamos a fazer. Então, no início, eu fiquei mais nessa parte realmente de Controle de Qualidade, comecei a organizar o Controle de Qualidade no Aché, porque praticamente não tinha, então a gente foi criando e montando, foi, foi, foi criando, tentando criar alguns procedimentos, normatizar algumas coisas, tal, um conhecimento que a gente já tinha e comecei a desenvolver produto, produto que estava parado. Aí, depois, passei. Aí, quando... E ao mesmo tempo, nós estávamos participando... Eu ficava participando com o Ruy Ohtake, que na época, tinha o seu Rafael, que é o irmão do Adalmiro, que é o quarto, que saiu antes deles porque restaram três, mas tinha o Rafael que cuidava da parte da obra que era em Guarulhos. Então, toda semana, nós tínhamos uma reunião com o Rui, desenvolvia os layout, eu e o Rui fazendo os layout, tenho guardado até hoje lá. E depois a gente vinha para Guarulhos para ver a obra, como é que está, discutir no local, tal e já estava uma fase avançada da obra. Então, inicialmente, eu participei no Aché foi a parte de Controle de Qualidade e de Desenvolvimento e Projeto na fábrica em Guarulhos. P/1 – Eu queria só aproveitar um pouquinho do que você conheceu lá do Imirim, como era organizada a produção do Aché na época do Imirim? O que era? P/2 – Só para completar assim, quantos funcionários tinham na época? R – Lá no Imirim? P/1 – É. O senhor lembra? P/2 – Pode ser um número aproximado. R - Não chegava, acho que, a 100. Eram 100 funcionários, se tivesse, mais ou menos uns 100. P/1 – Mas era uma organização de produção bem diferente do que a gente conhece hoje? Você poderia descrever um pouquinho como é que era? R – Na verdade, quando eu entrei, como eu entrei na parte do Controle de Qualidade, eu comecei olhar de que forma se trabalhava, os parâmetros que eram usados, como é que era então, naquele tempo, quando eu entrei lá, a forma de fabricação era uma fichinha, essas fichinhas cor de rosa, que a gente ainda tem algumas guardadas. Ali, você batia à máquina e colocava a receita, vai. Todos os componentes que iam no produto. Assim, depois alguém tinha que pesar, fazer algumas coisas, mas como o Controle de Qualidade, naquela época, não tinha muito ainda. A gente comprava... Confiava muito no fornecedor. A qualidade já do fornecedor, confiava muito no que o fornecedor que te passava. Ele te mandava alguns relatórios, especificava e você fazia algumas análises de identificação. Então, a gente foi desenvolvendo essa parte mais firme mesmo, que já nas outras já era comum fazer. As empresas nacionais estavam começando e ainda não tinham toda essa estrutura montada. P/1 – Mas a pesagem, por exemplo, dos ingredientes era manual? R – Manual, manual. Você tinha uma balança e aquilo você levava numa área separada, e com uma concha você pesava, tal. Então, aquilo nós fomos melhorando, tentando mostrar para o próprio pessoal o conceito de qualidade, a importância que tinha de fazer uma análise, antes de envasar o produto. Nós começamos a dar código a todos os materiais. Aí continuou organizando um processo de fabricação, uma ficha padrão. Fomos comprando equipamento. Aí, o Aché estava investindo, então tinha que ter alguém lá, que conhecesse para poder investir na parte de equipamento. ________ para fazer a análise. Então, tinham alguns já comprados, nós incrementamos com outros e fomos aos poucos trabalhando muito forte na parte de qualidade. P/1 – E a produção, mesmo naquela época, que tipo de equipamento que era? Era o Pica-Pau? R – É. Então, quem olhava a produção naquela época era o Antenor. O sujeito olhava, cuidava da produção. Então, tinha os produtos vai. As mesmas ____ que tem hoje; comprimido, drágea, líquidos. Só não tinha pomadas, não fazia pomada, não tinha o setor de pomadas. ________ que desenvolveu produtos e começou a fazer cremes e pomadas. Então, ali, as máquinas de compressão era tudo Pica-Pau. Aquelas máquinas... O que é o Pica-Pau? Ela não é uma máquinas rotativas, ela é excêntrica. Ela fica sempre batendo num pino só, vai pondo, fazendo aquilo e jogando fora. Então, usava muito daquelas máquinas. Depois, nós começamos a comprar as máquinas rotativas, que eram máquinas de mais produção, maior produtividade. Nós, naquela época, só comprávamos equipamentos nacionais, porque naquela época não tinha como importar, estava proibida a importação de equipamentos. E não existia o blister, não fazíamos blister. Era tudo strip, é aquele alumínio em alumínio, que até hoje ainda existe. Então, não tinham as máquinas de blister ainda. O Aché não tinha. Fazia injetável, muito injetável, a parte de injetável, ampolas, fazia-se muito, e a parte de líquido também que era pouco, que era o _______ e o Sorine, que era dos primeiros, depois veio o ________, veio outros produtos. Daí, nós começamos já a pensar nos equipamentos de maior vulto. Nessa fase da obra já comprar e adquirir e já começar instalar lá na fábrica nova. P/1 – As primeiras rotativas foram ainda no Imirim? R – No Imirim já chegou a ter as primeiras rotativas. P/1 – E as embalagens, o esquema da embalagem era manual? R – Toda manual. A embalagem era toda manual. Quando eu digo assim: “O que era feito mais ou menos?” O comprimido era feito nessa máquina, depois ela ia para essa máquina __________. Punha num funil, aquilo descia e ela fechava os dois lados de alumínio-alumínio, sabe? O comprimido no meio e ela fechava. Depois dessa fase, eles colocavam na caixinha, com a mão e punham lá. Embalavam um a um. Tinha aquele (pool?) de moças. Cada linha tinham 10, 15 moças trabalhando ali, fazendo. Cada uma linha, fazendo um produto. Punha na caixa de papelão, lacrava, fechava. O mesmo procedimento que é hoje, só que tudo manual. P/1 – O esquema de expedição era diferente? R – Veja bem, hoje, você trabalha com mais segurança. Você consegue rastrear todo o produto, você trabalha com código de barra, você tem leitor. Antigamente não tinha. Não tinha nem computador, era tudo na mão. Você tinha que confiar muito no homem. Então, a expedição realmente era separar os pedidos, ia para o estoque, depois de lá fazia os pedidos. Você tinha mais ou menos o mesmo, só que hoje você tem mais segurança, ele é automatizado, você procura dar mais... Ter mais espaço, você trabalha com esteira, mas o processo era mais ou menos o mesmo porque naquela época a gente só atendia farmácia. Então era muito pedido, nossa mãe! Chegava no final do ano, no mês eram 5 mil, 6 mil notas de pedido que tinha que fazer e o faturamento todo na unha. Então, tinham seis ou sete caras na máquina de datilografar e faturando. Passava a noite virando, faturando para poder entregar os pedidos. P/1 – Queria que você falasse um pouquinho dessa mudança para Guarulhos, o senhor falou que chegou a discutir os layouts com o senhor Rui. O que exatamente? R – O que é o layout? É um projeto. E como nós íamos fazer hoje, o que existia no Imirim, como é que nós íamos trazer para Guarulhos? Como é que essas seções iam ficar? Então, as deficiências que a gente vislumbrava aí, nós tínhamos que fazer já de acordo com Guarulhos, porque era uma fábrica mais moderna, um conceito mais moderno. A gente não ia fazer uma fábrica para depois um mês mexer. Então tinha que ver o conceito. Então, foi feito já com um novo esquema com ________ de fabricação, separar, ter uma antecâmara, não entrar direto na sala, ter uma antecâmara. Então, a gente fazia aqueles layouts no papel, rascunhava, expunha: “Rui, isso vai ter isso aqui, isso aqui”, ele com a ideia dele, a gente ia jogando e tentando ver para ele poder... Jogando, está ruim dimensionado, está ruim, tem que ter a sala para fazer aquilo, quantos metros tinha que ter, como é que vai ser o processo. Então, a gente procurou não automatizar, mas fazer um processo contínuo, houvesse menos trabalho manual. Isso aí foi um ano que a gente foi trabalhando em cima e montando todo esse sistema, toda a parte produtiva, a parte do controle de qualidade. Montamos toda a fábrica. P/1 – Que prédio que é esse? R – É o que a gente chama de Aché 1. P/1 – O senhor chegou a acompanhar as obras? R – Sim, toda semana, eu vinha um dia para Guarulhos para acompanhar ela e o Rui junto. Nós marcávamos reunião aqui e nós vínhamos discutir, quando a fábrica começava a tomar vulto. A parte final, a gente via como é que ia ser esse processo, aonde vai pôr a máquina. A gente já foi montando tudo, olhando tudo. Vai ser assim, tem que fazer um furo na parede para passar assim... Deixamos pré-montado. Quando chegar, enfiar dentro, apertar o botão e sair trabalhando. Não podia falhar. P/1 – O senhor lembra da inauguração? Ver tudo isso ganhar vida? R – Antes de inaugurar, na realidade, eu já comecei... Por exemplo, como nós já instalamos alguns equipamentos grandes, novos, que foram comprados, nós já colocamos na fábrica, aqui em Guarulhos. Ele não comportava ser instalado lá. Então, eu vinha para cá, aí no caso, eu sozinho. A gente comprava equipamento, operava, via toda a parte de funcionamento do equipamento, então eu vinha para cá operar. Então, nós compramos uma máquina de secar o pó para fazer comprimido, que é da __________. Então, nós fazíamos o Somalium. O Somalium vendia, naquela época, barbaridades. Então, eu vinha para cá, o motorista me trazia com a perua, eu preparava aquele produto, eu já pesava lá em Santana, trazia toda a matéria-prima para cá, eu manipulava o produto, preparava só para comprimir depois lá no Aché. Eu vinha já tocar e já ia também, um pouco, já trabalhando. Já estava tudo instalado, tudo aprovado, bonitinho, a gente fazia já essa coisa. Aí, no final do dia, enquanto discutia, aquilo secava. No final do dia, a gente punha no carro e levava de volta para a coisa, para poder puxar, para quando a gente mudar, ter estoque. Se não podia dar algum problema, então _______ nós puxamos a condução. Antes de mudar, fizemos um estoque de segurança para depois então mudar. P/1 – Como é que foi a mudança? Levou tudo para lá? R – Foi tudo para lá. Foi bacana. Dividimos em duas turmas; uma turma ficou, o pessoal ficou em Santana e outro pessoal em Guarulhos. Nós pegamos um final de semana. Então, a gente já montou todo o esquema, contratou os caminhões, falou: Isso aqui vai primeiro, a gente já tinha feito, colocou isso no layout, já sabia onde ia cada máquina. O caminhão número um vem isso, isso, isso. A gente já ficava preparado para pôr no lugar. Os próprios funcionários do Aché, todos. Eles aderiram, veio uma turma. Ficou uma lá em Santana e a outra turma ficou em Guarulhos. O caminhão chegava, carregava lá: “Olha, está saindo daqui tal caminhão.” Já esperava. O outro já chegava, já punha as máquinas todas no lugar. Chegou não sei o que, vai tudo para o lugar. Bom, nós fizemos num final de semana. Na segunda-feira, a gente já estava trabalhando. Não os 100%, mas já estava voltando. P/1 – Foi máquina, matéria-prima, tudo? R – Foi um negócio planejado. O bacana, “Temos que instalar, foi tudo planejado”. Aquilo foi detalhado, foi feito. Algumas coisas falharam, mas no geral, não tivemos assim, grandes problemas na mudança. P/1 – E o ambiente de trabalho, a rotina de produção mudou muito da saída de Santana para Guarulhos representou o que para o Aché? R – Olha, primeiro, você ganhou muito qualidade, devido às próprias instalações. Em Santana era uma instalação muito truncada, não era uma coisa... Que o Aché cresceu e se desorganizou. Você passava por várias etapas, não tinha uma sequência. E lá não, era uma fábrica já prevista, planejada. Então, ela tinha uma sequência. O produto não voltava, ele ia sempre para frente, entendeu? Não chegava uma etapa agora, volta aqui, outra vez. Então, em termos de qualidade, de fluxo, de logística, foi... A instalação de ar-condicionado, pisos, o ambiente. Quer dizer, até para o próprio pessoal trabalhar, mais espaço, mais arejado, corredores maiores, as máquinas dispostas de forma adequada realmente, mantendo os padrões de qualidade, essa coisa toda. Foi realmente, foi uma mudança radical. P/1 – O senhor lembra assim, qual foi o aumento da capacidade de produção? R – Eu não tenho um número preciso, mas eu acredito que ali nós aumentamos, mais ou menos, uns 30% nessa mudança assim, no primeiro momento. Depois começou a vir o Aché 2, Aché 3, Aché 4. Quer dizer, eu estou há 30 anos no Aché, há 30 anos que tem obra lá, nunca parou de aumentar, de crescer. Não teve um ano que falou: “Para!”, não teve, nunca parou. P/1 – E houve um aumento no número de funcionários com essa mudança? R – Sim, houve. Muitos já vieram de Guarulhos... De Santana, aqueles que gostariam de ficar, nós tínhamos uma linha de ônibus, que trazia até Santana, aqueles que quiseram vir, ficaram _______. Depois, eles foram saindo também, porque eu acho que a distância ______. A gente foi treinando mais mão de obra em Guarulhos. No início, tivemos que pegar também uma boa parte em Guarulhos, mais a parte braçal, não especializada. Especializada, a gente trazia sempre de São Paulo porque Guarulhos ainda não tinha naquela época lá. E assim foi. Quer dizer, teve um acréscimo de mais ou menos 30% também. P/1 – E a rotina de trabalho em relação, por exemplo, a refeitório, a Grêmio, o convívio das pessoas mudou muito? R – Veja bem, logo quando mudou para cá, já existia também um pequeno... Não era um grêmio, mas já existia. Não tinha um grêmio, mas existia uma quadra. Então, nós tínhamos uma área de lazer; uma quadra de futebol de salão, um vestiário. Então, a gente se reunia. Assim, à noite, fazia campeonato de futebol de salão lá em Guarulhos, internamente. Depois, aquilo foi crescendo. Ele foi comprando os terrenos do lado, do lado de cá que era do Roda Viva, depois comprou a Alcoa. Aí, fez uma área de lazer grande. Aí, fez um campo de futebol de areia, antes de fazer toda aquela estrutura. Depois desmontou. Aí, montou o grêmio realmente. Aí, montou o grêmio. Aí fez piscina, campo de futebol, quadra de tênis. Isso tudo foi crescendo assim, de 1973 até 1992, mais ou menos, foi toda essa transformação de começar aos poucos, né? Aí, depois, foi vendo os desejos dos funcionários, que eles gostariam de ter isso, aquilo. Foi conversando, tinha espaço, tinha área, a gente foi, aos poucos, montando essa parte de lazer para os funcionários. E está até hoje _________, creche, _______ benefício, refeitório. Refeitório, antigamente, era uma coisinha pequena. Hoje, existe a área que era o refeitório é uma _________ que você sai da fábrica antiga, ali no térreo, você vai para a nova. Ali, o refeitório era ali, onde funciona o pessoal da segurança. Depois que foi para lá. Onde está aquele pessoal da segurança hoje, ali era o refeitório nosso, era ali. Inicialmente, a comida vinha congelada, ficou por isto, não tinha espaço, congelava, o cardápio, tal. Aí, depois, o pessoal reclamou, tal, tal. Passamos a comprar comida fresca, mas não feita no Aché. Tinham aquelas empresas que traziam. Para mim era a mesma coisa. Um dia, o feijão estava bom, outro dia estava ruim. Até no fim, a Nice, hoje, ela ainda está lá, mas como... Não como funcionária do Aché, mas como uma prestadora de serviço, tercerizado. A LSC que faz a parte de serviços gerais. Aí, nós montamos um restaurante. Aí, foi sim, quando nós fizemos um restaurante, a cozinha industrial, tudo ali naquela parte em frente ao ambulatório. Ali atendia quase que 600 pessoas numa vez. Então, fez toda aquela parte industrial, fez uma cozinha tem realmente industrial. Aí se montou a primeira cozinha industrial, que depois, com essas mudanças, com a ampliação, aumento da obra, saiu de lá e foi para essa parte que a gente chama de Aché 5. P/1 – Essa primeira cozinha industrial, o senhor tem uma lembrança de que época? R – 1978, por aí, mais ou menos. Nós mudamos em 73. P/1 – Eu queria que o senhor contasse um pouco de um tema que o senhor citou antes, que é o desenvolvimento de produtos. Como é que era decidido que produto o Aché ia lançar, em qual que ele ia investir agora? R – Veja, na realidade, o Victor era o criador, era o cara que pesquisava – ainda é hoje - lê muito. Criava as fórmulas: “Vamos fazer o Energisan”. Então, quais são... O que contém no Energisan? Vitamina B12, ______, dava as dosagens de acordo com a posologia. Ele olhava, estudava muito, via aquilo, a gente montava: “Olha, o produto é esse aqui”. Aí, ele me passava. Aí, eu começava numa bancada, começava a desenvolver o produto. Ver ________ nisso, como é que ia ficar, fazia o teste, fazia a dosagem, _______ a pureza, a potência, fazia o _______ estabilidade. Aí, a gente se reunia. Ele sempre dava o perfil, o que ele gostaria. A gente ______ que tinha no mercado porque muitos produtos, alguns a gente ______ algumas cópias, ______, uma melhoria. A gente procurava sempre um algo mais, um plus a mais naqueles produtos, em qualidade, em apresentação, em aparência, no visual. Então, era assim que é desenvolvido. Na época, logo de cara, quando entrei, eles estavam com três produtos parados, que era o Nitrex que era um antibiótico, para pressão, o Energisan, depois estourou _________ 1 milhão de ampola por mês ______, e o ______ creme. Esse aí era um produto que eles queriam lançar, mas só veio lançar quando estava aqui em Guarulhos, em função de que nós não tínhamos equipamento para fazer creme e pomada em Santana. Nós conseguimos depois aqui, em Guarulhos. P/1 – O senhor disse que eram produtos que estavam parados, em que sentido? A fórmula era já do Aché? R – É, o Victor já tinha na cabeça dele o que ele queria. Já estava bolado, ele tinha ______, mas não tinha... Não conseguia fazer o produto, desenvolver o produto. É que nem culinária, se não tiver o chefe de cozinha que conheça o negócio, a coisa não sai. Como você vai virar aquilo um creme? Como você vai virar aquilo uma suspensão, dar um sabor, ver o pH, as qualidades? Então, você tem o desenvolvimento, que é o que eu sabia fazer porque eu já tinha bagagem, que veio da Bristol _____. Então, aí tinha um auxiliar e a gente começava... Comecei a passar para eles também, ensinar, como é que era. Então, a gente foi desenvolvendo todos os produtos. Fazia em bancada, depois fazia um teste piloto na parte de produção. Descia para a produção, falava: “Vamos fazer assim, assado.” Fazia um teste, fazia outro. Discutia com o Victor todo... Porque o Victor, toda a sexta-feira, ele vinha ele estava no Centro, na Álvaro de Carvalho. Sexta-feira, ele vinha. Aí, ele vinha com aquele calhamaço de coisas, com as ideias. A gente discutia, eu mostrava aquilo que eu fiz durante a semana, ele olhava, estava de acordo, via sabor: “O que você acha disso?”, “Não, essa cora não está boa. Eu acho que o mercado quer uma coisa mais assim.” Era eu e ele. Ele dava as idéias e a gente punha em prática. E assim foi indo, foi seguindo para esse setor de farmacotécnica, desenvolvimento. P/1 – Essas ideias do senhor Victor, você acha que vinham da onde? Era uma observação de mercado, eram sugestões de médicos? R – Não, eu acho que era uma coisa dele mesmo, assim dele vislumbrar aquele produtos. Hoje, os produtos que, da época que estou, hoje ainda são sucesso, foi tudo dele; Tandrilax. Ele criou, quer dizer, deu um plus a mais naquela composição, porque ele é um estudioso. Ele sabia a função daquele princípio ativo, como é que ele ia agir, em que dosagem que ele tinha que ser usado. Isso tudo foi... Ele deu nome, ele criava um nome. E assim, ia. Ele criava e a gente fazia. Aí, montava os relatórios, depois que desenvolvia os produtos, fazia os relatórios para registrar. Aí, são consequências de um outro grupo que já cuidava dessa parte. P/1 – Dos produtos que o senhor desenvolveu, qual foi o primeiro assim, que mais chamou atenção? R – Foi o Energisan. P/1 – Conta um pouquinho, como é que foi o desenvolvimento do Energisan. R – O Energisan, quando eu entrei no Aché, estavam com ele parado. Tinha uma outra pessoa antes de mim que mexia com isso, um farmacêutico, mas ele não estava conseguindo fazer a fórmula. Fazia, ela cristalizava. O produto não se tornava estável. E estava lá. Aquilo foi um desafio, “Vamos ver”. Comecei a olhar, pesquisar também. A fórmula que ele quer é essa daqui. O produto tem que ter esses itens. Eu também comecei a ler, _________, então dava problema. Fiz uma fórmula, ______ em estufa, deixava um período de estabilidade, ele não se mantinha, dava problema. Aí, fomos desenvolver, até que eu cheguei a um sal. Era um problema de cálcio que precipitava. Então aí, fui pesquisando, achei que era aquilo. Nós mudamos o sal, eu mudei o sal, pedi uma amostra de um outro produto. A gente, naquela época, fazia contato com os fornecedores, pedia uma apoio, outro, trocando ideias. Aí, acertamos a fórmula. Aí, começamos a fabricar porque o Aché já tinha o perfil de fazer injetável, _____, já fazia. Então, aquilo já existia e nós queríamos lançar o Energisan. E foi um sucesso. Lançou, começou, foi, foi, foi, nós chegamos a fabricar um milhão de ampolas por mês. P/1 – No pico da produção do Energisan, como que era? A fábrica funcionava dia e noite? R – O setor, porque era por setores. Que nem hoje, cada setor tem a sua especialidade. Não é uma fábrica que faz tudo. Não faz tudo aqui. Aqui só faz uma coisa. Então, o líquido é só líquido, semi-sólidos é só semi-sólidos, comprimidos é só comprimidos, injetável é só injetável. Tem uma área porque para cada tipo de produto, você tem um rigor para trabalhar. Injetável é uma área que tem que ter mais rigor porque é estéril, tem que ser estéril. Comprimidos de uso oral já é um pouco mais aberto, ____, entendeu? Então, ali sim, nós tivemos sim é que comprar mais equipamento. Nós tínhamos duas máquinas de encher ampola, tivemos que comprar mais quatro. Chegamos a ter seis máquinas só para fazer Energisan. Aí, depois dessas seis máquinas, nós... Eram máquinas nacionais, com uma velocidade boa para o produto nacional. Quando abriu a importação, nós compramos duas máquinas italianas. Por exemplo, essas máquinas nacionais faziam 2 mil ampolas por hora, essas italianas faziam 10 mil por hora. Então, aquelas 7 ou 8 máquinas que a gente tinha, nós compramos essas máquinas de maior produção e começamos a fabricar o Energisan direto. P/1 – Sem ser o Energisan, eu gostaria que o senhor desse algum outro exemplo assim, de produto desenvolvido. R – Depois, em seguida do Energisan, outro produto que pegou bem assim, que foi uma novidade, não tinha, nós não tínhamos suspensão, que foi o caso do Eritrex, uma primeira suspensão que nós desenvolvemos, em termos de uso oral, um xarope, tipo líquido. E depois, um creme, um ______ em creme que também foi uma novidade porque nós não tínhamos... O Aché não tinha, até aquele momento, nada nessa parte de creme e pomada. P/1 – Qual que era o diferencial do Eritrex em relação a outros produtos existentes? R – O sabor, o sabor, o sabor, a cor dele. Jogamos sabor de morango muito gostoso ________. P/1 – Da onde veio a ideia do sabor de morango, o senhor lembra? R – Veja, no mercado já existia um produto similar. Ele tinha sabor de laranja, era laranja, né? Não mascarava bem porque o sal desse produto, ele é amargo. _________, ele vinha amargo. Você tem que fazer alguma coisa para mascarar aquele sabor amargo. Então, o diferencial do Aché era isso, de trabalhar em cima, de melhorar o sabor, a apresentação dele, o visual dele, para entrar no mercado e combater o outro. P/1 – No caso do Eritrex foi o sabor? R – É, o sabor, o visual dele porque a cor dele ficou muito bonito, aquele rosa, uma cor do Aché, já caiu mais no tom do magenta, e trabalhou em cima do morango, aquela coisa toda. P/1 – E o outro que o senhor citou? R – Foi o creme, ______. P/1 – O diferencial desse qual era? R – Aí, veja bem, como nós lançamos o _________ em óvulos e o creme. São produtos de uso vaginal. Então, o óvulo, a gente queria mostrar que, aquele óvulo quando era introduzido na vagina, ele absorvia toda a vagina. Então, ele era um tipo... Ele formava uma espécie de espuma, em contato com a própria mucosa da vagina. Então, esse foi o diferencial. Nós criamos um recipiente que ele reagia com aquilo e _______. Então, isso demonstrava isso, por ______ de propaganda, que o Victor criou, para fazer com o médico era isso; ele pegava um pouco de ______, uma gotinha de um líquido em cima e mostrava como aquilo reagia. Então, ele ______, aquela espuma. E pegava toda a cavidade vaginal, tem toda essa coisa que _____ criou. E o ________ em creme foi assim... Veja bem, marcou para nós porque foi o primeiro produto em creme em bisnaga que se fazia, tal, como desenvolvimento da empresa. P/1 – Essa marca de buscar um diferencial, ela continuou no desenvolvimento dos produtos do Aché ou foi só nessa época? Em toda a história continuou? R – Continuou, continuou. P/1 – O senhor Victor, ele continuou criando, tendo as ideias até quando? Teve um momento que isso muda na história do Aché? A escolha dos produtos? R – Aí, quando o senhor Rafael saiu da empresa, que era o irmão do Adalmiro, houve uma divisão nas áreas dos acionistas, de atuação. Então, essa parte de... O Victor cuidava da parte de marketing, então isso passou para o Adalmiro. O Adalmiro que ficou com essa parte de vendas e de marketing e o Victor ficou com a parte da indústria e RH. Toda a parte de Relações Humanas e a indústria. Nesse momento... Quer dizer, veja bem, como eles sempre trabalhavam, foi sempre trabalhando sem um interferir na área do outro, sabe? Autonomia de fazer isso ou aquilo. É lógico que ele continuava estudando, tendo as suas ideias, ele dava as ideias, falava, mas passou a ser uma coisa não prioritária deles e sim desse outro departamento. P/1 – E a partir daí, assim, a política de escolha de qual vai ser o próximo lançamento foi definida de que forma? Porque o Aché não tinha desenvolvimento, investimento em pesquisa. O que orientava os lançamentos? R – Não, mas eu _______. Como nós não temos pesquisa e você também não trabalha com patente, nós não temos um Viagra na mão para poder lançar. Então, você tem que fazer o quê? Ver o que tem no mercado, ver o similar e melhorar aquele similar. Como? Uma embalagem, no sabor; dar aquele plus mesmo no produto. Então, era o diferencial do Aché. Alguma qualidade, agregar mais alguma coisa que o outro não tinha, entendeu? Mudar a embalagem... Sei lá. Sempre olhando o lado da qualidade e também aquele plus, aquela criatividade. P/1 – E hoje essa criatividade está por conta de quem? De uma outra equipe? Uma equipe contratada para isso? R – Hoje, o Victor também... Hoje, depois, que teve essa primeira transformação, logo depois que empresa passou a se profissionalizar, criou um grupo, uma força-tarefa que, hoje, olha toda essa parte de lançamento, de coisa. Mas o Victor sempre dá algumas ideias também, dá as ideias dele. Quer dizer, eu acho que isso é uma coisa dele. P/1 – A cabeça continua funcionando. R – É nome, é coisa. Não adianta, as ideias é nato. Ninguém ensinou o Ronaldinho a jogar bola. Você pôr nessas escolinhas de futebol, ninguém aprende a jogar bola lá. É nato, o cara é um artista. Ele já nasce assim, não adianta. P/2 – Como eu estava dizendo, boa parte da matéria prima utilizada no Aché é importada? R – É, os princípios ativos são praticamente... Próximo de 90% é importado. P/2 – Em 1973, isso já acontecia? R – Em 1973, nós... Em 1973, isso já acontecia também. E aí quando foi em 1979, nós inauguramos uma planta química porque ela foi feita para fabricar algumas matérias-primas para uso próprio, para uso do Aché. Então, eu tive a felicidade de ir buscar essas tecnologias na Europa. Em 1980, eu fui para a Hungria, fiquei 21 dias lá na Hungria, para buscar, ficar nas fábricas, como se fosse um estágio, buscando toda tecnologia da fabricação da _______ e da __________. Fomos buscar na Hungria. Acompanhamos toda a fabricação, toda a tecnologia, análise para fazer, _________. Chegar aqui e tentar reproduzir tudo aquilo que a gente viu lá. Aí, ficamos lá, eu e o Yang, que era um pesquisador _________, ele era chinês. Nós fomos para a Hungria, e na Hungria, o interessante que a Hungria, naquela época era domínio russo, era comunismo. Então, a Hungria, o húngaro fala um dialeto; ou você falava russo ou dialeto. Inglês, eles eram proibidos de falar, não podia falar. Então, foi terrível, mas a gente se comunicava. P/1 – Como é que resolveu isso? R – Com as mãos. Nós nos comunicávamos com a mão. Aí, nós conseguimos um dicionário que tinha português e húngaro. Aí não tinha jeito de falar em português, eu mostrava para ele a palavra o que era. Aí, a gente ia tentando falar, tentar se comunicar. Mas ali, muito mais na.... Era mais no visual e na mão e conversamos. Até que, depois de um determinado momento, já estávamos lá há uma semana, uns 10 dias, nós conhecemos uma pessoa que trabalhava nessa fábrica, que é _______. Uma fábrica enorme, que existe até hoje, ele esteve em Cuba e ele falava um pouco de castelhano. Aí foi a nossa salvação porque, se não, estava difícil a nossa comunicação ali. Pegamos amizade com ele, ele ajudou e a gente também foi começando a conhecer algumas palavras em húngaro. Você vai ficando, _______, aquela coisa toda. Quando eles falavam, você não falava, mas você já entendia o que era, né? Foi bacana. Ficamos 21 dias lá naquele, sem poder conversar, mas trouxemos um resultado para a empresa. P/1 – O projeto da planta química durou quantos anos? R – Olha, mais ou menos, entre fazer a planta e... Acho que uns três anos. P/1 – Três anos para ela começar a funcionar? R – Entre a construção e o funcionamento... P/1 – Três anos. R – Mais ou menos, três ou quatro anos. P/1 – Aí, ela funcionou por quanto tempo? R – Veja bem, nós fomos buscar esses materiais, depois nós tivemos na Alemanha para pegar uma outra matéria-prima, que era __________ na Alemanha também comunista, em (Dresden?). Ficamos lá duas semanas. P/1 – E lá como é que foi essa aventura com a língua? R – Terrível, porque lá foi pior ainda, porque era uma cidadezinha pequena e a pessoa que vinha de fora tinha que ficar num determinado local. Os hotéis eram confinados para ficar ali. E às 22h acabava tudo, não tinha jeito. Apagava a luz, não tinha televisão, não tinha nada. Era comunismo mesmo. No restaurante, a gente só comia... Ia no restaurante não conhecia nada, não tinha como sair. E o restaurante do hotel vazio, se você sentava na mesa sem se apresentar para o garçom, ele não te servia. Você tinha que ficar em pé, na porta do restaurante, se tivesse alguém sentado, ele punha você do lado, _________ muita mesa sendo usada, tudo aí, um do lado do outro. Nós ficamos duas semanas lá em Dresden. Depois, eu fui para a Itália, para Milão, nós fomos buscar mais duas matérias-primas _____________ e a ________. Tivemos na (Poli?) e na (Farmabils?) buscar. Também. Lá, nós ficamos 17 dias também. Aí, ____, nós passamos na França também, Paris, para ver algumas matérias-primas também. Ficamos aí, uns dois ou três dias. Aí, voltamos. _______ deu 42 dias na Europa, atrás dessas tecnologias, acertando esses detalhes. Isso foi em 1980. A partir daí, nós começamos a fazer o desenvolvimento de bancada e começamos a usar e produzir em escala industrial. Todas essas matérias-primas ficaram para uso dos produtos do próprio Aché. P/1 – Quantas matérias-primas chegaram a ser produzidas? R – Nós chegamos produzir lá Frutose, ___________, Frutose Cálcica, Dipirina Mol, ___________,__________,____________. Hoje ainda fabrica o ___________ que esses ainda são fabricados hoje e a própria Frutose, nós continuamos ainda a... Uma parte da química continua fazendo essas duas matérias-primas. P/1 – E quais foram as dificuldades? Quer dizer, por que esse projeto ele acabou não crescendo. R – Veja, o grande problema que eu acho, foi o custo porque você não conseguia ter tudo aqui no Brasil. Sempre alguma coisa, você tinha que importar. Você não importava matéria-prima, mas os intermediários para fazer aquela matéria-prima você tinha que trazer. E o custo desses intermediários era quase que o preço da matéria-prima pronta e você tinha o risco da perda. Porque quando você faz _____ da matéria prima, você tem uma perda. E se eu compro 100 quilos, vem 100 quilo para mim, você entendeu? E com os custos, se tornou inviável a fabricação porque os intermediários tinha quase que o mesmo custo do produto final. Aí, a gente foi deixando e ficou só com essas duas porque foi um desenvolvimento nosso, que é importante manter esses dois, mas o resto não tinha mercado, não justificava mais. Saía mais caro fabricar aqui do que trazer o produto pronto. P/1 – E houve alguma mudança no fornecimento de matéria-prima? Continuou sendo a maior parte sendo importada? R – Importado. Não tem fábricas aqui no Brasil de princípios ativos. Os incipientes existe alguma coisa, mas o princípio ativo é praticamente 100%, quase que 100% importado. P/1 – Eu queria te perguntar assim, se as aquisições que o Aché foi fazendo no decorrer de sua história: a compra da Bracco-Novoterápica, depois a formação da Prodome, aquisição de cotas da Shering Plough, isso de alguma forma afetou a produção? Houve aquisição de conhecimento, de alguma forma essas aquisições trouxeram, agregaram alguma coisa? R – Sim, bastante. Primeiro, foi o Bracco Novoterápica que era na Pedroso de Moraes. Foi uma compra mesmo. Então, o que foi feito? Um período, ele funcionou lá mesmo e depois nós trouxemos tudo para Guarulhos. Quer dizer, toda fabricação veio para Guarulhos. É lógico, você teve que fazer um aumento nas áreas produtivas. Nós preparamos tudo isso primeiro, aí depois nós trouxemos para cá. Então, começou a ter alguma tecnologia diferente. Nós não tínhamos a nossa linha cápsula. A Bracco tinha uma máquina italiana de encher e envasar cápsula. Então, aquilo foi uma novidade, como apresentação. O produto em forma de cápsula. Os outros produtos, mais ou menos, eram o mesmo perfil do que o Aché já tinha. Então, os próprios equipamentos que o Aché tinha, teve que ampliar, aumentar a carga, talvez algumas _____ a mais, mas deu para absorver bem dentro do parque industrial de Guarulhos. Depois, teve o _______ Park Davis. O Aché fechou o ______ até hoje o contrato de fabricação e vendas. Aí sim, esse, por ser uma multinacional, nós tivemos que ter outros cuidados também aqui. Um período, ela funcionou lá no Rio de Janeiro, na planta do Rio de Janeiro. Nós começamos, pusemos uma pessoa lá para acompanhar toda a fabricação, para pegar os detalhes. Depois, nós nos preparamos porque, aí sim, começou a ter outras coisas que... Por exemplo, uma sala _____ que a gente não tinha para a fabricação de creme e pomada, que é o (Fibrase?). Tivemos que fazer uma linha dedicada só para fazer ______ e Agarol que eram volumes enormes, vidro de tamanho grande, supositório que nós não tínhamos em nossa linha. Então, tinha que ________. Nós tínhamos que estar preparado e vim ______. Na hora que trouxesse o equipamento, ________, estratégico. Desenvolvemos a produção e depois veio para cá. Outra coisa, nós tivemos que sofrer uma auditoria internacional porque a instalação como é que ia ficar? Então, antes da fábrica funcionar, eles estiveram aqui. Como tem até hoje. Por exemplo, tem uma pessoa que controla toda a qualidade e é empregado hoje, Pfizer, mas que ela fica full time no Aché. Nada não passa sem o crivo dela de aprovação. Aí, nós começamos a ter as inspeções internacional que nós não tínhamos. Até então, nós só tínhamos inspeções nacionais, a vigilância sanitária aqui do Brasil. Aí, a Park Davis todo ano mandava os auditores, os inspetores deles, faz inspeção pelo mundo. Isso foi bom para nós, que a gente começou também a estar de acordo com as últimas... Legislação, com as normas, boas práticas de fabricação, _______ por um órgão internacional. P/1 – Não só naqueles produtos da Park Davis? Isso acabou se espalhando? R – Especificamente, eles vêm para ver, mas como a fabricação é comum, eles acabavam vendo toda a área. Ele via a instalação, a área, como você fabricava o produto, a documentação. Então, tudo isso foi... E eles faziam as observações deles e a gente foi... Algumas coisas foi se adaptando, foi mudando, mas nunca tivemos um problema sério assim, de ter que parar por não ter condições não. Então, com a vinda ______, a gente aprendeu muita coisa e mesmo também precisou... Os primeiros lotes que eram fabricados tinha que ter a aprovação dos Estados Unidos, então nós fabricávamos aqui. O produto ia lá para os EUA, ia uma amostra. Depois de três lotes provados, é que eles autorizavam você a ter a fabricação. Isso, para mim, foi um marco muito bom para gente, porque nós tínhamos qualidade e condições de fabricar, de acordo... Como se fosse fabricação de primeiro mundo, dos Estados Unidos. Aí sim, começou a ter essa diferenciação e ampliação. Aí o Aché foi crescendo, 3, 4. P/1 – E a Prodome causou algum impacto, a formação da Prodome? R – A Prodome não, porque a Prodome _______, ela manteve a mesma instalação. Nós não trouxemos a parte fabril aqui para Guarulhos. Ela se manteve nas instalações que ela tinha, só foi mais ou menos uma parte comercial e de administração, mas a parte fabril continuou lá. Para o Aché foi a mesma coisa. Não teve interferência assim. Conversávamos o _______________. A Prodome hoje fabrica algumas coisas para gente. A Shering chegou a fabricar também alguma coisa para eles, mas em termos, para nós, de Guarulhos, não afetou porque essas fábricas continuaram produzindo no próprio local. P/1 – No caso da Bracco e do Park Davis vieram os equipamentos, os funcionários, veio tudo? R – Da Bracco, nós pegamos alguns equipamentos e alguns funcionários. A maioria do material, nós deixamos lá e vendemos. Fizemos um leilão porque era muita coisa muito antiga, não justificava trazer para nós. A Park Davis, a mesma coisa. Todos os equipamentos que a gente não tinha, que era específico, a gente trouxe. Alguns funcionários também nós trouxemos e estão até hoje com a gente, que a gente achou que era estratégico que eles viessem para cá. Eles estão com a gente, vieram também. E os equipamentos... Esses equipamentos são da __________, é ativos dele porque o contrato foi fechado. Então, o momento equipamento que não tem mais uso, você devolve para eles, no estado que está. Então, é deles aquilo lá. Algumas coisas tivemos que adquirir, que era uso comum. Houve uma mudança muito grande, aí sim. Aí, com a vinda da Park Davis foi uma mudança bem... P/1 – Uma mudança em que sentido? R – De ampliação no espaço da parte de produção. Eram tipos de produtos que nós não manipulávamos. Tivemos que ter uma área estéril só para fazer o Fibrase , tem que ter uma área só para fazer supositório, que nós tínhamos no nosso equipamento. Uma área dedicada para fazer líquido, que era só _______, ela absorvia o tempo todo só fazendo aquilo. Na parte fabril, na parte de sólidos, também nós tivemos que ampliar, comprar mais máquinas, equipamento, porque tinha grandes volumes de _________, ___________, _________. Então esse aí, houve realmente um... Teve que contratar mais funcionários, houve uma ampliação grande, houve um crescimento unitário grande. P/1 – Queria que você descrevesse um pouco como é que foi esse crescimento da produção do Aché? Foi um crescimento gradual ou houve momentos de grande virada? R – Não, foi gradual. Nós tivemos em alguns períodos de muitos lançamentos de produtos e também a fabricação de amostra grátis. Teve alguns períodos realmente que houve... Em 1996, 1998, foi os picos nossos. Nós chegamos a fabricar quase 180 milhões de unidades em um ano. Hoje, nós estamos fabricando, mais ou menos, 140 milhões. Isso tudo o que é? É o mercado, lógico, foi se habituando. Hoje, por exemplo, na minha visão, o que a gente vê que as drogas, os medicamentos, eles começam a ter uma posologia diferenciada, do que era _________. Você tinha que tomar antibiótico, você tomava 4 ou 5 comprimidos por dia. Você toma um e resolve, por quê? São de ação prolongada, é uma droga mais atualizada. Então, hoje, está sendo modificado por dose única, aquilo que você fazia 30 comprimidos. Então, era um volume de produto, de caixa absurdo. Hoje, você faz menos porque a posologia mudou. Hoje em dia, se fala muito de ação prolongada. No máximo, você toma dois por dia. Antigamente, você tinha que tomar seis, quatro, a cada seis horas, a cada oito horas. Então, isso tinha um volume grande de fabricação. Hoje, mudou um pouco isso aí, em função das drogas novas que vêm sendo lançadas, em menor quantidade que o efeito da outra que era em grande volume. P/1 – E a produção de amostras grátis também... R – A produção de amostra grátis teve grande interferência. Agora, nesse ano passado, que lançaram a injeção ______, essa _____ 102, obriga você a dar. Você é obrigado a dar... Se você for fazer amostra, você tem que dar 50% do original. É quase impossível, é inviável o custo disso daí. Então, por isso houve uma queda das amostras. O Aché sempre foi um laboratório por números de vendedores. O laboratório que tem mais vendedores, propagandistas na praça. Então, tinha um volume grande de amostras. P/1 – Representava qual parcela da produção as amostras grátis? R – Olha, veja bem... Porque, veja bem, é lógico, o produto de venda, você põe 30 comprimidos por exemplo, 20 numa caixinha. A amostra, você punha dois, mas era uma caixa também. Então, a máquina que faz aquilo, tanto faz ela por 2 ou por 20 é o mesmo tempo. Em volume unitário era muito grande. O volume de caixa, de caixinhas representava mais ou menos... Sei lá, chegava 40% às vezes, 30%, 40%. P/1 – E em relação ao esquema de produção, tanto de controle de matéria-prima, como controle de almoxarifado, os setores, depois o controle de qualidade do produto, a embalagem, isso evoluiu muito? R – Muito, muito, evoluiu muito. Nós saímos, como no início eu falei, de um sistema manual. Praticamente, você dependia muito de todos os controles, não tinha computador, não era informatizado. Aí, passou a ser informatizado. Com a informatização, aí foi aquele pulo. Daí você tinha (restabilidade?) de tudo, começamos a pôr no sistema, criamos um sistema próprio nosso de controle de planejamento. Era tudo feito na unha, tinha que fazer na unha. Quantos lotes nós fazíamos de Combiron? 20, vezes não sei quanto, quanto que vai gastar de tanto? Então, era na unha, na maquininha de calcular e não tinha como o sujeito fazer. Hoje não, hoje nós implantamos um sistema que faz todo o planejamento, que é o ___________, que você explora todo o planejamento que é o MLT, você explora e tem todo um consumo, você planeja o setor. Hoje, está tudo informatizado. Nós compramos esse software e é específico para indústria farmacêutica. P/1 – É recente? R – Veja bem, nós demoramos quase que dois anos para trabalhar em cima dele, para implantar, tudo. Então, ele já está, mais ou menos, com quase dois anos já funcionando redondo. Inclusive, a semana passada, nós já colocamos uma versão nova. P/1 – O primeiro dia que funcionou esse sistema, você lembra? R – É, foi um caos porque a gente ficou muito preocupado. Primeiro, foi duro para você levar isso para o público, a cultura da empresa. Então, a pessoa já que saber mexer... Tinha pessoas que nunca mexeu num computador. Então, você imagina toda a parte industrial informatizada. Tudo, tudo. Então, nós tivemos que fazer um treinamento para todo mundo, para não ter medo da máquina: “Pode apertar aqui que não acontece nada.” Depois, todo o sistema, um sistema que tem um trabalho pesado, porque você tem sua rotina e para implantar aquilo, você tem que se dedicar, é dedicado mesmo. Nós tivemos que formar uma equipe, tirar toda a atividade dela, suprir com a gente ali para poder ficar quase que um ano só trabalhando em cima daquela coisa, para fazer os ajustes. Tem um programa, mas você não encaixa nada, tem que adequar ao seu negócio. Então, teve treinamento do pessoal, fazia os pilotos. Então, isso foi um ano, mas trabalhando pesado. Uma equipe trabalhou duro mesmo, se dedicou bastante a isso. Virava a noite até. E foi, até que chegou num ponto: “Agora está pronto”, “Vamos implantar?” ______ porque ia acabar o sistema que tinha, era um corte e não tem retorno. Você cortou e não funcionou, ele para a empresa, porque é um sistema integrado. Ele foi colocado, desde o recebimento até a fabricação. Quer dizer, a hora que a matéria-prima entra na empresa, ela já entra ali, já vai, explode para o Contas a Pagar, Contas a Receber, entra no Estoque, Controle de Qualidade analisa, aprova. O Planejamento já emite as normas de fabricação e assim vai. Quer dizer, o Faturamento está tudo em conjunto. Entra no Estoque, outro fatura. Então, se desse pane... Então, o que nós fizemos? Nós fizemos todo... Fizemos vários pilotos. Aí, montou nas férias. Pegamos um período de férias, ficou uma equipe. ___________. Aí, ficou uma equipe nas férias para colocar o (Pics?) no ar. Foi, lógico, como qualquer programa novo dá problema, tal. P/1 – Naquela noite você não dormiu? R - Não dormia, mas aí foi. Foi porque... A empresa toda que estava participando disso, não era só a indústria. O Controle de Qualidade, a parte de Administração. Primeiro, foi implantação da parte industrial, na parte fabril. Depois, já foi na parte administrativa. Hoje está integrado na empresa toda. P/1 – Mas isso coincide com aquele Certificado de Sistema de Gestão Integrada? Ou isso é outra coisa? R – Não, isso veio depois. Gestão integrada... Primeiro, há dois anos, nós implantamos o sistema ________. É um sistema... Por que optou por esse? Porque era um sistema que a gente fez uma pesquisa mundialmente nas indústrias farmacêuticas, o sistema que mais usa. Hoje pode ser que não seja mais, mas naquela época era. Então, nós fechamos um contrato com a SSA e pesquisamos, não só aqui no Brasil, mas fora, outras empresas farmacêuticas que usava tal e desenvolvendo tal. Isso é uma coisa. Agora, a Gestão Integrada já vem da ISO do Meio Ambiente e Saúde no Trabalho. Então, nós tivemos em qualidade. Então, nós integramos a ISO 14001... P/2 – É o 18001. R – É. Então, esse é o sistema integrado, mas isso veio depois, é mais do Meio Ambiente. P/1 – Em relação à informatização, o (Bipcs?), isso também envolveu a modernização das máquinas de produção? R – Sim. Aí, depois, já foi um outro passo. Quando nós começamos a desenvolver a planta nova, que ainda está em construção. Essa planta, ela começou em 1994, o projeto, em fazer uma fábrica de primeiro mundo, uma fábrica adequada às novas normas, que as leis mudam muito. P/2 – Esse é o Projeto Farma 2001? R – É, o chamado Farma 2001, por que? Quando ela foi concebida em 1996, era para terminar em 2001. Mas, infelizmente, não foi possível. Ela continua lá e o projeto tem que se concluir. Então, quando nós começamos a desenvolver isso aí, os conceitos, hoje, de moderno, são de máquinas que tenham toda a ___________ do produto. Não adianta ter rentabilidade no (Bipics?), se o que eu fabrico eu não tenho como rastrear. Essas máquinas já são tudo com código de barra, são máquinas que não têm contato manual. É em linha, é todo automatizado, o produto entra e sai pronto lá na frente. Os operadores estão lá só para abastecer, colocar cartucho, mas não tem ele tem que fazer. Ele só está ali para... E é toda computadorizada, é toda informatizada. Então, são equipamentos que nós já fomos comprando, o investimento já foi feito, já prevendo a fábrica nova. Mas, nós já começamos a comprar antes de instalar para já mudar a cultura do pessoal. Nós estamos saindo das máquinas mecânicas, que é as antigas, para as máquinas eletrônicas. Então, o cara tem que ter conhecimento de eletrônica. Você tem que preparar, treinar esse pessoal. Por isso que nós montamos aquela pequena fábrica que a gente chama de piloto _________. O que era aquilo ali? Ali era para testar todo o material que ia ser usado na fábrica nova. Então, aí tem 1.500 metros quadrados. A fábrica nova tem 42.000 metros quadrados. Então, se você errar em 1.500 é uma coisa, agora errar em 42.000 é muito. Então, nós acertamos o piso, a parede, o teto, o sistema de ar condicionado. Começamos a usar aquilo como um protótipo para treinamento, mudar a cultura, porque é uma coisa completamente diferente, são _________. É um conceito mais atual, mais moderno de fabricação, que é o (GMP?). Então, foi adequando, foi testando, treinando o pessoal e aquilo passou a ser produzido, foi validado todo o processo. Quer dizer, então muitos daqueles equipamentos já foram comprados previstos para a fábrica nova, _______, transportava para lá. P/1 – Mas agora está num momento de transição? Quer dizer, o futuro é que todas as máquinas, toda a produção sejam automatizadas? R – Esse é o padrão, esse é o padrão moderno, atual e seguro. P/1 – Então, a gente tem aquelas máquinas lá atrás que era o Pica-Pau, depois a gente passou para essas máquinas... R – As embalagens manuais que ainda tem, aí hoje nós temos uma fábrica, que está virando hoje, nós temos alguns equipamentos que não tem os mesmos controles que esses equipamentos novos têm. Por exemplo, ela é semi-automática. Tem algumas máquinas que são semi-automáticas, ela monta o cartucho, mas a menina tem que pôr o blister lá dentro. Então, existe um trabalho semi-automático. Tem outras que já fazem tudo, mas não está em linha. Quer dizer, ela faz o blister numa máquina, ela tem que alimentar com a mão, aquela coisa toda, tem todos os controles, mas você continua dependendo da pessoa. Essas máquinas não. Essas modernas fazem tudo só. Elas têm todos os controles. Se estiver faltando comprimido, ela separa a tira. E tudo isso aí, veja bem, ela vai anotando. Depois, você gera um relatório no final do dia, você tem tudo. Você tem todos os controles, não depende de você ficar anotando o que aconteceu, entendeu? Então, esse é um conceito. É tudo feito com código de barra, é tudo rastreado. Então, esse é o conceito moderno, dá segurança. Dá qualidade e segurança. P/1 – E essas semi-automáticas, elas foram adquiridas naquele momento de abertura das importações, é isso? R – São máquinas nacionais. Todas elas são nacionais. São as primeiras máquinas que tinha no momento para se comprar. Era o que tinha de mais moderno, eram linhas de blisters e começamos a comprar essas máquinas. Hoje, o Aché, uma das máquinas nacional, que foi a número um, está com a gente. Nós compramos a primeira máquina que a Bosch lançou, que era fabril, nós compramos a de blisters, né? P/1 – Eu lembro que você mencionou aquele fato da abertura de mercado para equipamentos importados. R – Quando veio essa abertura do mercado, que já são essas máquinas mais modernas, que seriam já para a fábrica nova. Isso já foi comprado em 1995, 1996, porque essas máquinas demoram um ou dois anos para entregarem. Não tem estoque. Eles fazem sob encomenda. Uma linha dessa mede 30 metros de comprimento entre todo processo, até sair pronto. Então, é um processo contínuo. Hoje não, é um processo interrompido, faz um pouco aqui, tira, depois leva para lá, passa por muitas etapas. Isso é risco. Numa dessas, você pode correr risco. Então, hoje, como o processo entra aqui e sai ali, o processo é fechado, não tem como você misturar, é seguro. Essa é a vantagem também modernas. P/1 – A gente já vai terminando, eu só queria fazer uma pergunta em relação ao meio ambiente e a segurança do trabalho, você falou do certificado. Também foram conquistas recentes e graduais? Como é que isso foi crescendo dentro da rotina do Aché? R – O Aché sempre ________ pela qualidade. Sempre foi, é um padrão de qualidade. A gente olhar o lado, o lado benefício, o lado humano. Antes, a gente já vinha trabalhando forte em ergonomia. Depois, fizemos toda a ergonomia da empresa, era ginástica laboral, mudamos os computadores para não evitar aqueles problemas, ter doenças profissionais. Então, isso foi feito. É um curso que já teve. Foi feito, foi feito na empresa toda, geral, todo mundo participou. A empresa tinha _______, então a próxima qual que é? “Vamos fazer o meio ambiente”. A ISO 14.001. Aí, nós começamos a trabalhar em cima disso, contratamos uma consultoria, que nos orientou o que tinha que fazer, e sensibilizamos todos os funcionários porque tem que ter uma participação, todo mundo tem que passar, é integral, não tem um setor, outro não faz. Então, foi essa a ideia de preservar o Meio Ambiente, de ser a primeira empresa de trabalhar em cima disso, ______; a reciclagem de material, toda aquela coisa que a gente já vinha fazendo passou a ser oficializado. Como a gente tinha já muita coisa já adiantada, vamos certificar realmente, vamos buscar esse certificado. P/1 – Que tipo de cuidados que existiam? R – Por exemplo, a gente já procurava separar o vidro do papel, a barrica de fibra da barrica de lata, começava sair um lixo não reciclado, mas você separava e vendia aquilo. A madeira, sabe? Tinha já uma coisa. Com isso, depois com o 5 S, que foi a primeira começou... Mais organização, começou a surgir as coisas; a lâmpada queimava, não vamos jogar fora. Separa a lâmpada e vamos guardar aqui. Fomos buscando quem usava aquilo. Tem empresas que compram aquilo. Hoje, nós começamos a reciclar os materiais, não só vender, mas também doar. Por exemplo, à APAE. O benefício que a gente passou para a APAE. Ela pega alumínio e essas coisas que ela pode reciclar, que ela já tem como reciclar, a gente separa e doa para eles. Eles fazem a reciclagem, entendeu? Então, nós já tínhamos começado a separar o papel do plástico, do alumínio, aí já existia aquilo dentro da empresa. Essa ideia de reciclagem, de separação, dos cuidados para não haver mistura. Aí começou, agora vamos fazer de dar um pulo a mais, vamos fazer a ISO 14.000 que é de meio ambiente, que é uma coisa nova, poucas empresas têm. A ISO 9.000 já é uma coisa mais antiga. A ISO 14.000, aqui já é uma coisa mais recente, que é preservar o meio ambiente, essa coisa toda. Foi aí que surgiu a ideia de pegar mesmo e certificar. P/1 – Precisou de uma capacitação, de um treinamento? R – Não, precisou. Nós contratamos _______, foi quase um ano de trabalho em cima disso daí. Teve um grupo, veio uma empresa, foi contratado uma empresa de consultoria que deu todo esse apoio para o pessoal, orientou como é que foi feita a capacitação. Tem os multiplicadores. É um trabalho que não é uma vez só, é contínuo. O processo é contínuo. Todo ano você tem que se certificar outra vez. Se você furar aquelas normas, você não ganha o certificado. Não é um certificado nacional, ele é mundial. É uma organização na Inglaterra, que é mundial, que é dada essa certificado. P/1 – Você ficou contando assim, tantos avanços, eu queria saber o que você sonha para o Aché? Quais são os projetos futuros que te animam? R – Primeiro, é a conclusão da fábrica. Esse é um sonho que a gente participou daquilo e acho que é uma coisa que tem que ser feita e vai precisar fazer, tem que construir isso daí. Essa mudança agora, essa transformação, essa profissionalização, que é uma coisa nova. A empresa está saindo de uma empresa familiar para uma empresa profissional. Isso é uma cultura nova, o pessoal está motivado com essa nova gestão que está aí. São novos companheiros que estão trazendo coisas novas. No Aché tem muitos funcionários que só conhece o Aché, o primeiro emprego dele foi no Aché e acho que vai ser o último, se ele não aposentar naquilo lá. Então, com essa nova oxigenação, espero que eles também tenham o mesmo critério, que não percam a cultura do Aché. Isso que é importante, não podemos perder a cultura porque o Aché cresceu e é sucesso assim. Com essa cultura, com o aproveitamento da “prata da casa”, o treinamento, buscando. Hoje, é importante, o pessoal com essa nova ______, eles estão buscando realmente a melhoria deles próprios, procurando fazer um curso de inglês, uns que não tinham faculdade, voltaram a fazer faculdade. Já tem casos de gente que já se formou. Eu acho que tem que se profissionalizar, mas não perder essa cultura que foi um grande sucesso para o Aché. P/1 - Que cultura é essa? R – Aquela cultura familiar. O Aché, na realidade, é uma família. Você pode manter ele profissional, mas ter essa cultura familiar, aquela de estar próximo do funcionário, manter esses benefícios que tem, toda essa parte de lazer, essa coisa cultural, manter forte o treinamento. Prestigiar realmente, proporcionar ao funcionário que ele cresça, mas você tem que proporcionar alguma coisa, não depender só dele, que a empresa continue proporcionando isso para ele. Isso foi muito bom. O Aché cresceu realmente assim. Uma coisa assim, mais aberta, aquela coisa de se aproximar, de ter abertura, do cara poder expor as ideias, de não ter aquela coisa fechada, de um paredão do cara saber que não pode ultrapassar aquilo. Acho que tem que ter limites e ao mesmo tempo não temos limites, sabe? Tem que ter uma coisa aberta e fazer com que o outro se sinta realmente à vontade, que ele tenha condição de expor a ideia dele, não ter medo. Tem que falar, manter essa coisa aberta. Eu acho que isso aí está muito claro e eu acho que é assim que vai continuar. P/1 – Os teus últimos anos de vida, você tem dedicado grande parte do teu tempo ao Aché. Como é o teu dia hoje? Por exemplo, você continua dedicando grande parte do dia ao Aché? R - Para mim, não mudou nada, ainda não mudou. Eu enxergo o Aché. A maior parte da minha vida, minhas horas do dia eu passo mais no Aché do que em casa, com a família. É uma dedicação que o “acheano”, não sou eu, são vários que têm esse tipo de coisa. O Aché é uma coisa contagiante. A gente percebe até uma pessoa nova assim, com pouco tempo de casa, ele se contagia. Vai se influenciando, se envolvendo e quando viu, você está só falando daquilo e é um negócio envolvente. P/1 – Como é que faz para conciliar isso com o resto? Além do Aché, o que você gosta de fazer? P/2 - Finais de semana? R – Aí sim. _________ tentar desligar, tirar a pilha. Eu gosto. Eu tenho, eu falei gosto muito de jogar futebol, como lazer. Eu gosto de um churrasco, adoro fazer churrasco, eu tenho prazer em fazer. Eu gosto de fazer, eu fazer, ninguém põe a mão. Eu compro, preparo, sirvo. Para mim aquilo é um lazer. Ficar na beira de uma churrasqueira é a coisa que eu mais adoro. P/1 – Atualmente você está morando onde? R – Eu moro aqui no Viaduto das Bandeiras no Sumaré. P/1 – Lá na tua casa tem uma churrasqueira? R – Ah, tem. Todo o lugar que eu estou tem uma. Quando não tem, eu levo uma portátil. P/1 – E para tua vida pessoal assim, qual o sonho, qual que é a meta? R – Veja, eu estou me preparando para uma aposentadoria que está próxima. Eu não pretendo assim, parar. Talvez, fazer uma consultoria, prestar um serviço, usar um pouco daquilo que eu aprendi nesses anos todos na indústria farmacêutica, ______, apoiar meus filhos, sempre apoiá-los na vida profissional, estar sempre do lado deles. Esse é o meu ideal. Nada assim... Viajar, pretendo viajar, gosto de viajar. Ter uma semana de terça a quinta, não ter que marcar de segunda a segunda, o compromisso com horário, eu não pretendo fazer isso aí. Mas pretendo sim, continuar essa atividade, no ramo. Passando para o jovem um pouco desse conhecimento que a gente adquiriu no decorrer de todos esses anos, experiências que a gente teve em toda a Europa, no Japão, Singapura, fazendo cursos sempre ligado à indústria farmacêutica, visitando fábricas por esse mundo todo, eu tive o prazer de conhecer todas as fábricas maiores do mundo da indústria farmacêutica. Na Alemanha, na Espanha, na Itália, na França. Então, eu acho que é uma coisa bacana. No Japão, eu fiz um curso de aperfeiçoamento no Japão, visitando várias indústrias com uma comitiva de executivos. Tivemos lá vinte e poucos dias trocando ideias juntos. Singapura, a mesma coisa, na Coreia visitando fábricas. É uma experiência de vida que não tem como eu perder, isso aí ninguém tira. Então, eu gostaria de passar para mais alguém, não ficar só para mim. P/1 – Você acabou de deixar parte desse conhecimento registrado aqui hoje, eu queria saber por último, o que você achou dessa experiência de ter contado um pouco da sua história? R – Acho que foi uma oportunidade que eu nunca esperava ter. Eu acho que é bacana você mostrar aquilo que você tem, aquilo que você sabe. Às vezes, está guardado só com você e nem a própria família tem essa visão, esse conhecimento. Às vezes, conversa sobre outros assuntos. Assuntos atuais, o filho que está na escola, a doença não sei de quem, você acaba não voltando um pouco ao passado. Não que a gente seja saudosista, mas é uma coisa gostosa de rever. Acho que foi muito bom para o meu ego. Estou mais leve agora. É gozado isso. Como se fosse... É um desabafo, mas mostrar um pouco daquilo que eu criei nessa minha vida profissional. Foi bacana. P/1 – Muito obrigada pela participação, vai ficar registrado para a história. Obrigada. -----Fim do depoimento-----
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