Busca avançada



Criar

História

Memórias das coisas bem-feitas

História de: Walton Pacelli de Andrade
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2021

Sinopse

Walton Pacelli nasceu no dia 06 de fevereiro de 1940,  na zona rural do distrito de Santo Antônio do Glória no município de Vieiras - MG. Décimo quinto (15º) filho de uma família de vinte (20) irmãos. Foi criado na fazenda de seus pais, até os 7 anos de idade, quando iniciou seus estudos ainda na região rural. Conforme avançava nos estudos, migrava para cidades maiores. Em 1951, mudou-se para o Município de Manhumirim-MG. No final de 1953, vai para Juiz de Fora, morar numa casa alugada pela família que dava apoio aos seus irmãos e primos também em idade escolar. Concluiu a escola e, em 1958, e como teve sempre muita afinidade com as matérias de exatas, iniciou o Curso de Engenharia em Juiz de Fora.

Em 1959 serviu ao exército, por 8 meses, como soldado no estabelecimento regional de finanças.  Trouxe o aprendizado da disciplina militar e o respeito à hierarquia para sua vida.

Também, aprendeu com a mãe a se relacionar e respeitar as pessoas independente de sua posição social, valor que carregou ao longo de sua vida e que aplicou muito na sua carreira profissional. 

Em 1964, recém-formado em engenharia, foi trabalhar na construção da Usina de Funil que pertencia a Companhia Hidroelétrica do Vale do Paraíba – CHEVAP. Atuou no Laboratório de Concreto de campo da construção da barragem executando todos os testes necessários para a obra.  Se dedicou muito aos estudos do concreto nesse período, se especializando no tema. Em 1964 fez estágio no Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT na área de tecnologia, ensaio de cimento e agregados e dosagem de concreto.

Em 1966, foi designado para fazer um estágio sobre instrumentação no Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC, em Portugal, com o Dr. Laginha Serafim. Período muito duro de sua vida, pois não pôde acompanhar o final da gestação de sua esposa e só foi conhecer sua filha quando ela estava com dois meses. E ao mesmo tempo um período muito rico, pois lhe deu conhecimento para posteriormente fazer a instalação de equipamentos na barragem que eram pioneiros no Brasil.

Em 1967, o empreendimento passa para FURNAS junto com seu corpo funcional. 

 

Já em FURNAS, em 1970, era obrigatório que os engenheiros fizessem estágio nos Estados Unidos. Teve então a oportunidade de estudar Bureau of Reclamation em Denver e visitar as obras que estavam em andamento naquele país. 

Com o fim da construção da Usina de Funil, migrou para a construção da barragem de Marimbondo, levando parte da sua equipe e parte dos equipamentos do laboratório. Acompanhou conjuntamente, neste período, outro projeto inovador da empresa que foi a construção da Usina Nuclear de Angra I. 

Após a conclusão da barragem de Marimbondo, migrou com todo o laboratório para a construção da Usina de Itumbiara. Neste período o laboratório já tinha grande importância e visibilidade na empresa. 

Com o término da construção da barragem de Itumbiara e devido à crescente demanda e visibilidade do setor, foi fundado o Centro Tecnológico de Pesquisa em Concreto, que entrou em operação em 1986, na subestação de Goiânia, com a finalidade de atender a todas as obras de construção e manutenção de FURNAS, a prestação de serviços nessa área a empresas nacionais e internacionais, e com foco em treinamento e pesquisa de profissionais para área.

O engenheiro Pacelli, devido a experiência adquirida na construção das barragens de FURNAS e aos estudos e trabalhos publicados, ganhou notoriedade nacional e internacional como engenheiro especialista em concreto, dando consultoria em incontáveis projetos pelo mundo. Esse reconhecimento se estendeu aos laboratórios do Centro Tecnológico de Pesquisa em Concreto, ao qual fundou e chefiava. 

Em 2003 se aposenta de FURNAS e dedica até hoje a projetos de consultoria na área de concreto  e a pecuária na fazenda que herdou do seu pai.

Tags

História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Walton 

 

O laboratório de FURNAS era uma referência internacional. Nós participávamos da construção de várias obras, fazíamos os estudos dos materiais, dávamos suporte. Nós tínhamos um programa de treinamento de estagiários muito forte na época. FURNAS sempre se destacou nessa área e se fazia presente[...].

 

Eu lembro que estava no internato em Manhumirim e teve uma semana especial onde alguns alunos foram incumbidos para falar sobre o que eles gostariam de trabalhar no futuro. Teve uma palestra que ficou na minha memória, um jovem falando que queria ser engenheiro. Foi como uma semente na minha cabeça, eu nunca mais pensei em outra profissão.

Prestei vestibular para engenharia e comecei o curso em 1958. No meio do processo, em 1959, eu servi o exército. Na época, não havia o CPOR em Juiz de Fora, então eu servi no estabelecimento Regional de Finanças. O departamento era responsável por efetivar os pagamentos da região e era organizado em um regime misto. Eram cinco soldados (contando comigo), uma porção de sargentos, cinco tenentes, dois majores e um tenente coronel que era o chefe do estabelecimento. 

Esse período militar foi muito importante na minha vida porque eu me acostumei ao ambiente de hierarquia, e isso estabeleceu uma visão que norteou muitas etapas da minha vida, sobretudo na questão de manter uma boa harmonia no trabalho, tanto com os subordinados como com as chefias. 

Depois, quando me formei em engenharia, eu fui trabalhar na construção da usina de Funil, que ainda pertencia a Companhia Hidrelétrica do Vale do Paraíba, a Chevap. Isso foi em 1964. A empresa acabou se tornando inviável e FURNAS foi escalada pela Eletrobras para assumir a construção da barragem. Foi assim, mais ou menos em 1967, que comecei a trabalhar na empresa. Eu fui escalado para atuar no laboratório de concreto e isso se transformou em uma trajetória profissional de quase 40 anos.

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Entrar para a área de concreto foi uma mera casualidade. Quando cheguei na usina de Funil, eu fui com um amigo, Alfredo Werner, que também trabalhou em FURNAS e estudou em Juiz de Fora. Chegamos, nos apresentamos e tinha uma vaga para trabalhar na parte de hidrologia e uma para o laboratório de concreto. O Alfredo se interessou pela hidrologia e eu acabei no laboratório de concreto. Dentro de uma conjuntura, logo eu fiquei responsável pelo laboratório de concreto, isso, recém-formado e sem ter sido preparado para enfrentar tal área.

 Mas eu me dedicava e comecei a estudar muito! Nesse começo, eu fui totalmente autodidata. Como a barragem do Funil ficava em Rezende, de vez em quando eu ia para o Rio de Janeiro ou para São Paulo, e nas livrarias eu comprava livros técnicos com frequência. Eu comecei a estudar francês para poder ler alguns desses manuais! E o Doutor Laginha Serafim, que era o projetista da barragem do Funil, um português, na primeira visita que ele fez ao laboratório, ele me perguntou se eu conhecia um manual X. Ele estava aberto na minha mesa na hora em que ele perguntou.

 Eu sempre me dediquei muito. No primeiro ano em que eu estava na Chevap, eu fiz um estágio no IPT que me marcou muito, peguei um conhecimento razoável na área de tecnologia, ensaio de cimento, de agregado e toda área de concreto. Depois, em 66, eu fui mandado para fazer um estágio sobre instrumentação no escritório da COBA, em Portugal e no LNEC. Eu fiquei uma parte em Lisboa e uma parte em Madrid. Particularmente, foi muito penoso, porque quando fui designado para fazer esse estágio, a Purica, minha mulher, estava grávida da minha filha e estava no 7º mês da gravidez. Eu fui conhecer minha filha com dois meses de idade. 

Depois, já como funcionário de FURNAS, fui fazer um estágio nos Estados Unidos. A gente ia visitar várias obras por lá e isso aumentou muito a minha experiência, além disso, tive acesso a uma nova literatura técnica e pude conhecer muitos estrangeiros, conviver com diferentes culturas. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Toda barragem exige que se faça um acompanhamento tecnológico com um laboratório de concreto e de solos para a parte de geotécnica. Isso, na época da construção das grandes hidrelétricas.  

Os laboratórios tinham que ficar próximos das obras, quanto mais melhor. O de Funil devia ficar uns 400, 500 metros da jusante da barragem. O escritório de fiscalização era a jusante, tinha a cantina, a parte do empreiteiro e o laboratório ficava ao lado do escritório da fiscalização. 

E por que precisa de um laboratório?

Qualquer obra de concreto tem que ter um cuidado muito grande com o controle da qualidade, principalmente quando os volumes são enormes. Na produção do concreto, o cimento, quando reage com a água, acontece uma reação de hidratação, ela é exotérmica, produz calor, o que demanda um controle efetivo da temperatura. No caso da barragem do Funil, por exemplo, era especificado pelo projetista usar água gelada para fazer o concreto, pois ele não podia alcançar temperaturas superiores a 45 graus. Com isso, nós tínhamos que ter um consumo de cimento para atingir a resistência, mas sempre estar atentos para que a temperatura também não ultrapassasse o limite. Esse controle é uma coisa primordial em qualquer obra. 

O que acontece é que cada obra tem um contexto e acaba precisando de um material específico. Ao longo da década de 80, o concreto foi se desenvolvendo, surgiram novas tecnologias, por exemplo, ao invés de fazer o concreto vibrado com vibrador de imersão, ele pôde ser compactado com o rolo. Isso foi uma outra área em que o laboratório de FURNAS se notabilizou a nível mundial: concreto compactado com rolo. Tecnologia muito pertinente na construção de barragens.

O laboratório de FURNAS era uma referência internacional. Nós participávamos da construção de várias obras, fazíamos os estudos dos materiais, dávamos suporte, treinamento. Nós tínhamos um programa de treinamento de estagiários muito forte na época. FURNAS sempre se destacou nessa área e se fazia presente nos eventos. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Contei uma história subjetiva sobre FURNAS, algo a partir da minha experiência, meu ponto de vista, mas eu acho isso muito interessante. Fato é que a gente não pode perder o orgulho de ser funcionário ou ex-funcionário de FURNAS, algo que às vezes olho com preocupação para as novas gerações.

Eu tenho muita honra de ter trabalhado na empresa. Ganhamos algumas premiações ao longo desses anos. Foi um período de muita seriedade, de muita vontade de fazer as coisas bem-feitas e isso tem que estar registrado.  

Se eu posso destacar algo sobre a empresa é a sua seriedade e competência técnica, e a sempre presente vontade de criar e enfrentar desafios. 

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+