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Memórias da infância

História de: Cleudia Ferreira de França Lacerda
Autor: Liana Holanda
Publicado em: 12/08/2020

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História completa

Nascida em uma família grande, sendo eu a nona filha de doze irmãos. Não tive colo de avós, pois quando nasci já eram falecidos. Mas, tive colo de mãe por alguns anos. Suficiente para deixar lembranças maravilhosas. Piolho na minha cabeça não rendia, porque no cafuné minha mãe descobria. Enquanto isso várias histórias eu ouvia nestes momentos em que minha cabeça ela “escorçava”. Quando mamãe contava as histórias, eu me sentia dentro da trama, tudo parecia real na minha imaginação. Se fosse uma história que remetesse medo, eu achava que sempre arrumaria uma porta de escape. Romeu e Julieta, deixou-me inquieta por bastante tempo.Eu questionava por que eles morriam na história. Para mim, esse romance tinha que terminar como na história da “Branca de neve”. Foram muitas as histórias e as brincadeiras que fizeram parte da minha primeira infância. Morávamos em uma fazenda chamada de ”Córrego do ouro” no extremo sul da Bahia. Lembro daquele riacho que passava nos fundos da nossa casa. Dava pra ver a areia no fundo, de tão transparente que era aquela água. As pedrinhas que pareciam ser moldadas, como se molda brigadeiros. Eu gostava de catar as pedrinhas e dizer que eram diamantes. Todo dia, na parte da tarde, minha mãe nos levava para tomar banho no riacho. Lembro como era muito divertido! Brincávamos com as folhas de uma árvore enorme que ficava ali perto da beira do rio. As folhas eram meus barquinhos que flutuavam por cima da água e descia até sumir na cachoeira. Nas minhas lembranças ainda posso ouvir o barulho do som daquelas águas, como música que ecoa dentro do meu ser. Engraçado como conseguia ouvir qualquer música que imaginava através da água do riacho. Lembro, também, de uma mata que tinha à poucos metros da nossa casa. Meus irmãos costumavam ir lá para pegar castanhas e madeira para fazer brinquedos. E muitas vezes me levavam como companhia. Havia uma lenda que, quem ficasse atrás na estrada, o curupira faria travessura com ele. Morria de medo! E sempre pedia para ficar na frente. Com o passar do tempo, meus pais acharam melhor mudarmos para outro lugar, mais próximo da cidade. Nessa época já tinha seis anos de idade. Todos os anos vividos na fazenda foram os melhores anos da minha vida!

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