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História

Memórias da Cris

História de: Ana Cristhina Marques de Toledo
Autor: Rosalia Aparecida Purissimo
Publicado em: 14/12/2012

Sinopse

Resumo do texto – Memórias da Cris Ana Cristhina nasceu em Lucélia-SP em 1954. Ficava na rua o dia todo, subia em árvores, brincava com pé de lata, mas o que gostava mesmo era de nadar na piscina do Clube da cidade. Só entrava em casa para comer tomar banho e dormir. Nessa época não havia TV em sua casa, e a noite era regada com boas conversas entre a família na varanda da casa até a hora de dormir. Diz sentir saudades desse tempo, onde as famílias eram mais unidas. Mudou-se para São Paulo na adolescência. Em 1974 veio para Indaiatuba, e sua casa era na Rua 13 de maio onde hoje é a loja Irmãos Bandeira. Passeava com as amigas na Praça Prudente de Moraes, fazia o famoso footing, onde mulheres andavam para um lado e os homens para o outro para se encontrarem frente a frente. Nessa ocasião conheceu seu grande amor, noivou, mas não se casou com ele. Trabalhou em uma multinacional como secretária , mas hoje já não existe mais, a “Nassheuer”. . Em 1986, casou com um rapaz que trabalhava em navios e foi morar no Rio de Janeiro, assim pode conhecer todos os portos da costa brasileira sem pagar nada pela viagem. Em 1995 separou-se e voltou para Indaiatuba. Em março de 2001, após prestar um concurso público municipal, começa a trabalhar na Rede Municipal de Ensino (SEME) no cargo de inspetora de alunos, do qual esta até hoje, e diz adorar o que faz. Cris tem como hobby, ler bons livros e praticar artesanato do tipo pet aplique. Seu maior sonho e deixar seus dois únicos filhos bem encaminhados na vida, e se pudesse voltar no tempo teria feito Biblioteconomia.

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História completa

1 Ana Cristhina Marques Toledo (Cris) nasceu em Lucélia – SP em 09 de junho de 1954, filha de Izaltino e Ana Bela. O pai sempre foi muito rígido e a mãe era a mais tranquila. A casa onde morou era muito grande e de madeira como todas as casas da época, com um quintal enorme, quase como uma chácara. Tinha a frente da casa que dava para uma rua e os fundos para outra. Na frente da casa havia um jardim muito grande e lindo, onde a mãe cuidava da variedade de flores que ela mesma plantava. Havia muito bichos também, como: cachorro, gato, galinha, coelho e até porcos nas épocas de festas. Os pais só precisavam comprar arroz e feijão, porque a mistura toda tinha no quintal. Nesse quintal havia várias árvores frutíferas, como: laranja, caju, jabuticaba, manga, horta com vários tipos de verduras e legumes. A rua da casa era tranquila, sem movimentos de carros, e apesar da casa ficar em frente ao hospital da cidade, Cris e seus irmãos nasceram em casa. O Lulu era um cachorro de estimação, todo pretinho. Ele acabou tendo “raiva”, uma doença onde o cachorro não consegue beber água, e com isso, eles ficam irritados, bravos, quase “loucos” e acabam mordendo até os próprios donos. Cris também foi mordida pelo seu cachorro e tomou quarenta injeções em volta do umbigo por quarenta dias. Não foi uma vez só que um “cachorro louco” mordera sua mão ou seu pé. Ela ficava muito na rua e só entrava na hora de comer, tomar banho e dormir. Suas brincadeiras preferidas eram subir em árvores e andar de pé - de – lata, entre outras brincadeiras de rua, ela e os amigos eram bem “moleques” e gostavam das mesmas brincadeiras. Naquele tempo não havia TV, computador e a família só tinha um grande rádio. Mas sua principal diversão era a natação. A professora que marcou sua vida foi a do primeiro ano, chamada Lucia Bresciane. A escola era feita de madeira e chão batido, não havia muro e o uso de uniforme era obrigatório: saia pregueada azul, blusa branca, sapato preto e meias brancas. Cris fugiu várias vezes da escola para ir ao clube nadar, até que um dia sua mãe descobriu, deu-lhe uma surra e nunca mais “cabulou” aula para nadar. Essa surra marcou muito a infância, pois sua mãe que sempre foi calma dessa vez perdeu a paciência. Terminou o ensino médio aos 17 anos, nessa época morava em São Paulo. Trabalhou em uma rede de lojas chamada Modas Clipper, onde aprendeu a datilografar. Seus pais não se adaptaram em São Paulo, então depois de mais ou menos sete anos, resolveram mudar para Indaiatuba, em 1974. A cidade era tranquila e, ela junto com as amigas, passeavam na Praça Prudente de Moraes, onde hoje ficam os bancos. Lá faziam o “footing” (andar em volta da praça, os homens de um lado e as mulheres de outro) à procura de paquera ou um namorado. Foi nessa época que conheceu o grande amor da sua vida, namorou e noivou por três anos e meio, porém não deu certo. Hoje ele é falecido, mas continua em sua memória. Ela nos revela que preferia a Indaiatuba de antes, sabe que o progresso trás muitos benefícios, mas junto dele vem a violência e outros problemas que são comuns em cidades grandes e médias. Quando chegou a Indaiatuba morou na Rua 13 de maio, onde localizava a Loja Quina, hoje Irmãos Bandeira. Seu primeiro emprego nessa cidade foi no Banco Mercantil, depois foi secretária, por três anos, em uma empresa multinacional que se chamava Nasscheur. Ambos não existem mais. Nessa época, a cidade terminava na linha férrea, após a linha só havia um pequeno bairro que começa a surgir, chamado Bairro Santa Cruz. Havia muito preconceito com os moradores do bairro. As pessoas costumavam dizer: _ Fulano de tal “Mora do outro lado” O Jardim Morada do Sol ainda era apenas uma fazenda. O casamento é um assunto que ela não gosta de falar. Casou em Santos, no ano de 1986 e foi morar no Rio de Janeiro, pois seu marido trabalhava em navios. Devido ao trabalho, ele ficava mais de três meses fora de casa, como tinham pouco contato em 1995 eles se separaram. Cris voltou a morar em Indaiatuba Dessa união teve dois filhos. Luiz Francisco e Luiz Fernando, hoje com 27 e 22 anos, respectivamente. São bons filhos, mas no momento, estão passando por uma fase difícil em suas vidas. O Natal de 1978 foi o último que passou com toda a família. O pai veio a falecer e a mãe que, já estava doente, também. Um passeio que marcou sua vida foi quando, ainda casada, pode conhecer todo o litoral brasileiro. Seu ex-marido por trabalhar na área naval tinha acesso à todos os portos. Achou Maceió o lugar mais lindo de todos, e o melhor é que tudo foi gratuito. Em maio de 2001, após concurso público, Cris começou a trabalhar na Secretaria Municipal de Educação, como inspetora de alunos e então teve a oportunidade de fazer o segundo passeio que mais gostou. Ela trabalhava na EMEB Elizabeth, e junto com alunos da 4ª série foram conhecer Interlagos no GP do Brasil, no ano de 2003, com tudo pago pela Toyota. Conheceram vários pilotos e muita gente famosa. Não conseguiram tirar fotos dos carros, por conta da velocidade que passavam na pista. Cris tem sete irmãos. Um já faleceu, ela e outra irmã moram em Indaiatuba, uma em Amparo, uma em Recife e três em Santos. Ela e as irmãs têm a mania de tirar fotos sempre por ordem de peso ou por idade. Por ser a irmã mais nova e a mais magra, ela está sempre na frente. O ano que mais marcou sua vida foi l979. Mas isso é um segredo que ela não revela. Seu maior sonho é deixar algo para os filhos e também deixá-los bem encaminhados na vida. Cris disse que lê muito, vários tipos de livros, e quando não tem um livro por perto, lê até bula de remédio. Ela sempre cuidou da biblioteca, e nos indicou um que ela achou lindo: “Vozes Roubadas”. Hoje em dia Cris gosta de, além de ler bons livros, fazer artesanato do tipo patch aplique. Ela conta que, se pudesse voltar no tempo, teria feito faculdade de Biblioteconomia. Sente muitas saudades do tempo de sua infância e juventude, pois apesar de poucos recursos e casa simples, sua família vivia com dignidade e era mais unida. Como não havia aparelhos eletrônicos, todos se reuniam para bons papos e boas histórias no final da noite.
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