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História

Memória trazida pelo afeto, não sai mais

Sinopse

Luiz Laércio Simões Machado nasceu na cidade de Brazópolis no sul de Minas Gerais, no dia 14 de setembro de 1941. Guarda as memórias de sua família e do desenvolvimento das cidades do sul de Minas Gerais. Principalmente Brasópolis, Muzambinho e Itajubá. Seu avô materno, era imigrante português e marcou sua infância pelo afeto e bondade. Ele faleceu soterrado, trabalhando na sua casa, com uma pá na mão. 

Sua mãe era normalista e se tornou professora primária e seu pai era farmacêutico. Teve uma infância muito feliz em Brasópolis. Em 1950, após seu pai perder as eleições para prefeito da cidade, sua família se muda Belo Horizonte onde o pai adquiriu o Laboratório Palmeiras.  Após 6 meses, o Laboratório faliu e a família se mudou para Muzambinho onde o pai foi convidado a gerenciar um banco. 

Aos 15 anos mudou -se para Itajubá, indo morar na casa da avó materna. Sempre gostou de matemática, e no terceiro ano ginasial, escolheu a engenharia como futura profissão. Ingressou no curso preparatório para a faculdade de engenharia, o Instituto Eletrotécnico de Itajubá. 

Cursou a Faculdade de Engenharia de Itajubá. 

Ingressou em Furnas com engenheiro no escritório de obras de Lavras para trabalhar no comissionamento de linha de transmissão. Morou durante um ano no segundo andar do sobrado onde era o escritório.  

Em 1962 conheceu sua esposa, se casaram em 1966, e vão morar em Lavras.

Em 1967 nasce seu primeiro filho, Luiz Humberto (médico, funcionário de FURNAS), em 1971, nasce o segundo filho Luiz Antônio (advogado, procurador da República) segundo e em 1978 nasce o terceiro filho Luiz Láercio Simões Machado Filho (engenheiro, superintendente em FURNAS).

Em 11 de janeiro de 1965, começou a sua vida profissional em Furnas que durou 30 anos. Durante sua vida profissional atuou nos escritórios de Lavras, Poços de Caldas, Usina de Furnas, Campinas e Escritório Central. 

No Rio de Janeiro, assumiu o Cargo de Superintendente de RH, negociando os acordos salariais com os então formados sindicatos. 

No final da carreira em FURNAS, enfrentou o desafio de construir a Usina de Capanda em Angola. Retorna ao Brasil e se aposenta seguindo carreira na iniciativa privada. Durante o Governo Fernando Henrique, é convidado a assumir a presidência da empresa. Permaneceu na presidência de FURNAS de 1995 a 1999.  

Agradece as conquistas da sua vida a quatro grandes mulheres: a esposa, a mãe, a avó materna e a sogra. 

Mineiro convicto, sempre se considerou de passagem no Rio de Janeiro, apesar de residir na cidade já há 45 anos.


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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Luiz Laércio 

 

É claro que, como qualquer memorialista, o pedaço que está em branco, eu preencho com um pouco de ficção, mas mantenho a coisa coerente, a continuidade, não tumultua, não quebra o ritmo ou o roteiro, de modo que eu tenho, sim, algumas ideias sobre o acontecido.

 

Quando jovem, eu não tinha interesse na minha história familiar, nessa questão da ancestralidade, mas acabou que a vida me ensinou a importância disso, aliás, hoje, é um tema que aprecio muito, as memórias, as biografias, então, eu cato um pedacinho aqui, um pedacinho ali, de coisas muito antigas que eu descobri pelos meus parentes, ou por mim mesmo, e assim tenho uma ideia do passado e da vida dos meus antepassados. É claro que, como qualquer memorialista, o pedaço que está em branco, eu preencho com um pouco de ficção, mas mantenho a coisa coerente, a continuidade, não tumultua, não quebra o ritmo ou o roteiro, de modo que eu tenho, sim, algumas ideias sobre o acontecido.

Eu tive a oportunidade de homenagear os 100 anos de nascimento do meu pai, ele já havia falecido há 12 anos; fizemos um evento em Itajubá, que foi a principal cidade da vida da minha família. Nessa saudação, eu fiz algumas pequenas pesquisas, mas o principal foi a minha memória e até gostei do resultado. Eu trouxe meu pai num ângulo diferente, nem tratei tanto como pai, mas como a pessoa que ele foi, do que ele gostava, e isso me exercitou um pouco no rumo ao passado.

E quando falamos das nossas raízes, da nossa trajetória, é difícil não se emocionar. Meu avô materno, por exemplo, quando eu me lembro dele, é como se eu estivesse diante de um quadro, uma obra de arte, quando uma obra de arte te traz tudo para dentro de você sem que você controle, defina, conceitue nem nada, aquilo vem sozinho, então, quando eu penso nesse avô, eu me lembro que eu sei o que é bondade. Eu perdi esse avô aos 14 anos, e foi a primeira perda na minha vida.

Eu me lembro de muitas coisas com esse avô, na verdade, com o casal, a avó era um pouco mais severa, e ele era aquele que protegia os netos. Lembro que eu chegava de trem de ferro vindo de Brasópolis, quando eu era mais novo, ou vindo de Muzambinho, quando eu já estava na adolescência. Eu vinha de trem, uma viagem de dia inteiro, geralmente com alguma irmã, mas eram dois menores viajando sozinhos o dia todo. Nós chegávamos na estação e ele estava lá, nos aguardando. Ele pegava na mão de um e de outro e ia para casa. Em cidade do interior, tudo é perto, não precisa de nada. A gente chegava na casa dele e tinha lá um guaranazinho caçula, a garrafinha pequenininha, que era coisa difícil, na época, essas coisas não existiam em profusão como existem hoje. Guaranazinho com queijo, porque, às vezes, a gente passava numa leiteria e ele comprava um queijo e levava para casa. Isso é inesquecível, realmente não tem preço. 

Agora, a grande lembrança que eu tenho dele, infelizmente, foi seu falecimento. Ele trabalhava muito, tinha 77 anos e trabalhava como se fosse um pedreiro de 35. Ele estava fazendo uma obra no quintal da casa dele onde havia um barranco enorme e alto, ele estava mexendo nesse barranco para proteger melhor sua casa.  No dia, como todas as manhãs, ele e minha avó foram à missa. Eles eram católicos, a igreja era perto e eles iam a pé. Ao término da missa, minha avó ficou e ele voltou mais cedo, ela, sempre estava atrasada com suas orações, e ele, abreviava um pouco sua volta.  Nesse dia, ele estava com seus ajudantes trabalhando nos fundos da casa, quando o barranco caiu em cima dele. Eles o encontraram depois de escavar, o acharam com a pá presa em suas mãos. Essa imagem eu não vi, me foi contada um dia, mas essa imagem é o retrato de uma vida inteira, exatamente como ele foi. 

Hoje, vencido esse tempo todo, o acidente aconteceu em 1955, asseguro que é uma das lembranças mais importantes da minha vida. Antônio Simões, meu avô, o qual carreguei o nome com muito orgulho, ele entrou para minha memória pelo caminho dos afetos, e eu vim saber mais tarde, muito mais tarde, que o que vem para memória trazida pelo afeto, não sai mais, é o que a gente sabe, é o que a gente guarda.

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média 

No dia 10 de janeiro de 1965, eu peguei um ônibus em Itajubá rumo a Poços de Caldas, que era uma cidade razoavelmente próxima, mas levei 10 horas de viagem porque o ônibus atolou na serra, atolou no barro, tinha tido muita chuva. Cheguei a Poços de Caldas num domingo à noite, e no dia 11 eu estava sentadinho na frente de um administrativo em Furnas fazendo a minha admissão. Eu conheço o rapaz que fez a minha demissão, ele é meu amigo até hoje, está chegando aos 90 anos.

Ali começou a minha vida profissional, a minha independência financeira, começou tudo. Trabalhei dos 24 aos 60 anos na empresa, Furnas é basilar na minha vida, e destaco a honra que tive em presidi-la entre os anos de 1995 e 1999, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na presidência sempre busquei o diálogo, o consenso, o respeito de todos, lidei com o sindicato em seu auge da força política e saí amigo de todos. Quando eu fui presidente nunca tive uma greve, os sindicalistas vinham conversar comigo, não faziam greve, depois que eu saí, as greves ficaram comuns. 

E quando saí de Furnas, o consultor jurídico da empresa formalizou na ata que eu saí de Furnas porque renunciei, eu não fui demitido, eu renunciei por divergência com o governo. E ele escreveu no documento, no sentido de me homenagear, uma coisa inesquecível, esse presidente que está saindo agora chegou à presidência sem nenhum histórico de exuberância técnica. De fato, minha vida profissional não teve exuberâncias técnicas, eu fiz carreira em Furnas em lugares e cargos relevantes, mas meu destaque, minha potência, não veio de uma questão técnica, a minha (exuberância) foi a conversa, o diálogo, a compreensão, a busca de consenso, o respeito a todos.  Eu fui presidente que representava empregado, uma coisa menor, os outros vinham indicados de fora, com prestígio. Nasci ali na empresa, desde novinho, e me tornei presidente. 

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