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História

"Me tornei uma pessoa melhor"

História de: Nádia Furtado de Lemos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Infância no subúrbio do Rio de Janeiro. Empregos que exerceu durante adolescência e começo da fase adulta. Vida de casada e mudança para Brasília. Retorno à São Paulo, começo de atuação na área do terceiro seto. Dificuldades da área e sua entrada na Brazil Foundation. Incubência de organizar eventos de capacitação dos gestores da Brazil Foundation e do Instituto HSBC. Relatos de eventos e da rotina de trabalho durante o ano.

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História completa

P/1 – Nádia, bom dia.

 

R – Bom dia.

 

P/1 – Gostaria de começar a entrevista pedindo que você me diga o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Nádia Furtado de Lemos. 29 de junho de 1963.

 

P/1 – Aonde?

 

R – Rio de Janeiro.

 

P/1 – Nádia, diga onde é que você foi criada, onde você estudou.

 

R – Eu fui criada no subúrbio do Rio, num bairro chamado Encantado, que muitas pessoas acho que nem imaginam que exista. Nós éramos três irmãos, morávamos numa casa pequena do lado de um rio, na beira de um rio. Meu pai trabalhava à noite e a minha mãe ficava com a gente durante o dia. Era uma casa pequena, toda vez que o rio enchia levava tudo. Teve um episódio engraçado, a gente já tinha comprado um apartamento, meu pai já tava um pouco melhor, a gente comprou um apartamento e um dia antes da gente se mudar teve uma grande enchente, acho que de 1970, do ano de 1970. Nossas coisas estavam todas embrulhadinhas, encaixotadas que no dia seguinte a gente ia se mudar. Aí veio a enchente, levou praticamente tudo. Tudo ensacado. As caixas iam caindo dentro do rio, iam levando. A gente tinha contratado um caminhão pra levar a mudança e a gente substituiu o caminhão por uma Kombi, porque não tinha mais nada.

 

P/1 – Reduzido.

 

R – A gente praticamente foi começar uma vida nova num lugar diferente, num apartamento, uma coisa segura. Era no quarto andar, quer dizer, podia chover a vontade que a gente não ia passar mais aquela situação de enchente. Então a partir dali começou uma nova etapa na vida da minha família. Eu tinha seis anos de idade.

 

P/1 – E você é a filha mais nova?

 

R – Eu sou a caçula.

 

P/1 – Seus irmãos... O nome dos seus irmãos.

 

R – Neuci... Lá em casa é assim: Neuci mãe, Neuci filha. Um homenageando o outro. Natalino pai, Natalino filho.

 

P/1 – Espera aí. Então me diga o nome dos seus pais.

 

R – Tá. Neuci, a minha mãe. Meu pai é Natalino.

 

P/1 – E os irmãos?

 

R – A minha irmã é Neuci e o meu irmão é Natalino.

 

P/1 – Você foi a diferente.

 

R – É. Ainda bem.

 

P/1 – Nádia, queria que você me dissesse também se você estudou, como é que foi... Você mudou de escola quando vocês mudaram de apartamento.

 

R – É. Antigamente não era como hoje que as crianças começam a estudar bem cedo, jardim, (___?), aquele processo todo. No caso eu já estava no (___?), aí mudei de escola. Todos nós fomos estudar nas escolas do entorno de onde a gente estava morando, no caso era o Méier no Lins de Vasconcelos. Aí eu fiz o meu primário, o ensino médio eu já fui pra uma escola mais distante, que eu já tinha uma idade maior, e não segui, não entrei logo na faculdade. Fiz algumas tentativas e não passei. Na pública não passei e na particular nem pensar, porque o valor era altíssimo, não tinha essa coisa que tem hoje, essa concorrência de faculdade. Atualmente, eu to fazendo faculdade.

 

P/1 – Qual?

 

R – Eu to fazendo Gestão de RH. Vou me formar no final do ano e assim, é uma área que eu gosto muito. RH, gestão de recursos humanos, adoro lidar com gente, com pessoas, tentar entender. Entender e ajudar.

 

P/1 – Onde você tá fazendo?

 

R – Eu faço na Estácio. 

 

P/1 – Você falou que foi fazer o vestibular, não estava dando, mas aí você foi trabalhar? O que você fez?

 

R – Eu comecei a trabalhar cedo porque os meus pais não tinham condições de me oferecer o que eu queria. Roupa. Aquela época você quer roupa, marca e aí eu resolvi trabalhar. Com 17 anos eu comecei a trabalhar.

 

P/1 – Aonde?

 

R – Eu trabalhei numa boutique perto de casa que eu ia a pé. Minha mãe na hora do almoço ia levar o almoço pra mim. Então eu comecei a minha atividade no mercado de trabalho bem cedo, com 17 anos, nessa área de lojista trabalhando como vendedora em boutique.

 

P/1 – E aí o dinheiro era pra você ou você ajudava em casa? Como que era?

 

R – Não. Tudo pra mim. Aí o que eu fiz? Eu comecei a investir em mim. Eu fui pra uma escola particular. Eu lembro que quando eu fui mandada embora, eu tirei a minha carteira de motorista, porque assim, você recebe um dinheiro grande, o que você vai fazer? Comprar tudo de roupa? Eu falei não. Eu vou tirar uma carteira de motorista porque eu sempre gostei de dirigir, o meu pai tinha um carrinho e eu queria já ter a independência de sair, de viajar. Daí eu fui pra outros segmentos, eu vendi carros, eu trabalhei em escritório de advocacia. Trabalhei em rádio, fui locutora de rádio. Aí de repente...

 

P/1 – Isso era o quê? Você ia (___?), você ia (___?) ou você...

 

R – Ia assim, uma função puxava a outra. Eu fui secretária muitos anos de um advogado e ele foi trabalhar nessa rádio, então ele me levou pra essa rádio. Ele ia fechar o escritório, então me levou pra essa rádio. Eu fui trabalhar nessa rádio secretariando um locutor. Na época ele tinha uma fama na  (___?). Eu fui secretariar esse locutor.

 

P/1 – Qual era a rádio?

 

R – Copacabana. Ela era evangélica, depois ela foi comprada por evangélicos também, mas tornou a rádio popular, saiu daquela linha de só evangélica. Depois dessa rádio, eu fui trabalhar em Brasília. Pintou uma oportunidade, na época eu estava noiva e meu noivo foi trabalhar, foi transferido, aí eu resolvi acompanhá-lo. Fiquei durante quatro anos morando em Brasília na época do...

 

P/1 – Você trabalhava em que lá?

 

R – Eu trabalhava no Ministério da Indústria e Comércio. Eu era documentalista de sistemas. Minhas áreas são realmente muito loucas. Eu comecei a trabalhar lá em Brasília, no tempo do Collor, ele começou a tirar todas as pessoas que não foram concursadas. Fechou autarquias, fundações, e eu participava de uma fundação, Fundação de Tecnologia Industrial, que a sede dela era em São Paulo. Então eu não tinha como voltar pra São Paulo, ou melhor, ir pra São Paulo, morar em São Paulo. Assim mesmo ele tinha extinguido, então não tinha vaga pra muita gente. Ficou só a diretoria e o resto dos funcionários foi mandado embora. Eu voltei pro Rio, casa dos meus pais, desempregada. Aí comecei a ver os meus contatos, pessoas que eu conhecia e que tinha perdido um pouco o contato, a retomar os contatos. Minha prima me ligou e falou: “Olha, tem uma vaga aqui de secretária do Joãozinho Trinta”. Eu falei: “Joãozinho Trinta? Quem é esse homem?” “Nádia, não é possível que você não conheça o Joãozinho Trinta”. Eu falei: “Eu não conheço”. Nunca gostei de carnaval, nunca me interessei. Ela: “Joãozinho Trinta, aquele carnavalesco...”. Aí sim, uma coisa bem: “Ah tá. Tudo bem.” “Vem aqui na entrevista que ele tá te esperando”. Arrumei-me toda e parti pra entrevista com o Joãozinho. Cheguei lá ele só me entrevistou, ele não quis entrevistar mais ninguém. Ele falou: “Eu gostei dela. Eu não quero mais... Manda todo mundo embora”. A minha (___?) falou assim: “Não, João, recebe as pessoas.” “Não quero. Não quero mais ninguém. Gostei dela, bati os olhos, gostei dela, é o perfil que eu quero”. Aí que eu entrei na área do terceiro setor. O Joãozinho tava montando um projeto social que ele já fazia esse trabalho na comunidade em Nilópolis, e aí ele começou a ver que ele tinha que sair daquela área só de Nilópolis. Então ele queria vir pro Centro, ele via as crianças de rua, então montou um projeto chamado Espaço Flor do Amanhã. Esse nome foi escolhido por mim, por ele, que praticamente nós começamos juntos. Ele teve a ideia, precisou de alguém pra auxiliá-lo e eu comecei junto com ele a montar esse espaço Flor do Amanhã.

 

P/1 – Qual era a proposta?

 

R – Era assim, a ideia inicial era tirar essas crianças da rua e tentar adaptá-las ao mercado. Fazer um tratamento, primeiro um tratamento de desintoxicação, porque a gente sabe que essa população de rua é muito envolvida com as drogas. Eles sentem fome, eles cheiram porque passa a fome. A ideia deles, né? Sentem frio, cheiram porque vai passar o frio. Então a ideia dele inicial era essa, era tirar essa população de rua e começar a dar condições de vida. Ajudar as famílias, coisa que a gente presava muito que era tentar ajudar as famílias, porque não adianta a gente só tirar a criança da rua e continuar a fábrica de crianças indo pras ruas. Mães tendo filhos, sem condições de cuidar e os filhos vão pra rua. Então a gente começou a enxergar dentro do projeto uma realidade que nós não conhecíamos, nem eu, nem ele. A gente ouve falar das coisas, mas a gente só passa a ter realmente conhecimento quando a gente começa a vivenciar. A gente começou a vivenciar toda essa parte de cada um nas famílias, que um projeto só não ia resolver tudo, que era uma coisa muito mais ampla. Mas a gente queria fazer a nossa parte, mesmo sendo pequena a gente queria fazer a nossa parte de cuidar dessa população. A gente sempre se preocupou muito com isso.

 

P/1 – E você tinha o apoio de quem?

 

R – Nossa, na época a gente teve muito apoio. A gente teve do BNDES, do BID, a gente teve do Club Mediterranée, da Arthur Andersen que era uma... Deixa eu me lembrar. Eles eram acho que consultores, não me lembro, na época. Eu sei que a gente teve um apoio muito grande, por quê? O João chamava marketing. O nome dele na frente de qualquer coisa era um carro chefe, era uma pessoa... Depois que eu vim a descobrir que ele era uma pessoa muito mais famosa do que eu imaginava. Tanto que eu fui trabalhar com ele sem ter noção da dimensão de como ele era, na época, conhecido, como ele era querido e como ele conseguiu captar recurso pro projeto. É uma coisa que a gente ficou bem assustado. As pessoas vinham até a gente. A gente não precisava ir até as pessoas. Isso é um pouco complicado, esse terceiro setor. Era o contrário, a gente não precisava procurar patrocinador. Eles vinham até nós e ofereciam. Daí o projeto foi tomando frente, porque as coisas iam aparecendo. A ideia dele era ter uma escola de samba mirim também. Pegar essas crianças todas e fazer uma escola de samba mirim. A gente sabe que uma escola de samba mirim não dá pra fazer com criança só de rua. Aí a gente começou a pegar apoio de outras ONGs, de outros locais, tentar fazer uma união pra gente conseguir fazer uma escola de samba. A gente percebeu também que tinha muita gente querendo fazer alguma coisa e não sabia como fazer. Eu acho que o projeto na época abriu bastantes portas pros outros que vieram depois, né?

 

P/1 – Isso foi que época mais ou menos?

 

R – Foi em 90. 1990.

 

P/1 – Governo do Collor.

 

R – Isso.

 

P/1 – Depois que você voltou.

 

R – Exatamente eu fiquei um mês desempregada aqui no Rio. Foi exatamente um mês que eu fiquei desempregada e conheci logo o João, e a gente começou a tocar esse projeto.

 

P/1 – E com ele você ficou quanto tempo?

 

R – Eu fiquei quatro anos. O tempo que durou o projeto. O tempo que o projeto durou.

 

P/1 – E o projeto ele desistiu do projeto, o que aconteceu?

 

R – Não. É assim, a gente sabe que existe... Aquela pessoa que começa o projeto é aquela pessoa que realmente tem o ideal, é uma idealista, é uma pessoa que às vezes não tem muita visão, mas ele... Ou melhor, não tem muita infraestrutura, mas tem a vontade que é o pontapé inicial de começar um projeto. Então começaram a vir muitas pessoas se juntarem a nós, até porque ele precisava, ele não tinha uma formação muito técnica em relação a como lidar com crianças, o que tem que ser feito pro projeto ficar homogêneo. Então ele começou a trazer pessoas, ou pessoas começaram a chegar a nós e tipo Lígia, Costa Leite, pessoas bem conceituadas dentro da área, professor Darcy Ribeiro. Então a gente começou a formar um time bom de pessoas que trabalhavam na ONG. Só que essa coisa de também vir muita gente de fora, o olho cresce. Começou a entrar muita verba dentro da instituição, então as pessoas começam a ficar gananciosas. Aquela coisa de voluntariado já era, né? Colocou dinheiro, você recebeu um dia um salário, acabou. Não existe mais essa coisa de voluntariado. Aí começou essa coisa de as pessoas... Encheu muito a instituição. Era pequena, era eu e ele, começou a encher muito e, de repente, eu senti um complô dentro da instituição. É até difícil falar isso, mas eu sentia que eu atrapalhava muito a instituição em relação que eu via tudo, tava ali, era o braço direito do João, o João confiava muito em mim, tudo que ele tinha que fazer ele me perguntava: “O que você acha?” Por a gente ter uma cumplicidade, não por eu ser melhor do que os outros que eram super formados, super graduados, (___?). Não. É porque eu estava ali no dia-a-dia e sabia exatamente o que o João tinha em mente. Então muita coisa eu não deixava acontecer porque eu batia de frente. Eu me sentia criadora junto com ele. Sentia-me a dona do projeto junto com ele. Aí aconteceram algumas coisas internas, pediram a minha cabeça, pra eu sair. Tipo assim, ou eu, ou eles. A turma toda do lado de lá e eu do lado de cá. Eu me sentia muito importante, né? Porque, poxa, ou eu ou ele? Aí o João se sentiu coagido e falou: “Nádia, eu não tenho como segurar. É o meu sonho de vida, é o meu projeto.” “Não, João, tranquilo. Faz o que você tem que fazer”. Aí eu fui afastada do projeto e o projeto não durou mais dois meses, porque aí o que as pessoas tinham arquitetado foi concluído. O João saiu com o nome, coitado, sujo, uma coisa que ele nunca foi, ele nunca quis dinheiro, nunca quis. Ele ganhava dinheiro, dava assim pras pessoas. Pra ele dinheiro... Eu que falei: “João, você tem que pensar no seu futuro. Vamos cobrar palestra.” “Cobrar palestra?” “É. Vai cobrar. O dinheiro você tem que se sustentar ou reverter pra instituição, não sei”. Então assim que eu saí, o projeto durou mais uns dois meses, mais ou menos, aí o João foi envolvido num escândalo na época e ele também foi obrigado a sair.

 

P/1 – Foi uma história bastante chata, né?

 

R – Foi. Muito chata. Na época foi uma coisa assim, que ele... O João ficou muito tempo muito chateado, isolou-se, não quis falar com ninguém.

 

P/1 -  (___?)

 

R – Muito. Ele não quis falar com ninguém, ele não quis...

 

P/1 –  (___?), Nádia?

 

R – Muito. Eu tinha uma relação muito boa com o público que a gente atendia. Era aquele público que foi assassinado na chacina da Candelária. Eu descia pra dar... Eu saía das minhas farras, passava de carro, eles já conheciam o meu carro, era um Fiat branco Uno Europa, e eles já sabiam que eu chegava com pão, com leite, com refrigerante. De madrugada sentava, conversava com eles. Então a gente tinha uma relação legal. E quando eu via que eles estavam tudo muito cheirados, doidão, aí eu passava direto porque eles ficam sem consciência e eu não ia arriscar. Quando eu via que eles estavam realmente bem, bem entre aspas, que eles estavam sem estar drogados, aí eu descia, conversava, brincava. Dizia assim: “Vem a secretária do Joãozinho 30”. Acho que eles não sabiam nem o meu nome, era a secretária do Joãozinho. “Vem a secretária do Joãozinho”. Então eu fiquei muito chateada porque percebi que tem muita gente só a fim de grana. Porque você pode até querer dinheiro, mas faça. Faça.

 

P/1 – Deixa-me te perguntar também. Você foi pra Brasília com noivo. Você casou nessa  (___?)?

 

R – Não. É o contrário. Eu me desiludi de vez. Aí não. E assim, eu achei que não valia a pena eu ficar longe da minha família, sabe? A pessoa que eu tava noiva não valia a pena, essa coisa de sair do convívio de sua família. Cada vez que eu vinha pro Rio eu sentia meu pai mais velho, a minha mãe mais velha. Isso foi me incomodando muito. Essa coisa de você não ver os seus pais envelhecerem, isso me incomodou muito. O que eu fiz? Então eu pesei na balança, o que valia mais a pena? Enquanto eu tava trabalhando ainda me segurava um pouco. Era um emprego bom, eu tinha um emprego bom, ganhava relativamente bem. Mas quando esse elo terminou, meu relacionamento terminou junto. Eu voltei pro Rio, mas já voltei sozinha. Eu voltei já encerrando o relacionamento lá, não trouxe pra cá nada. Eu fechei uma porta e abri outra. 

 

P/1 – E aí você deixou também... Como é que você chegou que você entrou nesse ramo, nessa linha do terceiro setor, foi procurar outro trabalho assim ou...

 

R – Então, é como eu te falei, eu voltei de Brasília desempregada e aí essa minha amiga me chamou dizendo que tinha uma vaga pra trabalhar com o Joãozinho Trinta e eu fui.

 

P/1 – Mas de lá, depois do Joãozinho  (___?).

 

R – Não. Depois do Joãozinho, não. Depois do Joãozinho eu fui trabalhar em outro projeto que aí...

 

P/1 – Do terceiro setor?

 

R – Do terceiro setor. Por quê? Porque eu conheci várias pessoas de outros projetos, né? Vários projetos também a gente trabalhava interligados. Então pintou uma vaga em outro projeto no terceiro setor, que era Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Que é o mesmo projeto que a Kátia trabalhava. Quando eu fui...

 

P/1 – Aí você conheceu a Kátia?

 

R – Aí eu conheci a Kátia. A Kátia já trabalhava nesse projeto, ela também montou esse projeto junto com a Ana Filgueiras, né? Ela também, tipo eu com o João, fez com a Ana Filgueiras. Eu não conhecia a Kátia, conheci a Kátia lá nesse projeto.

 

P/1 – Trabalharam juntas...

 

R – Trabalhamos juntas e assim, não tão juntas, ela trabalhava mais na casa da presidente e eu ficava mais na instituição, que era um escritório que a gente mantinha no centro. Mas a gente se falava sempre porque ela sempre foi da área financeira administrativa e eu era administrativa, mas do outro escritório. Então a gente se falava bastante.

 

P/1 – E aí a Kátia te chamou depois pra cá?

 

R – Isso.

 

R – Aí resolvi sair da área porque eu ficava seis meses, oito meses sem receber salário. Então a minha vida não organizava, eu sentia que a minha vida tava de cabeça pra baixo. Comecei uma faculdade, parei, porque não tinha como pagar, porque o salário não era uma rotina. Passava seis meses sem receber. Falei: “Quer saber? Não aguento mais terceiro setor. Não quero mais saber disso. Já dei a minha contribuição, a minha cota. Vou mudar de ramo”. Aí, de repente, o cunhado da minha irmã era administrador de um hospital, de uma maternidade, fui trabalhar com ele, dessa maternidade ele falou: “Vou te jogar em outro hospital pra você administrar o hospital.” “Como assim? Tá maluco?” “Eu confio em você, no seu potencial”. Espera aí, hospital, era uma maternidade. Era a parte particular da Pro Matre, aí eu falei assim: “Vamos lá. Vamos ver”. Nunca tive medo de desafios, então vamos lá. Eu fiquei durante quatro anos nesse hospital, aprendi muita coisa da área hospitalar, fiquei apaixonada porque eu me apaixono por tudo que eu faço. Eu gosto de me apaixonar. Acho que pras coisas darem certas pra mim, pra eu fazer eu tenho que me apaixonar. Então eu me apaixonei por tudo. Eu entendia tudo de medicamentos, sabe, eu via todos os nenéns que nasciam, eu ia de quarto em quarto parabenizar as mães. Então eu gostava muito do que eu fazia. Mas aí o hospital fechou, porque a Pro Matre recebeu uma doação boa, grande, aí não viam mais necessidade de manter a parte particular. Eu sei que fechou. Aí eu saí, fui fazer outras coisas nada a ver com o hospital e um belo dia a Kátia me telefona. Eu a chamei pra um aniversário meu, ela foi, a gente bateu papo, conversou. “O que você tá fazendo?” “Eu tô fazendo comida pra fora, tô fazendo massa porque eu adoro massa. Então eu comecei a fazer massa”. Ela falou assim: “Então tá, tudo bem”. Pintou uma chance aqui na Brazil Foundation, aí ela não me chamou porque achava que eu não queria sair da massa. O salário era baixo, eu não queria sair. Não me chamou. Aí colocou outra pessoa, de repente essa pessoa saiu. Aí a Kátia me chamou: “Nádia, essa vaga pintou há muito tempo, eu não te chamei por isso, isso, isso. Você quer?”. Eu falei: “Agora.” “Você quer mesmo?” “Agora”. Eu também só tava querendo uma coisa mais... “É terceiro setor.” “Terceiro setor? Tudo bem. Vamos nessa”. Já sabia da história que ela tinha me contado, da credibilidade da Brazil Foundation, de todo trabalho que ela já tinha feito, a gente conversou algumas coisas. Então antes de entrar na Brazil Foundation eu sabia algumas coisas através dela e vi que ela tava bem, tava uma pessoa centrada, uma pessoa feliz no que tava fazendo. Eu falei: “Vou entrar nessa também. Vou me esquecer das minhas mágoas com o terceiro setor e vou entrar nessa. Mas a gente não trabalha com criança diretamente, não?” “Não, Nádia. A gente financia projeto.” “Então tá bom”. 

 

P/1 – E aí você chegou aqui em que ano?

 

R – 2007. 

 

P/1 – O que tava acontecendo em 2007? Você veio aqui pra trabalhar, fazer exatamente o quê?

 

R – Secretariar a Susane Worcman.

 

P/1 – E isso envolve o quê?

 

R – Nossa, muita paciência. Que ela não me ouça. É assim, eu vim secretariar a Susane, aí vim tipo tirar um pouco a carga de trabalho que a Kátia sempre teve, né? Por um fato dela já me conhecer, saber tudo que eu sabia fazer, meu potencial, e ela achava que por eu ter sido chefe dela no outro projeto, por eu já ter administrado um hospital, que eu não ia querer essa vaga. Eu falei: “Kátia, quero sim.” “Secretariar a Susane, a Susane é uma pessoa difícil.” “Não. Não tem problema”. Aí vim pra fazer essa função, secretariar a Susane, tirar um pouco da carga de trabalho da Kátia, como eu havia dito e administrar um pouco do escritório. Tirar essa parte da Kátia e manter a Kátia mais no financeiro, focada no financeiro e eu ficar com a parte administrativa interna do escritório. 2007 eu vim exatamente pra isso. 2008 começou o meu desafio, eu comecei a aumentar um pouco mais os meus horizontes, além de secretariar a Susane. Eu comecei a organizar as capacitações, a capacitação que a Brazil Foundation dava pros seus gestores, que ela faz isso todo ano. E eu me apaixonei, né?

 

P/1 – Foi iniciativa sua de você...

 

R – A Kátia que fazia sempre isso, aí eu falei assim: “Kátia, deixa-me fazer”. Ela sempre me orientando, né? Porque é uma coisa nova, é uma coisa delicada você conversar com gestores, você programar. Tem toda uma logística do que tá acontecendo e eu tava meio crua nessa situação. Mas aí eu fui. Fui interagindo com gestores, fui sentindo que é uma coisa que eu também gostava de fazer, fazia bem e as pessoas também gostavam, os gestores também se sentiam à vontade. Porque às vezes eles vêm de algum lugar, tem gente que nunca andou de avião, que nunca saiu de casa e de repente você tem que ir pro Rio de Janeiro, chegar lá, contar com aquele monte de gente olhando pra você, o facilitador lá na frente. Então dá certo medo e eu quebrava esse clima de medo que eles tinham, brincava, falava: “Vamos passear. Vou te levar não sei pra onde. Vou te levar no Cristo”. Comecei meu trabalho nessa área que eu faço agora dentro da Brazil Foundation de logística de eventos, comecei assim, aprendendo com a Kátia essa parte toda de organização, de como chegar até os gestores, de dar todo suporte pra eles.

 

P/1 – Quando foi a primeira oficina de capacitação que você pegou?

 

R – Foi 2008. Foi aqui no Novo Mundo, Hotel Novo Mundo, que aí eu vi que a sala era desse tamanho, pequenininha pra fazer um teatro. Falei: “Meu Deus, como é que pode? Coitados dos atores”. O próximo evento que eu fizer eu vou ficar mais atenta, eu vou prestar atenção no tamanho da sala, ouvir o facilitador. O que você tem em mente pra você dar suas aulas, o que o teatro tem em mente, qual o espaço que ele precisa pra montar o seu cenário. Aí eu fui percebendo que muitas coisas eu deveria ficar mais atenta, não deixar furo nessa hora. Nós chegamos lá, nossa, a gente ficou apavorado. Muito pequeno, mais ou menos o tamanho quase dessa sala.

 

P/1 – E envolve quantas pessoas uma oficina dessas, Nádia?

 

R – Média? 60, 50 pessoas. Na Brazil Foundation são 50, porque a gente apoia mais ou menos 25 projetos, 20, então são duas de cada projeto, a média é de 50. Acho que a média é 50 pessoas, fora as pessoas envolvidas, né? 50 gestores fixos, que esses participam da oficina, mais a equipe que tá em torno de 60 pessoas.

 

P/1 – E aí vocês têm uma agenda inteira do dia. São quantos dias?

 

R – Da Brazil Foundation são quatro, que a gente conta o dia que eles chegam também, que também é outro processo que dá trabalho. O dia que eles chegam, dois dias de curso e um dia de premiação. São quatro dias, mais ou menos, que envolve a capacitação da Brazil Foundation.

 

P/1 – E aí isso envolve também hotel, hospedagem. Vocês que organizam tudo? Conta direitinho

 

R – Isso. Tudo. Vou te explicar, é assim, isso que a Brazil Foundation faz, essa coisa de capacitar os projetos que ela apoia é uma coisa que as pessoas às vezes acham que é besteira, vai gastar dinheiro, custa. Não. É uma coisa excelente pros gestores. O HSBC uma vez veio assistir uma capacitação nossa e saiu encantado. Ele viu que ele dava o dinheiro pras instituições e não sabia o que acontecia, não dava continuidade. Faziam uma visita  lá, cá, mas não tinha aquela coisa de você monitorar, de você ajudar, de você orientar. Como fazer, como gastar, como prestar contas. Então a Brazil Foundation sempre fez isso. Esse modelo que a Brazil Foundation criou a gente começou a repassar pra todos os projetos do Instituto HSBC, que o Instituto HSBC é um braço do banco, é um braço institucional. É um braço que eles criaram justamente pra dar suporte aos projetos que eles apoiam. Aí o que aconteceu? Como o HSBC resolveu fazer isso em todos os projetos que ele apoia, aí a coisa ficou grande. A gente tem uma média de dez a 12 capacitações por ano. Uma capacitação é muito trabalhosa.

 

P/1 – Mas aí é com gestores do HSBC.

 

R - HSBC. A gente tem a nossa, que é todo ano a nossa. A gente faz a nossa.

 

P/1 – Mas você organiza também a dos gestores?

 

R – Todas.

 

P/1 – E aí você é que fica responsável também por tudo dessa (___?)?

 

R – Dessa área de logística. As passagens, né, a hospedagem, a logística dentro do hotel, a parte de transporte de reembolso das pessoas, porque às vezes o instituto repassa pra gente uma verba pra gente reembolsar, porque eles não podem ter despesa nenhuma. A gente passa pra Brazil Foundation, a Brazil Foundation repassa pra eles através de logística, de passagem, hospedagem, reembolso, alimentação. Toda essa parte quem faz agora, atualmente, na Brazil Foundation sou eu.

 

P/1 – Desculpa perguntar de novo. Quatro dias era o do HSBC (___?) e da Brazil Foundation?

 

R – Não, só da Brazil Foundation, do HSBC são dois dias. São três dias o módulo de comunicação e gestão. São dois dias o módulo de sustentabilidade e são dois dias o módulo também de avaliação. São três etapas que o projeto passa. O nosso, da Brazil Foundation, não passa por essas três etapas. Ele só fica na primeira etapa que é comunicação e gestão. O do HSBC, como ele apoia três anos ou dois anos, então cada ano tem um processo. A gente foi criando, foi adaptando pras necessidades deles. A gente capacita, depois avalia, depois dá sustentabilidade. Ajuda a criar sustentabilidade. Então é um processo de três escalas que acontece com os projetos do IHS.

 

P/1 – E aí você começa a organizar isso com quanto tempo de antecedência? Porque é um trabalho.

 

R – É uma luta essa coisa de conciliar agendas, porque eu tenho que conciliar com a nossa agenda, com a agenda do instituto e com a agenda dos gestores e dos facilitadores. É uma loucura. Então essas datas muitas vezes são ajustadas um mês antes. Aí começa o corre-corre. Manda convite, espera a ficha de inscrição chegar, mediante a ficha você entra em contato, aí você vê a possibilidade de voo, qual a possibilidade que as pessoas podem vir. Aí o hotel, quantas diárias ele vai precisar. Aí começa todo o trâmite. Não tem uma regra. Quando eu tenho tempo hábil junto com o instituto e a Brazil Foundation fechar uma agenda anual, aí é bom.

 

P/1 – Pois é. É isso que eu ia te perguntar. Não tem uma data já no calendário.

 

R – A gente tenta. É assim, o primeiro módulo é sempre de fevereiro a maio, não pode passar disso. É uma regra, mais ou menos, que a gente criou, de fevereiro a maio. O segundo módulo é de junho a julho. Então nós tivemos dois meses pra fazer o segundo módulo. E o terceiro módulo é de setembro até novembro.

 

P/1 – Essas da Brazil Foundation?

 

R – Não. Tudo, do instituto, da Brazil Foundation é sempre em agosto.

 

P/1 – É sempre em agosto.

 

R – Com exceção dos dez anos que foi uma coisa diferente que a gente fez, que aí foi tudo diferente.

 

P/1 – Eu quero chegar lá, você vai me contar direitinho. Mas aí depois também a parte de evento pra participação dos finalistas você também organiza?

 

R – Sim.

 

P/1 – Conta aí como é que é, conta qual que te deu mais trabalho e o que você mais gostou.

 

R – Foi o primeiro. Assim, porque o primeiro foi uma coisa muito... Eu não sabia como eu deveria me portar porque eu sou muito expansiva, eu sou muito brincalhona, eu tenho esse lado meu de bom humor, de levar as coisas no bom humor. Dar bronca, brigar com as pessoas no bom humor, sem ofender, sem magoar. Então o meu primeiro foi um pouco complicado, eu me sentia um pouco travada: “Será que eu posso falar isso? Será que eu não posso? Será que eu posso...”.

 

P/1 - (___?)?

 

R – Não. Até que não. Eu acho que depois que ela assistiu, acho que a primeira capacitação, ela viu que realmente tava tudo dentro do conforme e as pessoas: “Ai, eu adoro ela. Como eu gosto dela. Que bonitinha, que gracinha. Onde é que você a achou?” Era muito engraçada essa expressão: “Onde é que você a achou, Susane?”. A Susane: “Ai meu Deus”. Quer dizer, o primeiro foi muito difícil pra mim porque eu tava muito crua, entendeu? E assim, muito crua e ao mesmo tempo eu queria ousar, eu queria fazer, mas eu não sabia até onde eu poderia ir. Então o primeiro pra mim foi especial. Cada gestor que eu conhecia, sabe, aquela coisa de se inteirar, qual é o projeto da pessoa, ouvia as histórias. São lindas, maravilhosas as histórias que eles contam. Pra mim o primeiro foi muito especial. 

 

P/1 – E as pessoas contam por telefone...

 

R – Não. A gente tem uma parte que as pessoas dão um depoimento. Então elas falam no início...

 

P/1 – Na hora da apresentação.

 

R – Na hora da apresentação. Elas falam do projeto, elas falam como elas começaram. Então isso é muito emocionante porque elas falam de lá de dentro. Aí você se vê emocionada, chorando, a plateia toda chorando. Então foi uma coisa bem marcante pra mim. Depois você vai acostumando um pouquinho que você fica: “Não vou ficar chorando o tempo todo”. 

 

P/1 – Conta uma apresentação que tenha te emocionado mais, que você se lembre.

 

R – Ah, da dona (___?). 

 

P/1 – Conta como foi.

 

R – Eu me lembro da dona (___?), primeira coisa ela se perdeu no aeroporto. A gente colocava um transporte, uma pessoa com uma camisa da Brazil Foundation esperando as pessoas chegarem com uma lista de voos pra tentar organizar e tentar localizar as pessoas. A gente sabia que muita gente vinha de longe, que nunca tinha andado de avião. A dona (___?) era uma situação dessas. Eu recomendei tanto, mas tanto...

 

P/1 – Ela é de que projeto?

 

R – Ela é Lagoa da Boa Vista. É da Bahia. SEABRA. Aí eu falei assim: “Essa senhora nunca andou de avião, você, por favor, ache ela. Não deixa ela se perder”. O que aconteceu? Ela chegou ao aeroporto lá da Bahia, lá em Salvador, e pegou um voo antes do horário dela. Ela chegou muito cedo com medo de chegar atrasada, como lá eles andam de (___?), a (___?) você pode viajar em qualquer horário, só que a gente estipula um horário justamente pra gente saber o horário que ela vai chegar aqui. Ela chegou muito cedo, foi fazer o check-in e colocaram-na em outro voo. O que ela fez? Ela chegou no Rio e não viu ninguém. Aí falou: “Bom, eu tenho o endereço, eu vou chegar”. Ela tava descendo em Santos Dumont. Santos Dumont, não. Galeão. Pegou e começou a perguntar se tinha um ônibus... Ônibus que passava. A gente recomenda: “Pegue um táxi. Se você se perder você pega um táxi, lá a gente reembolsa”. Começou. Pegou um ônibus, o ônibus deu volta ao mundo e começou: pega um ônibus, pega outro, desce, sobe. E o rapaz me ligando: “Nádia, a senhorinha não tá. O voo dela já chegou, a senhorinha não tá”. Eu falei: “Pelo amor de Deus, a gente não pode perder ninguém. Por favor, fica aí”. Eu sei que ele ficou, as outras pessoas chegando, ele trazendo e uma pessoa sempre lá esperando ela. E nada, nada, nada dela chegar. Eu já tava ficando nervosa. Falei com a Kátia, falei: “Gente, a dona (___?) sumiu.” “Meu Deus, como é que pode?” “Ela sumiu. Ela não veio.” “Como não veio? Será que ela perdeu? Vamos ligar pro celular dela”. E começamos a ligar pro celular. Ela desligou porque tava no voo, ela desligou e não ligou de novo. Olha, eu só sei que tava lá pras tantas, daqui a pouco vem aquela senhorinha entrando pelo hotel, aí eu olhei pra cara dela, ela: “Aqui que é o evento da Brazil Foundation?”. Eu falei pra ela: “A senhora é a dona (___?)?” “Eu sou”. Baixinha, com uma mala, ela veio sozinha. “Como é que a senhora chegou aqui, dona (___?)?” “Eu vim pegando o ônibus”. Ela pegou um monte de ônibus até chegar o hotel. Ela disse: “Eu não vou perder esse encontro, esse evento”. E aí começou a rodar de ônibus. Mandavam-na pra cá, colocavam ela pra lá. Ela falou: “Eu peguei tanto ônibus pra chegar aqui”.

 

P/1 – Mas chegou a tempo?

 

R – Mas chegou. Dali eu acho que também pra ela, essa coisa de ela ter se perdido e ela ter conseguido, pra ela também foi um prêmio, foi uma coisa assim... Pra ela foi uma nova etapa. Sair da cidade dela, pegar um avião, vir pro Rio de Janeiro, chegar aqui, não encontrar ninguém e achar o lugar que ela ia ser capacitada. Pra ela também foi uma nova descoberta, uma nova aventura. Ela depois contou isso lá na frente no depoimento, até então eu não sabia muito da história dela, só sabia algumas coisas. Ela falou dessa coisa de ela estar muito feliz de estar ali, que ela veio pra aprender, aí começa o desenrolar da escola. Quer dizer, foi um episódio legal que eu achei que eu vi que as pessoas a gente subestima. Fulaninho não... E hoje em dia ela é uma pessoa que fez uma revolução no projeto enorme. Ela caminhou a passos largos. Ela começou a encontrar várias dificuldades e foi pulando, foi pulando. Hoje ela é uma pessoa muito querida nossa.

 

P/1 – O projeto dela era o quê?

 

R – Ela é que colhe café. Como é que é o nome da profissão? Colhedora de café? Não. Ela é dessa... Ela colhe café. Então ela começou a ver que as crianças ficavam sozinhas, não tinham o que fazer, que as mulheres sofriam violência, as mulheres eram infelizes, aquelas coisas todas. E começou a bolar na cabeça dela uma coisa pra melhorar essa situação das crianças, porque as crianças ficam muito soltas, porque as famílias são infelizes, as pessoas que trabalhavam com ela. Ela criou um projeto assim: primeiro atendia as crianças e aí as crianças não vinham muito porque as mães não deixavam. Então ela pegou as mães, começou a atender as mães também. Então ela fez aquele processo de ir à fonte, cuidar dos pais, aí os pais mesmos mandavam as crianças pro projeto. Começou aquele elo. Tanto as mães participavam quanto os filhos. O projeto dela hoje em dia, ela pegou algumas parcerias com a prefeitura e ele tá bem desenvolvido. Ele tem dança, tem educação, tem psicólogos que cuidam das mães que sofrem violência. Então é um projeto bem legal.

 

P/1 – Nádia, aí o outro ano já foi mais tranquilo pra você?

 

R – O outro ano já foi melhor. Acho que cada ano a gente melhora, né? O outro ano já foi bem melhor, já sabia exatamente o que eu tinha que fazer, o que eu poderia falar, o que eu não poderia falar. Então foi uma coisa assim mais tranquila. Mas sempre é preocupante porque tudo que você faz você quer que dê tudo certo, a gente sabe que às vezes a gente tenta fazer tudo certo e nem sempre acontece. Eu lembro que teve um ano que a Susane falou assim: “Gente!” “O que foi Susane?” “Tá acontecendo alguma coisa.” “Por quê?” “Tá dando tudo certo”. Eu falei: “Como assim?” “Tá tudo certo. Não tem nada errado.” “Ué, Susane, porque a gente tá aqui é pra aprender”. E a gente trabalha em equipe, né? A equipe tá toda enxugada, tava toda certinha, todo mundo alinhado. Quando a gente tá alinhado eu acho que as coisas fluem bem. Eu acho que agora a Susane vai pra capacitação muito mais tranquila. Antigamente ela ficava um estresse só, agora ela vai mais tranquila porque ela vê que a equipe toda tá envolvida.

 

P/1 – E não é uma equipe grande, né, que faz essa organização?

 

R – Não. É uma equipe pequena.

 

P/1 – Quem é que faz?

 

R – Praticamente, das capacitações da Brazil Foundation, todo mundo é envolvido, mas nas capacitações do instituto, sou eu, é a Lívia, que é da parte de comunicação, elaboração de material, é a Lívia. A Kátia é na parte financeira. Dentro do escritório somos só nós três. E a Clarissa é a facilitadora. A Clarissa também participa, mas não antes. Ela participa na oficina em si como facilitadora e também no teatro. Então essa coisa da organização anterior vem minha, da Lívia e da Kátia. Nós três pegamos essa...

 

P/1 – Tá certo. E do seu... O que te demanda mais trabalho? Essa capacitação ou os eventos também que você vai bolando que nem as premiações?

 

R – Olha, assim, é porque da Brazil Foundation é nossa, né? Então a minha preocupação é muito maior, sabe? Porque são os projetos que a gente apoia. O do instituto são os projetos que eles apoiam. As nossas, não. É o que a gente colheu, é o que a gente vivencia durante o ano, vai vivenciar durante o ano. Então é diferente a minha responsabilidade. Eu me sinto mais envolvida nesse sentido, de as coisas darem mais certo, porque é nosso, né? É um pontinho, é uma continuidade do nosso trabalho. Então minha preocupação com o nosso projeto é muito maior, com as nossas premiações.

 

P/1 – Você falou do Novo Mundo, vocês já tem outro lugar, vocês estabeleceram algum lugar ou todo ano muda?

 

R – Não. A gente muda. Todo ano a gente muda. A gente tem um lugar que a gente achou, um hotel que a gente gosta, o Mirador, que a gente gosta bastante dele. Só que às vezes não tem disponibilidade. Mas é um hotel que a gente gosta de fazer, a gente se sente muito bem, a gente se sente em casa. Os próprios gestores gostam também, é um hotel com preço bom, uma qualidade muito boa de serviço. O Novo Mundo nunca mais, porque aquela salinha pequena não rola. Quer dizer, foi uma vez só e chega.

 

P/1 – E assim, do teu cotidiano mesmo, como é que é? Conta um pouco como é que é o teu dia-a-dia aqui.

 

R – Aqui? 

 

P/1 - (___?).

 

R – Como eu te falei, a gente tem capacitação o ano inteiro, então a capacitação toma muito meu tempo. Muito. Porque as pessoas durante o processo me ligam muito, fazem muita pergunta, pedem muito conselho: “O que eu faço? Como eu devo agir?”. Aí eu auxilio, eu sempre faço a parte de hospedagem, eu aconselho: “Não. Não fica em outro hotel, não. Fica no próprio hotel do evento que você não gasta táxi, você...”. Aquela coisa de custo benefício. Então esse trabalho de acompanhar as pessoas, como proceder numa capacitação. E é assim, eu sou meio que mãe da galera, né? Babá, mãe, babá. Eu sou a mais velha da galera, abaixo da Susane e do Pedro eu sou a mais velha, então eu tenho um carinho muito grande por cada um. Dou bronca, como eu já te falei, na brincadeira dou bronca, brigo. Eles são filhões porque deixam tudo desarrumado, sujo, falta as coisas e não estão nem aí. Falo assim: “Acabou não sei o quê.” “Já sei”. É briga o tempo todo, mas briga numa boa. Então a minha rotina no escritório é essa coisas de conservar o que o escritório está precisando, repor o que o escritório tá precisando. Agenda da Susane é muito intensa, a Susane tem uma agenda muito complicada, essas coisas de muitas reuniões. Providenciar as viagens que ela também faz bastante fora. É praticamente... Eu não tenho rotina, né? A minha vida não é uma rotina dentro do escritório porque a cada dia acontece coisas diferentes. Ainda mais com uma chefe que nem a Susane. É impossível ter uma rotina. Então assim, eu não tenho uma rotina de trabalho. Desde o momento que eu coloco os pés aqui no escritório é o tempo todo acontecendo coisas e eu vou desenrolando, vou fazendo dentro do possível. E sempre é possível, tem que ser, né?

 

P/1 – Nádia, conta-me agora do encontro do (___?). Começa me contando o que foi o encontro.

 

R – Nossa, uma loucura.

 

P/1 – Mas era pra quê? Conta tudo. Dá todo o...

 

R – A Susane falou assim: “Ah, eu quero fazer um encontro esse ano num hotel fazenda.” “Hotel fazenda, Susane?” “É. Eu quero hotel fazenda, que eu quero... Eu quero fechar um hotel fazenda”. Eu falei: “Fechar um hotel fazenda? É muito caro.” “Não. Não. Tem um hotel que eu conheço em Itatiaia que eu já fiquei, um hotel razoavelmente pequeno, bonito, tem uma infraestrutura legal”. Só que a visão da Susane de infraestrutura boa é diferente da minha, porque fazer eventos engloba muito mais coisas do que você olhar e dizer: “A estrutura é boa”. Não. Eu já tenho uma visão muito maior do que pra mim é uma boa estrutura de evento. Só que eu não conhecia o hotel, falei: “Susane, tudo bem. Vamos fazer nesse hotel fazenda”. Já sabendo que eu vou ter que providenciar ônibus, as pessoas chegam em horário diferente, vai ser uma logística completamente diferente do que a gente tá acostumada a fazer. Porque se uma pessoa se perder, ela pega um táxi e vai pro hotel. Agora, uma pessoa que se perder, a gente tá a 300 quilômetros fora do Rio, é outra história. Bem complicado. “Não, mas eu quero, vamos fazer”. Eu com medo das coisas não darem certo, justamente nessa coisa das pessoas não obedecerem aqueles critérios de voo. Aí eu falei: “Vamos fazer, Susane”. Agendei tudo com o rapaz do hotel, fizemos toda aquela parte de “o que precisa, o que não precisa”, aquela pesquisa que eu sempre faço, faço até hoje: “O que você vai precisar?” “Ah, quero um data show, quero não sei o quê.” “Tem. Tem data show. Tem tudo. O hotel tem tudo”. Tem tudo. Data show, tem tudo. Vamos fazer a logística de ônibus. Vai de ônibus, vai de van, vai de não sei o quê. Vamos colocar dois ônibus, dois micros, três micros. Aí resolvemos colocar dois micro ônibus, um saindo do Santos Dumont, outro saindo do Galeão. Olha, Deus realmente olha por nós, né? Porque deu tudo certo. As pessoas chegaram nos horários que a gente estipulou, ninguém se atrasou. Os ônibus saíram praticamente com um atraso de meia hora, mas dentro do que a gente tinha planejado, nada assim fora do contexto. Então até aí essa parte correu tudo bem. Saímos daqui, fomos pra Itatiaia. Chegando em Itatiaia eu olho aquela estrutura enorme, realmente um hotel fazenda lindíssimo, com os... Como é que é o nome daquilo? Os quartos, né? Assim, longe um do outro. Como hotel fazenda mesmo, né? Longe um do outro, eu já fiquei: “Ih, caramba, andar aqui...”. Aí me preocupei porque tinha uma instituição que a gente atendia que eram pessoas especiais, que era Aparu, são pessoas com deficiência física. Minha preocupação é colocá-los num lugar perto e não ter que andar muito até o local do evento, do restaurante. Tudo sobe e desce, tudo de pedra, montanhas. Eu falei: “Bom, vamos colocar”. Aí tentei adequar, chegou lá, graças a Deus, deu certo. As pessoas que tinham problema, de mais idade estavam perto e as outras estavam mais longe. Mas olha, fazer evento em hotel fazenda, nunca mais.

 

P/1 – E foram quantos dias?

 

R – Foram três dias. Três, dois dias. Não. Dois dias. Entre a preparação, três dias. Três dias porque a gente chegou... No dia que a gente chegou não teve nada porque esse trâmite todo de chegada, ir até lá. Então a gente só fez uma apresentação rápida dos gestores. Então foram três dias. Dois dias de curso intenso e um dia pra chegar e a gente se acomodar.

 

P/1 – E aí foram quantas pessoas?

 

R – Foram... Envolvidos? 60 pessoas. 67 pessoas. Porque o legal desse evento, como foram os dez anos, o pessoal de Nova Iorque também veio participar. Então foi uma coisa inédita. O escritório de Nova Iorque junto trabalhando em equipe com o escritório do Brasil. Foi muito legal. A gente se falava muito por telefone. Então essa coisa de se falar por telefone você perde muita coisa. A gente não se conhece, então a gente ficou um período dos escritórios interagindo. Foi muito legal. A gente passou a conhecer as pessoas, olhar olho no olho. E correu tudo otimamente bem, com exceção da logística que eu quase esganei a Susane. Quando eu vi as salas não tinham acústica, o que falava de um lado escutava do outro, a gente tinha que o tempo todo pedir pra falar mais baixo. Essa coisa de acústica foi péssima, mas tudo bem. No contexto foi bom. Foi até uma coisa assim, diferente, as pessoas... Eu não estava acostumada com esse tipo de evento, eu to acostumada com essa coisa mais elitizada que eu pego um hotel de quatro a cinco estrelas. Então foi uma coisa assim: “Eu quero água”. Demora duas horas pra chegar uma água, duas horas pra chegar um café.

 

P/1 – Hotel fazenda (___?).

 

R – Exatamente. Tem que acender a lenha pra fazer o café, alguma coisa assim. Mas foi legal. No contexto foi bom, foi gostoso porque a gente ficou ali confinado, a gente não podia sair. Era um hotel distante, além de ser distante do Rio, distante do Centro. Lá no morro, no alto. Então foi uma coisa muito gostosa. Tudo que a gente fazia era ali. Foi bem legal, foi bem diferente de tudo que a gente tava acostumada a fazer.

 

P/1 – Você falou do pessoal do escritório de Nova Iorque. Como é que tem sido essa relação do escritório do Rio com o escritório de Nova Iorque? É diária? Como é que é?

 

R – Olha, eu falava muito pouco com eles, embora estando nessa função de atender telefone, de ser o primeiro contato, eu falava bem pouco com eles, tá? O pouco que eu falava era uma coisa assim muito formal. Até porque a gente tem aquela ideia de americano meio formal. Só que eles não... Eles são brasileiros, né? Todos são brasileiros. A maioria que trabalha no escritório são brasileiros, então não tem aquela coisa formal, mas a gente mantinha. Depois que eu passei a conhecê-los foi bem melhor. Foi bem melhor. Eu me senti melhor até pra ser do jeito que eu sou mesmo, espontânea, falo as coisas. Então eles viram como eu sou, eu aprendi a respeitá-los, como também eles têm uma postura diferente porque o próprio país exige. Aqui não. Aqui a gente tem uma coisa mais descontraída. Mas essa junção com o escritório foi muito boa. A gente ficou muito feliz mesmo e eles também, de trabalhar em equipe. Porque nós somos um só, né? A Brazil Foundation é uma coisa só, mas a distância limita muita coisa. Quando a gente se uniu a gente enxergou melhor essa coisa de trabalhar em equipe, que é um só. Não adianta desvincular que é um só. Pode estar lá falando em inglês e aqui falando em português, mas é um só.

 

P/1 – Nádia, outro dia eu tava aqui, até você foi fazer sua aula de inglês. Conta que aula de inglês é essa daí?

 

R – É assim, eu não gosto muito de inglês, sou muito sincera. Eu já fiz vários cursos de inglês e parei no meio do caminho porque senti que não era a minha praia. Agora eu vejo a necessidade de aprender inglês. Eu aprendi também com a idade o que você precisa. Você passa a vida inteira aprendendo. Uma das coisas que eu me arrependo de não ter dado continuidade é de ter aprendido outra língua. No caso o inglês que eu tentei várias vezes e não consegui. Várias vezes. Não foram poucas, não. Várias vezes eu tentei fazer curso e não consegui. E agora eu preciso aprender inglês. 

 

P/1 – Por causa desse trabalho.

 

R – Por causa desse trabalho, o contato melhor com as pessoas que ligam pra cá. A gente tem “n” doadores que falam inglês, sabe, que não falam português, aí eu me sinto horrível, sinto-me péssima em ter que correr: “Please, one minute”. Minha professora até me encarna, eu rapidinho passo pra alguém: “Pelo amor de Deus. Help. Help”. Quer dizer, isso é horrível, né? Acho que dá pra aprender, dá pra melhorar um pouco esse modo de falar. Então a minha professora é muito paciente, coitada. Eu falo: “Professora, eu não tô entendendo nada”. 

 

P/1 – Mas aí como é que ele funciona aqui? Foi a Susane ou vocês que se organizaram? Como é que foi?

 

R – A gente teve um planejamento estratégico e eu sempre pedi isso: “Eu quero fazer um curso”. Olha, eu pedindo pra fazer um curso. Inacreditável. “Eu quero fazer um curso de inglês. Eu preciso. Eu preciso. Eu quero, não. Eu preciso”. Aí a Susane: “É. Eu acho legal”. Mas aí passou. Aí alguém ligou em inglês aqui, eu fiquei desesperada. Ela morreu de (___?): “Meu Deus do céu. Ela fica desesperada”. Eu fico. Eu não gosto de não saber fazer alguma coisa. Eu pelo menos quero tentar e não dizer: “Ah, não sei fazer”. Deixa-me tentar. Aí eu falei: “Susane, eu preciso fazer um curso”. Ela: “Vamos fazer o seguinte, vamos colocar um professor aqui particular. Eu tenho uma pessoa que pode vir num preço baixo, num custo baixo, vocês pagam uma parte e a Brazil Foundation paga outra.” “Então fechado”. E a gente tá fazendo agora na hora do almoço, emagrece um pouquinho porque ao invés de comer a gente vai fazer inglês. A gente faz uma hora de inglês, duas vezes na semana.

 

P/1 – Quem mais faz com você?

 

R – Eu e Lívia. Quer dizer, a professora vem... É bom que ela pode dar atenção pra gente, porque são duas alunas, duas pessoas só. Estamos em níveis diferentes, porque a Lívia já tá num nível maior do que eu. Então muita coisa eu não entendo, eu digo pra professora: “Não entendi”. Ela: “Fala em inglês.” “Eu não entendi”. Aí ela volta e... É legal. Tá sendo bom porque é uma dificuldade que eu tenho, uma barreira que eu tenho que eu quero quebrar. Já quebrei várias, quero quebrar mais essa. Quero falar em inglês.

 

P/1 – Nádia, você tá aqui já há quatro anos. O que mudou desde que você entrou? Tem alguma coisa assim que você acha que mudou?

 

R – Nossa, eu amadureci muito. Aprendi muito. Aprendi a ouvir. Uma coisa que eu não aprendi... Eu falo muito, né? Você vê que eu falo muito. Mesmo falando muito eu aprendi a ouvir. Aprendi a ouvir, eu acho que eu fiquei uma pessoa mais sensível a detalhes, eu nunca fui muito detalhista. Fui muito avoada. As pessoas que têm os gestos muito rápidos são um pouco avoadas. Eu aprendi, mesmo tendo esse meu jeito, não mudar o meu jeito, porque é uma coisa que não dá pra mudar, mas tentar dentro do que eu sou, do jeito que eu gosto de agir, ouvir mais, observar mais detalhes que é uma coisa que eu nunca fiz. É que eu aprendi muito isso. A gente passou por várias fases dentro da instituição, dentro da empresa e cada fase que a gente passava, cada problema, cada dificuldade a gente... Eu ia melhorando, valorizando cada coisa que eu tinha, cada nova atitude, a maneira de encarar as pessoas diferente. Eu acho que eu me tornei uma pessoa melhor.

 

P/1 – Tá certo. Quero saber, você tá casada agora, namorida?

 

R – É. Namorida, né? Namorada, não namorida. Namorida já é... Aí ter que ficar em casa, não. Namorada só. Sou divorciada, tenho uma filha.

 

P/1 – Como é que é o nome da sua filha?

 

R – Tamires. Vai fazer 17 anos. Eu sou divorciada, divorciei-me ela tinha um ano de idade. Então a gente ficou bem ligada uma na outra, essa coisa de educação, minha responsabilidade bem maior porque eu não tenho com quem dividir, acaba ficando só com você, porque essa coisa de o pai estar longe, ele dá o suporte, mas não quando você tá perto, né? Então hoje eu tenho uma filha de 17 anos e estou só namorando. 

 

P/1 – E queria perguntar se tem alguma coisa que você queria deixar registrado também. A gente tá terminando, queria saber se você...

 

R – Quero. Eu quero dizer que eu to muito feliz. Embora eu tenha hesitado muito em voltar pro terceiro setor, mas eu percebi que eu voltei pra um terceiro setor sério. Eu vim pra uma instituição séria e que tudo aquilo que eu tinha visto de ruim nas outras, é porque eram as outras. Aqui eu participo de todos os processos, eu sinto que eu sou bem útil. É tão bom você ser útil. Eu sinto nos olhos de cada um aquela coisa de lealdade, principalmente da parte da diretoria que eu acho que é uma coisa séria. O dinheiro é realmente empregado onde tem que ser empregado, as pessoas são valorizadas. Eu até uma vez ia falar pra Susane que aqui eu me sinto valorizada como pessoa, como ser humano, como funcionária, como colaboradora. É diferente. Trabalhar na Brazil Foundation é diferente e as pessoas também te vêem diferente, porque você está na Brazil Foundation. A Brazil Foundation é uma coisa que na minha vida foi muito bom. Eu agradeço a Kátia, né, porque foi a Kátia que me trouxe pra cá. Aprendi muita coisa com a Kátia, muita coisa. Eu fui chefe dela por um tempo, mas eu não sei se ela aprendeu comigo alguma coisa. Eu agora aprendo bastante coisa com ela, aprendo bastante coisa com a Susane, aprendo bastante coisa com a Leona. A gente não tem muito contato, mas gosto muito dela. Essa ideia toda que ela teve em montar a Brazil Foundation foi... E ela é também uma pessoa muito especial. A gente nota que ela é bem de coração. Acho que por ela ter sido membro da ONU, ela passou por muitos lugares, ela viu muitas coisas e ela viu que é importante fazer a sua parte. Elas passam isso pra gente, tanto a Susane quanto a Leona. A gente sente que o nosso trabalho não é em vão. A gente vê o retorno, vê uma coisa acontecendo.

 

P/1 – Eu queria agradecer você ter vindo aqui e participar com a gente. Muito obrigada.

 

R – Nada.

 

 

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