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História

Maria Bolacha, Maria das Dores

História de: Maria Aparecida das Dores Araújo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/04/2021

Sinopse

 Maria Aparecida das Dores nasceu na cidade de Iturama, Minas Gerais. Conta que trabalhou desde os oito anos de idade. Se mudou para Ribeirão Preto com os seus pais. Seu pai era excelente carpinteiro, possui alguns móveis até hoje feitos por ele. Seu marido foi representante de uma marca de pneus. Maria trabalhou como empregada doméstica e depois começou a vender de porta em porta, usando da sua bicicleta como meio de transporte com as cestinhas de roscas, pães, salgados e bolachas. Possui duas filhas, na area da nutrição e administração, além de dois netos. 

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História completa

          Meu nome é Maria Aparecida das Dores Araújo, nascida em 23 de março de 1958, em Iturama, Minas Gerais. Meus pais são Pedro Vieira de Freitas e Antônia Aparecida de Freitas. Eles nasceram e casaram lá em Minas Gerais também. Eles trabalhavam na roça, com gado, com fazenda. Como eu sou a caçula, vim pra cá muito nova, pois quando meus irmãos estavam na idade de vir pra escola, meu pai largou tudo pra vir pra cá, pra pôr os filhos na escola.

          Nós viemos, na verdade, pra Fernandópolis, não foi pra São José do Rio Preto. Eu me casei em Fernandópolis e vim pra Rio Preto há 40 anos. Mas em Fernandópolis, meu pai era carpinteiro. Eu estudava no Colégio Brasilândia, num bairro lá de Fernandópolis, e o que eu mais gostava era de Redação, de História, essas coisas. E eu também trabalhava. A gente escolhia café nas máquinas, separava os bons dos ruins. Eu comecei a trabalhar com oito anos.

          E eu estudei só até a quarta série, só o primário. Depois disso, eu continuei trabalhando, aí eu casei com 17 anos. Depois da máquina de café, eu fui trabalhar no Mercado Lusitano. E conheci meu marido em Ituiutaba. Ele ia em casa uma vez por mês. Aí nós moramos uma época em Ituiutaba, Minas, de onde ele era, e depois nós viemos pra Tanabi, que é aqui perto. De Tanabi, viemos pra cá, porque ele era representante de pneu.

          Aqui eu trabalhei de doméstica, logo que nós viemos, por uns três anos. Depois eu comecei a vender rosca, pão, salgadinho. Eu fazia em casa e vendia de bicicleta. Entregava salgadinho nos bares de manhã, e à tarde eu entregava sonho, vendia rosca de porta em porta. O biscoito de polvilho, na época, eu vendia por receita. Uma receita dava uma lata, daquelas grandes, de tampa.

          Mas quando eu estava com 28 anos, meu marido faleceu, e eu comecei a buscar mais. Nunca fiz nenhum curso, nem existia internet. Eu tenho bolachinhas, por exemplo, que é uma das que eu mais vendo hoje, que eu já tinha na cabeça como eu queria que fosse, mas eu não sabia como. Aí, pra chegar nela, eu criei mais três, mas não era aquela que eu queria chegar ainda.

          Depois que meu marido faleceu, eu fiquei morando uma época com a minha mãe, e então eu aluguei uma casa que tinha dois cômodos. (risos) A produção era fora da casa. Eu fiz o primeiro panetone... deve ter o quê? Mais de 30 anos. Eu criei o primeiro panetone diferente - que hoje tem mais de 60 sabores - com quatro panetones no meu forninho. Tinha que fazer quatro de cada vez. Aí minha mãe me deu o fogão dela, então já dava pra fazer oito panetones de cada vez. Aí, nessa época eu tinha comprado um Fusca, e ia fazer entrega.

          Acho que eu nem tinha muito essa noção, que tinha que ter empresa, essas coisas. Eu fui vender na Secretaria da Fazenda, na Receita Federal, que eram todos prédios muito grandes, onde trabalhavam funcionários. Aí um passava pro outro. E depois de alguns anos eu fiz muitas feiras também - essas feiras de indústrias, que tinha antigamente. Então eu viajava muito. Enchia o carro... feira em Belo Horizonte, São Paulo, Ribeirão. Então ficou bem conhecido, e foi por aí que ficou Maria Bolacha. O pessoal falava: “A Maria Bolacha está aqui, alguém quer comprar?”

          Faz 24 anos que eu estou neste local. Sempre que eu passava, via essa casinha rosa, de esquina, e eu falava: “Nossa! Combina com a Maria Bolacha!” Hoje, na área de produção, estamos com oito funcionários. Já tive bem mais. Depois, com tudo isso que está acontecendo... mas já tive bem mais. Tive, contando direto e indireto, uns 22. E eu vendo no varejo e atacado, mas eu não tenho padaria. O meu produto não é pra padaria. São produtos que são mais caros, então é mais pra café, lugar mais fino.

          Quem cuida da parte do Instagram e do Facebook é minha filha. Eu cuido do meu, porque as pessoas já me conhecem, sabem quem eu sou. O meu é Maria Araújo.

          Eu também criei um biscoito que é vegetariano, vegano, com baixo valor calórico. Ontem saiu torrada integral. Então, é assim: a gente tenta adequar, pois hoje muitas pessoas são alérgicas: não podem isso, não pode glúten, outros lactose. E a gente vai fazer aquilo que o cliente está precisando e procurando.

          O mais difícil é colocar preço. Uma vez eu fui fazer uma consultoria pra uma pessoa, e eu falei: “Puxa, eu vendo bem, bastante, vou ao mercado, vou ver preço mais barato, onde tem uma promoção, mas aí eu vou no outro (pra vender) e não tem dinheiro”. (risos) Ela falou: “Não tem dinheiro?” Essa pessoa me disse uma coisa que me emocionou, na hora: “Todo artista não sabe pôr preço na arte dele”.

          E a minha filha mais velha trabalhava comigo antes. Mas ela é nutricionista e hoje não trabalha mais. A mais nova cuida da parte do financeiro. Além de ter feito Administração, é também terapeuta quântica e tem a clínica dela. Ela também é tradutora. Então, ela cuida mesmo nas horas entre um cliente e outro.

          Com a pandemia, aumentou bastante o movimento. Antes de eu ir embora, eu ponho no zap alguma coisa que tem aqui e levo pra quem quiser. Não cobro entrega se é caminho, quando estou indo embora. Até mesmo pra vizinhos, que eu nunca oferecia nada, comecei a oferecer. O que mudou muito com a pandemia pra mim, por exemplo: tinha aquelas mães que passavam pra pegar lanche, que iam pra natação e passavam com o filho, ou iam pra escola e passavam com o filho. Hoje não tem. E também tinha muitos comerciantes que compravam pra oferecer pros clientes deles. Eu vendia pras boutiques, lojas, clínicas médicas. Hoje esse cliente diminuiu, porque ele não está trabalhando. Mas a gente tem o pessoal que está em casa ainda. Não está saindo, mas vai comer.

          Eu também dou muita coisa pras pessoas experimentarem. Eu faço isso até hoje. Toda vez que eu faço uma coisa diferente, eu dou pro cliente experimentar. Ele que vai saber se é bom ou não. Pra você ter uma ideia, aqui... não sei se dá pra virar a câmera... agora eu estou com cliente lá fora, esperando pra ser atendido. Não pode entrar muito. Então, eu já faço os pacotinhos e dou de degustação.

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