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História

Padaria, armazém, horta: tudo junto e misturado!

História de: Marcos Dionísio Repiso
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/06/2021

Sinopse

Os avós maternos são de Tanabi-SP, inclusive foi doaram terras para a construção de Vila Rincão, um distrito da cidade. Seu pai trabalhava na horta e a mãe era cabeleireira até começar a entregar verduras junto com Marcos. Relata sobre uma história em que quase o seu avô foi enterrado vivo e depois de alguns meses ganhou na loteria federal, criando a primeira horta da cidade. Da horta para padaria, ida para o shopping. A ideia do Armazém, com a venda de ovos, limão cravo, verduras e legumes. O armazém na padaria: frangos, café moído na hora, etc. O enfrentamento da pandemia. 

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História completa

          Meu nome é Marcos Dionísio Repiso, nascido em 3 de setembro de 1980, na cidade de São José do Rio Preto. Meu pai é Francisco Dionísio Repiso, e minha mãe é Darci Frederico Repiso. Graças a Deus, tive uma excelente vivência com todos os meus avós, até o dia em que Deus os levou. Os paternos eram a Lurdes e o Brás, e os maternos eram o Emanuel e a Aparecida. O meu avô materno veio da Bahia a pé, até São José do Rio Preto. E aí ele foi para a cidade de Presidente Prudente, onde o dono da Encalso, o finado Doutor Anwar, levou-o pra tomar conta das fazendas. E lá, eles foram criando todos os filhos.

          Já os meus avós paternos são da região de Tanabi, e lá existe a Vila Rincão, que é um distrito de Tanabi - foi o meu bisavô que doou pra fazer a vila. Nossa família é bem reconhecida lá. Teve até uma história que meu avô ia ser enterrado vivo. No velório, minha avó percebeu que ele estava respirando, aí pegaram bucha e começaram a esfregar no corpo dele, e ele voltou. Depois de alguns meses, ele ganhou na loteria federal. Aí ele pegou os recursos, veio pra São José do Rio Preto, onde criou a primeira horta da família. Hoje eu sou a terceira geração na produção de verduras em nossa cidade.

          Quando criança, nós vivíamos aqui em São José do Rio Preto, e todos os netos trabalhavam na horta. Desde os sete anos, eu e os meus primos já trabalhávamos lá limpando o cheiro verde, que é a cebolinha, e todas as outras hortaliças. E aí, quando chegava a sexta-feira, era o dia do pagamento. Meu pai virava aquela caixa de tomate, sentava em cima e ia pagando os funcionários, um por um. Sobrava um pouco do dinheirinho, chamava a molecada, dava um pouquinho pra cada um. Depois, minha tia nos colocava no carro e ia direto para o bazar. Ou comprava aquelas bolinhas de gude ou pipa pra nós soltarmos. Era nossa festa.

          Eu vivi toda a minha infância num local só, próximo da horta, com toda a família, uma casa perto da outra. Até que eu cresci, casei e reformei a primeira casinha que nós tivemos, e mudei pra ela. Quanto à escola, eu fiz o segundo colegial completo, depois eu fiz computação, logo que chegou a computação no Brasil. Mas eu vi que a necessidade de ajudar meu pai era maior do que eu fazer uma faculdade. Só mais tarde é que eu fui me aperfeiçoar, fui estudar - não me formei, mas estudei tecnicamente, tecnologicamente, buscando recursos fora do país para trazer a tecnologia pra o campo.

          Já o Armazém Dionísio tem apenas cinco anos. Ele veio seguindo os negócios da família, porque a gente veio da horta – até hoje nós temos -, e da horta nós fomos para a padaria, da padaria a gente foi para uma rede de padarias, que estava com cinco lojas antes da pandemia, e hoje estamos com três, pois fechamos os dois shoppings. E nisso nasceu o armazém, que era um sonho nosso, um projeto de vida e de produção, um modelo. Eu passei a ideia para algumas pessoas no Brasil, e foi feito um em Cuiabá, em Campinas, Sorocaba e outro em Tupã. Eram as estufas no fundo, com a produção agrícola das alfaces, dos temperos, e a venda da loja na frente. Então, startei esse projeto para alguns amigos, e o meu ficou só com a loja agora. Tudo o que a gente tem no sítio nós trazemos para a loja, desde um ovo caipira, um limão cravo, as verduras, os legumes que a gente produz lá... a gente traz para o armazém. E aqui, nós também introduzimos o armazém dentro da padaria - ele virou uma âncora da padaria. Você entra dentro de uma padaria nossa, e lá dentro, um canto, ficou inteiro para o armazém. Tem todas as verduras, os ovos, o café moído na hora, as peculiaridades, o frango caipira, as coisas peculiares. Isso dá um frescor e uma garantia para o cliente.

          A padaria é um conceito. Eu não queria botar a mão na massa, então contratei gente experiente e fui aprendendo aos poucos, para replicar esse conceito nas outras unidades da Padaria Dionísio. Uma unidade fica no bairro São Jorge, que é a matriz, onde nossa produção é centralizada. São 24 horas, ela não para de produzir. E toda a produção dessa loja é distribuída para as outras lojas: uma unidade no Muffato Max, que é um supermercado atacadista, e a outra fica de frente para a portaria da Santa Casa de Misericórdia - essa a gente inaugurou agora em dezembro, e ela tem um conceito diferente também, pois tem um pouco de legumes, saladas de frutas e tem o restaurante.

          O interessante foi que eu peguei a zona norte da cidade e introduzi um conceito novo de padaria, em que a pessoa poderia se sentar, com mesa para tomar o café da manhã em família, com um capuccino, uma bebida especial, um ar-condicionado para a pessoa sentar no calor e ficar à vontade com sua família. Graças a Deus, foi repercutindo, e a gente foi criando um conceito novo de atendimento na zona norte. Muitos clientes, mas muitos mesmo - e está acontecendo agora com a Santa Casa também -, vêm agradecer, estão se sentindo privilegiados de a gente ter montado uma loja com uma estrutura boa, com produtos diferenciados, aos quais eles não tinham acesso. Até que a gente abriu no shopping e consolidamos a nossa marca. Mas eu tive que fechar os dois shoppings no ano passado, porque eles estavam cobrando aluguel, mesmo com a loja fechada por causa da pandemia.

          E investir na zona norte foi muito acertado. Porque não tinha nenhuma loja de padaria que oferecia algo diferenciado para o cliente. Tanto é que nós brincávamos que o faturamento da minha loja era referente a todo o faturamento das lojas da zona norte, porque ninguém investiu num conceito diferente, sempre só vendendo pãozinho e nada mais. A gente quis um conceito diferente. Tanto é que eu dei uma entrevista pra uma revista de São Paulo, falando de como eu consegui introduzir o bolo confeitado como uma sobremesa do dia a dia na periferia. Quem vai à minha loja tem à disposição uns oito bolos cortados, de todos os sabores, para experimentar. Então, você vai lá, corta uma fatia de bolo e come como uma sobremesa. Mostramos pra eles que o bolo é uma sobremesa, não é somente para comemorar um aniversário. E deu muito certo, graças a Deus.

          Mas nós iniciamos há três meses o maior projeto da minha vida, que é o condomínio fechado que a gente está construindo. Estamos construindo um condomínio de 17 alqueires, que tem 184 terrenos acima de mil metros. Lá dentro vai ter o maior centro hípico do Brasil. Vai ter a parte de hotelaria, pra receber o pessoal, vai ter a arena coberta com competições nacionais e treinamento de pessoas - com crianças, adultos e todos que queiram participar de provas e campeonatos. Junto disso, tem um restaurante que divide as duas arenas. É um restaurante pivotante no meio, bem grande, com pergolados para acomodar as pessoas, para que elas tenham visão das duas arenas. Então, quando tiver algum evento, uma prova, um treino, a pessoa vai poder ver os animais competindo e andando. E a gente deixou vielas, caminhos, ruas. A parte de pavimentação é própria para o cavalo. Preservamos a natureza com caminhadas, trilhas dentro da mata, com duas cachoeiras muito lindas dentro da mata. Tem dois pavilhões grandes, de 60 baias de cavalos, para armazenar os cavalos do professor que vai dar aulas. Esse é um projeto muito grande, e eu estou bem atarefado com tudo isso. Consegui enrolar mais ainda o meu dia a dia. Então, desde a hora em que eu acordo, até a hora em que eu durmo, não desliga.

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