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Marcio Pallandri: Bar Empório Brasília

História de: Marcio Pallandri
Autor:
Publicado em: 09/04/2021

Sinopse

Marcio Pallandri nasceu em 1962 e é natural de Ribeirão Preto. Os seus avós paternos são italianos e tem o avô português por parte de mãe e a avó ascendente indígena. Na infãncia brincava sempre próximo a linha de trem e tem muitas lembranças da época. Na escola, foi colega do Heraldo Pereira. Começou a jogar futebol com treze/catorze anos no Comercial Futebol Clube da cidade. Tem três filhos, dois homens e uma menina. O Bar é um dos pontos turísticos da cidade devido ao futebolista Sócrates, que frequentava o local e tinha até mesa reservada. Hoje tem uma placa indicando a mesa dele. 

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História completa

          Meu nome é Marcio Pallandri. Sou natural de Ribeirão Preto, nascido em 31 de janeiro de 1962. Meu pai é Onofre Pallandri, e minha mãe é Teresa Carrera Pallandri. O meu pai era serralheiro, e a minha mãe era empregada doméstica. Quando eu nasci, eu morava no bairro do Ipiranga, aqui em Ribeirão Preto. Era uma casa muito simples. Era eu, que sou o mais velho, o meu irmão, mais novo que eu, e as minhas duas irmãs, as mais novas, gêmeas. Nós morávamos numa casinha que tinha um quarto, uma sala, uma cozinha. E não era banheiro, era fossa, fora de casa. Não tinha piso, era chão batido. Banho era na bacia, com água esquentada. Não tinha geladeira, não tinha nada. Foi uma infância muito simples, muito sofrida.

          As brincadeiras eram de rua: tinha os vizinhos, que eram as minhas primas, os meus primos, e os outros vizinhos em volta. Isso foi bastante gratificante, porque você andava pelo campo, pois aquela época era tudo terra, e não tinha a modernidade que tem hoje. Então você: “Ah, vamos buscar cajá-manga”, você ia buscar cajá-manga. “Vamos buscar manga. Vamos buscar goiaba”, em qualquer lugar que você ia. Abobrinha, por exemplo, você pegava abobrinha brotando do chão. Não tinha movimento na rua, porque o asfalto chegava até a Avenida Dom Pedro I. Hoje são duas mãos, mas antigamente era uma mão só, chegava até ali. Até a minha casa, dava uns nove quarteirões de terra, e ainda tinha a linha do trem atrás da minha casa. Passava a Maria Fumaça direto.

          Eu estudei em vários colégio em Ribeirão, mas eu também comecei a jogar futebol, e por isso não concluí os meus estudos. Eu deixei os estudos por causa do futebol, mas casei muito cedo com minha primeira mulher e tive que abandonar o futebol. Comecei a trabalhar, e aí foi uma outra etapa da minha vida. Iniciei no CPD da Caixa Econômica do Estado. O meu filho nasceu, a situação apertou, e eu precisava arrumar outro emprego pra sustentar a casa. Então eu fui trabalhar na Mahfuz, a rede de lojas, e me destaquei ali. Logo em seguida, com 22 anos, eu fui promovido a gerente - fui gerenciar a loja lá em Lins.

          Mais tarde, eu saí dessa empresa, voltei de Lins pra Ribeirão Preto e trabalhei na extinta Arapuã, por um ano. Depois eu fui trabalhar com corretagem de imóveis. Mas aí surgiu o bar, que foi uma iniciativa da minha sogra e do meu sogro, da segunda mulher. Eles tinham mercearia e me convidaram para tocar o bar.

          No início, eu falei: “Ó, conhecer bar, eu conheço pelo lado de fora. Agora, o lado de dentro é completamente diferente do lado de fora”. Ele falou: “Não. Eu vou ficar com você aqui. Vou te orientando”. Foi dando toda aquela dica de quem já está no comércio. E um belo dia, eu falei: “A gente precisa fazer um negócio diferente. Colocar umas mesinhas lá fora. Aumentar o leque”. Porque é uma tradição até hoje: a empada, o torresmo, o quibe... era a minha sogra que fazia, e a receita é a mesma até hoje. Então, a gente tinha um movimento muito bom nessa parte. Finalzinho de tarde, aquele happy hour, aquela clientela antiga... era um em cima do outro, em pé, no balcão. E tinha a dobradinha, a feijoada que fazia todo sábado, o joelho de porco, o bolinho caipira - com ele nós participamos do Comida de Boteco, em 2017 -, que é um bolinho de arroz com bacon recheado com provolone, tomate, empanado e frito. O Trio Brasília também é um prato do primeiro Comida de Boteco, em Ribeirão: é o torresmo, a carne seca acebolada e a mandioca frita ou cozida; serve bem até três pessoas. E ainda tem carne seca, tem quibe cru, tem quibe frito... bastante coisa. E cresceu, desenvolveu. O bar já está funcionando desde 1977.

          O que mais sai? A feijoada é um prato que vende muito. Mas o torresmo não tem jeito: o torresmo é todo dia. O torresmo é um prato que, se você não quiser vender, você não tenha. Mas se você quer vender, pode ter, que você vende.

          O meu público é diversificado. É o pessoal que mora perto, tem pessoal que vem de fora, principalmente gente de São Paulo. Porque aqui, o Sócrates frequentou muito tempo. Ele tem até uma mesa com uma placa talhada de madeira, com o nome dele: “Mesa do Sócrates”. Isso aí também é uma atração. O pessoal: “Onde o magrão sentava? Vamos lá”. Então, o pessoal vem e te pergunta: “Como é que ele era? Ele era assim? Assado? Ele vinha muito aqui?”. Ele vinha muito aqui, ele morava do lado. Então ele vinha quase todo dia, né?

          Acabou virando uma atração turística. Porque na Copa do Mundo no Brasil, em 2014, foi feito um guia pros hotéis, pois a seleção da França ficou aqui em Ribeirão. E veio muito turista, jornalista, aqui. O que deu de jornalista, aqui! Bom, eu ganhei presente de jornalista francês, italiano, suíço, chinês. E no guia está a propaganda do bar, a mesa do Sócrates. Se você se instalar num hotel em Ribeirão, se você pegar o guia, você vai achar a página inteirinha. E foi uma surpresa, porque eu não sabia que isso iria acontecer. Não foi matéria paga, não foi nada, não.

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