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Maratona Bancária

História de: Maria Lúcia Amarante de Andrade
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/10/2018

Sinopse

Por sempre ter tido muito interesse em estudar os metais, Maria Lúcia estudou, se pós-graduou e trabalhou no setor de Metalúrgica. Ela conta sobre sua faculdade, como ingressou no BNDES, suas diferentes funções dentro banco, embora todas fossem ligadas ao setor metalúrgico. Conta também sobre a importância da corrida em sua vida, inclusive participou de uma maratona bancária com os colegas de trabalho.

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História completa

P/1 – Boa tarde, Maria Lúcia.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Eu gostaria de começar o nosso depoimento pedindo que você nos forneça o seu nome completo, local e data de nascimento, por favor.

 

R – Maria Lúcia Amarante de Andrade, em Fortaleza, Ceará, 18/10/1949.

 

P/1 – E em relação à suas origens, origem dos pais, o trabalho do seu pai, por favor?

 

R – O meu pai era militar, ele chegou a marechal, tinha uma origem muito humilde e pelo valor dele, ele chegou a marechal.

 

P/1 – E a sua mãe, a origem da sua mãe?

 

R – A minha mãe foi a primeira mulher a fazer o concurso do Banco do Brasil em Fortaleza, entrou, e depois, como ela teve seis filhos, ela teve que parar de trabalhar.

 

P/1 – Em relação a sua formação, você veio para o Rio de Janeiro quando, qual foi a escola e a faculdade que você cursou?

 

R – Eu vim com seis anos de idade, depois moramos dois anos em Paris, o meu pai foi transferido, e depois voltando ao Rio eu cursei a PUC na Gávea, no Rio de Janeiro.

 

P/1 – Qual foi o curso?

 

R – Engenharia metalúrgica, não sei como eu fui escolher, mas eu fiz metalurgia.

 

P/1 – Por que? Interessante na sua época uma mulher fazer essa opção profissional.

 

R – É, eu realmente tinha um apelo muito grande pelos metais, alumínio, cobre, eu achava muito interessante como eles eram produzidos e isso me chamou a atenção, eu fui fazer.

 

P/1 – Tinham outras mulheres na sua turma?

 

R – Não, eu era a única mulher, não só na minha turma, mas no departamento inteiro de metalurgia, eu fui a única mulher. Agora, na entrada da PUC eram trezentos homens e cinco mulheres naquela época, mas para todos os cursos. Para Metalurgia, eu fui a única.

 

P/1 – E como estudante, chegou a trabalhar, começou a trabalhar nessa profissão, chegou a ser estagiária?

 

R – Na PUC mesmo eu fui convidada para ser monitora, então eu era monitora de Física. Eu estava no segundo ano e eu dava aula já para o primeiro ano de Engenharia em Física.

 

P/1 – E em termos de pós-graduação, fez algum curso?

 

R – Eu fiz em Metalurgia Extrativa na PUC, logo que eu me formei, diretamente.

 

P/1 – E de que forma deu o seu ingresso no BNDES e em que ano, Maria Lúcia?

 

R – Ah, isso aí foi uma história de destino, porque realmente eu já tinha um convite para ficar na PUC como professora, pesquisadora e encontrei um amigo meu, um colega, o Fernando Vivaqua, hoje ainda trabalha aqui no Banco, no mesmo andar que eu, e ele me disse: “As inscrições para o concurso do Banco estão aí, terminam daqui quinze minutos, seria uma boa, você não vai fazer?” E eu fiquei assim, na maior dúvida, acabei sendo a última pessoa a me escrever, e fiz o concurso, e realmente acho que foi uma das melhores coisas da minha vida. Realmente trabalhar aqui...

 

P/1 – Aonde foram as inscrições?

 

R – Como?

 

P/1 – As inscrições eram onde?

 

R – Tinha um guiché numa casinha no diretório, na Rua dos Diretórios na PUC e elas terminavam às dezessete horas, ele me disse isso à quatorze e quarenta e cinco, eu fui quase que correndo, mas eu ainda não tinha certeza de que eu viria para o Banco. Eu tinha muitas ofertas de emprego, porque naquela época, realmente, a gente se formava já com diversas oportunidades. Realmente a economia estava em alta e realmente eu acho que eu tinha uns quatro ou cinco lugares para escolher. Mas o apelo de trabalhar no Banco, quer dizer, sempre é grande, sempre eu pensei e aí acabei passando no concurso. O resultado veio em novembro de 1973 e eu comecei em janeiro de 1974, no curso de ambientação nas Paineiras. Eu não esqueço de jeito nenhum porque foi nesse curso que eu fiquei grávida, eu enjoava muito e todo mundo ficava me fazendo uma comidinha especial, achando que a comida de lá não estava me fazendo bem, mas já era a minha primeira filha, Roberta, que hoje tem 28 anos.

 

P/1 – Nessa época, o que o BNDES representava, tanto pessoalmente como profissionalmente?

 

R – Quando eu entrei no BNDES, eu era do Departamento de Prioridades do Banco. Quer dizer, mais essencialmente a parte de metalurgia, siderurgia que eu fui trabalhar. E nós analisávamos diversos projetos para concessão de prioridades e era um trabalho bem interessante. Eu só não gostava quando tinha muita viagem porque, naquele tempo, eu tinha pavor de avião, pânico, desespero. Eu segurava a mão das pessoas que estavam do meu lado, com todo respeito: “Desculpe, mas deixa eu segurar a sua mão?” Era homem, mulher. Realmente eu tinha pavor e, graças a Deus hoje em dia eu venci porque eu continuo a viajar muito pelo Banco, mas já controlei esse problema.

 

P/1 – Bom, quer dizer, nesses primeiros anos da sua vida profissional no Banco, participou de algum projeto que você... Que tenha lhe marcado mais especialmente?

 

R – É, quer dizer, não bem no início, mas depois, quando eu já estava na área operacional foi interessante que eu era gerente operacional e foi aprovado o primeiro projeto de empresas estrangeira, a Latasa, fabricante das latinhas de alumínio para refrigerante, cerveja, e era uma empresa estrangeira, foi a primeira que o Banco apoiou. Eu tive a oportunidade de trabalhar nesse projeto.

 

P/1 – E o que representa isso para você? Quer dizer, poder ter participado de um projeto dessa dimensão?

 

R – Foi realmente uma... Foi importante para mim. Hoje em dia o Banco apoia as empresas estrangeiras, quer dizer, estando num país são as mesmas condições, empresas nacionais e estrangeiras, todas estão engrandecendo o nosso país.

 

P/1 – E hoje, atualmente, qual é a área que você trabalha? Está ligado a algum projeto específico?

 

R – Eu sou gerente setorial de Mineração e Metalurgia e faço diversos trabalhos de acompanhamento do setor, eles são para subsidiar as análises do Banco, mas também estão disponíveis na Internet, tem uma grande aceitação aí, externa. Quer dizer, um trabalho também muito cativante emocionante que eu faço, sou representante do BNDES e do Brasil no Comitê do Aço da OCDE. Então eu faço parte da delegação brasileira, nós temos participado dessas reuniões. Elas são em Paris, na OCDE, e agora a questão está muito à quente, vamos dizer assim, porque com a taxação dos Estados Unidos colocaram em cima dos aços importados. Quer dizer, essa questão está bastante controversa.

 

P/1 – Além da família, do trabalho no BNDES, você tem atividades, como esporte, fotografia? Arruma tempo para isso? Quer dizer, isso é importante também na sua vida?

 

R – Ah, é muito importante. Realmente a parte de esportes e corridas, ginástica, tudo isso. Quer dizer, eu me sinto muito bem e gosto muito. Inclusive, eu completei a maratona, fazia parte do grupo de corridas do Banco naquela época, em 1985, nós tínhamos um grupo de corridas, corríamos com a camiseta com logotipo do Banco e, nessa época que eu completei a maratona, eu também tenho que agradecer ao Carlinhos que trabalha, hoje, no meu andar, já estava lá pelos trinta e tantos quilômetros, eu já estava meio cansada, já meio querendo desistir e ele me deu um apoio: “Vamos, vamos, vamos”. E com isso eu completei. E continuo a correr até hoje, gosto muito.

 

P/1 – O que é o BNDES para você?

 

R – BNDES, para mim, é a minha casa.

 

P/1 – Por que?

 

R – Eu me sinto bem aqui, como pessoa, acho que a gente faz um trabalho importante para o país, me sinto realizada, uma casa completa.

 

P/1 – Bom, para finalizar, o que achou de ter participado do projeto memória cinquenta anos do BNDES?

 

R – Me sinto muito honrada de participar desse projeto, o Banco está fazendo cinquenta anos e eu estou fazendo 28 anos de Banco. Então estou muito feliz de poder estar aqui.

 

P/1 – Muito obrigada, Maria Lúcia. Obrigada.

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