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História

Manhãs Esportivas do SFC

História de: Antonio Gaia de Oliveira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/12/2013

Sinopse

Antonio Gaia nos conta sobre sua vida e seu amor pelo Santos Futebol Clube. Fala sobre sua atuação dentro do clube, tendo sido até Vice-Presidente. Também detalha a organização das Manhãs Esportivas da equipe, que eram formas de "peneirar" os jovens talentos que surgiam. 

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História completa

P/1 – Eu gostaria começar pedindo pro senhor dizer seu nome, o local e a data de seu nascimento.

 

R – Antônio Gaia de Oliveira, eu resido na Rua Euclides da Cunha, 294.

 

P/1 – O nome do senhor, o local e a data do seu nascimento?

 

R – A data do meu nascimento 21 de setembro, aliás é 5 de setembro de 1928.

 

P/1 – Cinco de setembro?

 

R – Vinte e um é oficial, porque fui registrado né.

 

P/1 – Cinco ou 21?

 

R – De 1928.

 

P/1 – E onde que o senhor nasceu?

 

R – Eu nasci na Ilha Bela.

 

P/1 –Ilha Bela, então aqui no Estado de São Paulo. O senhor poderia dizer pra gente porque dessa diferença do dia 5 pro dia 21, pra começar?

 

R – Segundo meu pai, eles costumavam atrasar no registro e como atrasou não podia registrar com data de 5 porque ia ter multa, então passou pra 21.

 

P/1 – Passou pro dia 21. Era uma coisa relativamente comum né?

 

R – É.

 

P/1 – Bom, segundo seu pai. Então eu pergunto pro senhor o nome do seu pai.

 

R – Falecido, Celestino Augusto de Oliveira.

 

P/1 – Celestino Augusto?

 

R – De Oliveira.

 

P/1 – O senhor se recorda da data de nascimento dele? Não? O seu pai era o quê? Qual atividade dele?

 

R – Era comerciante, dono de um estabelecimento lá na Ilha Bela.

 

P/1 – Comerciante mesmo?

 

R – É. 

 

P/1 – E ele nasceu na Ilha Bela mesmo?

 

R – Nasceu na Ilha Bela.

 

P/1 – Então made in Ilha Bela. E da mãe do senhor?

 

R – Ernestina Gaia de Oliveira.

 

P/1 – A data de nascimento dela o senhor... Ela também era de Ilha Bela?

 

R – Também de lá.

 

P/1 – De Ilha Bela, família inteira?

 

R – A família inteira, só meu filho não.

 

P/1 – Santista. Atividade da mãe do senhor?

 

R – Doméstica.

 

P/1 – Dona de casa. O senhor tinha irmãos? Quantos irmãos o senhor tinha?

 

R – Eu tinha.

 

P/1 – Ou tem, né?

 

R – Eu tinha dois irmãos, os dois já faleceram.

 

P/1 – Dois irmãos?

 

R – É. Só que um deles era só por parte de pai, né.

 

P/1 – Meio irmão. Eu tenho duas tias assim.

 

R – Meu pai casou com duas irmãs.

 

P/1 – Interessante.

 

R – Tinha a minha mãe e a minha tia.

 

P/1 – Olha só! Bom, mas de qualquer maneira, dois irmãos?

 

R – Dois irmãos.

 

P/1 – O senhor é casado?

 

R – Sou casado.

 

P/1 – Qual o nome da sua esposa?

 

R – Marina Vaz de Oliveira.

 

P/1 – O senhor sabe a data de nascimento dela?

 

R – Vinte e um de setembro de 1927.

 

P/1 – Ela nasceu em?

 

R – Ela nasceu aqui em Santos.

 

P/1 – Em Santos. Ela tem alguma atividade profissional?

 

R – Não, doméstica.

 

P/1 – Então só dona de casa. O senhor tem filhos?

 

R – Tenho, um.

 

P/1 – O nome e a data de nascimento?

 

R – Gilson Vaz de Oliveira.

 

P/1 – Gilson Vaz de Oliveira. O aniversário?

 

R – Vinte e um de agosto, eu não lembro o ano. Agora com 40 anos.

 

P/1 – Se o senhor não recordar com precisão não tem problema, depois o senhor pode passar essa informação pra gente?

 

R – Ah, é? Então depois eu passo.

 

P/1 – Aliás o que o senhor não lembrar e souber depois, o senhor pode passar depois. Atividade dos filhos ou do filho?

 

R – Meu filho é engenheiro.

 

P/1 – Engenheiro. Então agora voltamos a falar sobre o senhor, sua formação escolar. O senhor estudou até superior, 2º grau?

 

R – Eu estudei até o 4º ano, depois eu fiz curso em São Paulo onde eu trabalhei, né. Eu fiz curso em São Paulo.

 

P/1 – Tá, então seria o ginásio?

 

R – Ginásio.

 

P/1 – E esses cursos que o senhor fez eram técnicos?

 

R – Era inglês, era técnico. Na própria empresa nós íamos levar o pessoal até o Rio de Janeiro, por exemplo, até outro lugar e fazia...

 

P/1 – E fazia os cursos de treinamento?

 

R – É.

 

P/1 – Religião, o senhor tem?

 

R – Católica.

 

P/1 – Atividade profissional do senhor, esses cursos que o senhor trabalhava?

 

R – Eu, com 15 anos, comecei a trabalhar nessa firma em São Paulo, Iniciais do Brasil. E depois vim trabalhar no Santos, depois que eu me aposentei. Entrei no meu primeiro emprego e me aposentei lá.

 

P/1- E nessa firma o senhor trabalhava como, qual era atividade do senhor lá, a função?

 

R – Eu comecei de calça curta, varrendo a calçada.

 

P/1 – Ah, então eu vou fazer o seguinte, tem um outro campo aqui que é trajetória profissional, então nesse campo o senhor conta essa "histórinha" pra gente. Depois eu preencho esse campo que ficou pra trás aqui. O seu primeiro emprego como é que foi, nessa coisa do senhor...?

 

R – O primeiro foi lá na firma, eles faziam uma 25 anos, eles faziam...

 

P/1 – Ah, então é uma...?

 

R – Tem bastante coisa aí, eu não me lembro bem das coisas mas aí tá...

 

P/1 – Aqui tem um histórico então do senhor nessa empresa. E qual era o nome dessa...?

 

R – N C R do Brasil.

 

P/1 – N C R do Brasil?

 

R – É, antiga marca registradora National.

 

P/1 – Ah, sei. Bem que não me é estranho N C R, eu já devo ter ouvido falar em algum lugar, eu conheço até. Eu vou usar pra preencher esse campo da história do senhor. Então, quando o senhor veio pro Santos? Agora vamos começar a falar do Santos.

 

R – Em 1975, foi quando eu me aposentei. Sempre fui do Santos.

 

P/1 – Como sócio?

 

R – Como sócio.

 

P/1 – Qual era a sua participação?

 

R – Acho que você pode encontrar aí também. Minha assinatura oficial tem um peixinho.

 

P/1 –É verdade, como que surgiu esse peixe na assinatura do senhor?

 

R – Isso faz, eu tenho carteira de identidade antiga toda vida e já tinha esse peixinho.

 

P/1 – O senhor sempre foi santista?

 

R – Ah, sempre.

 

P/1 – E o peixe apareceu na assinatura?

 

R – Eu fiz uma assinatura com o peixe, no próprio RG tem.

 

P/1 – Tem o peixe do Santos? Ah, essa eu quero ver. E é intencional isso, ou não?

 

R – Como?

 

P/1 – O senhor fez um peixe por causa do Santos Futebol Clube?

 

R – Porque eu gosto do Santos.

 

P/1 – Quer dizer que o senhor tem na assinatura do senhor o peixe do Santos?

 

R – Do Santos.

 

P/1 – Como é que o senhor teve essa idéia?

 

R – Já faz tanto tempo, né.

 

P/1 – E as pessoas percebem isso?

 

R – Percebem.

 

P/1 – Ou nem chegam a perceber?

 

R – Não, percebem.

 

P/1 – Tem alguma história curiosa de alguém que percebeu e: “Ô! Tem um peixe na sua assinatura!”?

 

R – Não tem não. Mas toda assinatura leva o peixinho.

 

P/1 – Bom, então o senhor, voltando, chegou ao Santos em 1975?

 

R – Em 75 pra trabalhar pelo Santos, né, como Diretor. Depois como funcionário, mas eu estava no Santos como sócio desde 48, 1948.

 

P/1 – Desde 1948, então, o senhor é sócio do Santos?

 

R – Isso.

 

P/1 – Aí em 1975 o senhor chega ao Santos fazendo o quê? Qual é a sua primeira função aqui no clube?

 

R – A primeira função aqui, como Diretor das Manhãs Esportivas. Manhãs Esportivas era uma programação do Santos anual, pra fazer os times dos garotos, né? Então, domingo de manhã vinha jogar aqui, vinham os garotos jogar e tal. Saíram muitos garotos.

 

P/1 – Esses garotos... Mas eram garotos das equipes interiores, pessoas que vinham?

 

R – Não, não pessoas de fora que vinha aí. Vinha pai e mãe, vinham assistir, a família toda.

 

P/1 – E onde é que era isso, aqui no próprio campo?

 

R – É, começou aqui no próprio campo, né.

 

P/1 – No estádio da Vila Belmiro?

 

R – Isso. 

 

P/1 – E depois acabou sendo transferido pra um outro lugar?

 

R – Não, depois eu fiz, eu saí do Santos. Era Diretor, depois eu saí, não lembro mais quando, e fiz na Portuguesa também, fiz uma vez só.

 

P/1 – Portuguesa Santista. O senhor fez essa, teve essa mesma iniciativa lá.

 

R – Isso.

 

P/1 – Essa iniciativa já existia aqui no Santos, quando o senhor chegou?

 

R – Já, Manhãs Esportivas sempre teve.

 

P/1 – Sempre teve. O senhor lembra mais ou menos desde quando? Como que era o trabalho? Ah, tá. Tem aqui um diploma do Santos Futebol Clube que confere ao colaborador Antônio Gaia de Oliveira por sua participação no meio esportivo legalizado, no ano de 1978. Então já existia em 75. Em 78 ainda existia?

 

R – Não, existia antes de 75. Em 75 é que eu me aposentei e vim, eu morava aqui do lado e sempre... Só que durante o dia não dava pra ter ligação nenhuma com o Santos, porque eu trabalhava em São Paulo, né? Morava aqui e trabalhava lá. Então no sábado e no domingo dava pra fazer aí Manhã Esportiva e tal. E depois de 75 então é que eu me aposentei, vim trabalhar aqui no Santos e aí tem o resto da história toda.

 

P/1 – Essa é uma revista do Santos?

 

R – É do Santos.

 

P/1 – Santos Futebol Clube. Queria dar uma olhadinha depois.

 

R – Se quiser levar também, pode levar.

 

P/1 – Tá, então, já que é muita coisa, depois a gente vai poder pegar por aqui?

 

R – Depois que você pegar isso aí, se precisar de alguma coisa, aí você me fala.

 

P/1 – Tá jóia. Então vou fazer o seguinte, finalizar então só essa ficha de cadastro pra gente começar.

 

R – Eu fui Vice Presidente do Santos.

 

P/1 – O senhor foi Vice Presidente do Santos?

 

R – Junto com Modesto Roma.

 

P/1 – Bom, então o senhor começou por Diretor das Manhãs Esportivas em 1975, depois o senhor se afastou um pouco, aí quando o senhor retorna?

 

R – Me afastei, não. Fui Diretor, depois eu fui o Vice Presidente junto com o Modesto Roma. O Modesto Roma era o Presidente.

 

P/1 – Isso em?

 

R – Acho que 75, aqui deve ter.

 

P/1 – Hum, tá jóia. É 75, em 75 mesmo, junto com Modesto Roma. Desde então?

 

R – Aí depois em 78 nós participamos aí de uma campanha com o Rubens Quintas. Ele me pediu que eu ficasse como Coordenador Administrativo. Aí também consta.

 

P/1 – E aí desde então o senhor ocupa esse cargo?

 

R – Na diretoria do Rubens Quintas eu não fui Diretor, eu fui funcionário.

 

P/1 – Tá jóia. Nas outras o senhor foi?

 

R – Diretor.

 

P/1 – Permaneceu como Diretor Administrativo, tá jóia. Bom, o senhor já morou em alguma outra cidade, voltando então, analisando a ficha, que não seja Santos?

 

R – Eu morei quando eu fui trabalhar em São Paulo na N C R do Brasil, eu mudei pra lá, né. Depois casei e mudei aqui pra Santos. Acho que fiquei pouco tempo, porque minha senhora não acostumou em São Paulo. Aliás, eu casei e fui pra São Paulo, morar em São Paulo, mas ela não acostumou, então passei a viajar todo dia. No fim você encontrava com pessoas num dia, no outro dia quase que as mesmas pessoas. Tinha quase que ônibus completo que viajava pra São Paulo.

 

P/1 – Ah, era de ônibus a viagem?

 

R – De ônibus.

 

P/1 – E eram viagens muito cansativas?

 

R – Não, não. Muitas vezes eu saí daqui, encrencava o ônibus, esperava, descia do ônibus pegava outro sem problema nenhum. O único problema que eu tive, que eu lembro bem, é que o trânsito em São Paulo muitas vezes você não conseguia nem chegar na... Eu trabalhava na Avenida Ipiranga com a São João, no centro da cidade.

 

P/1 – Bem no centro.

 

R – Não conseguia chegar lá. Então eu voltava pra Santos só ia no dia seguinte.

 

P/1 – Não conseguia chegar?

 

R – Chegar no local.

 

P/1 – Ficava parado na periferia.

 

R – O trânsito era péssimo.

 

P/1 – E tinha que acordar muito cedo pra viajar pra Santos?

 

R – Pegava um ônibus de 6:25, se não me engano.

 

P/1 – Era 6:25 na rodoviária?

 

R – Não, não tinha rodoviária. Era aqui na Praça Mauá, em frente a Prefeitura.

 

P/1 – Os ônibus saíam dali?

 

R – Saíam dali. Alguns dali, outros da Praça Rui Barbosa, mas eu pegava o Expresso Brasileiro que saía dali.

 

P/1 – E era a mesma viagem que os jogadores tinham que fazer quando tinha jogo em São Paulo, em dia de jogo?

 

R – É.

 

P/1 – Já houve casos de jogadores não conseguirem chegar no estádio, porque o trânsito tava complicado?

 

R – Não, porque os jogadores, normalmente, eles dormem em São Paulo, né. Ou dormem em São Paulo, ou dormiam na Chácara Nicolau Mouran, que é ali na Via Anchieta, né. Então dali até São Paulo é bem mais fácil.

 

P/1 – Então o senhor não sabe...?

 

R – A única coisa que aconteceu aqui no Santos foi... O Santos concentrava ali na Chácara, na Via Anchieta, né. Quando vinha jogar aqui, também concentrava.

 

P/1 – Concentrava lá?

 

R – É, um dia nós jogamos contra o Vasco e houve um problema na estrada. A delegação não chegava. Quase que o Santos perde os pontos no seu campo mesmo.

 

P/1 – Olha só, WO?

 

R – É.

 

P/1 – O senhor se lembra quando foi isso?

 

R – Ah, faz muito tempo, faz tanto tempo.

 

P/1 – E não conseguia chegar por quê?

 

R – Problema de trânsito, problema de acidente né.

 

P/1 - Na serra?

 

R – É, porque aí na serra, a pouco tempo, eu viajava com Santos, agora não estou viajando mais, mas eu viajava pra... Nós viajamos pra Argentina. Deu mais ou menos 2 horas até São Paulo e de São Paulo aqui deu 6 horas.

 

P/1 – É mole? Bom, fora, continuando a deixa aqui então... Fora São Paulo, nenhuma outra cidade o senhor chegou a residir, morar?

 

R – Na Ilha Bela, onde eu nasci.

 

P/1 – O senhor deixou a Ilha Bela com quantos anos?

 

R – Nasci em 28, 14 anos eu vim pra cá, em 42 se não me engano.

 

P/1 – Em 42?

 

R – Em 1942. Nasci em 28, com 14 anos.

 

P/1 – E você veio sozinho, você veio direto pra Santos, ou veio com seus pais?

 

R – Eu vim com meus pais.

 

P/1 – Seus pais se mudaram pra cá. O senhor se recorda por que seu pai, sua mãe resolveram...?

 

R – Justamente por causa dos filhos, né. Pra dá um lugar melhor, estudo melhor.

 

P/1 – Ah, sei.

 

R – Mas depois eles não, principalmente meu pai, não se acostumou aqui, foi embora, teve que voltar pra lá. Aí fiquei morando com a minha irmã.

 

P/1 – Então Santos, Ilha Bela e São Paulo?

 

R – Santos, Ilha Bela e São Paulo. Não teve mais nada.

 

P/1 – O senhor, tem outras atividades associativas? Além de sócio do Santos é sócio de algum outro clube, de sindicato, ou organizações religiosas?

 

R – Não.

 

P/1 – Nada. É sócio do clube desde 48, um dos mais antigos aí, com certeza. O senhor tem o número da sua carteirinha, o senhor sabe qual é?

 

R – Isso devo ter.

 

P/1 – Vamos ver essa curiosidade. Em 1948 o estádio ainda era de madeira né, as arquibancadas?

 

R – O tempo que eu estive aí, esse pedaço era de madeira, aliás acho que o estádio todo era de madeira.

 

P/1 – As arquibancadas?

 

R – Aqui era a social. Aqui atrás onde hoje tem esse escritório, tem outras coisas, era um local pra, acho que basquete. Basquete não, era voleibol. Uma quadra que tinha aí.

 

P/1 – De vôlei? 

 

R – É.

 

P/1 – Santos Futebol Clube, sócio número 1443. Tá aí. O senhor faz idéia de que número está essa numeração hoje?

 

R – Não sei.

 

P/1 – Passando aí dos 10 mil?

 

R – Ah, deve tá mais, bem mais.

 

P/1 – Bem mais, né. O senhor tem atividade de lazer?

 

R – Não dá tempo.

 

P/1 – Mas, nos tempos?

 

R – Não.

 

P/1 – Nada? O senhor não tem nada pra fazer? O senhor faz o que, vai pra praia?

 

R – Não. Eu, quando eu ia, em Santos por exemplo, quando eu era bem mais moço eu jogava futebol, naquele time que tinha fotografia aí. E quando eu trabalhava em São Paulo e nós viemos morar em Santos, eu viajava de Segunda a Sexta. No Sábado eu voltava lá pra jogar futebol.

 

P/1 – Em São Paulo?

 

R – Em São Paulo.

 

P/1 – Nossa, gostava mesmo. Gostava e trabalhando até hoje nisso, né?

 

R – É.

 

P/1 – Gostava e gosta. Bom, a ficha já está preenchida, então eu queria que o senhor falasse um pouco agora coisas, né? Mais curiosidades, histórias que o senhor tem pra contar. O senhor se lembra de brincadeiras da sua infância, ou jogos? Como foi a sua infância em Ilha Bela?

 

R – Ilha Bela era mais a pescaria do que... Normalmente você ficava pescando, principalmente a noite né? Pescava, aquilo que pescava comia logo em seguida, ali na brincadeira. Pegava muito siri. "Picaré" era o nome.

 

P/1 – Como?

 

R – "Picaré", a rede. Então você punha aquela rede, puxava e tinha outro também que era o "cóvo" pra pegar, né. Você pegava uns três negócios lá, preparava os que fazia...

 

P/1  - A rede?

 

R – Não, não. É uma espécie de um cesto. Que o peixe entrava lá, mas não sai.

 

P/1 – Isso é feito de que?

 

R – Dentro do cesto você colocava pedaço de... Então o peixe via aquilo lá e entrava. Pra entrar era fácil, mas depois ele tinha uma frente assim que ele não conseguia sair né.

 

P/1 – Qual o nome?

 

R – "Cóvo".

 

P/1 – "Cóvo"?

 

R – É, e você jogava isso no meio do mar e marcava. Por exemplo, aqui você tá marcando ali a janela com aquele prédio lá, então você marcava assim pra saber onde estava. Se você deixasse uma bóia pra saber onde está, aí ia outra pessoa lá e pegava, pegava o peixe.

 

P/1 – Quer dizer tinha que deixar escondido?

 

R – Tinha que deixar escondido. Aí você jogava uma peça lá embaixo e quando pegava no picaré, você trazia pra cima e aí você via, mas dava bastante peixe. Mas tinha essas curiosidades, né. Que não podia deixar, porque não deixava uma bóia, qualquer coisa pra você saber onde é. Mas se deixa a bóia vai alguém lá e pega.

 

P/1 – Olha só! Então era brincadeira de pescador?

 

R – É.

 

P/1 – Brincadeira de pescador?

 

R – Amador né, não era profissional.

 

P/1 – Hoje o senhor pesca?

 

R – Não, hoje é daqui pra casa.

 

P/1 – Bom, e aí o senhor sai de Ilha Bela e chega aqui em Santos. E aí como foi essa mudança, se adaptou bem aqui em Santos?

 

R – Eu gostei, fui morar na Vila Matias, né. Perto da Rua Senador Feijó, hoje Joaquim Nabuco. Ali mesmo eu casei e depois aquilo que eu falei, fui morar em São Paulo e minha senhora não acostumou lá, então eu voltei pra Santos e comecei a viajar diariamente, pensando que eu era único que fazia isso. Não era, tava cheio. Aí depois você fazia brincadeiras, espécie de um clube, esses que viajavam todos dias.

 

P/1 – Quantas horas durava uma viagem dessa?

 

R – Uma hora e meia mais ou menos.

 

P/1 – Uma hora e meia?

 

R – Normalmente você já tinha um lugar reservado. Meu número na poltrona era 16. Então você chegava lá, no Expresso Brasileiro, já tava reservado. Em São Paulo a mesma coisa.

 

P/1 – E essas brincadeiras eram como, dentro do ônibus?

 

R – Não, brincadeiras normais. Alguma coisa, alguma piada, mas fora da viagem também tínhamos alguma atividade aí.

 

P/1 – Ah, então vocês se encontravam?

 

R – Nos encontravámos, nos encontrávamos. 

 

P/1 - Bom, então, voltando, o senhor tava falando sobre as brincadeiras que eram feitas com o pessoal que viajava aí pra São Paulo, elas eram feitas lá em São Paulo ou aqui?

 

R – Não, sempre aqui, tudo aqui. Eu só morava aqui.

 

P/1 – Isso de final de semana?

 

R – Isso. Eu ia pra São Paulo pra trabalhar, nós íamos em São Paulo pra trabalhar.

 

P/1 – E voltava?

 

R – A volta não tinha, nós não conseguíamos fazer a mesma coisa que fazíamos aqui em Santos, né. Porque lá já era maior, tinha mais movimento, mas sempre tinha uma preferência pra nós que viajamos todo dia.

 

P/ 1- Ah, tá certo. Bom, então vamos fazer o seguinte, vamos dar um salto no tempo aí, falar um pouco do Santos. O senhor chegou aqui em 1975, pra Diretor aqui das Manhãs Esportivas?

 

R – Não, Manhãs Esportivas foi antes, né? Em 75 eu vim como Diretor pra...

 

P/1 – O senhor disse que em 75 o senhor...

 

R – É, em 75 eu me aposentei, passei a morar aqui em Santos o tempo todo. Aí houve a Manhã Esportiva.

 

P/1 – Durante quantos anos o senhor viajou pra São Paulo?

 

R – Trinta e dois anos.

 

P/1 – Todos os dias?

 

R – Todos os dias, menos aos sábados. Não, Sábado eu tirei pra jogar.

 

P/1 – Trinta e dois anos. E nessas viagens que o senhor fazia dava tempo de... Aos sábados que o senhor subia e tivesse um jogo do Santos lá, ia assistir? Tem alguma história que o senhor tenha saído daqui ido pra um Sábado assistir algum jogo?

 

R – Durante a semana eu ficava lá, pra assistir jogos. Quando o Santos jogava a noite, né?

 

P/1 – Ah, verdade?

 

R – Agora, o Santos não tinha a torcida que tem hoje.

 

P/1 – Não tinha?

 

R – Não, tanto que você, eu tava lá sozinho e se eu fosse gritar lá alguma coisa a favor do Santos eu podia até apanhar.

 

P/1 – Ah, é verdade? Tinha que torcer quieto?

 

R – Torcer quieto.

 

P/1 – E sofre mais quem torce quieto?

 

R – Ah, sempre torce, né! Quando dá um grito você espalha alguma coisa.

 

P/1 – O senhor lembra de algum jogo em particular, desse que o senhor tenha descido durante a semana e no dia seguinte chegado pra esposa do senhor e dito: “Pô, assisti o jogo ontem e foi um jogaço!”?

 

R – Ah, lembrar sobre isso aí, não lembro.

 

P/1 – Não lembra?

 

R – Não. Eu assisti todos os jogos do Santos, em São Paulo.

 

P/1 – Durante esses 35 anos?

 

R – Durante os 35 anos.

 

P/1 – Então o senhor assistia o jogo. Tem muita coisa pra lembrar também.

 

R – Você esquece também.

 

P/1 – Quando foi o ultimo jogo que o senhor assistiu, aí em Santos ou aqui ou lá na Vila? Ou aqui não, ou aqui na Vila ou então lá em São Paulo?

 

R – Você diz agora?

 

P/1- É, qual foi o jogo mais recente que o senhor assistiu?

 

R – Foi Santos e Vasco, né? Que o Santos perdeu.

 

P/1 – Santos e Vasco?

 

R – Santos e Vasco.

 

P/1 - Empatamos com o Santos?

 

R – Empatamos.

 

P/1 – Foi esse que o senhor assistiu. E do Santos em São Paulo o senhor se recorda qual foi o ultimo que o senhor chegou a ver em estádio?

 

R – Infelizmente foi Santos e Corinthians.

 

P/1 – Santos e Corinthians. Infelizmente por quê?

 

R – Ah, porque Santos perdeu né.

 

P/1 – Como é que foi esse jogo?

 

R – Um daqueles jogos que fazia Santos e Corinthians entre os dois. Dois jogos pra decidir quem continuava, quem descia, e o Corinthians eliminou o Santos.

 

P/1 – Sul Brasileiro de 98?

 

R – É, 98.

 

P/1 - Então o senhor está assistindo os jogos do Santos há mais de 40, bem mais de 40 anos?

 

R – Eu assisti antes de ser Diretor, trabalhar aqui com Manhã Esportiva e tudo. Eu sempre assisti atrás do gol. Que ali o Santos tinha aquela linha com Pelé e Claudio Pagão que jogou bola comigo, o Coutinho então eu ficava atrás do gol pra...

 

P/1 – Com certeza sairia. É isso mesmo, com certeza ia sair um gol. E o pessoal fazia muito gol?

 

R – Ah, fazia. O Pelé então! Pelé, Coutinho, Coutinho dentro da área ele era...

 

P/1 – O senhor se recorda de algum gol que o senhor tenha visto do Pelé que não te saia da memória, que fala: “Esse gol nunca vou esquecer!”?

 

R – Eu acho que o Pelé, todos os gols que ele fazia eram bonitos. Não sei se .... Gostava muito dele e tal, mas ele era único. Se tivesse jogando hoje também não sei se ele faria o que ele fazia antes, porque hoje tá um futebol muito violento.

 

P/1 – Ah, o senhor acha?

 

R – Eu acho. Embora o Pelé não era jogador de se esconder não. Ele, quando precisava dar, ele dava também.

 

P/1 – Ah, é verdade?

 

R – É.

 

P/1 – Se precisasse entrar um pouquinho mais forte... O senhor chegou a presenciar uma desforra do Pelé?

 

R – Eu lembro que foi em São Paulo, eu não lembro contra quem foi, mas me parece que foi um clube estrangeiro. Ele tirou o cara de campo...

 

P/1 – Tirou o cara de campo. Mas ele entrou por trás, o senhor se recorda?

 

R – Não, esse jogo eu não tava nem assistindo, eu tava escutando, né? Eu não sei onde ele estava.

 

P/1 – Aí, tirou o cara de campo?

 

R – O cara saiu. Não, ele não tinha medo. O Pagão já era diferente, né? O Pagão era magrinho e tal, ele sabia jogar muito, mas não era jogador violento. Não igual ao Coutinho, ao Pelé.

 

P/1 – Nesse jogo o senhor disse que o Pelé tirou o jogador do jogo. Ele foi expulso ou não?

 

R – Não.

 

P/1 – O senhor, de cabeça o senhor sabe de alguma vez que o Pelé chegou a ser expulso de campo? Houve alguma vez, o senhor se recorda?

 

R – Não lembro. O Pelé ser expulso não, mas me parece que houve, né, mas fora do país.

 

P/1 – Fora do país?

 

 R – Fora do país.

 

 P/1 – Aqui na Vila Belmiro pelo menos...

 

R – Aqui não, que eu lembre não.

 

P/1 – Deveria ser um exemplo, o time tinha que ficar contente com o adversário. Bom, então o senhor chega em 75 aqui em Santos, pra trabalhar no Santos como Diretor das Manhãs Esportivas. Conta um pouco dessa experiência pra gente, como é que era a idéia dessas Manhãs Esportivas? O senhor já falou um pouquinho, mas eu queria aprofundar um pouquinho mais. Como que era, quem é que vinha e como é que foi essa experiência de "tá" dirigindo?

 

R – Isso era um futebol de crianças, né? Eu nem me lembro mais, mas parece que era 12 anos, 14 anos, uma coisa assim. E você já fazia esses jogos, tinha uns clubes, cada clube tinha um nome, eu não lembro mais nenhum deles, com homenagem a alguém. Eu sei que cada clube é um nome. Então você tinha os responsáveis pelo clube, né, mas no dia do jogo você tava aí com a família toda dos garotos, um negócio bacana toda vida! Tinha aquele, só tinha aquele bar ali em frente, aqui não tinha, só tinha um bar lá, ali enchia de pessoas pra assistir, que vinham participar. 

 

P/1 – E era pra o fim de um campeonato?

 

R – É, depois do fim de um torneio eram escolhidos os melhores jogadores. E eu não lembro agora também, mas tem muitos jogadores que depois passaram a ser oficializados no Santos Futebol Clube e vieram da Manhã Esportiva, passaram ao Departamento Amador.

 

P/1 – Ah, então quer dizer que serviam assim como um...?

 

R – Servia e servia bastante, né? Tinha muitos garotos que...

 

P/1 – Funcionava como uma peneira, uma espécie de um peneira?

 

R – É, uma peneira. Não me lembro mais a idade, mas me parece que era de 12 anos pra trás, né, 12, 14. Acho que é 12 anos. Eu sei que eram garotos que não estavam jogando aqui no Santos e depois disso ficava aí algum Diretor e tal, um guia dos jogadores, né? Nós mesmos ficávamos lá dentro do campo informando um guia, um daqueles melhores. Mas o Santos... Tiveram vários jogadores que passaram para o amador, depois eu acredito que até pro cargo profissional.

 

P/1 – É uma questão de ir atrás das informações?

 

R – É.

 

P/1 – Bom, agora falando dessa experiência como Vice Presidente. O que o senhor tem pra contar?

 

R – Não, Vice Presidente eu trabalhei...

 

P/1 – Entre que ano, qual foi o período que o senhor chegou a ser Vice Presidente do Santos? O senhor se lembra de algum título que o clube tenha conquistado nesse período, alguma coisa que tenha marcado?

 

R – Em 75 mesmo. Em 75 um convite do Alberto Roma e acho como Vice Presidente. Mais de futebol do que de outra... Porque a outra parte ele mesmo se encarregava, ele fazia tudo, né?

 

P/1 – Ah, é?

 

R – É, e no mais no futebol eu que atendia. Nessa época eu fiquei mais de um mês lá no Norte acompanhando a equipe dele, equipe de profissionais.

 

P/1 – Numa excursão que foi realizada?

 

R – Numa excursão que foi realizada lá no Maranhão.

 

P/1 – E alguma coisa nessa excursão que o senhor se recorda? O Santos foi vitorioso nessa excursão, ganhou larga de jogos?

 

R – Não ganhou a maioria, mas teve uma participação muito boa.

 

P/1 – Então não ganhou a maioria?

 

R – Não, a maioria dos jogos não, né?

 

P/1 – E como era o time do Santos nessa época?

 

R – Quem era?

 

P/1 – Como que era? Era um bom time na avaliação do senhor?

 

R – Ah, era um bom time.

 

P/1 – Já é um pouco aquele Santos que vai ganhar em 78, ou houve muitas mudanças de 75 pra 78? Trocaram muitos jogadores ou o time de 75 já é...?

 

R – Todo ano troca, né? Então você, aquele negócio: quando chega no fim do ano você troca um monte de jogadores.

 

P/1 – Ah, desde aquela época então era assim?

 

R – Sempre foi assim, chega no fim do ano você substitui bastante né, mas eu fiquei lá, eu era o chefe da delegação e acompanhava com eles lá, direitinho. Fiquei lá um tempo bom.

 

P/1 – No Maranhão. Bom, então a gente já falou...?

 

R – Depois não sei o que houve que eu pedi a minha demissão de lá. Tinha um Diretor aqui, não sei, eu já nem lembro o nome dele e eu me aborreci e pedi demissão lá. Mandei uma correspondência de lá, pro Roma, e pedi demissão.

 

P/1 – Ah, você se demitiu a distância?

 

R – Aí depois então é que apareceu aquela turma, do Rubens Quinta. Aí nós voltamos a participar de uma eleição, aí e eu fiquei como funcionário.

 

P/1 – E não se afastou do Santos desde então?

 

R – Não, naquela época que eu pedi demissão foram poucos meses.

 

P/1 – Ficou afastado um pouco, depois voltou com o Quinta e permaneceu até hoje?

 

R – Até hoje.

 

P/1 – Agora o senhor tá dizendo, a gente queria falar do seu lado torcedor. Queria falar um pouquinho mais... De todos os títulos que o Santos conquistou, qual que o senhor acha que foi mais importante ou qual que te deu mais alegria como torcedor do Santos?

 

R – O Santos na época que esteve aí com aquele timão com Pelé, com aquela turma toda, ele ganhava a maioria dos jogos, né? E eu nunca cheguei a viajar junto com a delegação, porque eu nem tava aí, mas acompanhava bastante o Santos. Aquele negócio que eu falei de ficar atrás do gol era justamente por isso, pra eu assistir essa linha fazendo o gol ali, porque o Pelé você dá a impressão que ele tava chutando fora, daqui a pouco a bola entrava.

 

P/1 – Chute mágico. E entre os títulos recentes do Santos, aí já torcedor e administrador do Clube, qual que te deu mais alegria assim?

 

R – Todos eles me dão muita alegria. Esse último que o Santos teve no Rio, né, só não fui porque estava doente. Não pude ir lá assistir o jogo, mas fui convidado e tal. Mas qualquer coisa do Santos... E na minha casa ninguém era do Santos, né? Eram todos do Jabaquara porque são espanhóis.

 

P/1 – Ah, é verdade! O senhor sai de Ilha Bela torcendo pra que time?

 

R – Já pro Santos.

 

P/1 – Já pro Santos. E quem era do Jabaquara?

 

R – Na minha casa todos eles, né? Minha mulher, minhas cunhadas. Depois todos eles passaram pro Santos, passaram a torcer pro Santos. A minha mulher de uma forma então que ela, se você tá vendo o jogo do Santos na televisão ela não assisti porque ela não consegue. Pra mim, se eu não vejo fico nervoso, ela é ao contrário, ela que fica nervosa, ela fica nervosa se vê.

 

P/1 – Olha só!

 

R – De vez em quando ela vem comigo assistir, tem cadeira aí também, mas fica às vezes, olha o jogo, vira. Todos os netos, os dois netos que eu tenho são todos eles de Santos né.

 

P/1 – E a família do senhor então se converte ao Santos antes ou depois? Como? Por causa do senhor ou foi antes da... o Jabaquara existe ainda?

 

R – O Jabaquara existe, mas não tá disputando mais...

 

P/1 – E como é que foi isso, antes mesmo...?

 

R – Logo que eu casei eles mudaram.

 

P/1 – Todo mundo mudou?

 

R – Todo mundo mudou.

 

P/1 O senhor levou então, arrebanhou algumas...?

 

R – Levei até os cunhados. Ainda se fosse minha esposa, não, tá junto ali, mas até os cunhados passaram a torcer pelo Santos. Nessa época do Pelé aqui, era um negócio bom, porque você ia assistir o jogo em São Paulo já sabia que ia ganhar, né? Essa que era a vantagem.

 

P/1 – Tranquilizava?

 

R – Tranquilizava. Não adiantava o adversário fazer dois, três, porque eles faziam quanto eles queriam, né? Quanto precisassem eles faziam.

 

P/1 – Até virar o jogo?

 

R – É por isso que eu digo Pelé... (Pausa)

 

P/1 – Retornando aqui então após a breve interrupção. O Santos do Pelé era uma coisa assim, Pelé aquela linha de frente toda era uma coisa mágica, já sabia que ia ganhar?

 

R – Eu acho que poucas vezes eles deixavam você chateado, né? Que perdiam um jogo e tal. A maioria era vitória, né, naqueles jogos que iam pra fora do país, Portugal, Espanha, aqui no Brasil todo, por todo lado. É, o Pelé principalmente, o Pelé sempre foi um grande jogador. O Pelé tinha, não era só ele não, até acho que pro bem dele ainda tinha bons jogadores que é o caso do Coutinho, o caso do Pagão, do Pepe, ponta esquerda, Ladário era um bom jogador.

 

P/1 – A linha de frente?

 

R – A linha de frente.

 

P/1 – Não tinha adversário pra ele?

 

R – Não, não tinha adversário pra ele.

 

P/1 – O senhor se lembra de algum jogo que tenha sido muito difícil do Santos ganhar?

 

R – Aqui passa tanta coisa de futebol, que a gente acaba esquecendo aquelas coisas do passado. Pra mim lembrar eu preciso ficar pensando em casa, escrever, se não eu não consigo.

 

P/1 – O senhor tem costume de escrever sobre jogos, sobre as coisas que o senhor já assistiu?

 

R – Não.

 

P/1 – Como o senhor falou uma hora que escrevia?

 

R – Não, não tenho não. Até me arrependi porque eu deveria ter feito das viagens que eu fiz e tudo, né? Escrever alguma coisa sobre isso. Eu viajei muito dentro do país, fora do país.

 

P/1 – Com o Santos?

 

R – Com o Santos.

 

P/1 – Então como o senhor se sente agora, dando essa entrevista pra gente e sabendo que uma pequena contribuição, por menor que seja, o senhor vai poder dar pro Museu do Santos Futebol Clube?

 

R – Não, eu fico satisfeito principalmente se tratando do Museu do Santos Futebol Clube. É o que eu disse: infelizmente eu não... Tem muita gente que na hora, eu tenho escutado aí na Rádio o Milton Neves, o homem ele lembra de coisas que aconteceram há bastante tempo. Não sei se antes do programa ele relembra e depois fala, mas eu precisaria, se eu ficar em casa sossegado e tentando lembrar das coisas, eu lembro. Mas fora disso não, você acaba esquecendo muitas coisas, porque, você vê aqu,i negócio todo é futebol, então tem aqui escalações. O Santos foi jogar num lugar agora, ninguém sabia onde era, precisava "vê" quem vai jogar, quem não vai jogar, o que é por conta deles aí, viagem. Isso tudo depois quando eles voltam você tem que fazer, as relações. Então isso tudo aí você lembra mais o presente do que o passado.

 

P/1 – Mas o trabalho que o senhor "tá" fazendo hoje garante que o Santos continue seguindo né, jogando, disputando as partidas, os campeonatos, fazendo as viagens. Também é extremamente importante.

 

R – Ah, não tem dúvida! Uma colaboração profissional, mas é né.

 

P/1 – Como é que o senhor se sente fazendo essa história do Santos?

 

R – Ah, e me sinto muito bem, eu gosto muito do Santos. Iam me chamar aí: “Antônio, você precisa vim à noite” pra mim é uma satisfação, não digo não. Sempre que o Santos precisar eu "tô" as ordens.

 

P/1 – "Tá" jóia. Bom, então nós vamos encerrando a entrevista agradecendo ao senhor dizendo que o senhor revelou algumas coisas aqui muito legais, vamos utilizar mesmo a sua contribuição pra esse Museu. Pedimos pro senhor ir se despedindo de nós, falando um pouco dessa experiência de ser entrevistado, se o senhor quiser complementar mais alguma coisa.

 

R – Ah, eu quero agradecer primeiro de vocês lembrarem de mim aqui e vim aqui me procurar pra dizer alguma coisa. Eu, tudo que eu pude falar eu falei. É o que eu disse pra você, muitas coisas eu esqueço, quem sabe daqui a pouco, quando eu sair daqui, lembro de alguma coisa. Mas eu agradeço bastante e fico muito satisfeito de poder colaborar.

 

P/1 – Obrigado.

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