Busca avançada



Criar

História

Mais Tecnologia e Menos Esforço Físico

História de: Sérgio Luís Dias
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/12/2021

Sinopse

Funcionário concursado da Petrobras desde o ano de 1983, Sergio trabalha por 18 anos embarcado. Depois opta pelo trabalho em terra. Considera que a vida de petroleiro embarcado distancia a família e a criação dos filhos. Deseja que os filhos sigam seus passos e se tornem petroleiros também.

Tags

História completa

Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Sérgio Luís Dias Entrevistado por Inês Gouveia Macaé, 03 de junho de 2008 Entrevista MBAC_CB020 Transcrito por Luísa Lima Revisado por Valdir Canoso Portásio P/1 – Vou começar pedindo pra você falar seu nome, data de nascimento e o local onde você nasceu. R – Sim. Sérgio Luís Dias, nascido em 4 de setembro de 1957, na cidade de Campos dos Goytacazes. P/1 – Há quanto tempo você trabalha aqui na Petrobras, Sérgio? R – Trabalho há 25 anos, não é? Entrei dia 5 de outubro de 1983. Trabalhei embarcado por 18 anos e o restante dos anos aqui na sede, no ativo norte, é, UO-BC [Unidade de Operação da Bacia de Campos] intervenção em poços. P/1 – Você se lembra do seu primeiro dia de trabalho, quando você chegou? Foi aqui nessa região mesmo ou foi em algum outro lugar? R – Foi aqui mesmo. P/1 – E você se lembra de como foi? Como é que foi chegar aqui, ver e se sentir funcionário da Petrobras num primeiro dia de trabalho? Você pode descrever? R - É, quando eu vim, quando eu fiz o concurso, aí eu fui, fui aprovado, né? Aí vim pra participar de uma entrevista e logo após essa entrevista, 30 dias depois, aí eu comecei a embarcar na plataforma PCH1-SM5. P/1 – O que é que te fez fazer o concurso pra Petrobras? Qual foi a razão? R – É, a razão foi porque eu tinha um vínculo muito grande com o desejo de trabalhar numa empresa com uma estrutura como tem a Petrobras. P/1 – E você já conhecia alguém que trabalhava na Petrobras? R – Já. P/1 – E o que é que as pessoas te falavam sobre o trabalho aqui? R – É, sempre falavam bem, né? O lado bom da empresa, como é até hoje. P/1 – Você diz que trabalhou embarcado, né? R – Sim. P/1 – Trabalhou por 18 anos embarcado. Como é trabalhar embarcado? Você pode descrever um pouco pra gente? R – É, é uma vida, né... totalmente diferente daqui, em terra. A convivência, a família, a distância... a gente vive num ambiente confinado por 14 dias. O bom é que tem a folga. Agora, o período de 14 dias a bordo em alto mar... P/1 – Quando você entrou qual era a sua função? R – Auxiliar de plataforma. P/1 – E o que é que você fazia? R – Eu dava apoio às embarcações, recebia materiais, equipamentos, sondas de perfuração. P/1 – Quantas horas por dia se trabalha, na sua experiência, quantas horas por dia você trabalhava quando tava embarcado? R – Doze horas. O turno era 12 horas. Uma semana durante o dia, e outra,... a primeira semana durante o dia e a segunda à noite. Esse regime é até hoje. P/1 – Tem alguma atividade para distração, divertimento? Embora a jornada de trabalho seja longa, mas quando acaba o trabalho, o que é que as pessoas fazem? R – Sim, tem jogos, tem televisão, tem um vídeo cassete, etc. P/1 – E acontece alguma integração entre os funcionários que trabalham? Porque, né, embarcado, você fica tanto tempo junto com as mesmas pessoas. Como é que acontece isso? R – Sim, tem uma boa integração. P/1 Você conhece as pessoas que estão trabalhando junto com você? R – Sim. P/1 – Hoje, qual é a área que você trabalha, Sérgio? Você continua trabalhando embarcado? R – Não. Hoje trabalho em terra, trabalho numa área de intervenção em poços. Intervenção em poços é o seguinte: quando a produção do poço cai, é quando eu entro com uma equipe de trabalho. Aí apoio aqui em terra, aí é quando a equipe terceirizada entra com o coordenador da Petrobras... P/1 – Você deixou de trabalhar embarcado porque quis? R –Foi uma opção. Fui convidado pra vir dar um apoio aqui na área de alienação de equipamentos. Aqui em Macaé. Aí, eu vim, fiquei um ano. Depois tive a opção de retornar, só que, eu optei por ficar em terra e estou até hoje. P/1 – Como é que é a vida longe da família de quem trabalha embarcado? Nessa época você já era casado? R – Sim. P/1 – Então, como é que era essa relação, né, de ficar tanto tempo longe da família? R – Geralmente pra quem tem filhos, é mais difícil, você não vê seus filhos crescerem. Não dá aquela assistência devida, né? P/1 – Qual foi o maior desafio, Sérgio, que você viveu nesses 25 anos de Petrobras? O maior desafio que você pessoalmente tenha vivido nesses 25 anos de trabalho aqui? R – Meu desafio na empresa? P/1 – É, na sua vida profissional, o maior desafio. R - Na minha vida profissional foi quando eu trabalhei com numa gerência e, na época, consegui uma boa classificação dentro da empresa. E merecida. Não é o mesmo gerente da época. Gerente muda todo dia. Mas eu tenho um bom relacionamento com todas as gerências que passei até hoje. P/1 – Por que é que tem uma mudança grande de gerência? R – Isso vem lá de cima mesmo, né, dos altos escalões, vem do Rio de Janeiro. Aí há essa mudança. P/1 – E qual foi a maior dificuldade que você já viveu dentro da Petrobras nesses tantos anos de trabalho embarcado, qual foi a maior dificuldade que você viveu? R – As viagens nossas do dia a dia, folgas reduzidas, né? Eram 14 por 14. Então era muito reduzido. A tensão nesses voos era grande demais também. P/1 – Você deve ter contato com gente que vem do Brasil inteiro, né? R – Sim. P/1 – E como é... Aliás, até de fora do Brasil, né Sérgio? R – Sim. P/1 – Como é que é essa relação com esses trabalhadores? Como é que é essa troca de experiência com pessoas que são tão diferentes? R – As relações são boas. Porque nós temos convívio de dia a dia. Eles prestam muito serviço para nós aqui na Bacia de Campos. P/1 – Tem uma... R – Não só aqui na Bacia, né? Em toda a Petrobras. P/1 – Tem uma troca de conhecimento? R – Temos. P/1 – Culturas muito diferentes, né? De pessoas muito diferentes. R – Culturas diferentes, mas temos bons relacionamentos. P/1 – Você tem alguma história que seja engraçada, ou triste, mas que seja diferente? Alguma história que você se lembre, que te venha à cabeça, de tantos anos de trabalho? Alguma coisa que te marcou muito nesses anos todos? Uma história engraçada, ou uma história triste. R – Não, não. Que eu me lembre, assim... Que eu me lembre, não. P/1 – Mas, se até o final da entrevista você lembrar, fica à vontade pra contar. R – Tá ok. P/1 – Qual foi a fase de produção, aqui da Bacia de Campos, que foi mais marcante pra você? R – A fase de produção? P/1 – É, que você tenha percebido em relação à Bacia de Campos. R – Ah, à Bacia de Campos. Sim. O dia a dia. Tem havido muitas descobertas aqui na Bacia de Campos. A tecnologia também avançou, né? P/1 – Essa mudança de tecnologia, ela fez com que seu trabalho mudasse em alguma coisa? R – Sim. Fez. P/1 – Como? Qual foi a mudança? R – A mudança foi com relação aos desgastes físicos. Com novas tecnologias, os equipamentos, o pessoal se profissionalizando mais. Isso aí veio nos ajudar muito no dia a dia. P/1 – Houve algum momento, Sérgio, ao longo desses anos todos, que você tenha percebido ou pensado: "A Petrobras é uma empresa que realmente deu certo em Macaé”. Especificamente aqui, que é o lugar onde você trabalha, houve algum momento quando vocês que vivem aqui, vivenciam isso? R – Sim, a Petrobras é. Como eu te fa... P/1 – Mas, você se lembra de qual foi esse momento que você percebeu isso? R – Que eu percebi? É, desde quando eu entrei na empresa, que eu senti que houve a evolução, né? No dia a dia. P/1 – Quando você começou a trabalhar aqui, na bacia, especificamente, isso tudo aqui devia ser muito diferente, né? R – Sim. P/1 – Você se lembra, você pode contar pra gente como é que era essa organização aqui da Bacia de Campos? Sobretudo aqui de Macaé? R – Não entendi essa... P/1 – É... Tinham bem menos prédios, né? Mas, assim, como que era a... R –Tinham bem menos prédios, bem menos dependências. Hoje, o dia a dia é de obras. Nós temos muitas bases externas aqui dentro de Macaé, o número de funcionários cresceu muito. Concursos todos os dias. P/1 – Como que você vê, Sérgio, a Bacia de Campos num futuro? Quando você para pra pensar, como você imagina o futuro da Bacia de Campos? R A Bacia de Campos cresceu, né? Tá evoluindo muito com essas descobertas, grandes descobertas de poços. P/1 – Você saberia dizer pra gente o que é ser petroleiro? Sabe definir? O seu sentimento, na sua vida, o que é que é ser petroleiro? O que é que isso significa pra você? R – Pra mim significa explorar óleo e gás. P/1 – Mas, tem um sentimento especial? São 25 anos de profissão. R – Sim. P/1 – O senhor trocaria de profissão, por exemplo? R – Não. P/1 – O que é que é esse sentimento de trabalhar numa empresa como a Petrobras? R - É porque eu gosto de prestar serviço pra Petrobras... P/1 – E esse projeto de contar a história da Petrobras por meio dos trabalhadores, o que é que o senhor acha disso? R – Acho uma coisa muito importante. P/1 – Uma última pergunta: você tem filhos? R – Sim. P/1 – Gostaria que eles fossem petroleiros? R – Sim. P/1 – Por que motivo? R- Geralmente, o pai ou a mãe [risos] sempre puxam, tem, sempre tem um que vai pro lado do pai ou da mãe Então, eu acredito que eles tenham muita vontade. P/1 – Mas é uma empresa que você teria orgulho que eles trabalhassem? R – Sim. P/1 – Tá certo, obrigada. FIM DA ENTREVISTA
Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+