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História

Mãe presidente da Argentina

História de: Carla Ferrari
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/01/2018

Sinopse

A dona Terezinha foi a primeira na escola a enxergar o potencial de Carla. Sempre reforçava sua crença: “Você é muito inteligente!” Mais tarde, foi a vez da professora Gildete, que apoiava a participação da aluna nas olimpíadas de matemática: “Você pode, você ainda vai fazer mais!”; incentivos que na cabeça de criança não fazem tanto sentido, mas que, quando adulto, são avaliados como muito importantes e decisivos. Ainda bem que existiram pois a vida adulta pesou a mão no caminho de Carla, dando a ela o poder de decisão para qual lado das bifurcações seguir. Começando com as aprovações nos estágios (aí, novamente, a maturidade mais tarde avaliando a escolha como certa), seguindo mais tarde para o “sim” na proposta de mudança de país. Tanta gratidão só existe porque Carla reconhece a participação de cada pessoa na sua trajetória. E sua grandeza é facilmente reconhecida também por tantos, mas especialmente por Felipe, seu filho, que desde cedo enxerga o potencial da mãe. Numa temporada acompanhando a mãe a trabalho na Argentina, orgulhava-se: “Minha mãe é presidente da Argentina!”, revelando a importância da mulher, mãe e líder que, além de si, sabe cuidar de todos ao seu redor. Carla tem, sem dúvida, toda qualidade de uma presidente.


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História completa

Eu sempre fui muito falante, então, fazia amizade muito rápido! No colégio, sentia falta de estar ao lado da minha irmã; por isso, nos intervalos, ou ela ficava com meu grupinho ou a gente ficava com o dela, misturando os amigos! No segundo pré eu já não aguentava mais, queria ir pra primeira série, mas não tinha idade. Aí a minha professora, a dona Terezinha, falou que eu tinha condições, então fizeram uma solicitação pro Ministério da Educação, fiz uma prova e consegui: pulei pro primeiro ano! E como a minha irmã também já tinha idade, acabou pulando pro segundo! Eu sempre fui seguindo ela, mas sempre um ano atrás. No final, como ela fez Engenharia e eu Administração, a gente se formou no mesmo ano, pra terminar essa história do eu ir atrás dela nos estudos: acabamos nos alcançando!


Desde pequena eu fazia bolsas de plástico: cortava uns saquinhos, fazia dois furinhos em cada um e colocava uma alça de pano. E assinava papéis. Então na minha cabeça eu ia ser uma executiva que tinha bolsas diferentes e que assinava papéis! Ao terminar o colegial, fiz um ano de cursinho, pois estava na dúvida entre estudar História, Administração ou Marketing. Escolhi Administração, entrei no Mackenzie e, desde o primeiro ano, fui procurar estágio. Eu precisava decidir: “Tenho que ver se é isso mesmo que eu quero pra vida”. Nessa época, você começa a receber aqueles “nãos” e passa a se questionar, tudo nessa etapa da vida é desesperador. Mas faz parte do aprendizado: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Fiz várias entrevistas e digo que, nessa época, tive a primeira bifurcação na minha vida. No mesmo dia, recebi uma ligação da IBM [International Business Machines] e da Shering Plough, uma indústria farmacêutica, dizendo que eu tinha sido selecionada para o estágio. Naquele dia, tracei o meu caminho pra indústria farmacêutica, porque você entra e acaba fazendo uma carreira. Não me arrependi.

 

Hoje, trabalho na Allergan e a minha contribuição é muito mais na posição de treinar, liderar, trabalhar junto, motivar e gerar o resultado que a companhia precisa. Qualquer decisão que você toma afeta as pessoas que estão trabalhando com você. Então hoje eu sou responsável por cem pessoas e isso me faz ter responsabilidade nas decisões. Eles dependem do meu trabalho e eu dependo que eles estejam trabalhando bem para que as coisas aconteçam. O que me move todo dia e que me faz trabalhar com paixão: saber que estou liderando pessoas. Nem sempre é fácil, nem todos são iguais, mas o importante é entender que somente com as pessoas que se chega ao resultado.

 

Quando você muda a sua rotina pessoal em função da empresa, quer dizer que você está colocando o máximo de você, né? Então acabou surgindo a oportunidade de ir trabalhar na Argentina pela Allergan. Eu pensava assim: pra eu realmente conduzir bem o negócio, tenho que liderar pelo exemplo e estar junto pra entender o cenário deles. Só que pra isso, eu teria que deixar meu filho em casa. Daí a importância da família. Minha irmã falou: “Eu vou com você!”

 

Quando eu entrei na companhia, meu filho tinha dois aninhos. Então ele me acompanhou na minha vida dentro da Allergan! Ele cresceu junto com a companhia e me acompanhou na mudança de país. Quando os coleguinhas perguntavam pra ele: “O que a sua mãe faz?” Ele respondia: “A minha mãe é presidente da Argentina!” Esse engajamento dele em falar: “Eu estou com a Allergan, a Allergan me trouxe para a Argentina”, fez com que ele fizesse parte da companhia. Por isso eu acho que as coisas se misturam! Ele passou a fazer parte dessa história e isso é muito legal!

 

É engraçado porque o que eu faço hoje, eu já projetava na infância. Eu brincava que eu estava assinando e despachando coisas, acho que isso foi ficando no meu subconsciente. Quando eu lembro de estar fazendo bolsas de plásticos e brincando com as assinaturas, me vejo hoje não gostando de assinar papéis, algo que tenho que fazer. Tenho certeza que tomei o caminho certo em todos os momentos de bifurcação! Cada escolha que a gente faz é uma estrada diferente. E, sem dúvida, a minha vida pessoal se cruza com a minha vida profissional.


 

 

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