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História

Mãe e voluntária, voluntária e mãe

História de: Ana Beatriz dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Ana Beatriz conta como é a origem miscigenada de sua família e como foi sua infância com mais três irmãs no interior do Estado de São Paulo. Movida por desafios, Ana Beatriz foi atrás da possibilidade de ser uma estudante de intercambio pelo AFS e conseguiu! Ana Beatriz conta como foi sua experiência de intercâmbio, os processos de adaptação e de readaptação. Ao voltar, mesmo com a correria de finalizar o Ensino Médio e ingressar em uma universidade pública, começou suas atividades como voluntária do AFS; trabalho que foi interrompido no momento em que Ana teve que estabilizar tanto sua vida profissional com familiar. Ana Beatriz narra também como foi retomar as atividades como voluntária quando do momento de intercâmbio de sua filha que foi estudante intercambista no Canadá. Nesse depoimento, Ana conta como são as atividades de voluntariado e os desafios de se trabalhar no Centro-Oeste brasileiro.

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História completa

Em 1989, fiz intercâmbio para os Estados Unidos, eu fui morar numa vila de cinco mil habitantes no interior do estado de Nova Iorque. Quando falaram:”Ah, você vai para o Estado de Nova Iorque”, as pessoas já imaginaram: “Ela vai morar na Big Apple”. Não, eu fui morar praticamente há duas horas, três horas da divisa com o Canadá, no meio do Estado de Nova Iorque, numa comunidade de cinco mil habitantes e na zona rural. Eu não tinha irmãos da minha idade. Meus dois irmãos hospedeiros estavam na universidade e os meus pais hospedeiros trabalhavam o dia todo, então eu fiquei praticamente filha única, morando numa zona rural. Não tinha ônibus, não tinha meios de locomoção, tinha três gatos, um cachorro hottweiller, no meio de uma plantação de maça, e era isso.

Quando eu voltei do intercâmbio em 1990, o AFS ainda não tinha uma coisa que existe hoje, que é uma orientação de retorno para os estudantes que voltaram do intercâmbio, que é para mais ou menos te situar na volta, fazer como se fosse um “chill out”, assim que você chegou do intercâmbio: vamos fazer uma desaceleração, vamos te situar para você voltar à vida normal, que a gente chama de orientação pós-chegada. Hoje, a gente tem isso, em 90 não existia. Quem dava isso era mais ou menos a família. Para os estudantes que chegavam, o AFS recomendava: vai fazer um trabalho no Comitê, porque isso daí vai te ajudar a refletir sobre a experiência que você teve. Foi isso que eu fiz, então eu ajudei o comitê de São José dos Campos, durante 90 e 91. Ao mesmo tempo que eu estava ralando, estudando para entrar na universidade, eu também estava ajudando o AFS de São José dos Campos.

Durante a universidade foi a hora que o pessoal de Jaú (SP) [do comitê] me telefonou. Eles sabiam que eu estava me mudando para a cidade, porque o AFS avisa, os voluntários avisam um ao outro, existe uma corrente falando: “Olha, está mudando, fulana vai mudar para sua cidade, dá uma ligada para ela”. Aí uma antiga participante me telefonou, a gente foi tomar um café e tal porque já havia existido um Comitê em Bauru (SP) na década de 70 e essa participante que na época era professora da Unesp e ela falou que estava interessada e a gente começou a fazer uns trabalhos juntos,

Quando a Maria Clara [, minha filha, ] fez 14 anos, mais ou menos, 13, 14 anos, aí eu já morava em Brasília, eu fiz contato com o comitê porque eu queria que ela fizesse intercâmbio, chegou a época dela viajar .,

Em 2011, ela começou a fazer a preparação, geralmente os estudantes fazem a preparação um ano antes da viagem. Aí eu comecei a participar dos encontros e me envolver novamente: me ofereci para participar dos eventos, a ajudar a levar os estudantes que iam participar dos acampamentos, das orientações, ofereci minha casa para fazer alguns eventos. Depois que eu fiquei sabendo que os voluntários mais jovens eles falavam assim: “Ah, põe aquela mãe para procurar vaga em escola”, que existia um certo preconceito pelo fato de eu ser mãe, dona de casa, ser mais velha. E a gente vê que é uma besteira e aí no fim, acho que a primeira atribuição que eles realmente me deram foi a de procurar vaga em escola. E eu consegui vaga para todos os alunos, todos os estudantes que eles precisavam. E uma das voluntárias falou: “Como que ela consegue?”, e eu falei: “Olha, eu devo ter alguma coisa que vocês não têm!” (risos). E é exatamente isso, é questão de passar credibilidade também, lógico né, aí a gente vê a forma como os adolescentes vão nas escolas pedir vaga e pra eles é uma afirmação usar um piercing, uma saia curta, uma blusa rasgada, agora para a Madre Superior de Colégio Salesiano, de repente, não é uma boa ideia, ela não vai acreditar num programa de intercâmbio.

Ser presidente do comitê de Brasília foi uma experiência bem interessante. Eu acabei presidente porque esses voluntários que eram todos estudantes da UNB [Universidade Nacional de Brasília] em um determinado período do ano eles simplesmente todos foram fazer [o programa] Ciência Sem Fronteiras, porque o perfil dos voluntários do AFS parece que chama essa experiência de estudo no exterior durante a graduação e a pós-graduação. O comitê Brasília se viu com dois voluntários, ficou eu de Presidente e uma outra voluntária como coordenadora para receber e enviar os estudantes. Esse cargo de presidente caiu no meu colo, chegou. Se eu não aceitasse o comitê ia fechar. E foi bem interessante e, porque querendo ou não, eu acho até pelo fato de eu ter uma vida profissional e já administrar minha própria carreira, ter trabalhado como freelancer no jornalismo, ter exercido tantas funções dentro do próprio jornalismo, como assessora de imprensa, e tudo o mais, isso acaba ajudando a gente ter uma certa noção administrativa e até o fato de eles serem muito jovens e muitos nunca terem passado pelo mercado de trabalho, eles veem muita dificuldade em coisas que já não acho tão difícil. Até o fato de administrar a própria casa e tudo o mais, isso a gente já vê uma certa facilidade, em gerir certas coisas. E o cargo de diretora regional foi para organizar a convenção nacional de Brasília que aconteceu no início desse ano, o diretor regional, que era voluntário do comitê Goiânia, o Vitor Bastos, que tem uma trajetória bonita e muito longa dentro do AFS, tem uma história de voluntariado enorme, o comitê Goiânia é muito tradicional do AFS, umas coisas lindíssimas, os voluntários são extremamente dedicados. Eles tiveram uma baixa muito grande no número de voluntários, as pessoas assim até pelas suas próprias histórias de vida, momentos de vida, de repente dá uma sumida nos voluntários. Você pessoas novas não capacitadas suficientes para tocar as coisas acontecendo e o Vitor precisou sair para cuidar da vida pessoal dele e, de repente, a gente não tinha um diretor regional. Foi isso que aconteceu. E ele ligou para mim perguntando se eu podia assumir a diretoria regional e eu assumi para que a nossa convenção nacional pudesse acontecer em Brasília até para facilitar a tomada de decisões e aí as histórias foram caindo na minha cabeça desses comitês todos. Foi quando eu descobri essa situação da região Centro-Oeste que eu achava que a gente tinha Brasília e Goiânia e só. Foi quando eu fui me tocar realmente do que que é morar no grande Brasil, do Brasil que não é a região Sudeste nem na região Sul.

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