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História

Madeira, futebol e listas telefônicas

História de: Adalberto Barbosa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/03/2010

Sinopse

Adalberto Barbosa fala sobre suas paixão por futebol, jogando e sendo treinador de times ao longo da vida. Conta sobre seu percurso no exército e algumas histórias que teve quando entregava listas telefônicas. Aborda também sobre seu percurso de trabalho com a madeira, maquinaria pesada em indústrias, além de sua batalha contra o alcoolismo.

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História completa

Meu nome é Adalberto Barbosa, eu nasci na cidade de Santo André no hospital Santa Casa em 17 de agosto de 68. Minha mãe tem o nome de Odete Barbosa e o pai não foi reconhecido. A minha mãe, pelo tempo de criança que eu a vi trabalhando, foi cobradora de ônibus. Diarista. Esses trabalhos mais simples.

Quando eu comecei a estudar a partir dos sete anos  só fiquei mesmo em São Paulo, só ia pra Barueri em férias. Morava no bairro de São Mateus chamado Jardim Santa Délia. Um bairro simples, não tem muito comércio, o comércio mesmo é no centro de São Mateus, questão de dez minutos de caminhada. Quando eu era criança não tinha muita casa, então a nossa infância foi passada a maioria dos dias assim no meio do mato, brincando, caçando, nadando, aproveitei bem a minha infância.

À tarde começou a dar esse negócio de maré cheia, foi enchendo, enchendo, enchendo de água onde eu estava, eu como era criança fui subindo, subindo, subindo, quando eu fui ver eu já estava em cima do armário de pé e a água subindo.  Passaram uns 15 minutos que começou a dar essa maré cheia, subiu a água muito rápido, a minha tia me chega de barco, quebrando todas as telhas de casa pra me salvar. Ela ficou tão feliz assim de me ver, salvo por si próprio, falou assim: “Você é criança, teve a inteligência de subir no armário...”. Falei: “Eu estou vendo a água subir, eu não vou morrer afogado.” Já procurei um jeito de me salvar. Ah, eu era pequeno, eu acho que eu tinha seis ou sete anos de idade. Mas o desespero ali de ver aquela água subindo e não ter pra onde correr, eu pensei: “Agora eu morri”. Então foi aonde que eu senti que a primeira vez que eu via morte na minha vida.

Eu comecei a ir à escola, quando eu fiz 14 anos. Eu fui estudar SENAI, foi onde eu ganhei um pouquinho de liberdade. Por quê? O SENAI era no Ipiranga, eu morava em São Mateus, então eu com 14 anos tinha que sair de casa de ônibus, tinha o horário de saída, tinha que levar marmita, ali já começou tipo uma vida profissional. Fui trabalhar em Santo Amaro na empresa Villares, fiquei seis anos trabalhando nessa empresa.

Passei pro comércio, no comércio fiquei vários anos trabalhando, trabalhei na baixada, inaugurei várias lojas, trabalhei em quatro redes de lojas. Depois eu fui trabalhar com lista telefônica, trabalhei em várias cidades do interior, aprendi outras profissões, fui trabalhar de conferente, marceneiro e é onde eu terminei agora esse processo de trabalho que a última empresa que eu trabalhei eu estava trabalhando de marceneiro.

Eu fiquei quase 15 anos sem estudar. Entre viagens, trabalho, eu perdi um pouco o pique de estudo. Voltei com 35 anos, fiz o segundo e o terceiro ano. Terminei a escola em agosto, em setembro já estava na faculdade. E fiz supletivo segundo e terceiro ano. Fiz quatro anos de faculdade direto, sem repetir nenhuma matéria, sem puxar DP em nada, fui muito bem. Formei-me. Em cinco anos eu fiz uma trajetória entre segundo, terceiro ano e faculdade.

Eu tinha uma visão assim de comércio. Porque quando trabalhador eu fui muitas vezes em loja fazer compra e eu achava legal aquele negócio de vitrine. Os vendedores todos arrumadinhos, limpinhos, e serviço de metalúrgico dá dinheiro, mas é um serviço meio sujo, pesado. Aquele aprendizado que eu tive ficou todo pra trás, eu comecei um novo, um novo no trabalho. Eu sempre tive aptidões pra conhecer o novo e a partir do momento que eu conheci esse novo trabalho eu já fui me adaptando a ele. De vendedor passei pra vitrinista. Vitrinista você já tinha um salário a mais,  poderia pegar gerência de lojas, muitas vezes eu peguei gerência de lojas. Então ali eu fui me acostumando nesse meio de comércio, fiquei vários anos trabalhando com comércio.

Só teve certa vez que eu morei no Guarujá que não foi... Foi tipo uma fuga que eu fiz, tinha acabado de sair do quartel, fiquei meio com medo de eles me chamarem pra guerra das ilhas Malvinas, fui, fiquei três meses no Guarujá, falei: “Mãe, você nem me viu. Não me chama, não. Se me chamarem, me procurarem fala que eu estou desaparecido, que eu não vou pra guerra, não”. E tinha acabado de sair da aeronáutica. Fazia dois meses, estourou a guerra. Eu fui acampar. Fui pro Guarujá, fiquei acampado numa cidade chamada Perequê. Fiquei acampado três meses vivendo só de trabalho assim, montava barraca no fim de semana, chegavam bastante ônibus de excursões, ganhava dinheiro fazendo caipirinha. Fazia seis, 30 caipirinhas, três reais, cinco reais. Ganhava dinheiro pra ficar a semana inteira sossegado.

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