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Luta coletiva

História de: Lúcia Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/11/2021

Sinopse

Lúcia recorda a infância em Londrina (PR) e o tempo em que estudou em boas escolas públicas, por influência da mãe, professora. Conta de sua mudança para Brasília, tão logo terminou o segundo grau, e seu envolvimento com movimentos sociais de moradores e também no processo de formação da Associação dos Professores do Distrito Federal, em 1975, que redundou na criação do SINPRO-DF. Fez parte do grupo fundador do PT e da CUT no Distrito Federal. Em 1986, foi eleita presidente do SINPRO-DF e trabalhou para dar caráter colegiado à direção do sindicato, o que acabou aprovado pela categoria. Relata como se deu o processo de criação do jornal “Quadro Negro”, órgão oficial do SINPRO-DF. E fala de sua militância política como deputada distrital, cargo que exerceu por três mandatos consecutivos.

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História completa

Eu tenho duas visões [de minha cidade natal], a rural e a urbana. A rural, a gente morou até eu ter 6 anos, 7, então é pé de café, é algodoal, milho, e as crianças eram muito envolvidas na atividade rural. Tanto colher algodão, como colher café, ajudar os pais. Aí foi muito difícil ganhar dinheiro, porque vinha geada e acabava com a roça, então meu pai resolveu trazer todo mundo para cidade, Londrina. E aí a gente morou em vários bairros em Londrina. Era uma cidade muito prazerosa de viver, eu pegava um ônibus para ir para escola já logo na primeira série. Eu tinha uma vida muito independente quando criança, minha mãe era professora também, e aí a gente tinha facilidade de se matricular em boas escolas públicas. Eu acabei sendo professora mais para sobrevivência. Quando terminei o segundo grau eu vim para Brasília e fiz o concurso. E aqui eu trabalhava em dois lugares: no SESI, montando uma biblioteca, que foi o momento que eu mais li, eu li toda a coleção de Jorge Amado, José de Alencar, Machado de Assis. Entre 18 e 23 anos, mais ou menos, uns cinco anos, eu pude visitar quase todos os clássicos que eu quis. E no outro horário eu trabalhava com classes de pré-escola: fui alfabetizadora por muito tempo, e nesta trajetória cheguei a ser diretora de escola, sempre na periferia, sempre nas áreas mais carentes do DF. Eu deixo um pouco o movimento popular, em 1986 estou no movimento sindical e sou presidente do sindicato, a primeira mulher eleita numa categoria majoritariamente feminina. Fico presidente do sindicato até 1990. Então eu completei meu ciclo: movimento popular, movimento sindical, presidente de sindicato, [três mandatos na] Câmara Legislativa, fiz parte de todas as comissões, fui líder da minoria, depois líder do governo, presidente da Câmara, governadora, duas, três vezes. Inclusive, uma das minhas substituições – eu substituí Cristovam [Buarque] foi no dia 3 de maio de 1977, que foi a morte de Paulo Freire, meu grande formador. E eu decretei luto oficial em Brasília em função da morte do nosso grande pedagogo, filósofo da educação. O sindicato sempre foi o precursor das lutas no DF, das lutas coletivas. O Sindicato dos Professores nasceu com gente como eu, preocupada em preparar a base, fazer enfrentamentos e lutas. Nada se consegue se não for pela luta, pela denúncia e pela união, e as diretorias foram se sucedendo, muitas até se colocando como oposição aos outros, mas também da mesma linha de esquerda. E chegamos ao que estamos hoje. O Sindicato dos Professores tem o respeito da população, tem o respeito da imprensa e com certeza os governos temem a mobilização que o Sindicato dos Professores é capaz de fazer. Eu sou do PT, nós tivemos bons ministros da Educação, mas nós não conseguimos formar intensivamente, ideologicamente os professores para que eles pudessem produzir uma educação libertadora como Paulo Freire tanto pregou. O Sindicato dos Professores nasceu com gente preocupada em preparar a base [para] fazer os enfrentamentos e as lutas. Nada se consegue se não for pela luta, pela denúncia e pela união. As diretorias foram se sucedendo, muitas até se colocando como oposição aos outros, mas também da mesma linha de esquerda, e chegamos ao que estamos hoje. Hoje não é que os companheiros estão mais parados, é o próprio país. Estamos hoje, pela pandemia, numa situação em que não podemos fazer concentrações. Mas mesmo assim o nosso sindicato tem puxado algumas mobilizações pelo não retorno às aulas enquanto não tiver vacina [para todos]. O Sindicato dos Professores tem o respeito da população, tem o respeito da imprensa e com certeza os governos temem a mobilização que o SINPRO é capaz de fazer. Há uma cultura consolidada. Só o SINPRO? Não, existem outros sindicatos no DF, é a Central Única dos Trabalhadores que unifica isso. Mas o SINPRO continua a ponta de lança para a luta.

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