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História

Lucy Lee Bardou

História de: Lucy Lee Bardou
Autor: Centro de Memória de Cosmópolis
Publicado em: 27/01/2016

Sinopse

Lucy Lee relembra diversas histórias de Cosmópolis.

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História completa

Tropas revolucionárias de 1932 em Cosmópolis Meu sogro, o Guilherme Fontana, era filho de Emílio Fontana e Giuseppa Soata Fontana. Eles vieram da Itália e se estabeleceram em uma fazenda de Araras, depois compraram terras na região do Bairrinho, que é divisa de Cosmópolis com Artur Nogueira, nas proximidades de onde é hoje o Matão da Usina. Meu sogro conta que eles trabalhavam na roça, na lavoura de café, e os aviões do governo, como ele dizia (que deviam ser as tropas federalistas) passavam voando bem baixo e de vez em quando a bel prazer davam rajadas de metralhadora, então quando os aviões passavam, eles tinham que se esconder debaixo dos pés de café. Não podiam deixar nada que brilhasse, e então tinham que esconder as enxadas e as ferramentas por que se não eles passavam e metralhavam. Quando as tropas chegaram aqui em Cosmópolis, eles começaram a confiscar tudo que fosse possível para alimentar as tropas. Eles estavam indo em direção a Mogi Mirim por que lá tinha um forte reduto de resistência dos revolucionários (Mogi Mirim, Mogi Guaçu e Itapira). Meu sogro conta que eles vinham nas propriedades rurais, nos armazéns, aonde tivesse alimento, ferramentas, animais e o que eles pudessem confiscar, eles confiscavam mesmo, em nome do Governo do Estado de São Paulo. E o pai do meu sogro que seria o bisavô dos meus filhos, fez dentro do Matão da Usina um enorme buraco com a ajuda dos filhos e dos parentes. Cortaram as árvores baixinhas e fizeram uma clareira, e ali eles colocaram tudo o que podia, toda colheita foi colocada ali. Imagina o tamanho desse buraco! Sacas de café, milho, algodão, ferramentas, frutas... Tudo o que eles tinham nas tulhas eles colocaram nesse buraco. Depois forraram com folhas de bananeiras e pedaços de madeira. Por cima das madeiras eles forraram com folha de bananeira e capim e jogaram terra, e por cima da terra eles replantaram mato. E pra lá foram levando também todos os animas. Fizeram um cercado para as galinhas, piquete para os gados, tudo que eles puderam levar eles levaram porque o Matão da Usina era muito fechado e grande. À noite eles saiam com lamparinas e iam tratar dos animais, levando água e comida até que a revolução passou por Cosmópolis e as tropas federalistas foram embora. Esse foi o único jeito que eles encontraram de não serem lesados, apesar da tropa falar que devolveria tudo em forma de bônus. Porém a população sempre dizia que quem teve coisas confiscadas aqui em Cosmópolis nunca recebeu nada em troca. Então eu achei muito interessante essa história porque pouco se sabe e se conta da época que a revolução passou por Cosmópolis. C - Tem algum registro/documento sobre essa passagem da tropa por Cosmópolis? L – Eu já li muito sobre a história de Cosmópolis, mas nunca vi nenhuma menção, nada que falasse disso, a não ser as histórias que meu sogro contava, e um documento que tinha na biblioteca que era um documento do Salvo Conduto e uma caderneta de um senhor que faleceu e o seu genro doou para a biblioteca, que pertencia à família Di Sacco. Eles tinham um armazém e as tropas federalistas levaram deles querosene, açúcar, batata. Eu não sei se esse documento ainda está na biblioteca. C – Me conta a história da lata de banha? L – Meu sogro morava na região do bairrinho e eles tinham um sítio muito grande onde plantavam café, e como era uma terra fértil, eles tiveram uma colheita de café esplendorosa. Na época o café era o “ouro verde” e essa colheita foi vendida, e com o dinheiro eles podiam comprar uma fazenda em Mogi Mirim, então era muito dinheiro. Naquele tempo não havia banco, eram pessoas muito simples e sem informação, então eles pegaram todo esse dinheiro da venda colheita e entregaram na mão da Nona , a Giuseppa Soata Fontana, e ela guardou esse dinheiro. Quando foram fechar a compra da fazenda perguntaram a Nona¹ onde estava o dinheiro e ela não sabia, e como ela era a matriarca, o poder supremo da família, nunca ninguém teve a curiosidade e a ousadia de perguntar onde estava o dinheiro. Passado muito, tempo meu sogro já era casado e tinha filhos, foi passar um domingo na casa da mãe e viu que o fundo do quintal estava muito sujo e resolveu capiná-lo. De repente ele começou a carpir uma touceira de capim muito grande e bateu em alguma coisa dura. Era uma lata de ferro toda enferrujada e quando ele bateu com força a late se abriu e todo aquele dinheiro pulou para fora, mas já não tinha nenhum valor. Viagem para fazer documentos pessoais L – Para fazer documentos tinha que ir para Mogi Mirim. Para preparar a viagem, minha sogra contava que um dia antes ela temperava um frango com alho, à noite ela fritava todos os pedaços e colocava tudo de novo na panela com óleo e cebola e engrossava com farinha de milho. Depois colocava tudo dentro de uma lata, enchia o embornal de laranja e moringa com água. Eles saiam ao anoitecer com os cavalos para Mogi Mirim. Eles chegavam em um determinado lugar onde havia uma mina d’água por volta da hora do almoço, nesse lugar eles davam água para os cavalos, comiam o frango, chupavam as laranjas e seguiam viagem rumo ao cartório de Mogi Mirim. A menina que lambia os doces da padaria Existia o armazém do Fernandes e dizem que tinha uma menina, uma meninota, não sei se era filha ou sobrinha, mas que estava sempre por lá. E tinha a vitrine de doces e quando as pessoas chegavam lá e falavam “quero comprar esse doce” e o Fernandes respondia (sotaque português) – Se queres levar, leve, mas que Maria lambeu, lambeu! Diziam que a moça passava lambendo os doces e devolvia na vitrine, porque era deficiente mental Plantando Ki-Suco Apareceu um homem bêbado na fila e foi até o armazém quando saiu o Ki-Suco, aqueles envelopes com pó para fazer suco. Ele comprou e levou achando que era semente de fruta. Fez covas na horta para plantar a semente. No dia seguinte foi melhor e até colocou o envelope do Ki-Suco para identificar qual semente tinha sido plantada. No dia seguinte ele foi molhar e saiu aquela água colorida. Perguntaram o que era aquilo e ele disse: - é uma hora que estou fazendo de fruta gostosa, abacaxi, melancia até o tal de morango. Os filhos foram olhar e viram que era um envelope de pó de refresco. O homem confundiu porque as sementes vinham numa embalagem bem parecida e como ele não sabia ler e viu o desenho da fruta na embalagem, deduziu que eram sementes.
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