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Luciano: histórias de um professor Macuxi

História de: Luciano Perez Bonifácio
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/02/2009

Sinopse

Luciano nos conta a história do povo Macuxi, que residem na região do Surumu (RR). Conta sobre sua infância, brincadeiras e sua formação em um internato católico. Histórias sobre a cosmologia Macuxi e religião. Ele também comenta sobre a organização e militância indígena em Roraima e seus processos educativos.

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História completa

P/1 – Boa tarde, Luciano. Pra começar, eu gostaria que você dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Meu nome é Luciano Perez Bonifácio, nascido a 5 de janeiro de 1952, aqui na comunidade Barro, Surumu, município de Pacaraima.

 

P/1 – E tem essa coisa do registro indígena?

 

R – Tenho.

 

P/1 – Como que é?

 

R – Tenho o civil e o indígena.

 

P/1 – O registro foi tirado quando nasceu, mesmo? Ou foi depois? Como é que é?

 

R – Logo que a Funai [Fundação Nacional do Índio] começou a assentar o posto aqui na região, eu solicitei o registro indígena. Isso foi em 1998.

 

P/1 – Qual é o nome dos seus pais?

 

R – Hilário Bonifacio, pai. Mãe, América Perez.

 

P/1 – E eles são daqui mesmo?

 

R – São nascidos aqui, macuxis mesmo, nativos daqui.

 

P/1 – O povo é Macuxi?

 

R – Aqui, a predominância é Macuxi. Alguns Wapixanas, mas é minoria. Aqui na região do Surumu prevalece os Macuxis.

 

P/1 – E a língua é a Macuxi?

 

R – É Macuxi.

 

P/1 – Qual a diferença entre um povo e outro? Tem muita diferença?

 

R – O mais próximo do Macuxi é o Wapixana porque convivem juntos. Mas, tem outras etnias que são mais difíceis, que é o caso dos Yanomamis e os Yekuanas. Mas hoje, aqui no estado de Roraima, o Macuxi, o Wapixana e os Taurepang, que são aqui de Pacaraima, da fronteira, já têm uma vivência. Não existe uma diferença muito grande, é somente na língua e algumas palavras já pegam outro sentido. Não é o dialeto, é a língua em si que diferencia.

 

P/1 – Você pode dar um exemplo de alguma coisa que é falado de forma diferente?

 

R – Por exemplo, no Macuxi, quando você diz: “Você está bem?” É “Pri´ya”. “Você está bem?” “Sim”. Se você não está bem você diz: “kƏne”, e se está bem, diz: “ìna”. Bacana, legal, ìna. Não está bem, não está legal, kƏne, é não, é negativo, para todas as perguntas. Agora, no Wapixana já é: Eu chego, cumprimento e digo se você está bem: “Kaiman, au-na”. Se tiver bem, “Kaiman”, se não, “au-na”. Essa é a diferença, nos cumprimentos. E outras muitas coisas que têm que eu não me aprofundei ainda bem, nessas duas línguas. Mas Macuxi eu entendo um pouco e dá para quebrar o galho pra entender [risos].

 

P/2 – E tem diferença nos costumes?

 

R – Nos costumes hoje não, porque, como se diz, a vivência da sociedade indígena já está entrelaçada, até por casamento e tudo mais, porque o Wapixana é muito grande. E a diferença é quase nada, né? Existem algumas diferenças entre Macuxi e Wapixana só de região, os Wapixana predominam a oeste do Estado e os Macuxi ao norte. Enquanto os Macuxis são mais vaqueiros, plantação, essa atividade. E os Taurepang, aqui na fronteira com a Venezuela, têm as características de comerciantes, são pessoas que estão na Venezuela e no Brasil, e garimpeiros também. Têm uma atividade comercial muito grande entre eles. Pouca diferença, também.

 

P/1 – Então, Luciano, todo povo acaba tendo alguma história que explica o surgimento do povo, né? Os Macuxis têm alguma história que fala do surgimento do povo?

 

R – Pela história que foi nos passada pelos nossos avós, o Macuxi foi predominante nesta região. Porém, com o passar dos tempos, com a aproximação dos colonizadores, eles foram colocados numa parte quase não divulgada na mídia, ou na sociedade. Foi um povo praticamente esquecido que foi envolvido pela população dos colonizadores que aqui chegaram. Porém, de um certo tempo para cá, começou a divulgação, o resgate da história do povo Macuxi que é muito bonito. Habitavam nesse lavrado aqui de Roraima, que eram hábeis montadores e dominadores de animais, vaqueiros. E isso ainda continua no sangue. Com essa divulgação do resgate da cultura, veio à tona a história do povo, que foi o povo Macuxi. Se alguém não tivesse feito esse estudo, talvez estivesse no esquecimento. Hoje não, está nas escolas, alguns fatos e pessoas importantes. De onde veio o povo Macuxi, os povos da América Central, dos Caraíbas, chegaram nesta terra e aqui viveram. Então, hoje tem uma história, na própria Secretaria de Educação já tem livros que contam essa história, que os nossos avós já contavam. Era um povo muito grande, com a aproximação dos colonizadores, eles foram colocados de lado, não envolveram imediatamente a sua população, e ficaram, mais ou menos, digo, até reprimido. Só agora, com a classe indígena entrando nas escolas, tendo suas formações, começaram a divulgar. E o povo voltou a acreditar e contar a sua própria história. Tem livro que trás essa bonita história do povo Macuxi aqui nos lavrados de Roraima, na região das serras também, onde está o município de Uiramutã.

 

P/2 – Uma curiosidade. O Catolicismo explica o surgimento dos homens a partir de Adão e Eva, essa coisa. Como é que é isso entre os Macuxis? Não tem um mito, alguma coisa que explique o surgimento do homem na terra?

 

R – O mito do nosso povo Macuxi é o Macunaíma, que surgiu, que era o Deus mesmo que fez, que organizou. Há uma história muito bonita do Macunaíma, essa era a crença do povo Macuxi. Com a chegada da Igreja Católica, em 1945, nós temos os dados, foram os Beneditinos a chegarem na região, com certeza deram aquele impacto contra a cultura indígena. Inclusive, eu sou uma das vítimas: passei 12 anos internado no Missionário onde combatia-se muito essa parte, principalmente na década do militarismo, onde a língua Macuxi quem falava lá, a maioria falava, os próprios missionários reprimiam as pessoas, até castigavam, dizendo que a Língua Portuguesa é que devia ser dita. No entanto, era um trabalho sem fundamento e hoje os últimos missionários que por aqui passaram valorizaram essa perda de cultura, essa língua do povo que caracteriza.

 

P/2 – Mas qual é a lenda do Macunaíma?

 

R – A lenda do Macunaíma é que ele descia daqui e visitava toda a área onde habitava os Macuxis, criando, curando, fazendo. Nós temos o caso da Pedra Pintada, uma das coisas mais conhecidas aqui na nossa região. As escritas que estão na pedra, todo mundo acredita que foi o Macunaíma. Hoje é um mito em Roraima, o Macunaíma aparece como o próprio personagem principal.

 

P/2 – Mas seria um homem?

 

R – Se imagina que seja um homem. Alguns escritores, como o Mário de Andrade, relatam que o Rio Urariquera que nós temos aqui é o que o Macunaíma ainda conseguiu chegar até lá. E uma série de coisas, os documentos. E também a lenda de que Macunaíma era um homem muito bom. Enquanto que o irmão dele, o Maanape, não era do mesmo quilate dele [risos]. Ele era pro lado da perversidade. Então, essas duas personagens na nossa cultura Macuxi é muito forte. O Macunaíma, por si, era uma pessoa que curava e fazia o bem a todos, inclusive, quanto mais se aprofunda nessa história, mais a lenda e mais o mito vão se fortalecendo em cima desse nome.

 

P/1 – Depois a gente vai voltar um pouco na sua formação. Só queria antes saber se você ainda lembra dos seus avós.

 

R – Lembro.

 

P/1 – Como que era o nome, eles eram daqui?

 

R – O meu avô chamava-se Bonifacio, até porque o próprio Macuxi, pelo sobrenome, pega o nome dos antepassados. E a minha avó chamava-se Benedita e eu cheguei a conhecer.

 

P/2 – Explica um pouco como é isso: seu nome é Luciano. Eles pegavam o nome do... Explica direito como é.

 

R – Na realidade o sobrenome, pra nós Macuxi, o que nasceu é uma cópia de alguma coisa. Uns pegaram Pereira, outros da Silva. Já a maioria do povo Macuxi pega o nome dos pais e dos avós.

 

P/1 – E não tem um nome indígena, ou isso foi rompido?

 

R – Foi rompido, mas hoje tá se criando. Aí, na escola o meu nome Macuxi é Pandon, em Macuxi, que significa historiador, história. Como me consideram historiador, me batizaram com esse nome, Pandon.

 

P/1 – Então, cada pessoa tem um nome Macuxi e um nome de registro?

 

R – É. Mas o registro que a Funai expede é o nome mesmo do registro civil.

 

P/1 – Mas entre as pessoas, elas se tratam...

 

R – Ah tem, dentro da comunidade. Por exemplo, nas escolas onde a gente tá fazendo um trabalho no resgate da nossa língua, cada aluno tem um nome: sol, nome de animais, para justamente fortalecer o interesse do aluno.

 

P/2 – E como é escolhido o nome?

 

R – É conforme as crianças... Dê um nome, não sei. Por exemplo, sol, é pandon, o peixe piranha da região, o arari que é chamado, né? Raposa, é maicá. E assim por diante, nomes de animais ou de serras, Marari. Aqui teve um pai que botou o nome do filho dele de Marari Surumu dos Santos. Macuxi mesmo pra registrar e ficou bastante para nós, aqui. Marari Surumu dos Santos. Hoje ele é Sargento da PM [Polícia Militar], de vez em quando eu encontro com ele, e ele se orgulha do nome dele, para lembrar a região.

 

P/1 – E você tem irmãos?

 

R – Tenho.

 

P/1 – Quantos são?

 

R – Do primeiro casamento da minha mãe somos três: Fernando, o mais velho. Luciano, o segundo, eu, e o Leônidas é o terceiro. No segundo casamento ela teve três também: o Inácio, o Vaner e a Rônia. Agora, pela parte do pai, eu tenho um time completo [risos]. Segundo casamento dele teve o Feliciano, o Vinialdo, José, Reginaldo, Aldenor, Dirlene, Diorene e a menina mais velha, que estou esquecendo o nome dela, tem tanto irmão que nem lembro mais [risos]. Ah, Francilene. Então, é um time. Todos estão vivos ainda, mas o meu pai faleceu no mês de junho desse ano. Perdi meu pai com 86 anos. A minha mãe é viva ainda, tem 78 anos.

 

P/1 – E os seus irmãos moram aqui mesmo?

 

R – Moram na Comunidade da Barra, sim.

 

P/1 – E o que eles fazem?

 

R – Olha, atividade no momento, nós estamos trabalhando num projeto, que começamos esse ano, de plantio mecanizado na região.

 

P/1 – Plantio do quê?

 

R – Uma plantação mecanizada.

 

P/1 – Mas qual é o...

 

R – A atividade é a plantação de feijão. Conforme o tempo, porque já começamos muito tarde, mas temos planos e terras prontas para no começo do inverno, que aqui é em abril, para plantar macaxeira e o milho. No momento nós só temos feijão.

 

P/1 – Eu queria que você falasse um pouco da sua infância, porque você nasceu e cresceu aqui. Como era a sua infância? Como era esse lugar?

 

R – Ah, esse lugar era bacana. O Chico Roberto foi meu colega. Quando eu entendi aqui no Surumu, só tinha uma rua e poucas casas ao redor dessa igreja, que foi juntando as casas. Aqui foi a segunda vila fundada no Estado de Roraima, a primeira foi Caracaraí, no sul do Estado.

 

P/1 – Quando foi isso?

 

R – Nós temos dados aqui de 1932, conforme nós temos um tipo de um tombamento feito. Por que Surumu chegou a ser vila? Porque aqui era o caminho por onde passavam as mercadorias, os gêneros alimentícios, para os garimpos. Garimpo da Água Fria, Caju, a própria Santa Elena, por aqui era a rota mais curta entre Boa Vista e Santa Elena. Porque a mercadoria vinha em embarcação até o Rio Urariquera, de lá era transportada por carro de boi, ou em cima de bois cargueiros, que era o animal mais apropriado para o transporte. Chegaram aqui, encontraram essa região e formaram a primeira vila. Isso em 1932. Daqui era distribuída a mercadoria, principalmente farinha, açúcar, gasolina. Quando eu entendi, a Vila já era formada, mas conforme os dados históricos que nós temos, formou-se em Vila porque aqui no mês de março, entre o dia dez ou dia vinte, nós temos o festejo do padroeiro que é São José. Naquela época, vinham os garimpeiros, os proprietários de fazenda, todo mundo se aglomerava aqui ao redor da igreja e fazia as dez noites de festa. Então, foi-se agrupando e logo em seguida todo ano aumentava a população, foi um dos motivos de ter criado essa vila aqui.

 

P/1 – E você criança nessa vila...

 

R – Eu criança ainda brincava aqui no meio dos colegas quando meu pai se separou da minha mãe. Meu pai, na época, novo ainda, foi pro garimpo que era a única opção, pra Venezuela. E mamãe acompanhou ele, foi pro garimpo, mas pra outra região. Fiquei com meus avós, até 6 anos, quando, em 1962, me jogaram no internato dos missionários ali, que funciona a dois quilômetros daqui.

 

P/1 – Você entrou no internato com 6 anos?

 

R – Com 6 anos, em 1962.

 

P/2 – Mas, voltando um pouquinho. Você brincava aqui, quais eram os jogos, as brincadeiras aqui?

 

R – Era mais banho de rio, corrida de criança mesmo. A nossa novidade aqui era quando vinha o avião da FAB [Força Aérea Brasileira], todo mundo se juntava para ver o avião. Ou quando chegava um caminhão, ali do lado da ponte, a gente corria porque nunca tinha visto um caminhão. E não tinha ponte para cá. Essas eram as nossa diversões. Pesca, também. E, já a criação de animais, não tinha porque as comunidades, na época, não tinham criação de gado, principalmente, porque só eram de pessoas que se caracterizam como fazendeiros, na época. 

 

P/2 – E como era a sensação, quando chegava um caminhão? A sensação do contato, das pessoas...

 

R – A primeira vez que eu vi as rodas do caminhão até chorei, porque o caminhão voltou e eu não cheguei a ver o caminhão, só vi a poeira. Mas fiquei satisfeito por ter... Mas na próxima vez eu fui lá, atravessamos o rio no verão, e vi o caminhão como era. A sensação, era novidade pra todo mundo naquela época. Ixi, o avião, quando chegava aqui, dia de sexta-feira, de quinze em quinze dias, o avião da FAB vinha por aqui. E todo mundo largava as suas atividades lá, chegava pra cá pra ver o avião, era uma novidade danada e aquela coisa toda. Eu lembro muito bem. Quem perdia uma sexta-feira de ver o avião, praticamente perdeu uma história da sua vida.

 

P/1 – Antes de você entrar no assunto internato. Existe uma diferença muito grande no jeito dos Macuxis e dos brancos educarem seus filhos?

 

R – Olha, conforme a minha vivência aqui, existe. Os brancos, os que começaram a criar o gado, tinham uma maneira de educar seus filhos. Educar no sentido de educação caseira como podemos dizer, porque eles já orientavam para uma atividade para exercer. Enquanto o Macuxi era banho, pesca, brincadeira, não tinha um objetivo. Era crescer, casar com 15, 20 anos, para formar sua família e pronto. Não se educava especificamente para uma atividade no futuro. Essa é a grande diferença. Por que tivemos grandes criadores aqui? Porque souberam, com certeza, atarefar seus filhos com afazeres, não era apenas brincadeira. Principalmente os nordestinos, quando chegaram aqui, trouxeram uma vida sofrida de outro lugar, e encontraram aqui o ideal para morar, criar, multiplicar, para conseguir uma posição social e econômica mais elevada, né? Essa é a diferença, enquanto os daqui não tinham esse objetivo, não tinham essa visão, na época.

 

P/1 – E no internato, como é que foi a entrada no internato?

 

R – Ah, no internato, uma história triste, né? Eu fiquei morando com meus avós, como não tinham condições pra criar, me colocaram no internato quando eu tinha 6 anos. Falaram com o padre José Maria, na época, e me colocaram no internato em janeiro de 1962. E lá fiquei morando até a quarta série. Quando foi em 1964, ou 1965, terminei a quarta série e voltei, e a minha avó faleceu.

 

P/1 – E como era lá dentro do internato?

 

R – Era um quartel, horário pra tudo. Nos deparamos logo, deparamos porque não fui só eu, foi uma coisa que abrangia a todos. Horário, principalmente. Sistema rígido dos missionários. Um salão como esse tinha que estar brilhando. Passava pano de manhã, de tarde, meio-dia. Uma educação muito rígida e eu até pensei em desistir, sair escondido, mas aguentei.

 

P/1 – Você falou que a língua...

 

R – A língua, sim. Quem falava o Macuxi, os missionários já reprimiam e diziam que aquela não era uma língua, era uma gíria. Na época, usava muito esse termo de gíria e não ia pra frente. Esse primeiro passo que eu tive no internato, eu tive essa visão. Quando eu saí do internato, já sem a minha avó, não pude fazer nada. Qual foi a minha opção? Trabalhar nas fazendas.

 

P/2 – Você saiu do internato com que idade?

 

R – Uns 10, 12 anos.

 

P/1 – Sabia ler e tudo?

 

R – Mais ou menos.

 

P/2 – Mas gostava dos estudos?

 

R – Gostava dos estudos. Não gostava era do regime interno, ninguém podia. Nem vir e voltar aqui na casa da vovó ninguém podia, era preso. Só uma vez por mês podia vir. Então, as brincadeiras ficaram tudo de lado. Só ouvia o barulho do avião, mas nessa época o avião já tinha ganho mais espaço, estrada e já não era novidade essas coisas pra nós. Mas a vida em si foi um impacto muito forte, né?

 

P/1 – E o pessoal, seus coleguinhas? Eram aqui também, da comunidade?

 

R – Eram. A maioria filho de fazendeiro na época, e também das comunidades. Muitos fugiram, não aguentaram, fugiam de noite e voltavam pras suas comunidades. E hoje eu conheço muitos que desertaram praticamente. Porque o regime, horário principalmente: horário pra dormir, pra levantar, pra banhar, pro café, pra aula, tudo em cima do horário. Era um quartel, praticamente, o internato.

 

P/1 – A maioria era Macuxis?

 

R – É, os Macuxis prevaleciam.

 

P/1 – E aí, você saiu, foi pra casa da sua vó...

 

P/2 – Como é que foi, você começou a trabalhar...

 

R – Minha avó já tinha falecido e eu fiquei, a única opção era trabalhar nas fazendas.

 

P/1 – E você foi morar nas fazendas?

 

R – Fui trabalhar na Fazenda da Navegação Paulo Pereira, ali do outro lado do rio, Fazenda Panorama.

 

P/2 – E o que você fazia?

 

R – Vaqueiro, aprendi a andar a cavalo, cuidar do gado, era a minha atividade.

 

P/1 – E tinha algum divertimento, mesmo trabalhando?

 

R – Festa só, forró. Mas nunca aprendi a dançar porque não quero. Os quatro anos de internato, mudou praticamente todo o meu sistema de vida. Adolescência, para mim, praticamente não tive. Quando eu fui trabalhar, já tinha 12 anos, um empregado naquela época, vaqueiro, tinha que dar conta das coisas, né? Então, não sobrou tempo pra diversão, era trabalho mesmo.

 

P/1 – Mas isso era em Boa Vista ou aqui?

 

R – Nas fazendas daqui de Surumu. Quando foi em 1971 surgiu o Fundamental do Segundo Ciclo, seria de quinta à oitava, o antigo Ginásio. Eu voltei a estudar, mas lá da fazenda.

 

P/1 – Como era essa escola?

 

R – Era à noite. De manhã e à tarde era de primeira à quarta e a noite começamos a quinta série. Porém aí o patrão não aceitou meu trabalho, porque tinha que lavar os pratos, cuidar dos animais, e ele não permitiu. Ainda estudei, parece que seis meses, e ele me demitiu: ou trabalhava, ou estudava. Eu optei pelo estudo, voltei pro internato de novo. Em 1971, voltei pro internato, falei com um padre lá, ele me aceitou muito bem e passei a morar novamente.

 

P/1 – Mas por que essa opção?

 

R – Porque eu não tinha onde ficar, não tinha casa e meu objetivo era estudar.

 

P/1 – Então você preferiu ficar lá...

 

R – Claro, eu já sabia o regime. Eu pensei que no momento era ruim mas, para minha formação, seria interessante. E voltei lá em 1971 e só saí em 1982. Olha lá como eu gostei tanto da segunda passagem [risos].

 

P/1 – E tinha alguma matéria predileta nessa época?

 

R – Olha, eram várias, mas eu gostei muito da Matemática. Tive um professor muito importante, o Vicente Pira, um italiano camarada, muito competente em Matemática. E a gente estudava à noite. E quanto mais eu perguntava, mais interesse ele tinha de ensinar, mesmo. Ele não era padre, apenas um camarada que trabalhava por gosto. Ele veio da Itália para conhecer Roraima e gostou desse nosso internato e ficou morando um bocado de tempo, uns dez anos. Ele era formado em Matemática, e o pouco que eu sei eu devo a ele, graças a Deus.

 

P/1 – E você terminou o Ginásio?

 

R – Ginásio, sim. Não tinha o Ensino Médio, só em Boa Vista. Em Boa Vista eu não tinha condições e a opção era voltar pra trabalhar nas fazendas, quando o diretor me chamou e perguntou se eu não queria ser professor, em 1976.

 

P/1 – Professor...

 

P/2 – Aí, você começou a dar aula.

 

R – Comecei, voltei a trabalhar. Continuei no colégio, mas como professor.

 

P/1 – Qual escola você começou a dar aula?

 

R – Na mesma escola que estou ainda hoje.

 

P/1 – No internato?

 

R – Sim, no internato.

 

P/1 – E os seus alunos são da onde?

 

R – São os alunos aqui da vila, que passaram a estudar lá. Então, foram meu alunos. Comecei com a quarta série, depois fui subindo pra quinta, sexta, até a oitava. Na área de Matemática.

 

P/2 – Sempre a Matemática?

 

R – Sempre a Matemática. Eu gostei, tive muitos alunos. Estudei junto com o Chico Roberto, ele foi estudante na segunda série.

 

P/2 – E tem alguma história com aluno que você lembra, que gosta de contar?

 

R – Olha [risos]. História o professor tem muita, mas tem uma que me marcou muito. Foi com um aluno quando o sistema de avaliação, no tempo dos militares, era rígido, até porque aquela lei lá era muito... Eu reprovei um colega, que hoje é meu grande amigo e que a gente se encontra, conversa sobre a situação. Tive que dar uma nota mínima pra ele porque a tendência lá, sabia que ele não dominava os conteúdos e sentia alguma coisa reprimida. Ele veio questionar e eu disse que a supervisão dos missionários era muito rígida, tinha que apresentar tudo direitinho, fazer aquela coisa toda e eu chamei ele e disse: “Infelizmente a sua nota é essa aqui”. E ele: “Não dá para refazer não?”. “Não, porque o diretor está aí”. Tá bom. Ele bateu no meu ombro e disse: “Eu vou largar e vou pro garimpo”. Foi pro garimpo, se deu bem. Ele progrediu, o que ele conseguiu no garimpo foi bem aplicado. E hoje ele está bem de situação, sem passar por essa profissão ingrata que era ser professor. Porque o objetivo da escola era formar os primeiros professores indígenas. Foi em 1974, a primeira turma, e em 1976 eu tive a possibilidade de participar desse grupo. Os primeiros professores indígenas que saíram dessa escola “Padre José de Anchieta”. 

 

P/1 – E os professores indígenas são formados e vão para as comunidades?

 

R – É. O objetivo da época era o seguinte: você estuda, mas com o objetivo de voltar na comunidade como professor. Era o trabalho dos missionários, tinha esse objetivo muito claro. E nem todo mundo gosta da profissão, era a tal coisa, no período das férias iam e não voltavam mais porque não queriam ser professores. Passava uma peneira, praticamente. Aqueles que aceitavam, hoje já estão aposentados. Eu já tenho 32 anos de serviço e não tô querendo me aposentar agora, não. Não tô com vontade.

 

P/1 – Enquanto professor, existe uma preocupação de aproveitar que está dando aula e tentar resgatar a própria cultura Macuxi?

 

R – Isso.

 

P/1 – E como é isso?

 

R – Isso foi depois do estudo de Magistério que nós fizemos. Eu também tive a possibilidade de participar do primeiro grupo de professores para formação. O governo ofereceu uma formação para os professores da zona rural. O curso era em Boa Vista, no período de férias. Começamos em 1982, terminei em 1986. Nós éramos 180 professores. A partir daquela visão começou-se a trabalhar o resgate da cultura, língua, história, tudo isso aí. Teve um escritor, o Aimbere Freitas, escreveu alguma coisa de Roraima que veio fortalecer esse estudo sobre a cultura indígena. É de pouco tempo pra cá porque perdemos muito tempo sem conhecer a nossa própria identidade.

 

P/1 – E nesse resgate, quais são os principais itens que não podem passar? Quando você vai dar aula para um menino, qual a primeira coisa que tenta se passar como resgate?

 

R – Hoje nós temos na sala de aula a conscientização do que é um povo. A gente tá consciente que é Macuxi, embora alguns não aceitem. Ainda têm aqueles jovens que estão passando pela fase da adolescência, que ainda não se identificam como um Macuxi. Eles ainda copiam algumas coisas da sociedade envolvente, isso é natural, é fase, né? Mas hoje é a minoria, a maioria já se identifica como povo Macuxi, com sua cultura, a sua identidade própria, a sua história. Isso é importante porque, pra chegar até isso, foi preciso um trabalho de conscientização muito forte, e agora não. Não são 100% que temos, mas, com certeza, 95% já temos alcançado. 

 

P/1 – E qual a maior dificuldade que vocês têm pra poder passar esse conteúdo?

 

R – É justamente a aceitação. O povo se identificar como Macuxi, que “eu sou indígena”. Muitas vezes não aceitam.

 

P/1 – Existe uma vergonha?

 

R – É vergonha, porque a sociedade envolvente abafa, e pra voltar... Porque no colégio, quando foi implantada a língua Macuxi no currículo nosso, começamos em pré-escola, primeira, segunda e terceira série, classe mais baixa para a mais alta. Porque nós tentamos adotar no Ensino Médio mas a maioria não mostrou interesse, não aceitou. Então, nós começamos com os alunos da pré-escola, primeira, segunda e terceira série, que hoje estão na sétima, oitava do Fundamental. Eles já aceitam, já conversam, perderam aquela timidez, aquela vergonha. Foi um passo muito importante isso, também é um processo em andamento, mas, com certeza daqui dez anos, a língua já está envolvida na escola, com certeza.

 

P/1 – Eu posso abusar um pouco mais do seu conhecimento, dos Macuxis, que eu queria conhecer um pouco mais. Como é que funciona a comunidade Macuxi, como é a relação entre as pessoas? Porque tem essas reuniões que eles fazem, como é que funciona isso?

 

R – Essas reuniões são para tomar decisões e no povo Macuxi não se toma uma decisão isoladamente, tem que ser em grupo. Por exemplo, hoje de manhã eu não participei porque fui atrás de fazer uma tarefa ali, mas estão desde hoje de manhã conversando sobre um assassinato que teve aqui na comunidade. Um caso de embriaguez, matou outro e estão decidindo o que é que vai se fazer com o criminoso.

 

P/1 – Essas reuniões são comuns?

 

R – São. Para se tomar decisão, não é uma decisão precipitada, demora dias, dois, três dias, porque é uma coisa muito delicada. Já é uma característica Macuxi tomar decisão, um, dois dias, sentados, em reuniões.

 

P/2 – Mas só pra entender, no caso do assassinato. Vão decidir se vão entregar pra polícia, como é que é?

 

R – Não, ele já foi entregue pra polícia, que já soltou ele. Agora estão se decidindo o que é que vai fazer, porque ele tem que pagar alguma coisa por isso. Vamos fazer uma atividade, ou o que vai fazer. Porque solto ele não pode, tem que ter uma atividade que vai marcar mesmo, porque ele está fazendo aquela atividade. Não dentro da comunidade, ou vamos colocar ele em outra comunidade para fazer um trabalho comunitário, estão planejando fazer isso.

 

P/1 – Eu queria que você falasse um pouco mais agora sobre essa comunidade, sobre a origem da demarcação, quando começou a discutir a questão da demarcação. 

 

(Final de CD).

 

R – Chegou aqui em Roraima o Bispo Dom Aldo Mongiano, ele era de Moçambique, veio pra cá e, no ano seguinte, na visita... Porque o prédio, onde funcionava a escola era da Diocese de Roraima, da Igreja Católica. Então, os missionários estavam ali constantemente, não faltavam missionários para supervisionar. O Dom Aldo, lembro muito bem, a partir de 1976, começou a falar na terra Raposa Serra do Sol. Raposa é a comunidade que existe aí, Serra do Sol é o limite norte de Roraima. Ele começou a implantar aqui, que a gente devia resgatar, ficar. Mas, questionavam muito porque muitos fazendeiros, muitos criadores, os garimpeiros... Como é que vai tirar, sem condições? Isso foi primeiramente implantado dentro da escola, isso começou a germinar. Já na década de 1980 teve um resultado mais abrangente e, em 1990, quando houve aquela retirada, aquele processo todo da demarcação. Mas foi o pensamento de Dom Aldo Mongiano que começou ali, nas salas de aula do internato. Muitas vezes, os padres diziam que têm que entrar quase como currículo, tem que falar abertamente em sala de aula porque precisa fazer essa demarcação da Raposa  Serra do Sol. Então, começou ali. Nós não compreendíamos nada e muitas reuniões dos Tuxauas passavam a ser feitas lá na escola porque, até então, uma reunião geral dos Tuxauas era na Fazenda São Marcos, da Funai. Como era área muito distante, a parte Surumu ficava mais centralizada, elas passaram a funcionar aqui. Eu lembro muito bem que em 1976, 1978, a Polícia Federal e a Funai vieram aí e acabaram com uma Assembléia dos Tuxauas, a primeira e a segunda, a Polícia Federal mandou acabar [risos]. Mas continuaram sempre a fazer essas reuniões e hoje é tão natural.

 

P/1 – Eles entraram na reunião?

 

R – Pediram para suspender a reunião, que cada Tuxaua voltasse a sua comunidade.

 

P/1 – E foi tranquilo, o pessoal aceitou, ou...

 

R – Na época sim, porque quando falava em polícia a pessoa tinha uma visão, sabe... A pessoa mais tímida. Mas, com três, quatro reuniões depois, não, já estava mais fortalecido, a ideia já começava a concretizar e não teve mais como segurar.

 

P/1 – E saiu essa demarcação?

 

R – Saiu. Foi homologada, já estão debatendo no Congresso se ela vai ser contínua, ou se os plantadores de arroz devem ficar. Esse é o pepino, no momento.

 

P/1 – Dá para você falar um pouco desse conflito recente?

 

R – Foi muito lamentável porque bons vizinhos, com os fazendeiros aqui. Foi uma vivência amigável até que os últimos saíram em 2003. Mas o Macuxi deve muito ao fazendeiro também porque dava-se emprego, tipo um salário pros Macuxis. Então, saindo os fazendeiros, que foram indenizados, praticamente ficamos sem atividade, somente a pesca e a roça, só para o sustento. Então, se percebeu que o povo ficou meio desorientado. O Governo Federal não botou logo um projeto, como tem agora, pra fazer a plantação mecanizada. Ficou nesse intervalo meio abandonado em relação às atividades, já que a atividade pro Macuxi era basicamente nas fazendas. Se precisasse de algum dinheirinho, ia trabalhar na fazenda uma semana, adquiria, já tinha essa vivência amigável. Com a demarcação, eles foram indenizados e retirados e ficou nessa situação. O que acontece? Permaneceram os arrozeiros que não pegam a mão-de-obra das comunidades. Aqui só o rapaz que mora aí do lado que trabalha com eles, e dois pais de família. Mas não são daqui, vieram com ele, casaram com as Macuxis daqui, mas só trabalham lá. Mas, daqui mesmo pra trabalhar ele não pega, o arrozeiro. Porque não tem mão-de-obra qualificada.

 

(Troca de fita).

 

P/1 – Esses arrozeiros são da onde?

 

R – O maior produtor daqui, que é o Paulo César Quartiero, o atual prefeito do município.

 

P/1 – É nativo daqui?

 

R – Não, ele é gaúcho. Nós temos o outro, o arroz Faccio, não tô lembrado bem o nome dali, que é do Paraná. Temos outro lá embaixo que é o Iticaua, que é um japonês, não sei qual o Estado de origem deles.

 

P/1 – Mas eles chegaram, pediram licença, como foi isso?

 

R – Não. Paulo César chegou aqui em 1998. Na época, tava se transitando as terras de Roraima para efeito de demarcação para indenização. Então, muitos que achavam que a Funai, a União, não iam pagar o preço justo, acharam um atravessador, um comprador que pagasse mais e venderam pra ele. Essa foi a situação. Embora sabendo, na época, que as terras eram proibidas de venda. Ele comprou essas terras em 1998, chegou aqui, começou a plantar e pronto, enraizou e criou esse problema.

 

P/1 – E a comunidade indígena sabia disso que estava acontecendo?

 

R – Com certeza, mas, aqui, como o povo tem uma situação econômica, dinheiro, né? Comprava advogado e ia permanecendo, entrava com ação e foi aquela morosidade e até agora ele permanece. No ano passado houve aquela manifestação da retirada dos arrozeiros pela Polícia Federal. O que aconteceu no Surumu? Surumu ficou aqui, as pessoas que trabalham com ele, com bombas caseiras, ficaram por aqui, ameaçando todo mundo aqui, tomaram aqui a ponte, jogando bomba pra todo lado, ameaçando, aterrorizando todo mundo. Isso aqui, com certeza ficou marcado na história, não o lado positivo, mas sim o lado negativo. Na cabeceira da ponte, ele mandou meter o trator, arrancou, quebrou a cabeceira da ponte para não entrar e, na outra comunidade lá, fez um bocado de coisa. Eu acredito que ele usou a força para permanecer. Isso ainda está em processo de andamento, não sei como vai finalizar isso aí. Agora, pra Surumu, essa atitude de bomba caseira, aquela ameaça de arma de fogo, isso aí foi uma coisa negativa que, hoje, todo mundo reprova. Porque aqui vivemos pacificamente. Boas pessoas foram embora daqui, venderam suas coisas, tiveram sua indenização. A gente não gostaria, pelo menos, alguns não gostariam, porque tem pessoas boas ainda. Então alguns foram, ainda vem por aqui visitar, mas, infelizmente, esse aí permaneceu e continua aí no poder... Uma das reprovações foi agora na eleição. O povo, unido, votou contra e até primeiro de janeiro ele desocupa a prefeitura e tem o prefeito que o povo elegeu.

 

P/1 – Ele foi eleito ou não?

 

R – Não, perdeu. Os vereadores daqui mesmo, nos juntamos para eleger os vereadores daqui mesmo. Se não deu através de documentos, o povo se uniu pra tirar na base do voto, que é o mais democrático, né? [risos].

 

P/1 – E quando vocês conseguem eleger uma pessoa que vocês julgam que é representante daqui, como vocês controlam essa pessoa? Existe uma forma de controle?

 

R – Olha, o município aqui, até porque até 1996, o município pertencia à Boa Vista, capital. Como é a 200 quilômetros, não tinha uma fiscalização. Até então, os vereadores que eram eleitos iam legislar lá e aqui praticamente não sabia de nada, aceitava tudo numa boa. Porém, pra criar esse município, Chico Roberto, eu e mais alguns, em 1995, fizemos um plebiscito, não foi aprovado. Quando foi em novembro de 1895, fizemos dois plebiscitos no ano, foi aprovado e foi criado o município de Pacaraima. Eu tive o prazer também de trabalhar com o Chico Roberto e quando foi em 1996 já teve a primeira eleição. E nós escolhemos o candidato que foi um professor aqui, o Hiperion, eleito. Nós elegemos ele. Foi reeleito novamente e em 2004, quando o Chico Roberto pleiteou, perdeu pro Paulo César e aí, já era uma questão de dinheiro... O povo analfabeto, muitas vezes sem orientação, se vendia. Então, ele ganhou esse poder. Ele foi cassado, o Chico Roberto assumiu, depois ele voltou a assumir novamente e está terminando o ano dele. Então, os nossos vereadores, os que o povo mesmo escolheu, foram eleitos.

 

P/1 – Mas tem alguma forma de cobrar? Porque foi eleito, como é que vocês chegam até ele para falar: “Olha, não esquece de fazer isso”.

 

R – Daqui do Surumu, só no terceiro mandato, nós tivemos vereador daqui. O que foi uma conscientização toda. Porque se a gente vota nos vereadores lá da saída do município, por que ninguém elege daqui? Então, foi eleito um na legislação passada e agora nós temos, inclusive o vereador daqui foi o mais votado e vai assumir a Presidência da Câmara com 243 votos, porque o povo fechou nele, foi um compromisso que ele tem com a gente.

 

P/1 – Ele mantém uma relação com a comunidade?

 

R – Com certeza. Ele participa das reuniões, é irmão do Chico. Ele não quis ir embora daqui, porque o pai dele foi indenizado daqui e foi, o seu Zé. Mas o Chico e ele continuam aqui, têm casa aqui. Agora vão se quiser, senão o povo não obrigada. Ele indenizou, ele e o Chico Roberto, duas casas dele, e aqui continua o comércio dele aqui, é uma questão de conversa. Não é porque você tem que ir embora, é uma conversa. Tantas pessoas boas foram embora, iludidas. Daqui da vila mesmo. Eu conheço várias famílias, quando foram para um assentamento que o governo ofereceu, o pessoal da Funai chegava e dizia: “Você quer indenizar a sua casa ou não?” “Quero”. Achava que era muito dinheiro, cinco, dez mil e venderam suas casas. Hoje estão berrando lá, coitados, um pedacinho de terra sem estrutura nenhuma, e deixaram a casa. Eu digo que foi uma besteira que fizeram, porque se quissessem ficar, teriam ficado, que não era obrigado. Acharam que dez mil, quinze mil, que iam receber nessa casa, que não ia acabar e iriam progredir mais, mas foi um engano. E tá com previsão de voltarem pra cá, por que não eram daqui?

 

P/1 – E voltando a esse lugar que você mora, fala um pouquinho dele. Você tava falando, por exemplo, dessa quentura, desse tempo daqui. Como é o tempo daqui?

 

R – Aqui em Roraima nós temos duas estações: o verão e o inverno. Porque primavera e outono para nós não existe [risos]. A gente está localizado próximo à linha do Equador, é uma região muito quente, principalmente de setembro a março, são os meses que o verão é mais acirrado. É sempre quente, agora, quando dá noite sempre cai a temperatura porque nós estamos aqui na Cordilheira do Parima, o vento que vem de lá do Monte Roraima ameniza aqui. Tanto lá em Pacaraima também, quanto... Mas no verão a temperatura é fria, a temperatura cai para 16... Valsan, a temperatura lá em Pacaraima, mais frio, chega a 16, 17? Chega, né?

 

Valsan – Chega a 13, 14.

 

P/2 – Nossa, esfria muito. E o máximo aqui, chega a quanto?

 

R – Aqui chega a 40, com certeza [risos]. Hoje tá quente aqui.

 

P/1 – Esse tipo de estrutura aqui é uma forma da gente suportar? Como é o nome disso?

 

R – É. A palha do Buriti, é uma planta nativa, uma palmeira nativa. Você tira a palha, deixa secar. Essa cobertura é típica do povo Macuxi.

 

P/2 – Como chama essa estrutura?

 

R – Malocão. É o malocão, que caracteriza uma casa redonda.

 

P/1 – É a que tinha o nome Tapiri?

 

R – Tem tapiri. É um barraco coberto, mas nada desse sistema. É coberto também com a palha de buriti, tem a palha do inajá, que também é uma palmeira nativa, tem também outros tipos de palmeiras que dá de fazer a cobertura. Mas o tapiri é a casa, praticamente, tipo dessa característica aí, duas águas, não é redonda. Ela é retangular.

 

P/2 – E dura bastante? Essa palha tem que trocar?

 

R – Olha, essa palha, se ela for tirada no tempo certo, dura 20 anos.

 

P/2 – Como que é o tempo certo? Como vocês sabem?

 

R – O tempo certo é que vocês não podem tirar uma palha de buriti na noite de luar.

 

P/1 – Por que?

 

R – Porque com dois anos ela acaba rapidamente.

 

P/2 – Sério? Então tem que ser de dia? Como é isso?

 

R – Não, na noite, no tempo que a noite é escura.

 

P/1 – Tem que ser lua nova?

 

R – É, lua nova. Noite escura é chamada. Mas aí nós já estudamos porque acontece isso. Porque na noite clara os besouros, os insetos, a lagarta depositam seus ovos ali, nas palhas. Se você tira na noite clara, os ovos ficam aí, com o tempo ela come toda a palha e apodrece. Já na noite escura, não. É o tempo que elas não estão desovando, reproduzindo. Então, os ovos, com certeza não estão na palha e ela tem essa durabilidade. Parece incrível, mas é. Tanto a palha, a madeira também, tem o tempo certo pra tirar, senão...

 

P/2 – A madeira também tem que ser?

 

R – A madeira também, noite escura, sem luar. Não é que seja tirado à noite, mas de dia, mas o tempo, o período que ocorre.

 

P/1 – E a madeira daqui, qual é a madeira característica da região?

 

R – A madeira daqui tem o velame, o frejó, pau-rainha.

 

P/2 – Essa, por exemplo, daqui dessa maloca?

 

R – Essa daqui é chamada de _____.

 

P/1 – Vamos voltar um pouquinho na sua formação. Você começou a dar aula, você conseguiu fazer o curso superior?

 

R – Sim, em Magistério, nós fizemos em 1982, a primeira turma, terminamos em 1986 e eu fiquei trabalhando.

 

P/1 – E você teve formatura, uma festa?

 

R – Sim.

 

P/1 – E como foi isso?

 

R – Foi em Boa Vista, na sede de um clube, na festa de Magistério. Mas aqui, no término do Ginásio não teve nada, não. Era só certificado e pronto, a gente ficava na saudade.

 

P/1 – Como sua família viu? “Olha, ele se formou, é professor”.

 

R – Eu voltei a ver minha mãe depois de dez anos que ela voltou do garimpo.

 

P/1 – Ela também tava no garimpo. Aliás, eu não falei do garimpo. O garimpo é de quê? O que se garimpa aqui?

 

R – Ouro, diamante. Nós temos um rio aqui, o Rio Mau, muito rico em garimpagem, o Rio Cotingo...

 

P/2 – Já é muito antigo esse garimpo?

 

R – Já. Foi o que atraiu os nordestinos virem para cá.

 

P/1 – Mas o garimpo ainda funciona?

 

R – Não, foi extinguido. Todos os garimpos foram fechados, agora só as comunidades que trabalham, mas é manual.

 

P/2 – E Luciano, você é casado?

 

R – Sou casado, sim.

 

P/2 – Como você conheceu a sua esposa?

 

R – Foi uma férias que eu fui em outro município de Bonfim...

 

P/1 – Você tinha quantos anos?

 

R – Eu já tinha meus 18, 19 anos. Até mais. Porque a mamãe foi morar naquela região. No período das férias eu ia para lá e conheci essa Wapixana.

 

P/2 – Qual é o nome dela?

 

R – Maria Dalva. Ela é da região de Serra da Lua do Bonfim.

 

P/1 – Também é indígena?

 

R – O pai, agora a mãe é nordestina, maranhense.

 

P/2 – Que etnia indígena que é ela? A Família?

 

R – A mãe é maranhense, o pai é Macuxi mesmo, da região de lá. E vai fazendo essa mistura, porque hoje é difícil... “Ah, vamos tirar e permanecer só o Macuxi”. Hoje não, é uma coisa irreversível, não tem condições.

 

P/1 – Mas como foi que você conheceu mesmo? Foi uma festa...

 

R – Não, a mamãe trabalhava fazendo a roça e eu ia pra lá. Assim, festa de final de semana. Começamos a conversar, de lá ela veio pro internato aqui também. Porque era internato de meninos e meninas. E aí, a coisa aprofundou mais, quando foi dezembro de 1980, casamos. Fomos casar lá.

 

P/2 – E vocês têm filhos?

 

R – Temos. Temos cinco.

 

P/2 – Fala o nome da escadinha [risos].

 

R – A mais velha é a Luciana, a segunda é Dalciana, o terceiro é Luciano Filho, quarta é Marciana e a última é a Fabiana.

 

P/1 – E o que eles fazem, quantos anos tem?

 

R – A mais velha já casou, tem um filho e tá fazendo História, pela Uerr [Universidade Estadual de Roraima], universidade do estado. A segunda também tava fazendo História, mas ela casou, teve um filho e trancou a matrícula. E o meu rapaz ainda continua lá, estudando, faz Matemática. A minha filha leciona aqui, tá fazendo Pedagogia também, pela Uerr, e o meu rapaz tá no segundo anos do Ensino Médio, tem 16 anos.

 

P/2 – E a sua esposa, o que ela faz?

 

R – Ela é professora também, já está se aposentando.

 

P/2 – Professora de quê?

 

R – Trabalhava de primeira à quarta, multisseriada. Ela já entrou com pedido de aposentadoria porque ela já tem tempo e idade também. Praticamente no outro ano não vai trabalhar mais.

 

P/1 – Então, toda a família tá envolvida um pouco com essa área de Educação?

 

R – É.

 

P/1 – E como é isso em casa? Deve ser uma “professorada” conversando, como é isso?

 

R – Bate-papo... Quando a gente se encontra é aquele papo mesmo. Mas eu acredito que nem todos vão ser professores porque hoje o mercado, acho que Roraima está quase abastecida, tem que pular pra outras atividades porque, somente professor hoje, acho que nem todos têm essa tendência não, de fazer sua opção.

 

P/1 – Luciano, como é um dia seu da semana? Como é que começa seu dia, que horas você levanta?

 

R – Eu levanto cinco horas, vou tirar o leite das vaquinhas. Às seis horas tenho um pouco de porcos e galinhas para cuidar. Às oito horas no colégio, meio-dia volto, uma e meia volto pro colégio. À noite, vou ler um pouco, estudar um pouco e aí, sábado eu faço Matemática pela Univirr [Universidade Virtual de Roraima] e vamos levando.

 

P/1 – Eu fiquei sabendo que você chegou a dar aula para pessoas como o Seu Valter, que é... Como é que é esse nome... 

 

R – Coordenador.

 

P/1 – Isso, coordenador, mas tem um nome indígena, não tem? Tinha um nome que me falaram, mas não me lembro agora. Mas você deu aula pra eles...

 

R – Pro Cristóvão, Tuxaua, ele foi meu aluno.

 

P/1 – Esse nome, Tuxaua, isso. Como é dar aula pra esse povo assim?

 

R – Naquele época ele tinha 15, 16 anos...

 

P/2 – Tuxaua é o líder, né?

 

R – Isso, é o líder, nomeado pela comunidade.

 

P/2 – Isso que eu ia perguntar, como é feito isso?

 

R – É escolhido através de voto direto.

 

P/2 – Mas ele pode perder o poder, como é que funciona?

 

R – Aqui o critério é o seguinte: Quando ele acha que ele não tem mais condições, ele entrega o cargo e nomeia o outro. Mas nunca é retirado assim, como se diz, deposto. Espera a vontade dele, porque é uma coisa bem democrática, mesmo.

 

P/1 – As mulheres também podem votar?

 

R – Também, todo mundo vota, menino, menina... Desde que já saibam assinar o nome.

 

P/1 – Mas a votação é falando?

 

R – Não, é marcando no quadro. No quadro, através do papelzinho, é tipo um voto... Pode ser secreto, pode ser ao vivo mesmo, é bem democrático. 

 

P/1 – Uma curiosidade nesse resgate da cultura Macuxi, existe uma preocupação de ter uma cartilha Macuxi, alguma coisa assim?

 

R – Olha, esse que foi o meu professor, Vicente Pira, eu acho interessante isso. Eu peguei um pouco dele porque, ele era Sardo, vinha da Sardenha, ele chegou aqui, na época ele tinha 25 anos e pensava que ele era padre, mas não era, não. Ele veio pra conhecer, por convite, parece que era de família rica aí, e veio conhecer a Amazônia. Passou por aqui, gostou e ficou. Foi meu professor. Esse homem, com um ano, ele aprendeu Macuxi. Incrível. E os livros que hoje nós temos na escola são de autoria dele.

 

P/1 – Então, tem um livro Macuxi?

 

R – Tem. Os dois primeiros foram lançados por ele, em 1986. Mas agora já temos livros lançados pelos nossos próprios professores de Macuxi.

 

P/2 – E uma curiosidade sobre religião. Qual é a religião, tem uma religião típica do povo? Como é que foi isso?

 

R – Olha, a Igreja Católica foi muito atuante nessa área, viu. Porque, você sabe que ela, como diz, abafou a fé Macuxi.

 

P/2 – E tem algum foco de resistência, como é? Não tem mesmo, eu sou católico...

 

R – Até quando os missionários atuavam aqui, tinha que seguir a Igreja Católica porque eles dominavam... A escola é onde você começa a mexer, os filhos levam pros pais e eles têm que seguir aquele caminho. Até na década de 1980, 1990, esses missionários atuaram e a Igreja Católica influenciou muito. A religião do povo Macuxi era uma crença em alguma coisa, principalmente em Macunaíma, nesse personagem. Se baseava muito na crença, uma coisa imaginária. Porém, com a chegada da Igreja Católica, foi botando aqueles critérios, que hoje ainda temos muitas sequelas. Muitos colégios daqui são nomes... A “Padre José de Anchieta”, né? Um missionário que veio lá. O nome da nossa escola. Eu pretendo mudar isso aqui, futuramente. Eu vou encontrar barreiras, mas eu pretendo.

 

P/2 – Mas você lembra alguma história da sua cultura religiosa, que foi perdida?

 

R – Foi pela atuação dos missionário. Agora, por quê?

 

P/2 – Mas você lembra de alguma história?

 

R – Porque a religião na comunidade era um tipo de encontro onde acredita em um ser supremo, não sei quem era ele...

 

P/2 – Era um Deus...

 

R – Era um Deus. Com a Igreja Católica isso aí acabou porque começaram a trabalhar muito bem com os alunos e aí, chegou...

 

P/2 – O senhor nunca foi educado, então, nessa religião?

 

R – Na religião católica a gente era obrigado a obedecer. A primeira coisa, ao levantar da rede, era fazer o “Em nome do pai”. Tinha a oração, que eu já sabia de cor. Quando tocava o sino e ia para refeição tinha que rezar. Levantou, tinha que rezar. Tudo era... Na escola, o professor era obrigado a rezar as orações, praticamente no caderno, no calendário, né?

 

P/2 – Eu estou falando antes de você ir pro internato, a família tinha algum culto religioso, alguma coisa que não fosse a católica?

 

R – Eu não lembro, mas acredito que não, porque quando eu me entendi, os missionários já estavam aqui na área. E com ______ dessa igrejinha aí, então, as comunidades mais próximas sempre chegavam aí, curiosidade ou não, foi isso aí, que aconteceu.

 

P/1 – Luciano, a gente está fechando, já. Você olhando toda a sua história, essa sua história de professor, de pessoa preocupada com a comunidade, o que você diria que foram as lições mais importantes pra sua vida? Nessa trajetória?

 

R – Olha, essa profissão que eu tenho, acho que é gratificante. Eu olho por esse lado porque é bom ver os seus semelhantes ter... Tenho alunos meus que já são doutores. Tem o Jefferson, irmão do Chico, que foi meu aluno, já é doutor, chegou doutor do Paraná agora, há dois, três meses. Isso dá uma grande satisfação, e pra nós também, pra maioria dos professores aqui na área indígena, foi passado pelo, quando a única escola que funcionava o Ensino Médio dessa região, passaram e eu vejo um pouco do meu trabalho semeado nessas escolas por aí, isso é muito gratificante.

 

P/1 – O que você diria que são seus sonhos?

 

R – Ver o povo Macuxi realizado.

 

P/1 – E pro futuro, o que você pode dizer?

 

R – Futuro... Meu?

 

P/1 e P/2 – Seu, da comunidade...

 

R – Da comunidade, se um dia eu parar de dar aula... Eu tenho um sonho, nós estamos com um projeto feito pelo Pdpi [Projeto Demonstrativo de Povos Indígenas], um órgão que atua na região amazônica, através de projetos. No meio do ano, com a preocupação de muitas famílias virem para cá, com essas manifestações aqui, a alimentação ficava escassa. Foi a minha preocupação, eu corri atrás e consegui um projeto para ser implantado aqui, de uma área mecanizada de dez hectares, nós temos feijão agora, mas já ficou metade pro milho e a mandioca. Mas, eu saindo da escola, com certeza vou trabalhar nesse projeto, me aprofundar mais. Com certeza, irá gerar alimentação pro povo Macuxi porque precisa. Porque povo com fome não vai adiante, né?

 

P/1 – Você quer deixar uma mensagem pro povo Macuxi?

 

R – Que esenyaka'ma pri´ya ìna

 

P/1 – O que significa?

 

P/2 – Traduz pra gente! 

 

R – Que o povo trabalhe, esteja bem e satisfeito.

 

P/1 – Esse é um projeto do Banco do Brasil de contar a história a partir da história das pessoas. O que você achou dessa iniciativa?

 

R – Interessante porque começa a divulgar um pouco da história do povo Macuxi fora, né? Não fica somente restrita a Roraima ou em Surumu, mas que seja divulgada pro povo conhecer. Porque Roraima, ultimamente, tem ido pra mídia, só pessoas, só conflito, conflito. Aqui é a entrada da Raposa Serra do Sol, só o que é divulgado na mídia é conflito. Mas não é, vocês estão vivenciando aqui que não é. Quem fez esse conflito foram os arrozeiros, com os pistoleiros por aí, é o que aparece na mídia. Agora, o nome, praticamente, né?

 

P/1 – Antes de fechar, como é a relação dos Macuxis com os outros povos indígenas?

 

R – É amigável, hoje essa aliança está muito aproximada porque nós temos assembléias duas vezes por ano dos Tuxaua, onde são convidados os Tuxauas de todas as etnias. Aqui passou a ser um ponto de encontro. Já tivemos um encontro em abril, estamos programando um agora para dezembro, para a gente justamente ver essa parte aí. E hoje as comunidades indígenas, as etnias, estão muito próximas. E escute aí, não vai demorar muito e esse povo unido, quem sabe, não tenha um representante lá na Assembléia Legislativa? Porque estamos trabalhando para isso, né? Porque povo tem, nós somos 19 mil Macuxis nesse pedaço. Precisa de uma unificação séria, aí com certeza.

 

P/2 – Conta pra gente quantos são... Tem os Macuxis...

 

R – Macuxi é o predominante. Depois tem Wapixana, Taurepang, Yekuana. Mais ao sul nós temos os Yanomami. São essas cinco etnias fortes.

 

P/1 – Então, a idéia é unir esse povo?

 

R – Com certeza. Hoje, nós temos os Yanomamis, que praticamente não tinham relação com os povos do norte, hoje já têm representantes. Tem um grupo de estudante deles que estão estudando a Língua Portuguesa para se comunicar melhor, já estão participando das assembléias. Quer dizer, cada vez a unificação está se concretizando, com certeza.

 

P/1 – A gente agora está fechando, mesmo. Como é que você se sentiu dando esse depoimento pra gente?

 

R – Tranquilo, foi com bastante satisfação e estamos aí pra cooperar no que for preciso. O importante é levar o nosso pensamento a outras... O importante é divulgar, porque hoje o mundo está globalizado e é preciso olhar essa nossa história do outro lado, não só na página suja, mas na página bonita que temos aqui. Isso é importante, é interessante. Isso nos fortalece, com certeza.

 

P/1 – A gente agradece muito o seu depoimento.

 

P/2 – Obrigada.

 

R – Muito obrigado. Obrigado digo eu, estamos aí.

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