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História

Luciana Shimizu: a vida no varejo!

História de: Luciana Shimizu
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/07/2021

Sinopse

Apresentação do entrevistado; origens da família. Breve descrição da atividade dos pais. Infância na fazenda em Santa Luzia, (SP). As brincadeiras de rua e a liberdade de poder brincar já que todos se conheciam na região. A mudança para Ribeirão Preto e a diferença de socialização de uma cidade para outra. O período escolar, até se formar no ginásio. O primeiro emprego numa loja de roupas, depois disso ainda trabalhou numa papelaria. A gravidez inesperada que a fez escolher permanecer no Brasil. A entrada para o ramo de supermercados, onde passou por diversas áreas até se encontrar na seção de vinhos. O convite para fazer parte do Sincomerciários, e logo após sua saída, por preferir tratar diretamente com os clientes. Já de volta ao ramo de supermercados, se encontra agora na área dos frios. A oportunidade de conhecer projetos sociais e fazer parte de alguns deles, dentre eles as Valquírias. Nas horas vagas, opta por assistir séries e ficar com a família. Para o futuro pretende voltar a estudar após a pandemia, de modo que a situação melhore.

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História completa

          Eu me chamo Luciana Cristina Valêncio Shimizu. Nasci no dia 3 de julho de 1979, em São Roque. Meu pai se chama Adão Valêncio, e minha mãe se chama Margarete Aparecida Arcain. Eu sou descendente de espanhol com italiano. Meu pai e minha mãe se conheceram em Lavínia, perto de Araçatuba, porque meu bisavô morava lá e trabalhava abrindo açude naquela época. Então, eles se casaram quando tinham 17 anos, mudaram pra Ibiúna e depois, pra São Roque. Mas eu não me lembro, porque eles saíram de lá quando eu tinha um ano e meio.

          Nós viemos para José Bonifácio, mas fomos morar em Santa Luzia, que é uma vilazinha próxima – dá uns dez quilômetros de distância. Eu fiquei lá até os sete anos, e aí viemos pra Rio Preto. Mas a gente morava na fazenda, não era na vila de Santa Luzia. Então, tinha vários cavalos, vacas, frutas, e a gente passava a maior parte do tempo lá. Já em Santa Luzia, era a escola - tinha a perua escolar, que o próprio dono da fazenda arrumou para nós, o ‘seu’ Cirano. E lá, você se enturmava muito com aquela turma de sítio mesmo, porque não tinha muita coisa para fazer. Eu brincava muito com aquele telefone sem fio, de duas latinhas, de bola queimada, pega-pega, disputa de animais - porque sempre tinha ali um lugar onde você corria com os cavalos.

          Por isso, quando nós mudamos pra São José do Rio Preto, o susto foi muito grande. Eu acho que a minha mãe deve ter sofrido mais, porque ela levava a gente pro colégio. Ela tinha que levar um filho, aí tinha que esperar aquele filho sair ao meio-dia, aí trazia pra casa e levava o outro. Minha mãe ficou vivendo assim praticamente uns dois anos, até a gente aprender a caminhar sozinha. Eu fiquei na escola do bairro, que se chamava Rollemberg, até a quinta série. Depois, tive que mudar para o colégio chamado Fogaça, e fiquei lá até o nono ano, quando eu me formei. E aí fui pro Victor Britto de Barros Serra, onde eu fiquei mais três anos. Depois eu fiz cursinho, fiz Auxiliar de Enfermagem no Ceres, e fiz Psicologia, por dois anos e meio. Aí eu fechei, tranquei a matrícula, porque eu iria embora do Brasil. A gente queria ir para o Japão, por causa do meu marido ter origem japonesa. Mas logo que eu decidi ir embora - já estava até com o passaporte -, eu descobri que estava grávida de dois meses e oito dias. Pra quem não podia ser mãe, foi um choque a mais. Aí eu preferi ficar no Brasil, porque meu esposo falou que era mais difícil trazer o bebê pra cá mais tarde, por problemas legais, então nós decidimos ficar. E minha menina nasceu e tem 16 anos hoje.

          Mas o meu primeiro emprego foi numa loja de roupa. Eu trabalhei lá um ano e meio. Aí eu saí de lá e entrei no Paraíso das Canetas, onde fiquei por cinco anos. Trabalhei também no Sampa Magazine, que era loja de roupas. Mas aí veio a história do Japão, eu tive minha filha e acabei ficando em casa por cinco anos. Depois disso, eu entrei no ramo de supermercado e fui trabalhar no Supermercado Laranjão, por 11 anos. Mas depois, a empresa quase faliu, está ainda em demanda com a Justiça - mas ainda tem uma loja aberta. Aí, só em agosto que eu voltei, no ano passado, e estou hoje no Supermercado Muffato.

          Nessa trajetória de mercados, eu passei por todos os setores: vinhos, papelaria, bazar… menos o caixa e o açougue, porque o meu gerente não deixou – pois aí mudava a função, e o sindicato não aceita que você trabalhe em função diferente. Então, eu subi em todos os cargos da empresa, menos no lugar onde eu não poderia estar. A adega, por exemplo, eu estudei praticamente quase todas as cartas de vinhos, para poder vender o vinho pro cliente. No bazar, na tinturaria, eu aprendi todos os tons de tinta, sabonete, xampu, tudo pra vender pro meu cliente. Até ração eu vendi também. Fiquei lá por 11 anos, mas o mercado já estava com a tendência de fechar, e eu falei que preferia sair. Era melhor sair, descansar um pouco, pra depois voltar, porque você volta com gás, com uma visão diferente.

          E eu tive todo o apoio do sindicato, de todas as formas, porque eu fazia parte da diretoria. Então, eu saí com uma visão diferente, e a minha bagagem continua crescendo.

          De todos os setores em que eu já trabalhei dentro dos supermercados, o que eu mais gostei foi o de vinhos. Eu não bebo, mas pra mim foi uma experiência nova. Porque, além de eu ter que vender o vinho pro cliente, eu tinha que contar o sabor que ele tem. Então, às vezes eu experimentava o vinho, para contar o que que ele tinha - qual era a uva dele, da onde surgiu a uva, pra que serve aquele vinho, o que você vai tomar, o que você vai comer. Então, pra mim foi uma experiência nova. Foi depois de eu ter vindo da padaria, que também foi interessante. Lá eu vendia bolo pra você, eu te falava como era, como fazia, o que que ia, o que não ia.

           Então, o meu problema é eu conversar muito. Eu falo demais. (risos) E nisso eu fui pegando amizade, tanto com os clientes, quanto com os funcionários. Eu tive a oportunidade de ir pro comércio de roupa no passado, mas eu prefiro supermercado, porque o supermercado é mais fácil de você vender e chamar o teu cliente pra você.

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