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História

Lourdes Maria: a Tia Ciata de BH

História de: Mestre Conga (José Luiz Lourenço)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/02/2020

Sinopse

Em sua conversa, Mestre Conga fala de sua família, de raiz meeira, e de sua infância na Vila Maria Brasilina. Descreve a gestação da cidade de BH para além da Avenida do Contorno, de sua experiência escolar e dos primeiros desfiles de escola de samba da capital. Fala da origem de seu apelido, a retomada dos desfiles em 1945 e a criação de novas escolas a partir desta data. Versa sobre como funciona o desfile e a gestão de uma escola de samba e narra sua visita ao Rio, através da qual traz melhorias para o samba belorizontino. Relembra seu contato com o Teatro Experimental do Negro (TEN), algumas de suas mais famosas canções e fala brevemente sobre o carnaval belorizontino atual.

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História completa

O racha é na Remodelação da Floresta é pelo seguinte... Racha é só o nome porque só eu saí de lá. Eu era um bom passista, modéstia à parte falando, e num concurso individual de associados eu me sagrei Cidadão Samba de 1948, morando na Concórdia. Concórdia não tinha bloco, não tinha nada. E aí cismei e falei: “Ah, vamos criar uma escola de samba no bairro Concórdia”. Tinha lá uma escolinha, chamava Descimento da Concórdia, mas ela era muito pequena. Eu e mais outros companheiros de uma outra escola, que se chamava Monte Castelo; e eu, da Remodelação. Falei “Ah, vamos criar uma outra escola?” “Ah, vamos, vamos”. Aí juntamos eu e mais uns sambistas, a também saudosa sambista - que foi uma das grandes de BH - ela foi para o samba de BH o que a Tia Ciata foi para o samba do Rio de Janeiro, ela chamava-se Lourdes Maria. Ela tinha o apelido de, não na presença, mas o apelido era Lourdes Bocão. E ela era uma grande sambista. Dançava, sambava, cantava, improvisava, então aí... Por isso que eu digo que ela foi para o samba de BH o que a Tia Ciata foi para o samba no Rio de Janeiro. Só que o Rio de Janeiro é uma cidade mais ampla, mais antiga e com uma população bem maior, e ela aqui em BH, não é? Até então, era uma cidade assim, mais acanhada, uma Capital mais acanhada. Mas ela foi uma grande sambista. Então eu, ela e mais uns companheiros criamos a Escola de Samba Inconfidência Mineira. Tinha o Fefê, o Cici, Zé Pretinho, Arroz - saudoso companheiro Francisco Chagas, mas tinha apelido de Arroz - e mais outros. Aí, criamos a Escola de Samba Inconfidência Mineira. Dai para a frente começamos, nos anos seguintes, a fazer mais samba, apareceram mais compositores para fazer samba. Eu mesmo, na época, não fazia. Uma, porque eu não tinha nem tempo para fazer, não é? Eu e mais outros companheiros, nós não tínhamos nem condição de pagar, dar um cachê para compositores, não é? Então a gente se baseou na história, foi fazendo a história de Bárbara Heliodora, Tiradentes, o Joaquim da Silva Xavier. E fomos fazendo assim, juntamos uns quatro a cinco lá, fizemos uma bobagenzinha e dali para cá passamos a participar mais do samba-enredo, e as outras escolas também foram acompanhando, como esse aqui: “Belo Horizonte, cidade tão linda, sua beleza nós queremos mais ainda. Seus horizontes, palacetes e arranha-céus. Belo Horizonte é um pedaço do céu... Suas riquezas minerais, aumentam o brilho do estado de Minas Gerais, este privilégio, que vem da Natureza, nossa Belô, oh, cidade montanhesa, nossa Belô, oh, cidade montanhesa. Belo Horizonte, cidade tão linda, sua beleza nós queremos mais ainda. Seus horizontes, palacetes e arranha-céus...” Esse samba é um samba meu, de minha autoria e composição, de parceria minha com a saudosa Lourdes Maria.

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