Busca avançada



Criar

História

Lista dos indesejáveis

História de: Ariovaldo Nogueira Filho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/01/2022

Sinopse

Ariovaldo recorda sua trajetória educacional, que começou na cidade natal e foi até graduar-se na Universidade de Brasília. Lembra da cidade que encontrou quando migrou para Brasília. Ainda estudante da UnB, começa a dar aulas em cursos supletivos. Participa da fundação do Partido dos Trabalhadores e, posteriormente, da Central Única dos Trabalhadores, em Brasília. Aproxima-se do movimento dos professores e opta por seguir carreira no magistério, trabalhando em escolas particulares. Em 1985, participa da primeira greve de professores das escolas particulares de Brasília. Em razão de sua militância sindical, e pelo fato de ter sempre trabalhado em escolas privadas, viu fechadas as oportunidades de trabalho na rede particular de ensino.

Tags

História completa

A minha primeira escola foi o Grupo Escolar Clóvis Salgado [em Ituiutaba]. Eu terminei o primário e na época tinha o que se chamava de exame de admissão. Eu fiz o exame de admissão e fui fazer o que se chamava na época de ginásio. E o ginásio eu fiz num colégio de padres, uma escola particular, Colégio São José, em Ituiutaba. Quando eu fui fazer o segundo grau, mudei de escola novamente. Porque na minha cidade, principalmente para o segundo grau, a melhor escola era o Colégio Estadual, escola pública que tinha os melhores professores, a melhor estrutura. Quando comecei a estudar no Colégio Estadual, inicialmente pensei em fazer engenharia mecânica. Mas, com o passar do tempo, essas coisas foram todas sendo alteradas. Quando terminei o segundo grau, foi o momento em que eu saí de Ituiutaba e venho para Brasília. Aí eu ingressei na Universidade de Brasília. Na época, você prestava o vestibular e tinha três opções. E eu passei para uma dessas opções, e com o tempo, e dentro da própria universidade, eu fui mudando de área. Eu sou formado em Engenharia Florestal. Brasília era uma cidade muito tranquila, não era uma cidade violenta, era uma cidade relativamente pequena. O Plano Piloto é uma região pequena da cidade. Nesses últimos trinta anos a cidade cresceu de forma assustadora. Mas quando eu cheguei, no final dos anos 1970, era uma cidade muito tranquila, muito pacata. E a gente vivia praticamente em função da realidade acadêmica, em função da universidade. A universidade virava para nós um pedaço da cidade, era onde a gente passava a maior parte do tempo. Como engenheiro florestal, eu nunca exerci a minha profissão. Na medida em que eu comecei a trabalhar, e como eu já atuava no movimento estudantil, para o final dos anos 1970 a gente teve a discussão de formação de um partido que realmente pudesse ajudar a organização de trabalhadores. Assim, comecei a participar das discussões de formação do PT. Depois veio a discussão da formação da Central Única dos Trabalhadores, que são coisas que estavam mais ou menos interligadas. Como em Brasília as coisas eram muito próximas naquele momento, até porque uma parcela do professorado era oriunda da universidade, na medida em que fui me adentrando mais na profissão também comecei a participar da organização dos professores, do ponto de vista sindical mesmo. E a partir do momento em que há definitivamente essa junção, a vida me leva a ser um profissional do setor de educação. Em 1985 houve uma greve dos professores das escolas particulares, e nessa greve eu já trabalhava em mais de uma escola, já trabalhava no ensino regular, era um profissional com carteira assinada. A partir desse momento, a participação sindical realmente se efetiva. Comecei a trabalhar [como professor] no final dos anos 1970, início dos 80. A partir de 1982, eu já dava aula em escolas regulares, em pré-vestibular etc. A integração maior ao sindicato se dá num momento posterior. Eu também precisava me engajar do ponto de vista profissional, não podia ficar só por conta de sindicato. Era um momento da minha vida em que eu ainda estava na universidade, ainda ligado ao movimento estudantil e trabalhava dando aula. Nesse período a minha participação sindical não era ainda efetiva. Ela vai ser efetiva mais para os meados dos anos 1980; na verdade, a partir da primeira greve de escolas particulares que houve no Distrito Federal, em 1985. Nessa greve eu já trabalhava em mais de uma escola, já era um profissional que tinha carteira assinada. A partir desse momento a participação sindical realmente se efetiva. O SINPRO, desde que foi criado, representava as escolas públicas e particulares. Brasília era um lugar peculiar em relação aos outros estados. Os profissionais da educação eram ligados à Fundação Educacional do Distrito Federal – e eram celetistas, assim como os profissionais da educação da área privada, também celetistas. Quando o sindicato foi criado, como Sindicato dos Professores “no” Distrito Federal, ele abarcou todos os profissionais da educação. Inclusive o Sindicato dos Professores representou também os professores da Universidade de Brasília. Quando entramos no sindicato, em 1986, por exemplo, em nossa diretoria havia uma professora da UnB. Até então, a organização dos profissionais da educação da universidade não tinha uma entidade que os representasse, inclusive legalmente. O sindicato acabou por representar esses professores até a criação da ADUnB [Associação dos Docentes da UnB] e a [posterior] criação da ANDES, o Sindicato Nacional [dos Docentes das Instituições de Ensino Superior]. Eu estava na chapa de 1986 a partir da minha militância na greve de 1985. Formamos uma diretoria com pessoas que trabalhavam na escola pública e pessoas que trabalhavam na escola particular. Isso sem contar que uma boa parte trabalhava tanto na escola pública quanto na particular. Eu fui um profissional que nunca trabalhou na escola pública, só trabalhei em escola particular. Participei de quatro gestões no Sindicato dos Professores: de 1986 a 89, depois de 1989 a 92, aí retorno em 1995 e vou até 2001. A partir de 2001, na escola particular as coisas eram bem diferentes da escola pública, porque não tínhamos estabilidade. Eu era uma pessoa que tinha um embate muito grande, do ponto de vista da organização dos profissionais, com o sindicato dos donos de escolas. E esse embate me transformou numa pessoa muito conhecida dos donos e diretores de escola de todo o Distrito Federal. Eu era uma pessoa meio assim marcada para a morte. Então, à medida que eu saio do sindicato, que eu não tenho mais estabilidade nem nada, eu perdi o meu contrato. A partir daí eu não conseguia mais trabalhar em escola nenhuma. [Fui] obrigado a buscar outras opções na minha vida e praticamente saio do setor da educação. Passei um certo período desempregado e a partir de 2003 fui atuar no Ibama, num programa de prevenção e controle e combate a incêndios florestais, na Amazônia Legal; fui consultor do PNUD [Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento] e depois fui fazendo inúmeras outras coisas. Tive diversas atividades, porque era impossível [voltar a] ser profissional da educação novamente.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+