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Linhas que o tempo tece

História de: Simone Ramalho
Autor: Simone Ramalho
Publicado em: 22/12/2014

Sinopse

Uma linha do tempo... ou melhor, linhas que o tempo tece para construir os muitos que somos, cada um de nós, no encontro com tantas outras linhas... do tempo e da vida.

História completa

1975 - Infância pelas ruas de terra, rios, água de poço, terrenos baldios, chácaras, plantas em lata de óleo, camas de armar na cozinha, chão de cimento vermelho para encerar, vizinhos se falando no portão como uma família extensa, com italianos, espanhóis, negros, brancos, católicos, gente de macumba, jardins, muitos cachorros vira-latas, lambretas e carros velhos que se consertavam nos quintais, brinquedos feitos em casa, pouco dinheiro, pouco ônibus, pouco médico, poucos móveis, pouco de tudo, em uma zona leste que mais parecia cidade do interior.

1978 - Ingresso na escola pública do bairro. Abertura de universos com a leitura, com os professores, com colegas. Convivência aos sábados com um tio comunista que vinha fazer visitas intelectuais e políticas: livros para ler, música brasileira para conhecer, ideias sobre os rumos do país para discutir com uma criança. Ganho uma máquina de escrever, presente caro, e leio qualquer coisa que aparece na frente, mesmo que fosse difícil de aparecer. Professor de português salvador – livros, peças de teatro e incentivo para estudar.

1985 - Começo de trabalho no comércio familiar – bares noturnos na Zona Leste. Esforço por buscar livros e conhecimento na “cidade”, fora da Zona Leste – longos trajetos ao Centro Cultural São Paulo, à Biblioteca Mário de Andrade...

1987 - Decisão de cursar o ensino fundamental em uma escola pública distante, em busca de formação melhor e pela decisão de estudar na vida. Descoberta do movimento estudantil secundarista, do Partido dos Trabalhadores, ingresso na militância política às vésperas da primeira eleição presidencial direta pós-ditadura militar – Lula –lá!

1990 - Decisão de prestar vestibular em universidades públicas para Psicologia. Bolsa em cursinho privado, feito em conjunto com o trabalho, a escola e a militância. Dormindo poucas por dia...

1991 - Ingresso na Universidade de São Paulo, no Curso de Psicologia. Primeira pessoa de meu núcleo familiar a ingressar em uma universidade, segunda de minha família ampliada – a exceção da regra para o ingresso no ensino superior à época– aluna oriunda de escola pública, da zona leste da cidade. Tempo de conviver com um curso elitizado, em todos os sentidos, mas de viver, por cinco anos, a abertura de tantos outros horizontes intelectuais, políticos, afetivos, sociais que são o segundo marco fundamental de minha formação como pessoa, para além do tempo da Zona Leste.

1996 - Início do trabalho como professora universitária - um acaso em busca de empregabilidade, que se transformaria no exercício de um ofício ao qual me dedico até hoje, no interior do estado de São Paulo - e como trabalhadora da rede pública de saúde mental – início de uma trajetória de militância pela Reforma Psiquiátrica e pela Luta Antimanicomial duradoura.

1997 - Ingresso na vida acadêmica como pesquisadora da obra de Wilhelm Reich, na Universidade de São Paulo. Mais uma pedra fundamental na construção de minha identidade de trabalho, que levará à pesquisa de mestrado e doutorado, por duas décadas.

2001 - Inicio de uma parceria com a escola de samba X9 Paulistana, a partir da criação de um projeto econômico e cultural – Ala Loucos pela X. Entrada no universo do samba e do carnaval, que de certa forma, aliança muitas linhas que marcam esta linha do tempo – a periferia, a Psicologia, a pesquisa, a militância.

2009  -Casamento com o Pedro – encontro do parceiro de vida, de amor e de invenção de novas linhas do tempo.

2013 - Iniciação no candomblé e renascimento para uma vida nova, a vida de axé, tomando parte na família de santo do Ilê Asé Alaketu Baba Epê, tendo a honra e a alegria de ter como Babalorisá, meu primo de sangue, Luiz Carlos Duran, alguém que também tem origem lá nas ruas da Penha, especialmente de uma delas – a Rua Coronel Meireles, em que muitas histórias começaram quando os Ramalho foram morar por lá.

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