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“Liberdade é não ter medo”: A História de Mariana Cardoso e do Elétrica Brechó

Sinopse

Mariana Cardoso Furtado Silva, nascida em 01 de setembro de 1992, São Paulo, é publicitária e sócia-proprietária do Elétrica Brechó e camisaria Revolts, em parceria a Sté Frateschi. Filha de Herbert Furtado Silva e Cremilda Maria Cardoso, a história de sua família se mescla a tantas no Brasil, país multicultural; família paterna negra e família materna branca. Seus avós, mineiros de Patos de Minas, migraram para Brasília para construir o Distrito Federal. Foi lá que seus pais se conheceram e começaram uma história juntos. Em decorrência do trabalho do pai Helbert como administrador de empresas a família fez várias mudanças, até irem para Ribeirão Preto em 1996. Mudaram-se para um apartamento na região central da cidade, localizado na Av. Campos Salles. Quando menina Mariana amava estudar história e geografia na escola COC. Esse amor pelas áreas humanas despertaram o desejo de trabalhar com moda. Ao crescer foi para o Rio de Janeiro, seguir o sonho e estudar Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, na UFRJ. Seu lugar favorito no Rio de Janeiro tornou-se a Lapa, seu lar durante quatro anos e ponto de encontro com amigos. O custo de vida alto e as dificuldades com locomoção, mostraram a realidade de um Rio para além das revistas e novelas. Após formar-se retornou para cidade natal e descobriu a dificuldade de adentrar no mercado de trabalho da moda, uma área elitista, sendo negra e morando no interior. Do reencontro com a amiga Sté, fotografa há dez anos e apaixonada por brechós, surgiu um sonho em comum: montar o próprio negócio de moda. Eis que nascia a Elétrica, um brechó com peças para lá de únicas, vintage, e uma identidade forte: moda sustentável, consciente, online, ativista e diversificada. Marina defende que a moda vai além das convenções; afirma que roupa é tecido, não gênero. O próprio nome Elétrica veio da ideia de “empoderamento” e “força feminina”, uma marca com posicionamento e com ideias que geram uma energia, choque. O foco da marca é ser online e engajada, nos explica. Mas seu plano futuro é montar um espaço físico, que para além de um brechó, seja um ponto de encontro de amigos e amigas, um local cheio de arte, cultura, acervo fotográfico. Com a frase de Nina Simone, que estampa uma das camisas da marca Revolts, Mariana nos deixa uma mensagem: “Liberdade é não ter medo”.

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História completa

          Meu nome é Mariana Cardoso Furtado Silva. Nasci em primeiro de setembro de 1992, em São Paulo. Herbert Furtado Silva é meu pai, e Cremilda Maria Cardoso é a minha mãe. Eu tenho os meus vôs dos dois lados, e as minhas avós faleceram antes de eu nascer. Tanto o avô materno quanto o paterno são do interior de Minas Gerais e moravam num contexto mais rural. Eles fizeram essa migração pra cidade quando foram pra Brasília. O meu pai trabalhava no Carrefour, em Brasília, e a minha mãe também - eles se conheceram lá. Do lado paterno, é uma família negra, afrodescendente. Do lado da minha mãe, acho que é portuguesa e indígena.

          Eu nasci em São Paulo por conta do trabalho do meu pai, pois ele era sempre transferido. O meu pai é administrador de empresa, e no Carrefour ele trabalhava enquanto diretor de lojas, por isso as transferências. Então, saía de dirigir uma loja em Ribeirão, ia dirigir no Rio, ia mudando. E agora ele trabalha no Supermercado Savegnago.

          Mas aqui em Ribeirão, eu moro no mesmo prédio de quando a gente mudou. A gente saiu de Ribeirão e voltou pro mesmo prédio. Eu moro aqui na Campos Salles com a Barão de Amazonas, bem no Centro de Ribeirão. Da cidade, na infância, eu lembro bastante do Museu da Cana. A gente tinha que tirar o sapato, colocava aquelas pantufinhas. Era um superpasseio. E eu lembro muito de a gente passear em parque, andar de bicicleta, porque o meu pai levava a gente. E de ir comer fora, em restaurante.

          Eu estudei no COC desde pequena. Sempre fui boa aluna, sempre adorei estudar, até porque tinha muita atividade curricular na escola. Mas eu sempre fui muito de Humanas, e no comércio, o contato interpessoal - essa visão de mundo que a gente tem que ter - traz História e Geografia. No nosso comércio específico, que é um brechó, um consumo consciente, essa visão crítica aparece, e isso já era indicado na escola pelo meu fascínio por História e Geografia. Mas aí eu fui pra faculdade, fiz UFRJ, a federal do Rio: Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Lá eu já fui fazer estágio e já comecei a trabalhar com marketing de moda, que é a área que eu ainda atuo hoje, com brechó. Eu sempre quis atuar nessa área.

          Mas eu decidi voltar para Ribeirão depois da faculdade, porque o Rio é uma cidade muito cara. Pra você ter o mínimo de uma vida digna, você tem que ganhar muito. E voltando pra cá, eu fiquei quase um ano procurando algo nessa área de moda, mas é uma área muito difícil. Eu acho que o racismo estrutural e até o machismo perpassam essas ideias de que, se a gente se esforçar, a gente consegue. Então, pra mim, foi o maior choque de realidade que eu tive. Eu me formei e disse: “Pronto. Eu cumpri tudo o que me falaram que eu deveria cumprir, pra eu alcançar certos lugares”, mas vi que outras coisas impediam o meu acesso.

          E nisso, eu conhecia a Esther já da época do colegial. E a gente retomou essa amizade, fomos conversando. Foi a Sté mesmo que trouxe essa ideia de a gente empreender, abrir um brechó. Eu acho que eu trago esse lado mais de marketing de moda, mas a paixão específica por brechó vem muito da Sté. Enquanto publicitária, a gente cuidou bastante do branding da marca, antes mesmo de ter roupa. A gente já sentou pra fazer o processo de naming, de escolha do nome, e contatou um amigo meu do Rio, que era designer, pra fazer a nossa identidade visual. Ou seja, antes de estruturar o negócio, de ter a matéria-prima do brechó, a gente já tinha essa parte aí do marketing, do branding, mais estruturada. Foi o nosso primeiro passo. E o segundo foi garimpar essas peças. O resto, a gente foi entendendo no caminho. Mas de sólido, a gente tinha essa parte do branding, o que a gente queria ser enquanto brechó, o que a gente queria ser enquanto uma empresa. Os nossos valores, nossos ideais, sempre foram muito fortes. E a outra parte muito forte, que estava solidificada desde o começo, é o nosso garimpo, a nossa curadoria, a seleção das peças - o que a gente escolhe pra vender no nosso brechó. Acho que todo o resto foi no caminho, foi errando. Tem coisa que só agora a gente está entendendo como fazer.

          São muitas categorias de brechó. O brechó bagunça, normalmente, recebe e compra também de outros lugares, mas recebe muita doação; ele não tem uma curadoria. O que diferencia o nosso tipo de brechó é a curadoria - a galera chama mais de um brechó on line, brechó gourmet, que é um brechó que vai ter essa seleção, ele vai ter esse conhecimento, esse valor agregado da curadora de estilo. Mas o grosso, mesmo, a gente gosta de garimpar, tanto nesses brechós-bagunças, quanto em bazares. Esses clássicos bazares de igrejas são os nossos favoritos. A gente prefere adquirir nesses bazares ou brechós, porque é mais fácil de achar peça vintage legal - que a gente gosta bastante. E também porque ele não te limita ao estilo do guarda-roupa do seu cliente. Então, ele vai ter muitos estilos diferentes, muitas opções de tamanho.

 

 

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