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História

Liberdade é não ter medo!

História de: Mariana Cardoso
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/07/2021

Sinopse

Ppublicitária e sócia-proprietária do Elétrica Brechó e camisaria Revolts, em parceria a Sté Frateschi. A história de sua família se mescla a tantas no Brasil, país multicultural. Seus avós, mineiros de Patos de Minas, migraram para Brasília para construir o Distrito Federal. Foi lá que seus pais se conheceram.  O pai administrador de empresas, foi transferido várias mudanças, até irem para Ribeirão Preto em 1996. Mudança para um apartamento na região central da cidade. A meninice e a paixão por  história e geografia. O amor pelas áreas humanas e o desejo de trabalhar com moda. A ida para o Rio de Janeiro e o sonho de estudar Comunicação Social, na UFRJ. Formatura e retorno para cidade natal. Descoberta  das dificuldades no mercado da moda. O reencontro com a amiga Sté, fotógrafa e apaixonada por brechís. O nascimento do Elétrica, um brechó com peças para lá de únicas, vintage, e uma identidade forte: moda sustentável, consciente, online, ativista e diversificada. O foco da marca e planos futuros. Com a frase de Nina Simone, que estampa uma das camisas da marca Revolts, Mariana nos deixa uma mensagem: “Liberdade é não ter medo”.

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História completa

          Meu nome é Mariana Cardoso Furtado Silva. Nasci em primeiro de setembro de 1992, em São Paulo. Herbert Furtado Silva é meu pai, e Cremilda Maria Cardoso é a minha mãe. Eu tenho os meus vôs dos dois lados, e as minhas avós faleceram antes de eu nascer. Tanto o avô materno quanto o paterno são do interior de Minas Gerais e moravam num contexto mais rural. Eles fizeram essa migração pra cidade quando foram pra Brasília. O meu pai trabalhava no Carrefour, em Brasília, e a minha mãe também - eles se conheceram lá. Do lado paterno, é uma família negra, afrodescendente. Do lado da minha mãe, acho que é portuguesa e indígena.

          Eu nasci em São Paulo por conta do trabalho do meu pai, pois ele era sempre transferido. O meu pai é administrador de empresa, e no Carrefour ele trabalhava enquanto diretor de lojas, por isso as transferências. Então, saía de dirigir uma loja em Ribeirão, ia dirigir no Rio, ia mudando. E agora ele trabalha no Supermercado Savegnago.

          Mas aqui em Ribeirão, eu moro no mesmo prédio de quando a gente mudou. A gente saiu de Ribeirão e voltou pro mesmo prédio. Eu moro aqui na Campos Salles com a Barão de Amazonas, bem no Centro de Ribeirão. Da cidade, na infância, eu lembro bastante do Museu da Cana. A gente tinha que tirar o sapato, colocava aquelas pantufinhas. Era um superpasseio. E eu lembro muito de a gente passear em parque, andar de bicicleta, porque o meu pai levava a gente. E de ir comer fora, em restaurante.

          Eu estudei no COC desde pequena. Sempre fui boa aluna, sempre adorei estudar, até porque tinha muita atividade curricular na escola. Mas eu sempre fui muito de Humanas, e no comércio, o contato interpessoal - essa visão de mundo que a gente tem que ter - traz História e Geografia. No nosso comércio específico, que é um brechó, um consumo consciente, essa visão crítica aparece, e isso já era indicado na escola pelo meu fascínio por História e Geografia. Mas aí eu fui pra faculdade, fiz UFRJ, a federal do Rio: Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Lá eu já fui fazer estágio e já comecei a trabalhar com marketing de moda, que é a área que eu ainda atuo hoje, com brechó. Eu sempre quis atuar nessa área.

          Mas eu decidi voltar para Ribeirão depois da faculdade, porque o Rio é uma cidade muito cara. Pra você ter o mínimo de uma vida digna, você tem que ganhar muito. E voltando pra cá, eu fiquei quase um ano procurando algo nessa área de moda, mas é uma área muito difícil. Eu acho que o racismo estrutural e até o machismo perpassam essas ideias de que, se a gente se esforçar, a gente consegue. Então, pra mim, foi o maior choque de realidade que eu tive. Eu me formei e disse: “Pronto. Eu cumpri tudo o que me falaram que eu deveria cumprir, pra eu alcançar certos lugares”, mas vi que outras coisas impediam o meu acesso.

          E nisso, eu conhecia a Esther já da época do colegial. E a gente retomou essa amizade, fomos conversando. Foi a Sté mesmo que trouxe essa ideia de a gente empreender, abrir um brechó. Eu acho que eu trago esse lado mais de marketing de moda, mas a paixão específica por brechó vem muito da Sté. Enquanto publicitária, a gente cuidou bastante do branding da marca, antes mesmo de ter roupa. A gente já sentou pra fazer o processo de naming, de escolha do nome, e contatou um amigo meu do Rio, que era designer, pra fazer a nossa identidade visual. Ou seja, antes de estruturar o negócio, de ter a matéria-prima do brechó, a gente já tinha essa parte aí do marketing, do branding, mais estruturada. Foi o nosso primeiro passo. E o segundo foi garimpar essas peças. O resto, a gente foi entendendo no caminho. Mas de sólido, a gente tinha essa parte do branding, o que a gente queria ser enquanto brechó, o que a gente queria ser enquanto uma empresa. Os nossos valores, nossos ideais, sempre foram muito fortes. E a outra parte muito forte, que estava solidificada desde o começo, é o nosso garimpo, a nossa curadoria, a seleção das peças - o que a gente escolhe pra vender no nosso brechó. Acho que todo o resto foi no caminho, foi errando. Tem coisa que só agora a gente está entendendo como fazer.

          São muitas categorias de brechó. O brechó bagunça, normalmente, recebe e compra também de outros lugares, mas recebe muita doação; ele não tem uma curadoria. O que diferencia o nosso tipo de brechó é a curadoria - a galera chama mais de um brechó on line, brechó gourmet, que é um brechó que vai ter essa seleção, ele vai ter esse conhecimento, esse valor agregado da curadora de estilo. Mas o grosso, mesmo, a gente gosta de garimpar, tanto nesses brechós-bagunças, quanto em bazares. Esses clássicos bazares de igrejas são os nossos favoritos. A gente prefere adquirir nesses bazares ou brechós, porque é mais fácil de achar peça vintage legal - que a gente gosta bastante. E também porque ele não te limita ao estilo do guarda-roupa do seu cliente. Então, ele vai ter muitos estilos diferentes, muitas opções de tamanho.

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