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Leonardo Saralegui Balbino: as receitas para o sucesso

História de: Leonardo Saralegui Balbino
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/03/2021

Sinopse

Nascimento em São Paulo. Mudança para a cidade de Bauru em 1979. Infância na zona Oeste, no bairro Nova Esperança. Memórias do pai quando trabalhava na Telesp e a mãe no Banco do Brasil. Lembrança do bairro e do acolhimento de seus moradores. Brincadeiras de criança, escola, e lazer nos parques. Faculdade, cursos técnicos. Primeiro emprego e aprendizados sobre comércio. Lembrança de seu primeiro gerente. Dona Paula, a avó, e a inspiração para as empadas. Abertura da loja e consolidação dos produtos. Formas de pagamento, modernização e inovação.

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História completa

          Meu nome é Leonardo Saralegui Balbino, sou natural de São Paulo e nasci no dia 25 de julho de 1978. Meu pai é José Salete Balbino e minha mãe é Zenê Saralegui Balbino. Meu pai, hoje, é aposentado e trabalha aqui na Empadas comigo - quem toca o negócio aqui somos eu, meu pai e meu filho.

          Nasci em São Paulo, mas cresci no Nova Esperança, que é a periferia de Bauru. É um bairro bem distante do Centro. Pessoas humildes, muito carentes, porém muito acolhedoras. Gosto muito de lá, e meus pais moram no bairro até hoje.

          O meu primeiro emprego foi numa empresa que não existe mais no Brasil, chamada Arby’s. Era uma rede que fazia hamburguer de rosbife. Foi aí onde eu conheci o meu primeiro gerente, chamado Eraldo – e foi ele que me deu o know how todo de franquia, de atendimento ao cliente, de trabalhar com o público. Era no Walmart, assim que abriu, em 1997.

          Mas eu tive muitos empregos, e sabia que não queria ser funcionário público, empresário e vendedor – queria, sempre, trabalhar com uma grande empresa, de renome, pra poder criar raiz e acontecer lá. E foi tudo ao contrário: eu acabei sendo um vendedor, eu sou um grande vendedor. E pelo destino, eu virei empresário.

          A minha avó, a Dona Paula, sempre fez essas empadas, e foi ela que sustentou os oito filhos. Ela trabalhava com costura, e meu avô era taxista, enquanto meu pai ajudava nessa parte de entrega das oficinas de costura pra onde a minha avó costurava – mas ela sempre fazendo as empadas, pra tentar manter a família, pois eram oito filhos, né? Mas meu avô se aposentou, veio o pessoal da China e começou a costurar, e o que ficou foram as empadas. Aí eu tive a ideia de profissionalizar o negócio, entendeu? É onde entra todo o meu estudo de Marketing, planejamento mercadológico, pra poder fazer as empadas e montar a empresa. Essa é a parte mais bonita da minha história. Num momento de dificuldade, trabalhando, ganhando meu salário, no final do mês eu paguei todas as minhas contas e sobrou 33 centavos. Aí eu falei: “Pô, minha vó sempre faz empadas, vou conversar com a minha vó. Vou pedir a receita pra minha vó”. E ela me ensinou a fazer. Eu comprei 12 forminhas de empada, por 15 reais, no cartão de crédito – eu tenho o extrato até hoje. Então, eu comecei um negócio com 15 reais, no cartão de crédito.

          Aí eu fui pra casa... fui mostrar pra minha mulher que eu tive essa ideia, e ela ficou doida porque eu gastei os 15 reais com isso, sem ter dinheiro algum. Então eu peguei as coisinhas dela lá: farinha, essas coisas, e comecei a fazer as empadas. Fiz a receita que a minha vó me ensinou, mas não deu certo. Liguei pra ela, ela passou a receita de novo. Aí não deu certo mais uma vez, eu fui apanhando, até que consegui acertar. Enfim, consegui arrumar mais dinheiro e pude fazer empadas - então tinha 12 forminhas, eu fazia 12, comia duas e vendia dez; eu saía pra vender pra rua, e o primeiro que comprava era o motorista de ônibus. Já vendia algumas ali dentro do ônibus e ia no Centro de Bauru vender o restante. Foi assim que eu comecei.

          Fiz isso por uns 15 dias, vendendo 12 empadinhas. E aí eu já comecei a vender 24, porque comprei mais 12 forminhas. E aí já vendia 22 empadas todo dia. E durou uns dois, três meses assim. Eu fiz um uniforme, fiz o logo, comprei uma maquininha de cartão de crédito e uma caixinha de isopor que eu tenho até hoje. Eu acreditei que o negócio iria dar certo: “Isso vai mudar a minha vida”.

          Mas andando no Centro, no calçadão, o segurança não deixava você entrar na loja, e o segurança da rua não deixava você vender na rua, e mesmo assim foi dando tudo certo: “Eu não posso vender?” “Não” “Então come essa daqui, só pra você ver o que eu vendo.” Aí eu fui chegando. E fiz um empréstimo grande no banco, arrumei uma conta por cinco anos. Então, dando certo ou não, eu tinha que pagar essa conta, que era dinheiro pra comprar forno, freezer. Inclusive esse freezer que está aqui atrás foi o primeiro freezer que eu comprei. Comprei zero, novo, então o mantenho até hoje.

          Aí a esposa não iria deixar eu continuar a fazer em casa, e eu fui pra casa do meu pai. Ele falou: “Você pode fazer aqui em casa, mas não pega nem um quilo de sal da sua mãe. Você vai comprar tudo pra fazer as suas empadas”. Uma primeira coisa que eu comprei com esse empréstimo foi um celular. Eu precisava ter um celular bom, com um plano bom, para os meus clientes me ligarem, e uma câmera boa pra fazer umas fotos e enviar para os clientes. Aí eu fiz um uniforme, fiz o boné, que é esse boné aqui. Hoje o meu logo não é mais este, mas eu estou usando, que foi quando começou.

          Então minha mãe entrou no negócio pegando meus filés de peito no domingo, pra fazer no almoço: “Eu te ajudo a cozinhar amanhã, eu peguei um quilo aqui ontem, mas amanhã eu te ajudo a desfiar o frango, a picar a cebolinha”, que era o papel dela, até há pouco tempo - picar a cebolinha. Pois tem que ter uma paciência, né? Bem fininha, delicada. É vó, é mãe, é tudo, né?  Mas o meu pai, não. Meu pai já foi pondo a mão na massa. Eu precisava de alguém pro serviço pesado, pra trocar o gás, mexer no forno, bater a massa. Até  hoje é ele que faz tudo isso. Meu pai é um cara que nunca falou “não” pra mim, entendeu? Ele sempre esteve junto, em todas as etapas. Ele ficava dentro do carro, guardando a vaga pra quando eu chegasse com o outro carro com as empadas, porque não tinha ponto comercial, vendia na rua. Meu pai é fantástico. É um capítulo à parte da história. 

          E aí nós montamos a loja. Consegui o melhor ponto aqui da zona sul. Todo mundo passa aqui. O maior centro empresarial de Bauru está sendo construído na rua de trás, e eu estou na avenida Getúlio Vargas, o centro comercial da zona sul.

          Dona Paula é o nome da minha vó, realmente. Ela se chama Dona Paula. E não tinha como ser diferente. O que eu pensei? Um nome e uma foto de uma senhora que vai remeter à infância de qualquer um que teve uma mãe ou uma vó próxima. A minha avó, a Dona Paula, estava com 91 anos quando a gente fez a placa em homenagem pra ela aqui. Uma pessoa íntegra, guerreira. Só pra vocês terem uma ideia: foram 72 anos de casados, ela e meu avô. Então, foi o primeiro namoro dos dois, e eles se mantiveram juntos até o final. Ela faleceu com 93 anos.

          A receita inicial é dela, e é aí que está o segredo: aquela massa que derrete na boca e aquele recheio que dá a combinação, a explosão de sabores; um recheio especial, inigualável. Tem que vir aqui pra conhecer.

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