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História

Lembranças do meu pai

História de: Rogenir Almeida Santos Costa
Autor: Rogenir Almeida Santos Costa
Publicado em: 08/11/2005

História completa

Quero falar do meu pai. Dizer da alegria e do orgulho de ser filha do Seu Raimundo Juruca. Em minhas lembranças, destaca-se um homem elegante e de muito bom gosto. Através dele conheci as músicas de Cartola, Jacó do Bandolim, Noel Rosa, Waldir Azevedo, Herivelto Martins, Luiz Gonzaga e de tantos outros. Ao lembrar dele, vejo imagens de pessoas chegando em redes, muitas vezes correndo risco de morte, como no caso das pessoas esfaqueadas, que sangravam muito e, diante da falta de hospitais na região, ele assumia o risco de curar estas pessoas, mesmo sendo apenas um “prático”. Em 44 anos de dedicação ao ramo farmacêutico, fez verdadeiras cirurgias, salvou muitas vidas. Outras vezes o vejo chegando de viagem (Zé Doca, Santa Inês…) com gibis da Turma da Mônica, Pato Donald, Zé Carioca, Tio Patinhas… Quase sempre trazia uma “tarrafinha” com maçãs, uvas, laranjas e/ou tangerinas, dependendo do que o dinheiro desse. Lembro dele brincando com as pessoas, falando e “trocando gracejos com gatos e cachorros” – uma expressão que ele utilizava quando queria se referir indistintamente a todas as pessoas. Vejo sua imagem cuidando dos filhos quando estavam doentes, sempre com muito zelo e carinho. Lembro da sua prioridade em garantir a nossa educação. Surge o homem solidário que, além de cuidar dos seus filhos biológicos, assumiu cuidar dos filhos de outros. A nossa casa estava sempre cheia e ele se orgulhava muito disso. Vejo ainda o homem que sempre depositou confiança nas pessoas. Muitas vezes chegavam pessoas das cidades ou povoados vizinhos (Paruá, Maranhãozinho, Buritirana, Centro do Pedro, Centro do Guilherme…) para que ele receitasse remédios. Muitas destas pessoas não tinham dinheiro. Ele as atendia e registrava a conta no caderno, sem pedir documentos ou comprovantes de residência. Nunca negou remédio a quem quer que fosse. E o mais importante: a maioria das pessoas correspondiam a essa confiança. Definitivamente o seu dicionário não conhecia a palavra “mesquinhez”. Cometeu alguns erros, mas isso não tira a sua nobreza e nem apaga o pai sempre presente e responsável que foi. Tenho um imenso orgulho do meu pai e lhe agradeço pelo amor incondicional que sempre nos dedicou. Não fomos somente nós que perdemos um pai. Santa Teresa do Paruá perdeu um grande homem. Não é a toa que a cidade chora e manifesta o seu luto. Ele permanecerá na memória de muitas pessoas.
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