Busca avançada



Criar

História

Karla Lima dos Santos

História completa

IDENTIFICAÇÃO



Meu nome é Karla Lima dos Santos. Eu nasci em Brasília, em 25 de outubro de 1969. Estou em São Luís há três anos, mais ou menos. Meu pai é pernambucano e minha mãe é goiana. Eles se casaram em Brasília, e eu nasci lá. Tenho mais três irmãos.

CARAJÁS



Chegada
Meu pai é eletricista especializado em refrigeração, ar-condicionados, e um dia ele foi trabalhar e calhou dele chegar lá no escritório da Vale em Brasília. Precisaram, não sei direito como é que foi a história, ele chegou lá. E ele conheceu um moço que era Dr. Kleber, que conheci uma vez rapidamente numa visita em Carajás. Durante um tempo, meu pai continuou prestando serviços para ele, alguns serviços para a própria Vale, dentro do escritório da Vale lá em Brasília. E um dia ele perguntou: “Você não quer ir para Carajás?” O meu pai falou o que é Carajás, onde que é. Eles conversaram um pouquinho, aí meu pai, que tem um espírito de conhecer o mundo, de conhecer coisas novas, falou: “Eu quero, eu vou.” E foi, passou um tempo, acho que uns seis meses em Carajás, a gente conversando por telefone, até que um dia ele falou: “Olha, agora nós vamos morar em Carajás, vocês vão vir para Carajás. Aí nós fomos. Mas isso tem muito, isso eu tinha 15 anos, já era adolescente.” Carajás naquela época era um lugar onde as pessoas ficavam por pouco tempo. Tinha muitas empresas que prestavam serviços de construção civil, enfim, em outras áreas, e então a gente conhecia não só pessoas da Vale. Tinha outras pessoas de outras empresas também. Fiquei 14 anos em Carajás. Meu pai, ele já se aposentou pela Vale, hoje mora em Brasília de novo. Voltou pra Brasília, mas nós ficamos ali, eu fiquei 14 anos.

Pioneiros no Núcleo Urbano
A gente não sabia o que era, nem direito para onde era, mas como ele já estava lá em Carajás ele falou: “Não, é um lugar muito legal. Vocês vão gostar. Vamos lá que vai ser bom para a gente.” Aí nós fomos para Carajás, fomos a quinto a família de moradores do Núcleo Urbano de Carajás. Então a gente olhava para um lado da rua, tinha uma luzinha lá na frente, a gente olhava para o outro lado, não tinha nada ainda. Estava em construção, então estava vazio. O núcleo meio que começou a ter uma estrutura em função desses cinco moradores, cinco famílias que estavam lá em Carajás. Então tinha horário para o ônibus, para ir para a vila, que era um pouco distante. Tinha um ônibus que levava a Parauapebas para fazer compras. Então assim as coisas foram crescendo no núcleo. E a gente estudava na vila de N5 ainda, e tinha também um ônibus para levar, para retornar. E assim as coisas foram crescendo.

Lazer nos clubes
Tinha festas nas casas de amigos. Na época tinham três clubes, o C.C.I., o Serra Norte e o Carajás, que eram os clubes que tinham maior movimentação, sempre aconteciam grandes festas lá. O clube de adolescentes na época era o Carajás. Que era um clube que tinha um pessoal mais da minha idade, o clube que eu freqüentava. Serra Norte às vezes tinha alguma coisa, mas o Carajás que era o ponto mesmo de encontro. Tive até um namorado lá. Mas o meu primeiro namorado foi em Brasília. Em Carajás tive namorados, tem alguns que ainda residem lá.

Entrada no Bradesco
Quando eu cheguei em Carajás um dia eu resolvi que ia trabalhar. Queria trabalhar, queria aprender. Então conversando com uma colega, ela falou : “Carla, tem uma vaga de vendedora na ótica que acabou de inaugurar em Carajás. Vai lá, vai lá.” Ela já trabalhava lá.. E eu cheguei nesse dia, para conversar com o dono, e aí ele: “Ué, você já não veio pra trabalhar?” Eu falei: “Não, eu vim para conversar.” Ele falou: “Não, já pode ficar aqui que você já vai trabalhar.” E trabalhei ali durante seis meses, que aí surgiu a oportunidade no Bradesco e aí eu comecei a trabalhar no Bradesco, onde eu aprendi muita coisa. Atendimento a cliente, toda essa parte assim de, os controles, isso tudo eu fui aprendendo no banco. Então trabalhei como escriturária, atendente, moça Bradesco, acho que uma das últimas ainda, porque foi acabando. A moça Bradesco fazia atendimento, recebia as pessoas. No momento que o banco abria, direcionava para o caixa, para a gerência, se fosse alguma coisa de aplicações. Então esse foi um período muito bom. E Carajás tinha muitas pessoas. Então era movimentado. Hoje fica muito em função da Vale, mas naquela época não. E assim, em Carajás eu trabalhei mais de um ano e meio no Bradesco, que ficava na vila do N5. Então foi uma época em que eu realmente conheci muita gente, participava de muitas atividades. No Núcleo ainda não tinha nem comércio direito. Acho que tinha padaria, e a farmácia, se não me engano. Mas a movimentação toda, o que acontecia, era na vila do N5. Então tudo tinha que se deslocar para a vila, encontrar as pessoas era na vila do N5. Então foi um período ainda de deslocamento, até que as coisas migraram para o núcleo.

COTIDIANO



Viagens para Araguaína
Bom, da época do banco uma coisa que eu me lembro eram as viagens. Então assim. O Bradesco era em Carajás, mas tinha uma regional que era em Araguaína, em Goiás. Então para viajar para lá era uma confusão, porque não tinha estrada, tinha um pedaço de Transamazônica que tinha que pegar. Então o ônibus atolava, era um período em que se viajava muito de ônibus ainda. Avião ainda era assim uma coisa de luxo, não era todo mundo que viajava. Então a gente passava às vezes de dois a três dias na estrada. Então eu me lembro uma vez em que o ônibus literalmente atolou e o motorista falou: “Olha, se todo mundo não descer para empurrar, não vai ter jeito. Nós vamos ficar aqui ainda até aparecer um trator para conseguir tirar o ônibus." Aí desce todo mundo, criança, mulher, adulto. Empurra o ônibus para o ônibus sair. Quando a gente saiu de lá, era lama até o joelho. Mas era isso ou então ficar na estrada. Então era realmente um período muito complicado para viajar, por causa das estradas. Mas foi um período bom também.

ENTRADA NA CVRD



Recepcionista
Aí foi uma história. Trabalhando no banco comecei a conhecer muitas pessoas da Vale. E um dia eu conheci um rapaz de nome Vinicius, que também não sei se ele está na Vale ainda, ele trabalhava na Transporte Leve. Ele vivia falando: “Ah, você não quer trabalhar na Vale? Vamos trabalhar na Vale.” E assim aí as coisas foram andando, acabou que surgiu uma proposta para trabalhar na recepção da Vale. De recepcionista. E aí eu topei, falei: “Vamos lá.” E comecei a trabalhar. Não era na Vale propriamente dita. Era uma época também que você passava um período trabalhando em empresas contratadas. Então assim era o uniforme da Vale. A gente trabalhava ainda com toda a estrutura da empresa. Então nesse período da Vale, aí eu conheci o Mozart, que ainda era o superintendente em Carajás. O Marconi, muitas pessoas que hoje fazem parte de, são diretores, ou bom, enfim, presidentes de alguma empresa. E eu trabalhei nessa recepção durante oito meses. Ali eu recebia as pessoas, registrava quem entrava e quem saia do prédio, direcionava, atendia algumas ligações para passar para gerentes. Aí quando foi oito meses, falei: “Bom, eu acho que eu posso fazer mais do que isso, dentro da empresa.” Eu tinha vontade de aprender outras coisas e aquilo ali já estava pequeno. Então quando foi um dia, o Mozart passou, aí eu falei: “Eu posso conversar com o senhor? Eu estou precisando conversar.”
Aí ele olhou para mim e falou : “Pode. Mas agora não. Daqui 20 minutos eu te chamo.” Eu falei: “Tá bom.” Aí eu achei que ele ia esquecer, que ele não ia chamar, e quando deu 20 minutos exatamente ele mandou me chamar. Aí eu cheguei lá e falei: “Olha, eu estou trabalhando há oito meses ali na recepção, é um trabalho que eu gosto muito mas acho que posso contribuir mais. Tem uma área na empresa que é Relações Públicas e que eu sei que tem uma vaga e eu queria muito trabalhar lá. É uma área que eu me identifico muito. Aí ele falou: “É? Você fala inglês?” Eu falei: “Não, mas eu também posso aprender. Posso entrar num curso de inglês e aprendo.” Aí ele falou: “Tá bom. Então deixa eu pensar um pouquinho, amanhã eu falo com você.” E mais uma vez eu fiquei ansiosa. E no dia seguinte ele me chamou de novo, falou: “Olha, Carla, eu olhei no Relações Públicas, a vaga que tem lá é para uma pessoa que precisa falar inglês de imediato, mas eu tenho uma vaga que eu acho que vai ser muito boa para você, que é na área de informática. Estão precisando de uma pessoa que trabalhe a parte administrativa da área de informática. A gente está aprendendo muito, essa área está crescendo muito. Acho que vai ser uma área boa. Você vai conversar com Yamamoto agora.” Que na época era o gerente geral. Eu queria Relações Públicas, mas enfim eu queria era aprender mais do que ali na recepção. Fui conversar com Yamamoto no mesmo dia. Ele falou: “Olha, ainda não é na Vale, continua numa empresa contratada, mas é uma área que vai crescer e quem sabe ali não está sua oportunidade? Vai para lá para você aprender. E eu fui.

ENTRADA NA CVRD



Na época a gerente era a Margarida Dourado, que hoje está no Rio de Janeiro. E aí ela falou, e me recebeu, eu fui começando a aprender. E na época tinha o correio eletrônico que era diferente do que a gente tem hoje. Ele falou: “Olha você vai administrar o correio eletrônico aqui em Carajás, vai ter que aprender a mexer com essa área de informática e vai cuidar da parte administrativa aqui do setor.” E eram 30 homens, e eu e ela de mulher. Nessa área eu trabalhei cinco anos e depois passei para a Vale. Acho que com dois anos e meio mais ou menos eu passei para a Vale. E foi assim um período que eu aprendi muito e a Margarida me ensinou muito. Muitas coisas que eu sei e executo hoje em função de ter trabalhado com ela. Depois desses cinco anos na área de informática, eu trabalhei na área de qualidade, um ano mais ou menos e depois eu vim para a área de Recursos Humanos onde eu estou até hoje.

Transferência para São Luís
Ah, bom. Quando eu trabalhava na área de informática, conheci meu marido. Na verdade ele foi trabalhar na área de Informática por coincidência. A gente foi conversando e acabamos namorando durante um tempo. Oito meses a gente namorou, noivou e casou. E meu pai aposentou, foi para Brasília, e eu fiquei em Carajás com meu marido. Depois de quatro anos tive o meu filho e aí depois meu marido veio transferido para São Luís e eu acabei vindo para cá também. E aqui eu trabalho na área de Recursos Humanos. Na Vale mesmo estou há dez anos. E em São Luís há três anos.

CASOS DE TRABALHO



Dentro do período em que eu trabalhei num C.P.D. apesar de não ter ido para Relações Públicas, em vários momentos as pessoas me chamavam para acompanhar algumas visitas. Então foi assim com o presidente da Bolívia, Fernando Henrique já mais recentemente. A princesa Diana quando ela foi a Carajás. Então acho que eu destacaria, teve um dia muito engraçado na visita do Fernando Henrique, a primeira visita que ele fez a Carajás. Então sempre tem uma segurança muito forte nessas visitas. E nesse dia a segurança dele ia passando e ia fechando os locais. E entrou no zoobotânico, fez a revista e foi para a casa de hóspede. A partir daí ninguém mais entrava. E nisso a equipe de limpeza para limpar a casa de hóspede ficou do lado de fora. E eu já estava na casa junto com um amigo nosso, o Breno, e Wellington Araújo. Então nesse dia a Patrícia, que era relações públicas na época falou: “Gente, não tem jeito, a vassoura vai ser nossa. Nós vamos ter que varrer a casa toda antes da visita chegar, porque a visita não pode encontrar a casa suja.” Então nós tivemos que ficar ali varrendo. A casa já estava limpa, mas é que sempre vai uma sujeirinha, uma poeira. Então Eu, Breno e Wellington, varremos a casa. Foi muito engraçado porque o Breno é grandão. Aí ele falava: “Ah, minha esposa não pode saber de uma história dessas porque senão ela vai querer que eu varra a casa. Aí eu falei: “É, mas eu vou contar para ela.” E a gente ficava lá varrendo a casa. Foi um período assim que foi legal, foi engraçado.

AVALIAÇÃO



Bom, fora isso acho que assim, Carajás é uma boa parte da minha história de vida. Meu filho nasceu lá em Carajás, eu casei em Carajás, conheci meu marido lá. Aprendi muitas coisas em Carajás. Então hoje quando eu volto a Carajás tenho um carinho muito grande, tenho muitos amigos. Pessoas que fazem parte da minha história de vida. Eu devo muito a elas. A Vale é hoje a empresa que está me ajudando a concluir meu terceiro grau. A Vale a é formada por pessoas e pessoas que estão aqui para ajudar. Elas são a alma da Vale, que respeito e tenho um carinho muito grande.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+