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História

Com tranquilidade e muito carinho sua trajetória vai se construindo

História de: Juliana de Souza Marra
Autor: Curso Matemática UEMG/Divinópolis
Publicado em: 14/08/2017

Sinopse

Com muita tranquilidade e simplicidade a professora de Matemática Juliana de Souza Marra narra sua história às estudantes Ana Isabel da Fonseca e Raquel Fonseca do 1o período do Curso de Licenciatura em Matemática da UEMG/Divinópolis/MG.

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História completa

Entrevistadoras: Ana Isabel da Fonseca e Raquel Fonseca dos Santos.

Entrevistada: Juliana de Souza Marra.

Legenda: A – Ana Isabel R – Raquel J – Juliana

A – Bom dia, Juliana! Meu nome é Ana Isabel.

R – Meu nome é Raquel.

A – A pedido da Jaqueline Campos, professora de Bases Pedagógicas nós viemos conhecer um pouco sobre sua vida. Você pode nos informar o seu nome?

J – Bom dia, primeiro! Meu nome completo é Juliana de Souza Marra.

A – A data de nascimento.

J – Trinta e um do oito de mil novecentos e setenta e nove.

A – Você é natural de onde?

J – Carmo do Cajuru.

A – Nome dos seus pais.

J – Mauro de Souza Alves e Maria José Marra de Souza.

A – O que eles faziam?

J – Eles moram na roça.

A – Ah, tá bom. Seu tempo de serviço como professora.

J – Eh, treze anos!

A – E você tem alguma recordação da infância ou adolescência que você queira contar pra gente?

J – Tenho! (risos). Hãm..., a minha infância com relação à escola, por exemplo, quando eu era... “tava” no primeiro ano eu conhecei a primeira leitura e os fatos fundamentais então eu sempre brincava de dar aula pras minhas amigas assim, pros meus colegas.

A – Quando você estudou, algum professor foi marcante na sua vida escolar?

J – Sim. Eu tive vários, mas uma me recordo mais.

A – Por quê?

J – Ah, eu... Achei que ela tinha .... o dom assim de passar a matéria e eu aprendia bastante assim, e eu gostava. Sempre me esforçava mais com ela.

A – E esta professora de alguma forma te incentivou? Ela dava aula de qual matéria?

J – De matemática! (risos)

A – Ela te incentivou, ela foi um pontapé para você seguir esta carreira?

J – Foi. Com certeza!

A – E antes de você se tornar professora, você exerceu outra profissão?

J – Sim.

A – Como?

J – Eu era funcionaria de financeira, né?! De banco. Éh, estabelecimento financeiro.

A – E o que fez com que você abandonasse esta profissão e se ingressasse na licenciatura?

J – Na verdade eu já ingressei junto. Eu trabalhava no banco e trabalhava na escola. Só que chegou um determinado ponto da minha vida que eu tive que optar. Aí eu optei, porque eu gostava mais de lecionar, por isso eu abandonei.

A – Entendi! E o que te levou a escolher esta profissão, por que não outra matéria, por que não lecionar outra matéria e por que a matemática?

J – Matemática, igual eu falei, desde o inicio eu já... tinha mais habilidade com a Matemática. Sempre mais habilidade. Agora porque eu escolhi o curso de licenciatura, primeiramente aqui em Divinópolis não tinha outras opções assim, a não ser, éh... advocacia, ou letras. Letras eu não tinha afinidade, então eu optei por matemática. Primeiro porque eu gostava e depois me apaixonei! (risos)

A – E com todas as experiências vividas nos seus estudos, como você avalia a sua formação básica e até a graduação?

J – Muito bom! Foi muito bom.

A – Tem algum fato que você se recorde e queira contar? O modo como era trabalhado...

J – Aí eu posso colocar todas as matérias? Por exemplo, é... muito tradicional, assim o meu estudo, bastante tradicional. Eu sempre tive mais facilidade pelas exatas, tanto física, química e matemática e mais dificuldade em letras. Sempre tive muita dificuldade em letras. Tinha facilidade em humanas, e... mas eu tive excelentes professores, éh, principalmente para exatas. Sempre tive excelentes professores. Até o meu segundo ano do ensino médio eu fiz em escola pública e o terceiro ano eu arrisquei e fui para escola particular. E lá eu conheci outros professores também excelentes, assim que... né?! Assim despertou mais ainda pra matemática

A – Agora você, como professora, você incentiva seus alunos a pesquisar? Qual a importância da pesquisa na sala de aula?

J – Eu incentivo, mas eu acho que deveria incentivar mais. Primeiro porque eu acho que esta grade curricular nossa ela tá errada, porque você fica muito preso, principalmente assim no Estado, muito preso a só aula. Você tem que vencer um conteúdo, você tem... e acaba que não dá muito tempo. E os nossos alunos aqui, a realidade é que a maioria trabalha, então quando tem que fazer uma pesquisa a maioria coloca um obstáculo: “Ah! Eu não posso porque estou trabalhando”. Mas eu acho que eu deveria incentivar mais.

A – E os seus alunos, como eles reagem a isto?

J – Conforme eu falei! (risos) Tem alguns que aceitam bem. Outros não devido ao fato de trabalharem.

A – E como você avalia as perguntas dos seus alunos que você não sabe responder? Porque uma aula nem sempre ela é prevista, né?! Você planeja uma coisa, e na hora é totalmente diferente.

J – É, quando eu seu eu respondo na hora. Se eu não sei, aí eu vou falar que eu não sei e vou pesquisar!

A – E como você lida com as dificuldades dos seus alunos? Porque numa sala de aula, principalmente de escola pública, cada aluno tem um nível; tem aqueles alunos que gostam mais das exatas e aqueles que buscam mais pelas exatas, e aqueles que são mais de humanas e não gosta tanto da matemática e então talvez não se esforcem tanto. Como você avalia? O que você faz para que você consiga realmente passar e formar o conhecimento nestes alunos?

J – Olha, eu tento tirar as dúvidas, às vezes, até individual, só que uma turma, principalmente aqui, são turmas com quarenta e dois alunos, quarenta e cinco alunos, quarenta... depende da turma, então as vezes você não consegue este suporte todo, não. Então assim, quando o caso é mais gritante, às vezes eu chamo em particular com a especialista e a gente pede aos pais para virem à escola e a gente falar que ele precisa de um acompanhamento externo, não é só aqui dentro da escola que realmente não conseguimos dar este suporte, total não, né? E a gente liga também com, é... alunos também que não querem. São inteligentes, são capazes, mas também que tem uma preguiça, né?! Que às vezes não querem. Então nem se a gente dar aulas particular para ele os cinquenta minutos, nós não vamos conseguir. Então tem essas diferenças dentro da escola.

A – Então a superlotação das salas você vê como uma dificuldade?

J – Bastante!

R – O que você faz para a integração das diferentes culturas da turma para melhorar a convivência?

J – Ah... Eu tento... Ah! E tento conciliar tudo! Porque são... são histórias de vidas diferentes: cada um vem com uma bagagem; cada um vem de um lugar; cada um vem com uma experiência de vida... Então a gente tem que conseguir pelo menos equilibrar isso.

A – Como você lida com os erros dos professores que vieram antes de você, às vezes deixaram algumas falhas, alguns erros. Porque tem professores que realmente eles não ensinam da maneira correta, e como você lida com isso? Quando o aluno chega até você com um conhecimento, digamos “errado”?

J – Eu tento voltar nesse conteúdo, principalmente e tentar sanar esta dificuldade. Só que eu vejo um problema bastante, é... grande, porque o que que acontece: aquilo que já foi criado, já tá é .... ali, aquele conhecimento, é muito difícil de você quebrar aquilo ali e voltar com o conhecimento certo. Que já construiu errado, então nós temos vários exemplos por exemplos de quando eu tenho lá dois “xis” que é igual a quatro, e vai passar a divisão do dois, normalmente eles levam o menos dois, isso é um exemplo simples mas de um erro que é comum.

R – Quais cuidados você tem ao elaborar as provas?

J – Eu tenho o cuidado de sempre colocar questões fáceis, médias e difíceis, que aí eu vou atender as pessoas que tem mais dificuldade, as que são medianas, vou atender aqueles alunos que estão em um nível maior.

A – E quando há algum erro na prova, ou até mesmo na correção? Como você lida com as opiniões dos seus alunos e até mesmo questões em que os alunos mesmos expressam sua opinião, como você avalia isso?

J – Tá! Quando, por exemplo, eu vou colocar uma prova de múltipla escolha: eu não olho só a resposta. Letra a, b ou c. Olho só, e somente só quando eu pego só gabaritado, aí eu não tem como eu olhar a correção. Sendo assim, eu olho como o aluno desenvolveu. Então até aquele ponto que ele fez certo, eu avalio. A partir do momento que ele não está correto, aí eu já mostro, circulo, marco alguma coisa pra ele que não está correto ali. Mas até o ponto que ele fez tudo... a escrita dele, né?! O pensamento dele lógico já está correto, eu avalio.

R – Como você lida com a inclusão social na escola?

J – Olha Raquel! Eu ainda não peguei nenhum aluno assim... né?! Inclusão social. Este ano que eu estou com um. Esse ano, eu falei que não peguei, mas este ano apareceu um. Então lidar o seguinte: ele tem atraso, ele tem raciocínio de um ano. Então ele não sabe... mas ou menos ele sabe escrever o meu nome, mesmo assim soletrado. Então o que eu tento fazer? Dar atividade diferenciada, bem diferenciada. E avaliar ele no que ele consegue produzir ali, porque ele está na escola pra socialização. Ele não vai aprender igual aos outros alunos, não tem, né?! Então eu tento lidar assim: trazendo alguma atividade diferente pra ele.

A – E o que você acha sobre a inserção destes alunos na comunidade escolar? O que você acha que contribui pra ele, para os outros alunos, e até mesmo para nós professores?

J – Principalmente socialização. Eu acho superimportante. Primeiro que os alunos da sala dele respeitam e ele respeita também os meninos! Então isso é bom, né? Aquela troca de experiência e para o professor também. Pra gente ver que nós não temos na sociedade só os homogêneos, né?!

R – Como você avalia a situação da educação no momento atual?

J – Um caos. Um caos!

R- E quais melhorias você acha que seriam necessárias?

J – Primeiro este formato desta aula só de parede. Eu acho que a aula ela tem que expandir. O conhecimento não tem parece, então se ficar só dentro da sala de aula, porque você tem que seguir uma grade curricular, então isso eu não concordo! Eu acho que a escola tem que ser mais livre. Se eu pudesse sair com a minha turma [da sala]: “vamos sair hoje!”. Mas é muito fechado. Se falar que eu vou sair começa a... Às vezes fazem até ocorrência da gente, porque fica saindo com aluno. Então por isso que às vezes a gente é muito preso. Eu vejo que o formato está mudando! “Em vem” uma nova base aí, que né?! A gente sabe vocês estão estudando. Então assim, quebrar esse fato de aula uma atrás da outra...

A – E questão de material pra formação de aluno, pra uma aula mais dinâmica, a escola fornece, o Estado? Ele abrange mais essa parte?

J – Olha, aqui na nossa escola a gente tem bastante material. Principalmente geometria, nós temos aqui os materiais aqueles sólidos geométricos, acho que ajuda bastante. Precisa de mais? Precisa! Sempre precisa! E eu, enquanto professora, preciso construir os meus também! Não tenho que precisar só da escola. Se a gente for depender só da escola, do Estado pra mandar verba. Ainda mais este ano. Já caiu muita verba! Então precisa mais é o professor ser mais criativo, assim mesmo!

A – E você acha que isso é aplicado em sala de aula? Não somente na matemática como também em outras disciplinas.

J – Sim! Tem vários professores que aplicam. Agora tem outros que vê o material aqui... igual aqui, e nunca nem pegou.

A – E você acha que isso realmente ajuda o aluno?

J – Ajuda! Ajuda sim, muito! Tem material concreto, os nossos alunos infelizmente não saiu deste concreto. Eles não estão no conhecimento formal ainda, ainda estão no conhecimento concreto. Então se eles não manusearem fica mais difícil. Quando você leva, por exemplo, você leva uma figura geométrica e eles pegam ela, sentem ela e vê o que é que tá ali, acaba sendo mais fácil pra eles.

R – Em sua opinião qual o papel do professor na sociedade?

J – Fundamental! Não existe nenhuma outra profissão sem professor. Fundamental. É a base de tudo.

A – E como você avalia o respeito que as demais profissões, os alunos e os pais tem com o professor?

J – Caiu muito. Não está tendo respeito assim não! Nós temos pais que respeitam demais! Mas nós temos pais também que acham que nós somos obrigados a fazer tudo e não dão suporte ainda.

R – O que te motiva a continuar sendo professora?

J – É o prazer que eu sinto em lecionar e o prazer que eu sinto em construir alguma coisa, alguma base “pro aluno”. Vê esse efeito acontecendo, essa transformação, isso me dá prazer!

R – O que você faria diferente desde a sua formação até a etapa que você está hoje?

J – Eu acho que... eu penso o seguinte: estudar mais, eu acho que eu estudo bastante mas mesmo assim é pouco, então acho que precisava ter estudado mais e modificar o jeito das minhas aulas. Eu sou mais assim, tradicional mesmo. Eu deveria ser mais construtivista, NE?!

R – Qual o seu maior sonho hoje?

J – Meu maior sonho? (risos) Utópico demais! Seria que meus alunos aprendessem tudo assim, né, bem e conseguissem mesmo ter uma boa profissão, serem bons cidadãos.

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