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História

José de Ribamar Souza Freire

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IDENTIFICAÇÃO



Meu nome é José de Ribamar Souza Freire, eu nasci em 16 de março de 1957, na cidade de Santa Inês, Maranhão, que dá uns 250 km daqui da capital. Minha mãe é de Pindaré Mirim, próximo a Santa Inês, e o meu pai é de Picos, no Piauí. O meu pai chegou lá do Piauí fugindo da seca e terminou conhecendo a minha mãe. Eles tiveram seis filhos. Eu morei em Santa Inês até 20 anos de idade.

INFÂNCIA



Quando eu morei em Santa Inês, a cidade não tinha energia, não tinha água encanada, não tinha televisão, só depois de muito tempo. Quando eu saí de lá, com 20 anos de idade, ainda não tinha água encanada, não tinha energia, não tinha. As brincadeiras da gente eram assim na luz da lua, correndo na terra, se molhando, assim.

MIGRAÇÃO



Saí de Santa Inês e fui para Minas Gerais, trabalhei um período lá em Minas, cinco anos, quando eu cheguei de volta ao Maranhão, viemos parar aqui na Vale, porque demitiram muita gente, foi em 1985 que eu comecei na Vale.

ENTRADA NA CVRD



Eu já havia trabalhado na área da Vale lá em Vitória, prestando serviço, e já conhecia alguma coisa. Eu tinha vontade, nessa época era até um sonho, porque eu já tinha trabalhado na área como processador de serviços, e eu queria realmente trabalhar na Vale. Eu entrei para trabalhar com almoxarifado, em 1985, no Almoxarifado do porto. Trabalhei de 85 até 89, final de 89. A gente trabalhava com compras de peça, de material, comprava e distribuía para a Vale do Rio Doce. Na época que eu cheguei o porto ainda não estava funcionando, só em 86 que começou a funcionar. Então, fui vendo todo esse crescimento.

CORAL



Na época que a gente entrou era muito divertido, fui um dos fundadores Coral Doce Voz. Eu gosto muito de música, apesar de não ser músico profissional, mas eu gosto desde a minha infância, principalmente. Ouvia muita música, tinha amigos que tocavam violão, isso aí eu sempre gostei. O coral foi uma experiência muito boa em termos amizade e de conhecimentos também, aprendemos a conhecer mais músicas, música clássica. Eu sou tenor, e a gente escolhia o repertório de músicas e o maestro também, ele mostrava algumas músicas, e a gente terminava escolhendo algumas para cantar. A gente se apresentou em Aracaju, em Penedo, em Alagoas, nos apresentamos aqui em São Luís em vários festivais de músicas do Maranhão, no Festival Internacional de Música que aconteceu aqui também, no Maranhão. E ainda nos apresentamos em várias cidades do Maranhão, e também no Pará.

Viagens
Era muito divertido, a gente viajava geralmente de ônibus, ia cantando, ia contando piada, era muito divertido. As viagens para Aracaju elas foram as melhores que a gente fez. Eram viagens muito boas, a gente ficava hospedado numa praia, tudo, a gente saia, todo mundo, pra ir curtir um pagode, coisa assim.

Casos de Trabalho
Até 89 trabalhei no almoxarifado, e desde 90 eu trabalho na estação de trem de passageiros, onde acontece um bocado de casos interessantes. Quem vai viajar com criança tem que estar documentada, e a criança também. E teve uma vez que um senhor chegou com a criança, queria viajar, não tinha documento, eu disse: "Olha, só viaja com documento." Aí ele disfarçou, foi lá, colocou a criança dentro de uma bolsa grande e queria passar na portaria com a criança. Aí a gente descobriu, e não deixou. Ele disse: "Tudo bem, está aqui a criança, é tua, eu vou-me embora". Entrou no trem e deixou a criança comigo, chorando. Aí eu disse: "Eu vou liberar pra você viajar hoje, mas da próxima vez o senhor traga o documento na mão." Hoje a gente já não tem muito esse problema, porque tem o Juizado de Menores para tratar disso.
Outro caso foi de uma senhora que estava viajando com seis crianças, de Parauapebas para Santa Inês. Quando chegou em Santa Inês ela desceu, levou cinco crianças e esqueceu uma dentro do trem. Quando chegou aqui em São Luís me entregaram a criança, que levei para casa, era um garoto de 13 anos. No outro dia, ligamos para o Juizado de Menores, pedindo instruções, que a mãe já tinha entrado em contato com a gente, e tal, e o Juizado, "Não, vocês entregam a criança para a gente, que vamos mandar de volta para a mãe." Aí tudo bem, a criança foi. No dia seguinte, quando ela ia viajar de volta, deu um problema na linha e o trem de passageiros não saiu. E o menino ficou de novo lá em casa. Só embarcou no dia seguinte. O garoto adorou, se apegou tanto à gente que não queria mais ir embora. Começou a chorar e queria que a gente adotasse ele de qualquer jeito.
Outra história também que aconteceu, foi um assalto. Chegaram três pessoas, armadas, renderam a gente, pegaram o dinheiro todinho. Nessas alturas ia chegando um motorista que presta serviço para a Vale, e ele não sabia de nada. a gente estava dentro da sala, a porta encostada, ele empurrou a porta e falou: "Quem é o homem daqui?" Quando ele falou assim, um dos assaltantes botou o revólver no pescoço dele aqui, e disse: "Olha, fica quieto que é um assalto", ele ficou geladinho! E aí eles assaltaram a gente, foram embora levando a grana todinha, e até hoje não pegaram os assaltantes.

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