Busca avançada



Criar

História

Jongueira do Pinheiral

História de: Maria de Fátima da Silveira Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/07/2007

Sinopse

 Em sua entrevista, Fatinha fala brevemente sobre sua família, sobre a cidade de Pinheiral e a sua militância pelo movimento negro. Em seguida, descreve as dificuldades encontradas pela família para entrar no Ensino Superior, a sua vitória conquistada com a graduação em Educação Física e seu início no movimento negro, junto do Clube Palmares de Volta Redonda. Adiante, nos fala sobre o intuito da luta negra e explica o que é a ação Griô. A partir daqui, Fatinha explica alguns aspectos do Jongo e da Festa de Nossa Senhora do Rosário com diversos causos e histórias. Fala da importância de passar essa cultura adiante e das modificações e vitórias alcançadas pelos jongueiros e o movimento ao longo dos anos. A entrevista encerra com uma conversa sobre a culinária mineira da região e com os sonhos de Fatinha para o futuro.

Tags

História completa

Os negros trabalhavam de sol a sol, né, eles não podiam se comunicar, era, né, eles trabalhavam a questão de misturar, né, as etnias prá que não houvesse, né, os dialetos eram diferentes, então, eu costumo até falar, a gente vive até hoje porque o nosso povo foi muito guerreiro mesmo, porque tudo era contra. E o único momento que eles tinham era à noite, então, né, sempre acendia uma fogueira em frente à senzala e eles batiam os tambores. Esses tambores são confeccionados em tronco de árvores, né, o nosso inclusive é feito de imbaúba e nesse momento é que eles se comunicavam. Então eles armavam as fugas, ataques às fazendas, sabe, tudo através da música e, né, através da dança. Então pro feitor ou pro fazendeiro eles tavam dançando, bebendo aguardente, né, também aguardente realmente bebiam, né, porque, é, é, bebia mesmo, porque descobriu que a cachaça aquecia o corpo, fazia esquecê, né, muitas coisas, então e eles comunicavam através dos pontos que a gente fala, um jongueiro, no caso, o escravo, né, ele cantava um ponto pro outro e o outro respondia. Ele tem que entender, um exemplo assim, eu vendo uma coisa em você, ou eu sei alguma coisa da pessoa, de você, alguma coisa assim, eu canto um ponto prá você, você fala cantando isso prá mim, entendeu? eu tenho que te a resposta, sabe, é como se fosse um desafio, entendeu? eu tenho que te a resposta, é muito bonito, muito legal mesmo. E tem também, e tem assim, né, na parte da brincadeira, né, igual eu falei, ai, eu vendo a sua blusa azul, então eu vou cantá um ponto porque você de blusa azul, mas tem também a questão, eles falam dormenta, sabe, que é um jongueiro debatendo com o outro, quem canta o ponto mais forte, sabe, também, é legal também que, sabe, ficá, é bacana a disputa e o coro, né, as pessoas que estão em volta fazem o coro, né, repete, normalmente a gente repete a parte final do ponto. Aí, dança a noite inteira, até de manhã, sabe, é muito bom. Exatamente por causa disso, por causa dessa comunicação, de um jongueira cantá ponto e o outro ter que desatar. Então, existem muitas histórias de, assim, porque o nosso povo, né, ele sempre também trabalha, trabalhou o candomblé, né, hoje em dia a gente trabalha a umbanda também, mas naquela época eram os orixás, então, e eles tinham conhecimento dessa, né, dessa força e tal e isso também rolava na hora, porque era o momento que eles tinham, sabe, era o momento. Então ou fazia tudo na roda ali ou não podia fazer outra hora, então era o momento. Então era muito forte a roda de jongo e ela é ainda até hoje!

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+