Busca avançada



Criar

História

Ivanilson Pereira da Silva

História completa

IDENTIFICAÇÃO



Meu nome é Ivanilson Pereira da Silva. Eu nasci num erro de percurso em Guajará-Mirim, em Rondônia, que meus pais são daqui. Só nasci lá e vim embora para cá. Nasci lá porque meu pai era comerciante, ele tinha negócio lá de compra e venda de castanha e de borracha. Ele viajava muito pelos seringais de lá. Eu nasci por um erro de percurso. Eu sou maranhense. Nasci em 11 de junho de 1963. Fui criado aqui em São Luís. Nós moramos em alguns outros lugares, tipo Cuiabá, Mato Grosso, e depois viemos para cá, para o Maranhão. Tudo em função do trabalho do meu pai.

EDUCAÇÃO



Eu fiz o segundo grau técnico na Escola Técnica Federal, curso de Eletromecânica. Terminei em 81.

PRIMEIROS TRABALHOS



Alumar
Estagiei dois meses lá na Rodominas, exatamente na estrada de ferro Carajás. E depois eu fiz prova para a Alumar, passei, para ser técnico operador de processo e logo após a Alumar fiz prova para a Vale. Pedi demissão da Alumar e vim para a Vale.

IMAGEM DA CVRD



Primeiro, a gente dava mais ênfase à estabilidade que tinha na Vale. O funcionário entrava na Vale, passava de pai para filho e a gente tinha essa segurança e estabilidade. E na época, era por ser uma estatal também. Dava mais segurança. E eu não tinha a menor idéia do que era trabalhar numa ferrovia. Muito menos ser maquinista.

ENTRADA NA CVRD



Olha, eu fiz duas provas na Vale. Uma para sala de controle do porto e outra para guarda-freios. Só que o resultado de guarda-freios saiu primeiro do que o do porto, da sala de controle. Eu tinha passado nas duas. Bom, para mim na época seria muito mais vantajoso eu ir para a sala de controle do porto. Mas tudo bem. Fiz guarda-freios, não sabia bem o que era. Eu queria era estar na Vale. E a gente continuou na Vale.Guarda-freios, maquinista auxiliar, até chegar ser maquinista.

Guarda-freios
Na época o guarda-freios fazia o que hoje o TOF faz, técnico de operação ferroviária. Ele fazia as manobras, ele que fazia chave, era esse um trabalho de um guarda-freios.

Auxiliar de maquinista
E depois auxiliar de maquinista, ele que auxiliava o maquinista nas manobras, nas operações. Ele ficava olhando o outro lado que não dá para o maquinista olhar. E também ao mesmo tempo, eu já estava tentando estagiar para maquinista.

CASOS DE TRABALHO



Bom, assim que eu entrei na Vale a nossa inspetoria, em 85, era muito rígida. Então o cara não podia de jeito nenhum, nem pensar, nem com a máquina parada lá, não podia pensar em cochilar. Porque se o inspetor pegasse ele era gancho, como o pessoal falava na época. Era gancho mesmo. Teve uma vez o rapaz estava na máquina lá parado, era de noite, tudo tranqüilo, calmo, e aí ele não agüentou e arriou um pouquinho. Ele ficou lá arriado. Aí o inspetor chegava devagarzinho, para ninguém saber, para pegar de surpresa. Ele estava lá arriado, e o inspetor foi chegando na locomotiva. Aí ele deu um passo lá, ele percebeu que tinha alguém chegando, abriu o olho bem devagarzinho assim e viu que era o inspetor. Ele: “Pronto, e agora?” Aí ele teve uma idéia. Ele puxou aqui e pegou o colírio. Aí psss psss. Aí o inspetor não falou nada. Conseguiu se safar na hora.

RELAÇÃO CVRD /COMUNIDADE



Olimpíadas -Handebol
Aqui na Vale tem um montão de histórias. Nós tínhamos um time de handebol que era considerado tipo o basquete americano. Aqui na Vale só dava gente no handebol. Nós tínhamos um grande time. Só que eu era o goleiro do time, e fui transferido para Açailândia. E justamente na maior olimpíada que teve aqui na Vale, que foi a mais comemorada, a Olimpíada dos 50 Anos da Vale, eu estava lá em Açailândia e ia participar das olimpíadas. Eu participava de muitas modalidades. Mas o handebol era totalmente favorito pelo pessoal aqui de São Luís. O meu ex-time. Eu treinei uma turma que tinha pouca noção do handebol. Nós viemos jogar aqui. No meio das competições, a gente foi jogar contra os timões. Sabia que ia perder. Só que a gente estava numa posição que não podia perder de mais de dez gols, senão estava fora. Então a gente combinou com eles de a gente não perder de mais de dez, porque a gente continuava na competição. E eles deixaram. Tudo bem. Então, perdemos por menos de dez gols, e continuamos ainda classificados. E nessa reviravolta nós fomos para a final com eles. Aí foi o tira-teima na final. Ele era o Golias e nós o Davi, porque era só eu que sabia de handebol e os outros tinham só noção. A gente foi pelo ponto fraco deles, que eles não tinham goleiro. Eu estava no outro time. Nós tínhamos dois jogadores que arremessavam muito bem. Não sabiam jogar handebol, mas arremessavam muito forte. E o que nós fizemos? “A gente vai mexer bola, na hora de finalizar, só esses dois que podem arremessar, que eles arremessavam muito forte.” E aí a gente foi para o jogo. E a gente não acreditou, mas deu certo. No final das contas terminou o jogo e nós ganhamos por um ponto de diferença deles. Um gol. Eles ficaram demais. Entrou para a história esse jogo.

Esportes
Mas toda competição da Vale que a gente viajava por aí participava, porque eu sou tido ainda como superatleta. Apesar de estar meio fora de forma, sou superatleta, porque treinava e jogava handebol, futebol de salão, futebol de campo e mais basquete e vôlei. E ainda participo de natação e ainda tem tênis de mesa. Quer dizer, tudo estava no meio. Eu era tudo. E a gente sempre ganhou medalha. E sempre quando tinha viagem eu tinha sempre que estar no meio de uma dessas modalidades. Apesar de que o nosso forte é futebol de campo, salão e o handebol. Mas o handebol nunca viajou. Então era salão ou campo. E eu levava a minha maquina profissional, porque além de participar eu sou fotógrafo profissional também. E ainda ganhava um dinheirinho da turma porque a turma não levava máquina e eu era profissional. Ainda cobrava o cachê para tirar foto deles. Então tenho um acervo assim de mais de 1000 fotos. Desde que começou.

Fotos do time Veneno
Ah, eu tenho uma foto que ela é histórica. Foi assim que a gente entrou aqui na Vale. Nós formamos um time, o Veneno, inclusive com um pessoal mineiro que veio para cá. Na época aqui, ninguém sabia nada de ferrovia. Então nós tínhamos um time que era o Veneno, que era bom demais. Aí os mineiros, eles quase não jogavam. Eles faziam era só ir buscar a gente para ir jogar para eles. Eles sentiam como se o time fosse deles. A gente jogava, a gente ganhava, mas eles é que sentiam as emoções mais fortes. Então esse time era assim imbatível que tinha aqui na Vale, de futebol. Eu tenho umas fotos dele antigas. Vale a pena mostrar no Museu porque praticamente todos já voltaram para Minas. Então se eles olharem essas fotos, vão sentir muita emoção. Já estão bem mais velhos e vão gostar muito porque só eu que tenho essas fotos.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+