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Isaías Bernardi: o sucesso da Chiquinho Sorvetes

História de: Isaías Bernardi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/07/2021

Sinopse

Lembrança dos pais em Frutal, Minas Gerais.  Plantações e criação de gado. Dia a dia da fazenda e infância no interior de Minas Gerais. A primeira ideia sobre uma sorveteria. Primeiros passos na década de 1980. A qualidade dos sorvetes. Aumento do público e expansão do comércio. Mudança para a cidade de Guaíra. Aposta no sorvete tipo “soft”. 80 lojas abertas entre 2000 e 2010. Pandemia e dificuldades. Mudança para São José do Rio Preto. Planos e projetos futuros.

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História completa

          Meu nome é Isaías Bernardi de Oliveira, sou natural de Frutal, Minas Gerais. Nasci em 5 de fevereiro de 1961. Fiquei por 25 anos na cidade de Guaíra e já estou aqui há oito anos, na cidade de São José do Rio Preto. Meu pai é Francisco Olímpio de Oliveira, senhor Chiquinho. Minha mãe é Olímpia Bernardes de Oliveira. Meu avô era fazendeiro, criador de gado Zebu, e o meu pai deu sequência nisso. Então, ele sempre foi um sitiante, criador de gado. Plantava lavoura de abacaxi, criava gado, leite, lavouras... essa foi a atividade do meu pai.

          A minha infância foi na Fazenda Cerradão, em Mato Preto, até os 14 anos de idade. Até os 14, eu estudei ali na escola rural, mesmo. Estudei até a quarta série, parei um período, aí eu mudei para a cidade de Frutal, onde eu fiz o primeiro grau e não completei o segundo. E com 18 anos eu já fui empreender, foi o início da minha carreira empresarial. Mas a infância, mesmo, foi lá na fazenda. Eu sou o décimo primeiro de uma família de 12 filhos. Então a casa, a sede da nossa fazenda, era muito grande. E à noite, toda a família se reunia. Havia uma igreja na fazenda - nós somos da Congregação Cristã -, e toda sexta-feira tinha o dia de culto, vinham os vizinhos, parentes, enchiam a nossa fazenda. Era muito bom. Eu me recordo também de levantar quatro horas da manhã para ir ajudar meu pai no curral, tirar leite. Isso aí com oito, nove anos, já estava no curral abrindo a porteira, passando os bezerros, ajudando a amarrar as vacas.

          Depois, os meus irmãos foram se casando, e cada um foi mudando pra outro lugar. No fim, ficamos eu e minha irmã, os últimos. E o meu pai, preocupado com o meu futuro, propôs que eu mudasse para Frutal, para dar sequência no estudo, porque não via nenhuma perspectiva de vida ali no sítio. Então nós mudamos para a cidade e fomos discorrendo sobre o que montar lá. Chegamos à conclusão de abrir uma sorveteria, junto de uma casa de suco. Vendia sorvete, suco e salgado. Já começou com o nome “Chiquinho”, pois foi em 1980 a primeira loja, em Frutal. Meu pai era conhecido na cidade por Chiquinho, e na hora de dar o nome, ele falou: “Eu vou colocar o nome Chiquinho”. Eu até discordei dele: “Pai, Chiquinho não tem nada a ver com sorvete”. Mas ele falou: “Não. Eu vou por Chiquinho, mesmo”. Ele fez uma auto-homenagem e colocou o nome “Chiquinho”. Mas eu estava num mercado pequeno, numa cidade pequena, numa pequena portinha, com um nome pra sorvete que, na época, eu entendia que não colaborava em nada. Aí o meu foco foi trabalhar produto, qualidade, aprendendo a fazer, como fazer - porque eu também não sabia como fazer um sorvete e tive que correr atrás de curso pra me aperfeiçoar na área. Foi um início bastante difícil, na época dos anos 80, com aquela hiperinflação, com diversos planos econômicos.

          E meu pai cometia umas loucuras, mas no fim dava tudo certo. Na inauguração, ele falou: “Isaías, nós vamos fazer uma propaganda durante quatro dias. O cliente vai comprar um produto e ganhar outro de graça: compra um e ganha um”. Foi uma loucura, porque a cidade inteira queria comprar um sorvete e ganhar outro de graça. Então, ficamos conhecidos em quatro dias. Eu morri de trabalhar, mas desde a primeira loja já foi um sucesso.

          Aí eu fui pra São Paulo fazer alguns cursos com os fornecedores da Itália, o que me ajudou bastante. Eu também fiz um curso no Senai de São Paulo, corri muito atrás de conhecimento e não perdia nenhum seminário, simpósio, feira de sorvete - eu estava em todas. E então começamos a expandir. Em 1984, nós abrimos uma loja nova, ao lado da pequenininha. Mas como o mercado era muito fraco, eu queria abrir uma filial fora. Aí eu abri uma filial na cidade de Guaíra e depois acabei vendendo Frutal para o meu pai de volta. Aí começamos a abrir lojas em Orlândia, depois eu abri em Barretos, aí foi Sertãozinho, Araraquara... e começou a fazer muito sucesso a marca de sorvetes. A minha família enxergou o potencial, uma família muito grande, tanto da minha esposa, quanto a minha. Eu cedia a marca e ensinava a fazer sorvete. Então a marca começou a crescer como uma rede familiar.

          No ano 2000, introduzimos o sorvete “soft” nas nossas lojas. Era de massa, sorvete de massa e palito, que é o sorvete italiano, aquele expresso. E aí foi um sucesso muito grande, dentro da própria Chiquinho. E hoje, a Chiquinho só trabalha nesse novo nicho de negócio, que é o sorvete “soft”. Do ano 2000 a 2010, nós abrimos 80 lojas. Então, quando decidimos formatar a franquia, eu e a família - meu cunhado, concunhados, sobrinhos, usando a marca Chiquinho -, já eram 80 lojas em 2010.

          No início de 2005, contratamos uma agência de publicidade para fazer as primeiras comunicações da marca. E aí formatamos o alvo, o logo, o slogan da marca. Contratamos também um escritório de arquitetura que começou a dar uma fachada, um visual, um layout arquitetônico pra marca. E o mercado começou a entender que já era uma franquia, começou a ter muita procura. As pessoas falavam: “A Chiquinho é uma franquia? Eu queria ser franqueada”. E aí eu explicava que era uma rede familiar, mas em 2010, eu juntei a família e falei: “Nós já estamos com uma rede grande, vamos para o modelo de franquia”. Aí criamos o grupo, o Grupo CHQ, formatamos a franquia e foi um sucesso.

          Antes disso, o nosso sorvete era artesanal, feito na própria unidade. Aí passamos para uma escala industrial, e foi um dos maiores desafios que nós enfrentamos, porque mudaram todos os processos, muda tudo. Contratamos uma indústria de laticínios de Goiás, para produzir a bebida láctea. Essa bebida láctea vem com um semielaborado. E aí o franqueado na loja pega um bag e só abre o bag, já coloca na máquina, é processado na hora e é extraído o sorvete. Assim, eu consigo fazer a logística para todo o Brasil. Ela tem um “shelf life” de quatro meses, então dá muito tempo de produzir, distribuir na rede e vender o sorvete, com qualidade, em qualquer lugar do Brasil.

          E quando começamos a fazer a nossa comunicação visual, criamos o slogan com um alvo, e os pais sempre comentam: “Ah, eu não posso nem passar na rua em frente, que a minha criancinha de um ano, dois anos, vê o alvo e já começa a pular no banco do carro e fala ‘sorvete’, ‘sorvete’”. Então, é muito boa essa comunicação visual da marca. Hoje, só tem um estado do Brasil que ainda não tem Chiquinho, que é o Amapá. Já estamos em todos os outros estados do Brasil. Começamos a franquia com 80 lojas, e hoje, já inauguradas, são 570 lojas. Temos ainda 120 lojas já vendidas, em processo de implantação. Então, vamos virar o ano de 2021 acima de 600 lojas, em todo o Brasil.

          Eu também fui muito, nos últimos cinco anos, às feiras de franquia de sorvete da Itália - eu participo todo ano dessa feira. O ano passado não teve, pela pandemia. Então, a nossa base de sabores são todos de fornecedores italianos. Já somos conhecidos, muito bem recebidos, e quando chega a feira, eles querem apresentar todas as novidades que têm pra gente, todos os lançamentos. O que está sendo lançado na Itália, nós já estamos acompanhando daqui. Bem afinado.

          Na pandemia, logo que o governo decretou o fechamento do comércio no estado de São Paulo - no outro dia fechou o estado de Santa Catarina, fechou o Rio Grande do Sul, fechou do Nordeste, foi fechando -, sentamos eu, toda a equipe, entrou o jurídico, contabilidade... aí suspendemos todas as cobranças, todas as ordens, execuções de protestos, porque começamos a segurar o lado do franqueado também. Eu falei: “Não cobra mais ninguém. Vamos esperar”. Depois, o governo foi aliviando, um período permitiu fazer delivery, aí a rede rapidinho começou a fazer entregas, começou a entrar um pouquinho de caixa, foi criando expectativas. Eu fiz um comunicado à rede, transmitindo tranquilidade e paz, fui transmitindo esperança, expectativa ao franqueado: “Nós superamos tudo e vamos superar mais esta.”

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