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Intercâmbios pelo Brasil

História de: Ulysses de Macedo Fabrício Neto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Ulysses de Macedo Fabrício Neto conta como foi a infância em Dourados, a mudança para o interior de São Paulo por conta do doutoramento do pai e também sua decisão de buscar sua formação do Ensino Médio no Colégio Militar, onde estudou por dois anos antes de resolver terminar os estudos em Natal. Foi lá, morando na casa de um tio que conheceu o AFS. Ulysses conta como foi sendo desenvolvida sua carreira de voluntário e como foi chegar ao mais alto posto: Presidência do Conselho.

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História completa

A família toda do meu pai é do Rio Grande do Sul e minha mãe é natural do Rio Grande do Norte. Eles se conheceram em Porto Alegre, nessa época meu pai estava fazendo mestrado, ele já tinha residência e trabalho em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Então, eles se conheceram durante este curso, namoraram, casaram e só eles voltaram para Dourados em final de 1982 e eu nasci em abril de 1983.

Meu pai é engenheiro agrônomo, hoje aposentado, mas fez quase que a carreira toda como pesquisador da EMBRAPA [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] e estava fazendo um mestrado na área de fertilidade de solos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Minha mãe é formada em Educação Física, era atleta, professora.

Em Natal, era uma casa cheia, sempre com brincadeiras, a gente estava sempre na praia, aquela coisa de veraneio. Era sempre aquele ambiente bem agitado, com bastante criança correndo, indo pra praia, aquela coisa molhado, churrasco, comida e brincadeiras na areia, então era uma parte bem alegre, bem festiva. Enquanto no sul, não, eu uma tia e um tio, mas esse meu tio faleceu muito cedo, então a gente perdeu o contato com os filhos e a família dele. Só tinha minha tia que tinha três meninas e eu e meu irmão, então as brincadeiras eram quase nulas ou muito limitadas. Era um ambiente bem mais tranquilo e a minha avó por parte de pai era bem mais velha, era, como eu vou dizer, aquela caricatura de vó bem mais frágil, mas sem ser frágil, ela tinha uma saúde violenta, uma cabeça violenta, mas era miudinha, pequeninha, delicadinha. Ela fazia os doces pra gente, ela estava sempre fazendo cantigas de criança, mas aquelas coisas mais delicadas, a recordação que eu tenho dela é ela sempre no sofá fazendo um crochê, conversando com a gente, uma palavra cruzada, enquanto que a minha avó lá de Natal é ligada no trezentos e oitenta da tomada: era o dia inteiro cantando, mas cantando, cantando, na cozinha, lavando, passando, lavando o chão, e ela já era mais de apertar, beijar, agarrar, era um relacionamento mais caloroso. Então foi legal porque eu tive as duas formas de viver a infância, duas formas ótimas, não tenho o que reclamar de nenhuma delas, mas bem distintas. Assim como são meus pais, meu pai, bem calmo e minha mãe é totalmente agitada.

Eu conheci o AFS em 2002 e eu entrei em 2003. Eu estava em Natal, aqueles meus tios que falaram: “Ah, quem sabe tu não vem estudar aqui?” Eu fui morar na casa deles, e a minha prima, filha deles se candidatou e foi fazer o programa do AFS, intercâmbio. Esse meu tio tinha tentando na época da adolescência dele fazer um programa pelo AFS e não conseguiu, na época, você tinha que fazer uma seleção extremamente concorrida, eram muito poucas vagas, então ele já tinha aquilo do AFS lá da adolescência dele. Como ele teve condições, ele proporcionou pra minha prima. E aí por ela fazer, eu escutei sobre o AFS, fiquei sabendo e nesse meio tempo eu conheci o Presidente do Comitê que era o Rodrigo, aí nos tornamos amigos e o Rodrigo [falou]: “Cara, quem sabe tu não quer trabalhar conosco ali no AFS, participa de uma reunião, vê o que tu acha?” Aí eu: “Bom, vamos lá, acho que vai ser legal sim”. Aí eu comecei a trabalhar como voluntário em 2003 e fui ficando. Num primeiro momento, foi aquela ida mais despretensiosa: vamos conhecer pessoas diferentes, conhecer estudantes de outros países, outras línguas, treinar um pouquinho o inglês aquela coisa. E aí tu acaba criando laços de amizade e relacionamento com as pessoas, então a gente criou um grupo legal lá no comitê de Natal, a gente estava sempre junto, às vezes nem era relacionado ao AFS. Obviamente, a missão e o objetivo da organização são interessantes, é bonito, é importante e nos traz muito orgulho, então, eu continuei trabalhando. Em 2005, eu me formei. Início de 2006, fevereiro, eu me mudei pro Rio Grande do Sul: “Ah, vou procurar o pessoal do comitê daqui, quem sabe o pessoal também seja legal e a gente forme um grupo legal também”.

E quer queira, quer não, o AFS hoje é responsável por todas essas transformações na minha vida, mesmo eu nunca tendo viajado pro exterior, sempre, nas minhas apresentações no AFS, uma reunião diferente, ou que tenha voluntários ou pessoas diferentes, eu digo que sou intercambista do Brasil que eu já morei em vários lugares com culturas totalmente distintas e extremas e eu sempre uso do conhecimento do AFS para aplicar na minha vida, porque eu saí de casa com 14 anos e fui morar sozinho numa república. O nosso maior número de programas é com adolescentes de 14 a 17 anos que vão morar sozinhos, então eu fui morar numa outra cidade com outras pessoas, tudo aquilo o que um estudante passa no exterior, eu passei, mas dentro do Brasil. Lógico eu sofri choques culturais menores porque não eram culturas tão diferentes, mas sofri. A gente diz que o estudante quando vem do exterior pra cá, a gente avisa a família: “olha, ele vai dormir bastante, vai ter muito problema de estômago, vai ir no banheiro muito seguido”, eu passei por tudo isso quando cheguei em Natal, a comida da minha vó é extremamente temperada, a lá de casa não era, todas essas transformações que os estudantes passavam, eu passei dentro do Brasil.

E eu estava me preparando pra ir pro Conselho Diretor, isso eu me preparei, mas não tinha a pretensão de ser presidente. Acabou que o trabalho, a confiança com os outros conselheiros, os outros voluntários e o apoio, me fez tornar presidente no último ano. É bom, é uma honra muito grande é muito gostoso, mas também bem trabalhoso, uma responsabilidade enorme, um peso importante pensar que todo o trabalho de 800 voluntários espalhado pelo Brasil depende de atitudes minhas, não que depende diretamente, mas que eu posso botar por água abaixo um trabalho de 800 pessoas, sabe-se lá quantas vidas impactadas, então é muito bom, é gratificante, honroso, mas também tem a sua responsabilidade.

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