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História

Informática na beira do rio

História de: Alcyr Moraes de Sousa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/05/2020

Sinopse

Uma consciência de serviço, de se colocar a serviço de comunidades, é o que permeia esta história. A atuação religiosa de Alcyr, junto ao Centro de Desenvolvimento Integrado, é resiliente na busca por desenvolver e gerar oportunidades de aprendizado para pessoas com pouco ou nenhum acesso ao lazer e educação nas baixadas e comunidades periféricas do Pará.

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História completa

P1 – Lídia Ferreira

P2 – Danilo Ferretti

P1 – Boa noite. Você poderia começar dizendo seu nome, local e data de nascimento?

R – Sou Alcyr Moraes de Sousa, nascido em Belém do Pará, em 27 de agosto de 1958.

P1 – Certo. O nome dos seus pais, eles todos têm origem?

R – É. O meu pai, nascido no interior do Pará, no município de Bragança, mais especificamente Mirasselva. O nome do meu pai é Olavo França de Sousa. Minha mãe, Terezinha de Jesus Moraes de Sousa, nascida em Belém. A data de nascimento do meu pai é 20 de abril de 1930 e da minha mãe 23 de maio de 1933.

P1 – Eles se conheceram aqui em Belém?

R – Se conheceram em Belém. Exatamente no bairro que eu moro hoje, inclusive.

P2 – Que bairro que é?

R – O Marizal. O bairro do Marizal. É um dos bairros tradicionais daqui de Belém. Bairro tipicamente residencial. Hoje já agregando aí com a evolução, com o crescimento da cidade, outras atividades também de comércio, mas ele é tipicamente um bairro residencial. Aliás, lá também, foi nesse bairro que eu nasci.... Depois morei fora, um pouco. E agora mais recentemente estou de volta para esse bairro.

P2 – E seu pai veio para Belém por algum motivo? Ele já estava localizado assim? Como foi a trajetória dele?

R – É, o meu pai vem de uma família bastante humilde do interior do Estado e veio muito cedo para Belém morar na casa de um tio. E com muita dificuldade concluiu os seus estudos no ensino médio e, logo cedo, junto a esse tio, começou a trabalhar num consultório dentário, fazendo em seguida um curso de prótese. E, desde então, trabalhando juntamente com esse tio, e depois, por conta própria, num laboratório de prótese que, com muito sacrifício, com muito esforço, criou oito filhos e deu sustento a esses oito filhos com formação educacional para todos. Todos os oito filhos com graduação, superior, formados. É uma família que hoje já tem descendentes aí. Meu pai já tem vários netos. Ainda não tem bisneto, mas já tem muitos netos e os meus irmãos todos, graças a Deus, atuando nas suas respectivas áreas. Tem um, inclusive, que está fazendo doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina, como dentista. E uma outra - são os dois que estão mais afastados - morando em Brasília. Ela também com vários títulos, de mestre, inclusive fazendo agora um doutorado também, trabalhando no Ministério da Saúde, da Previdência Social, mais especialmente.

P2 – A sua mãe, a atividade dela, ela trabalhava?

R – A minha mãe, a família da minha mãe, a origem dela também é do interior, do interior aqui do Baixo Amazonas, da cidade de Alenquer, próxima ao rio Amazonas, aqui no Pará, mas nascida em Belém. A família já estava estabelecida aqui quando nasceu. E foi professora normalista. Era professora do, hoje, ensino médio, fundamental e médio, e se aposentou cedo por um problema de audição. E conseguiu, mesmo com esse problema, exercer sua profissão por muito tempo, criar os oito filhos. Inclusive cinco, desses oito primeiros, com idades, assim, muito próximas. Eu tenho ainda lembrança dela dando almoço para os cinco na escada de casa. Os cinco, um prato só. E ela ia servindo-os de cada vez num prato só. Então minha mãe teve essa missão muito importante na nossa vida e que nos permitiu, juntamente com meu pai, criar em todos nós, uma consciência de serviço, de se colocar a serviço de comunidades, em especial de pessoas mais necessitadas. E logo que o meu pai, com uma condição um pouco melhor, nos tirou do colégio público, naquela época Grupo Escolar, e nos colocou no Colégio Marista, onde fizemos, a maioria de nós todos, irmãos, a nossa formação básica, e que complementou uma formação cristã que já tínhamos desde casa, proveniente da formação dos nossos pais. E essa oportunidade de estudar num colégio religioso, também particularmente a mim e aos meus irmãos, abriu um viés de uma atuação prática, religiosa, dentro de uma comunidade que é conhecida aqui em Belém como Casa da Juventude, que era uma entidade que formava lideranças cristãs. E desde cedo, a partir de 17, 16, 15 anos, nós começamos a atuar nessa Casa também como complementação à nossa formação e, em seguida, atuando junto às comunidades eclesiais de bairros, comunidades de bairro formadas em especial na periferia aqui de Belém. Então todas essas oportunidades, que graças a Deus surgiram na nossa vida, nos permitiu criar uma consciência de serviço, uma consciência de que a gente precisaria atuar de alguma forma utilizando conhecimentos e dons que a todos nós nos foram dados em prol das pessoas.

P2 – Você poderia falar um pouco de como era o trabalho desenvolvido nessa Casa da Juventude na época? Que tipo de atividades vocês faziam? Como estava organizado? Quais eram as pessoas que conviviam nessa Casa?

R – O trabalho dentro da Caju, que era a Casa de Juventude, era coordenado, é coordenado até hoje por um padre da Igreja Católica e tinha como objetivo trabalhar o jovem. E esses jovens eram originários, na sua maioria, do próprio Colégio Marista, onde também esse padre era o orientador espiritual. E, a partir da identificação de lideranças dentro desse Colégio, ele convidava para atuar dentro dessa comunidade da Casa da Juventude como uma complementação da sua formação espiritual para que, em seguida, nós tivéssemos um estágio adicional de atuação cristã. Então nós passamos alguns anos inicialmente fazendo um trabalho interno, interior. Nos reunimos todas as sextas-feiras. Quando toda a turma saia para tomar cerveja, a gente ia para Casa da Juventude e lá passávamos de sete até onze, meia-noite, desenvolvendo atividade de reflexão em cima do Evangelho, aplicando uma dinâmica de trabalho entre nós, refletindo sobre a vida, sobre o contexto da vida, “para que estamos aqui? ”. Foi um trabalho que trouxe não só um conteúdo muito interessante, espiritual, de vivência espiritual, mas muitas boas amizades, inclusive o próprio Sérgio, que hoje é o nosso vice-presidente, também originário dessa nossa turma.

A afinidade que nós temos hoje não é simplesmente prática, mas também espiritual. É praticamente um irmão que nós temos. É um irmão que hoje a gente considera assim. E atuamos juntos nisso, não é por acaso. Por afinidades ideológicas, por afinidades de opinião e de propósitos em relação à nossa missão na nossa comunidade. E passamos alguns anos nessa atividade mais interna, trabalhando, nos preparando para a vida, digamos assim. Num segundo estágio nós passamos a apoiar a formação de outros jovens. Éramos da mesma idade, inclusive, então nós começamos a promover congressos de dois, três dias, onde o objetivo era também formar jovens. Nós mesmos elaborávamos o material. Nós mesmos elaborávamos a temática do congresso e tínhamos três estágios nesse Congresso. Era um congresso para os iniciantes. Normalmente, aqui próximo de Belém, na Ilha do Mosqueiro, onde conviviam 30 jovens, e era coordenado por dois jovens, e normalmente nós estávamos nessa coordenação. Um irmão marista ou um padre e um casal, um casal mais maduro, um casal casado, que iria fazer o papel de pais daqueles 30 jovens que se reuniam nesses três dias para desenvolver esse trabalho.

P1 – Rapazes e moças?

R – Rapazes e moças. E aí, logicamente, com quartos separados. E a figura dos pais era exatamente para manter o ambiente familiar. Então a gente se tratava como irmãos mesmo naquele momento. E um segundo estágio desse trabalho, para os jovens que passaram pelo primeiro, fazia-se mais ou menos esse mesmo modelo, mas já no interior bem mais pobre. Mosqueiro é um balneário, é uma ilha que no fim-de-semana a população de Belém se desloca para um lazer. O segundo estágio era no interior, bem mais carente, mas ainda a mesma estrutura: uns 30 jovens, dois coordenadores, os pais do grupo, dentro do interior.

P2 – E os 30 jovens seriam do interior?

R – Não. Seriam.... É como se fosse o segundo estágio de preparação.

P1 – Para esses mesmos...

R – No ano seguinte, os jovens que participaram do primeiro congresso iriam participar do segundo com a mesma formatação, mas só que vivendo uma outra realidade. E o terceiro estágio, o terceiro ano, com esses mesmos jovens que cumpriram essas duas primeiras etapas, já iriam não mais em grupos de 30, mas em duplas. E não mais para viver no mesmo ambiente, mas para conviver com o nosso caboclo do interior. Então cada dupla iria para um interior. É o interior do interior. É um vilarejo. Coisa assim de 50 famílias que moravam em casas de enchimento de barro, onde nós passávamos geralmente a Semana Santa. Também quando todo mundo ia para as praias, nós íamos para essas vilas morar e participar das atividades do dia-a-dia dessas comunidades. Então se eu... quando o meu parceiro, fomos para uma família que a atividade era a lavoura, nós iríamos para a lavoura com eles. Se era pescar, nós iríamos pescar com eles. E à noite, como nós estávamos em época de Semana Santa, então nós desenvolvíamos, levávamos também material, para celebrar com eles as cerimônias típicas da Semana Santa: a Via Sacra, o Lava-pés, o Sábado de Aleluia. Então fazia parte da nossa missão de evangelizar, não só conviver com a família nas suas atividades, mas também celebrar com eles as cerimônias de Semana Santa. Assim era o terceiro estágio. Participando assim, centenas de... centenas não, dezenas de jovens, em torno de 100, 110 jovens, cada dupla distribuída num vilarejo desses do interior do Pará. Essa foi, digamos assim, também uma fase, uma segunda fase.... Isso tudo como parte da nossa formação.

Uma segunda etapa, um segundo momento que perdurou mais ou menos até 1982. Isso foi num período de 1975 até 1981, 1982. Já nos últimos anos a nossas práxis eram junto às comunidades periféricas de Belém. Então nós saíamos todo sábado de tarde, íamos atuar nessas comunidades de bairro. Também aí já não em duplas, mas em grupos, em grupos em torno de dez jovens. Então nós íamos para dentro das comunidades, geralmente baixadas. A gente aqui não tem morro, não tem favela, mas tem as baixadas que eles chamam, que são as periferias da cidade, que geralmente são em cima de alagados, áreas da cidade mais baixa onde a chuva escoa e quando chove a água entra por baixo das casas. E essas casas se acessa por estivas. Então nós íamos para essas localidades durante os sábados a partir de uma e meia da tarde, duas horas, até 19, 20 horas desse sábado exatamente para já levar à essa comunidade um pouco da nossa vivência, buscando não fazer por eles, mas despertar consciência e o valor que a comunidade tinha para que pudesse brigar pelos seus direitos, por uma posição melhor na sociedade.

Via de regra, às vezes nós acabávamos tendo que abrir portas para eles, fazer algumas coisas para que pudessem eles, daí para a frente, caminhar. E aí nós construímos escolas dentro de determinados centros, criamos centro de apoio à saúde, bibliotecas. Quer dizer, criamos porque na realidade quem criou foram eles mesmos. Nós estávamos lá juntamente com eles apoiando-os nessas atividades. Então foi um período de cerca de três a quatro anos que nós passamos alocando parte do nosso tempo para essas comunidades. E a minha em especial era aqui nos Jurunas, que é um bairro da periferia. Hoje nessa localidade em especial já tem uma infraestrutura um pouco melhor, mas nessa época do início da década de 1980, final de 1970, era de extrema pobreza, de extrema carência em que a comunidade vivia. E foi exatamente o período, 1981, 1982, que a gente concluiu, nós, a maioria da nossa equipe estava concluindo o nosso curso superior e aí outros ares começavam a se abrir. E o nosso propósito era, dentro das nossas atividades, continuar exercendo uma atividade que pudesse beneficiar as pessoas. E a partir daí, logo cedo, eu tive a oportunidade de ser selecionado na federal para um estágio no Serpro [Serviço Federal de Processamento de Dados]. Um estágio, a princípio, para fazer um curso de programação, que não havia nenhuma perspectiva de contratação, mas acho que o caminho era esse. Deus... felizmente no final desse curso eles selecionaram duas pessoas entre os que estavam fazendo o curso para fazer um estágio. E eu fui no meio dessas duas pessoas. E aí foi que eu comecei então minha carreira profissional, no Serpro. Aqui em Belém, o Serpro, é uma empresa do Governo Federal, do Ministério da Fazenda especialmente, que para vocês ficarem mais familiarizados é quem desenvolveu o Receitanet, imposto de renda, faz todo o controle da arrecadação federal. Então nós damos suporte a todo esse serviço do Ministério da Fazenda. E hoje o Serpro tem uma atuação em outros ministérios também. Então eu segui numa trajetória dentro do Serpro até o ano de 1984. Quando dele saí para assumir uma vaga no Banco do Brasil, que eu tinha feito um concurso. Tinha naquela época uma aspiração de trabalhar no Banco do Brasil. E assim foi. Fui para o interior. Fui para uma cidade aqui do Pará, Tucuruí, aqui mais no sul do Pará. Passei um mês e pouco lá. Depois consegui uma transferência para a Ilha do Marajó, na cidade de Soure. E tive oportunidade então de conviver, de uma outra forma, profissionalmente, morando no interior do Estado, coisa que eu nunca tinha tido. Tinha viajado muito pelos nossos interiores aqui, fazendo uma outra atividade. Mas essa foi uma experiência diferente e dura, porque eu já estava casado nessa oportunidade e tive que ir sem minha esposa. Vinha aqui no fim de semana quando conseguia alguma coisa assim e nesse ínterim também foi quando eu tive minha primeira filha, a Elise, que também ficou sem a presença do pai no primeiro ano. E exatamente por essa distância da família eu resolvi voltar para Belém, mesmo que não conseguisse uma colocação aqui. Mas, graças a Deus, eu consegui um empréstimo da agência de Soure do Banco do Brasil, que é a maior agência aqui da capital. Passei aqui cinco meses. Foi quando eu amadureci a ideia de deixar o Banco do Brasil, até porque eu estava já há um ano afastado da minha profissão. E na área de informática um ano é muito. A gente se defasa muito. Em especial naquela época que eram novidades a cada momento. Então eu resolvi deixar o Banco do Brasil e me convidaram, tive a oportunidade de voltar para o Serpro. Ainda, na realidade, antes de assumir o Banco do Brasil, eu atuei como Gerente de Informática de uma empresa de engenharia. Na realidade eu saí do Serpro não para o Banco do Brasil. Agora lembrando. Eu fui gerenciar um Departamento de Informática aqui em Belém, numa empresa de engenharia chamada Starcom, que me aceitou mesmo sabendo que eu poderia ser chamado a qualquer momento pelo Banco do Brasil. Como eles estavam precisando de alguém para gerenciar esse departamento, eles aceitaram. E 11 meses depois que eu fui para o Banco do Brasil. Então, na realidade, eu passei afastado da área de informática cerca de dois anos. Isso eu senti ao retornar. Eu tive que dar uma virada para rever novos conceitos. Porque quando eu voltei dois anos depois já tinha algumas novidades.

P2 – Alcyr, esse período a gente pode considerar como um período de introdução das tecnologias de informação e comunicação aqui em Belém? Pode ser considerado assim?

R – Não.

P2 – Não?

R -  Não. Eu fiz parte da segunda ou terceira turma que a federal formou de tecnólogos. Se eu não me engano a terceira turma. Já tinha outros profissionais que foram os precursores, os protagonistas aqui em Belém na década de 1970, em especial o pessoal que trabalhava na IBM [International Business Machines Corporation] e no próprio Serpro. O Serpro, aqui em Belém, salve engano, foi fundado em 1970, acho que em 1973, 1974, alguma coisa assim. Então já tinha pessoas atuando. O que não se tinha era computação pessoal. Eram ainda mainframes, computadores ainda fechados nas grandes empresas, somente pertencente às grandes empresas. Quando eu comecei, em 1978, ainda era a tecnologia dos mainframes que proliferava, que vigia. Em 1980 que começaram os microcomputadores. Eu já estava atuando no Serpro. Em 1985, então, depois de ter passado dois anos, atuando na Starcom, gerenciando esse departamento de informática e, posteriormente, como funcionário do Banco do Brasil, em especial nessas agências desses dois interiores, em 1985 eu retornei para o Serpro já como Analista, na época Analista de Software Básico, atuando como suporte aos equipamentos IBM Mainframe. E na época também o Cobra, Cobra modelo 530. Então eu atuava com sistema operacional DELE-VSE, da IBM, e o Manps, da Cobra, Cobra 530. Isso foi em 1985. Atuando como Analista nesse período de 1985 a 1989. Na realidade eu atuei como Analista de Atendimento a Clientes, como Analista de Software Básico e uma curta experiência em desenvolvimento de sistemas.

Em 1989 eu migrei para a carreira gerencial, gerenciando a divisão regional de tecnologia do Serpro, aqui em Belém, depois a divisão de produção, e de 1996 para cá, até hoje, eu gerencio a rede de longa distância do Serpro, que cobre os Estados aqui da região Norte. Então nós somos responsáveis pela manutenção dos recursos de rede que estão dispersos nas capitais da região Norte e em diversos interiores dos Estados da região Norte. Nós temos redes locais conectadas à sede do Serpro. Nós fazemos gerenciamento diário, 24 horas, 24 por 7, de todo esse ambiente de longa distância de rede do Serpro, onde os nossos clientes são os órgãos do Governo Federal, diversos órgãos, diversos ministérios, que são usuários do sistema do Serpro. Então essa foi minha trajetória profissional e dentro desse tempo todo nós tivemos oportunidade de desenvolver diversos projetos, de realizar alguns cursos também nessa área técnica.

P1 – Você vem de uma trajetória com muito envolvimento com atividade social. E aí, nessa área de informática, você tinha conflito com isso? Ou, quer dizer, você... porque a informática era uma coisa muito elitizada. Quer dizer, como é que você...

R – Não, realmente foi um...

P1 – Lidava com esses dois...

R – Não foi uma coisa que chegou a causar trauma à minha..., mas foi uma coisa que me preocupou. Em determinado momento cheguei a questionar se esse era o caminho. E aos poucos eu comecei a entender a interação que a informática tinha. Em especial, a cada momento, a cada ano que passava, onde a informática ocupava cada vez mais espaço na sociedade, nas atividades, a gente percebeu que era uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento do ser humano, para que ele pudesse adquirir conhecimento, para que ele pudesse ter acesso a determinados conteúdos que eram vitais para sua vida, para o seu desenvolvimento. E a minha atuação na... aliando a informática a esse meu outro lado, começou a se dar através da Sucesu [Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações]. Eu, logo cedo, comecei a atuar na Sucesu. É uma entidade nacional e, aqui no Pará, eu comecei atuando em grupos de usuários, representando o Serpro em determinados segmentos de usuários. E logo me envolvi, ou me envolveram, em atividades de coordenação dentro da Sucesu. E, em seguida, montamos uma chapa. Primeiro eu fui o vice-presidente dessa chapa, que nós atuamos por dois anos. E, em seguida, foi montada uma outra chapa em que fui presidente, atuando como presidente da Sucesu Pará por mais dois anos, que foram os anos de 1998 e 1999. Foi, aliás, nesse período, que nós já começávamos a discutir seriamente a criação de um trabalho levando a informática para as comunidades carentes. Ainda sem nem conhecer a figura do CDI [Centro de Desenvolvimento Integrado]. Na realidade, essa ideia de juntar informática com esse meu lado mais social vinha antiga, mas sem muita formatação. Na Sucesu a gente começou a pensar isso, não no período que eu fui presidente, mas bem antes, em como a gente poderia criar espaços em que pessoas que não tinham acesso a informática pudessem participar desse contexto. Porque já, naquele momento, a gente percebia uma distância muito grande daqueles que tinham poder econômico, portanto acesso à tecnologia da informação, e aqueles que não tinham. Isso estava alargando mais o abismo social que já era grande naquela oportunidade, como ainda é hoje.

Em 1998, então, num congresso da Sucesu, em Curitiba, eu fui apresentado para o Rodrigo Bagio. Eu conheci o Rodrigo num congresso, numa feira de informática da Sucesu em Curitiba. E aí nós conversamos. Ele me comentou rapidamente qual era a ideia que ele já tinha implementado e assim foi como obra do divino espírito santo, realmente. Me colocaram diante de uma pessoa que concretizou um sonho que vinha de muitos anos, que a gente vinha tentando construir. E aí, naquele mesmo momento, eu praticamente assumi um compromisso. “Eu vou implementar isso. Eu vou levar em frente essa ideia. ” Porque eu não tinha assim pensado em como formatá-la. Quando eu vi a ideia formatada, eu disse: “Bem, agora a coisa vai ser bem mais fácil. ” E aí tentamos discutir isso enquanto eu era da Sucesu, mas eu vi que exigia uma dedicação grande e as atividades da Sucesu me levavam muito tempo. Então não daria para levar a efeito durante esse momento em que eu era presidente da Sucesu. Então, concluído o nosso mandato em dezembro de 1999, em janeiro de 2000 eu reuni a mesma equipe que eu tinha na Sucesu e que fazia parte... hoje parte dos nossos diretores do CDI, que é o Sérgio, o Paulo Delteto, o Celso da informática, e o José Gomes, que na época era funcionário da Embratel. Eu reuni este núcleo para que a gente não deixasse a ideia passar e nós começamos então a solidificar a ideia, a construir esse sonho aqui no Pará. Iniciamos nas instalações do Cesupa [Centro Universitário do Estado Pará], onde nós estamos hoje aqui. O Sérgio é o vice-reitor do Cesupa, o pai dele é reitor. Foi uma família que construiu com muito brio essa entidade, que é uma das principais entidades de ensino do Estado. E lá ele nos abrigou na sala de reunião dele. Era a sede inicial do CDI por alguns meses, na sala de reunião do Sérgio. A secretária dele era nossa secretária nos primeiros momentos também. Lá nós formatamos, entendemos que seria interessante, desde o início, registrar juridicamente o CDI. Abrimos então o CGC do CDI e, com o apoio das empresas, desses amigos, desses irmãos, nós começamos a trabalhar, a concretizar isso. Então a Amazon Corporation, que é a empresa do Paulo Delteto, de um dos nossos diretores, doou alguns computadores iniciais. O Cesupa disponibilizou a infraestrutura que era necessária para a gente começar, pela qual até hoje a gente se sustenta, já com mais recursos disponibilizados pela entidade, pelo Cesupa. E hoje praticamente nós temos... de infraestrutura nós temos custo zero graças ao entendimento que o Sérgio tem da importância do nosso trabalho e da participação dele. E a Sol Informática doando componentes para que a gente também pudesse se estruturar, já que o Celso é também diretor de uma das principais, talvez a maior, loja de informática aqui de Belém. E o Gomes emprestou a sua experiência administrativa para dar esse impulso inicial. Então essas empresas foram, e hoje são, importantes sustentáculos do nosso trabalho. Hoje, logicamente, nós temos outras parcerias, apoiadas também pelo CDI Matriz, e outras que nós construímos regionalmente. Quatro meses depois, em abril, nós criamos a primeira EIC, primeira Escola de Informática e Cidadania, no Pará, numa comunidade católica, chamada Nossa Senhora Mãe da Divina Providência. Abreviando é Providência, aqui no bairro da Providência, próximo do aeroporto de Belém, onde o primeiro coordenador dessa EIC, que é o Armo, hoje é um colaborador remunerado do CDI Pará. É uma das pessoas que começou cedo com a gente, atuando nessa EIC, nessa comunidade. E hoje é uma das nossas principais escolas, que já formou próximo ou mais de mil pessoas, desde quando foi criada.

P2 – Você poderia contar um pouco como é o bairro da Providência e como foi o processo dessa primeira EIC?

R – Porque nós começamos a ter essa primeira EIC, essa é uma história que faz todo um sentido com a nossa história, com a nossa realidade. O Padre Raul Tavares, que era o orientador espiritual do nosso colégio marista, o Colégio Nossa Senhora de Nazaré, e que é ainda dirigente da Casa de Juventude, que nos proporcionou boa parte do que nós somos hoje, foi deslocado para atuar nessa paróquia, Nossa Senhora da Providência. E, exatamente por essa proximidade, conhecendo nosso trabalho, nós julgamos por bem contemplar a paróquia dele, o bairro, a comunidade, com essa primeira experiência dessa EIC. A Providência, na realidade, foi formada por invasões. Boa parte da periferia de Belém, que Belém praticamente é uma península. Ela só tem crescimento para um lado. O resto tem que atravessar um rio que não é um rio. É um rio de águas bastante caudalosas e extenso. Então o crescimento da cidade era só para um lado e muito por invasões. E nessa região tem umas quatro ou cinco invasões que formaram grandes bairros na Grande Belém, que a gente chama. Então a Providência era uma dessas invasões, um desses bairros que ao redor dele se povoam outras. Até hoje, em alguns locais, já com uma boa infraestrutura, mas ainda muitas, muitas residências desprovidas de urbanização, de esgoto, vivendo uma realidade muito abaixo do que se deseja realmente. Então essa comunidade é formada por pessoas pobres, mas não são pessoas miseráveis. São pessoas que têm uma ocupação. Não são pessoas que são, digamos assim, as mais pobres. Porque o pobre é aquele que tem pelo menos alguma coisa para comer no dia a dia. O miserável, infelizmente, nem isso tem. E nós temos bolsões de miséria sérios, não só em Belém, mas no Pará como um todo. E nós então começamos a atuar nessa comunidade. E de lá, temos alguns casos interessantes de benefícios que nós promovemos para aquela comunidade. Por exemplo, na primeira turma que nós formamos, nós tivemos a satisfação de uma... logo em seguida, uma aluna chegar conosco e dizer: “Olha, consegui um emprego na Telemar graças ao curso que eu fiz no CDI”. Tínhamos também um outro aluno que era feirante de uma feira bem, uma feira contígua ao local da nossa EIC. Ele então atuou como aluno e em seguida passou a atuar como instrutor, como educador dessa mesma EIC, inclusive atuando como educador em outras EICs e recebendo também uma ajuda de custo para essas atividades que ele teve. Então foi também uma pessoa que teve um desenvolvimento, enquanto pessoa, muito interessante no momento em que ele saiu de sua banca de feira, sentou num banco da sala de aula da EIC, e em seguida atuando como instrutor, contribuindo para formação de outras pessoas. Hoje é um dos nossos educadores do CDI e que tem uma qualidade de vida e uma formação diferenciada, diferente do que ele tinha quando era um feirante. Esses foram alguns casos a mais para destacar da nossa primeira EIC.

P1 - ... uma trajetória muito interessante.

R - É, é verdade.

P1 - Então, Alcyr, eu queria perguntar assim, quando você ouviu pela primeira vez a exposição do Rodrigo sobre o CDI, a proposta do CDI, como isso casou com o sonho que você tinha de fazer um trabalho também na área social ligado com informática?

R- Naquele momento eu já tinha no sangue a consciência de que eu não ia poder ficar parado. Então a gente tinha, nesse nosso grupo, a mente antenada para uma oportunidade de aplicar o seu conhecimento, o seu estudo não somente em benefício do seu sustento, da sua família, da sua sustentação financeira, mas fazer com que isso, além de ser útil para sua empresa ou para finalidade do trabalho que se propunha, mas como utilizar esse conhecimento em benefício da sociedade. Na universidade a gente discutia muito isso: “Para que serve a formação acadêmica? ” Ela serve única e exclusivamente para satisfação pessoal, não só desenvolvimento cultural, político, educacional da pessoa, do estudante, e sustento financeiro. Ou ela estava sendo colocada para os estudantes, para as pessoas, se revertendo em benefício da sociedade. Não tem sentido - hoje a gente tem essa consciência - as entidades de ensino superior formarem pessoas que não sejam em benefício de um povo, em benefício de um país. E nós tínhamos essa consciência. E nós buscávamos como o nosso labor poderia estar à disposição das pessoas menos favorecidas. E nós já tínhamos discutido coisas práticas, situações práticas de como isso poderia se concretizar. E levar a informática, levar a tecnologia, levar o computador que, naquela época, já se começava a ser um instrumento pessoal de alavancar conhecimentos, de alavancar desenvolvimento pessoal, já se pensava de forma concreta para fazer isso. Criar escolas de informática, aliando essa reflexão de mundo, do papel do cidadão na sociedade. Como usar o computador de forma benéfica, já que ele também pode ser usado - em especial, na internet – para o malefício, para destruição, digamos assim, do homem, das consciências. Isso pode ser um valor que pode ser explorado e desagregue também à formação das pessoas. Então a gente via que era uma tecnologia que poderia servir para os dois lados. E nós queríamos, de alguma forma, contribuir para que ele fosse bem utilizado. E uma das ideias era essa, de formar grupos de pessoas que pudessem participar, sem que, sem condição, participar desse momento e ser instruído dessa forma. Então na oportunidade, lá em 1998, quando nós conhecemos o Rodrigo, e foi num papo, nos corredores mesmo que ele me apresentou muito rapidamente a ideia, a gente pôde então, como se as coisas viessem a casar. Era uma ideia testada, que apresentava sucesso no Brasil e já tinha reconhecimento internacional na época.  Essa receita, que não era uma receita que poderia ser aplicada, mas digamos assim, esse formato poderia muito bem ser um sucesso se nós implementássemos aqui no Pará.

Então nós começamos a desenvolver essa ideia e o CDI, que na época não era matriz, era o CDI Rio, foi extremamente importante para alavancar o estágio que o CDI Pará tem hoje. Depois que o CDI matriz se profissionalizou, criou sistemáticas de como os CDIs deveriam se estruturar, instrumentos inclusive de gestão, e que hoje contribui para a formação de gestores. Nós já tivemos a oportunidade de participar, promovidos pelo CDI, de eventos que formassem gestores ou que contribuíssem para essa formação. Vamos, inclusive agora, em dezembro desse ano, 2004, participar de uma segunda etapa dessa formação, foram componentes, ingredientes fundamentais para que o CDI tivesse - eu imagino até que sem esse suporte do CDI Rio e do CDI Matriz hoje -... talvez a gente estivesse até em estágios ainda inferiores dos que nós nos encontramos hoje. Então a equipe do Rodrigo, que é formada por pessoas, por profissionais de grande competência, foram fundamentais, e ainda são, no apoio às nossas atividades, não só do Pará, como de todos os CDIs. Eu posso afirmar isso: a todos os CDIs que estão sediados nos Estados e até no exterior.

P2 - E como se deu esse apoio no início? Teria alguma diferença desse apoio da matriz? Foi mudando essa relação ao longo do tempo? Houve alguma mudança? Você poderia falar um pouco disso?

R - O apoio eu resumiria... ao resumir não quero dizer que ele foi pequeno, que ele foi menor, mas resumiria em dois segmentos: no apoio financeiro, através da construção de uma parceria que até hoje se mantém com a Fundação da Vale do Rio Doce. Foi a primeira parceria financeira que o CDI Pará teve e que foi através de esforços do CDI Matriz, no apoio, instrumentando a nossa gestão para que nós pudéssemos conduzir os nossos processos junto às EICs. A política pedagógica do CDI era o principal instrumento, ferramenta de aplicação prática da EICs e que garante hoje o sucesso da nossa metodologia, em que pese as realidades diferentes, em que pese as dificuldades das comunidades, em que pese inclusive a diversidade da formação das pessoas das comunidades, onde nós temos nos educadores e no coordenador das EICs os principais sustentáculos do nosso projeto na ponta. Então essa diversidade de formação, de cultura, por mais que seja assim diversa, ela permitiu... A política pedagógica do CDI permite com que o trabalho possa ser entendido e implementado, aproveitando os valores, aproveitando as particularidades. Então, não só o referencial financeiro que eu me reporto agora, que foi importante para que a gente pudesse contratar um profissional, um coordenador pedagógico e um assistente pedagógico para dar esse apoio no dia a dia das comunidades, mas os instrumentos, tanto de gestão, quanto a da política pedagógica, para que ele pudesse implementar os projetos sociais e as aulas nas comunidades, foram os dois segmentos imprescindíveis e importantes para que a gente pudesse ter o CDI desenvolvido nesses quase cinco anos de atuação. E hoje temos outras parcerias que também foram apoiadas e conseguidas pelo CDI Matriz e outras que já foram cavadas, foram trabalhadas pela nossa equipe, pela nossa equipe do CDI Pará, com o apoio dos nossos diretores e, graças a esses esforços, que eu reporto muito a esse apoio do CDI Matriz, nós temos uma equipe que conta com cinco profissionais, que se dedicam full time para nossas atividades. São profissionais que estão, boa parte deles, alocando seu tempo no campo mesmo, dentro das EICs, atendendo um Estado continental como o Pará, um Estado que não podemos compará-lo com nenhum outro Estado a não ser o Amazonas que tem particularidades muito próximas a nossa. Mas nós temos distâncias como 800, 1000 quilômetros para atender às EICs e, às vezes, não é nem tanto a distância. Nós temos EICs a 80 quilômetros daqui que o acesso é dificílimo, que não tem condução toda hora. Por exemplo, uma EIC aqui em Moaná, na Ilha do Marajó onde, para chegar lá, o único meio de transporte é barco. Um barco que leva 8 horas de viagem atravessando, cortando a floresta, braços de rios e atravessando a baía do Guajará, que é um mar. Quando a gente começa a atravessar a gente não enxerga o outro lado dela e é, na realidade, um grande rio. Já estivemos lá em algumas oportunidades, na formatura de turmas nossas, e são situações dessa ordem que imprimem um esforço adicional no acompanhamento, não só pela distância ou por inexistência de recursos de comunicação. Por exemplo, um telefone para que a gente possa estar mantendo contato permanente com essas comunidades e que o nosso trabalho exige. Exige deslocamento, exige uma aproximação para que essas comunidades possam estar sempre atreladas e vinculadas ao acompanhamento metodológico do CDI Pará.

P1 - Nesses cinco anos de CDI Pará, o que você acha que já está consolidado e o que ainda falta alcançar, quer dizer, que desafio fica para frente?

R - É, eu me conformo muito pouco com as coisas. Eu diria que a gente não tem muita coisa consolidada.  A gente tem uma equipe experiente, experimentada já nessa atividade, pessoas que se identificam com o trabalho. Eu acho que a gente solidificou o trabalho dentro de algumas comunidades. Por mais que a gente viesse a fechar algumas EICs, elas já deram resultados interessantes em algumas comunidades, eu diria que o que falta, de fato, é nós darmos um pouco mais de profissionalismo à nossa gestão interna. Nós temos poucas pessoas e a maioria delas está voltada para atividade finalística, para o apoio às comunidades. Nós estamos desprovidos de profissionais que possam estar apoiando o dia a dia e dando uma estruturação melhor no CDI, elaborando melhor os nossos relatórios, pessoas que pudessem estar mais voltadas para isso, comunicando melhor o nosso trabalho para a sociedade com o único objetivo de dar credibilidade junto à sociedade para que a gente pudesse, com isso, buscar mais apoio, conseguir mais apoio. Nós estamos consolidando uma imagem positiva do CDI, mas no meio da informática, junto às empresas de informática. A maioria delas conhece o CDI, o CDI tem uma referência positiva clara nesse segmento. E nós estamos ainda buscando conseguir ser uma referência positiva no seio da sociedade como um todo. E para isso nos falta profissionais que possam trabalhar esse segmento, possam estar atuando. Nós temos, por exemplo, um boletim informativo que nós divulgamos por correio eletrônico para uma boa parte da sociedade, temos uma página do CDI Pará na internet que se mantém atualizada não da forma que nós gostaríamos, exatamente porque quem atualiza são os próprios profissionais que estão em campo, atuando junto às EICs, e isso tudo são instrumentos que subsidiam uma visibilidade positiva, na medida em que nós registramos os resultados, eles precisam ser divulgados em benefício do próprio trabalho, do próprio CDI. E isso nós ainda não temos condição. Nós já temos alguns instrumentos que promovem essa... máquinas digitais que nós adquirimos para estar registrando as atividades que estão sendo realizadas, mas eu diria que a atualização e a divulgação disso ainda não é da forma que nós gostaríamos que fosse. E de dois anos para cá, nós definimos uma estratégia no CDI Pará que até veio a se casar com a estratégia do CDI Matriz, que era dar mais qualidade ao que nós estávamos fazendo. Até em detrimento de evoluir em quantidade. Priorizar a formação dos nossos alunos de forma a nos dar satisfação, mesmo não evoluindo em quantidade, mas ter a garantia de que o que estava sendo feito era um trabalho de qualidade. E hoje nós continuamos com isso. Nós continuamos querendo primar a qualidade do que nós estamos fazendo, empreender mais esforços e investimentos na qualidade, do que abrindo novas EICs. É melhor, é um resultado mais palpável e benéfico para o cidadão dizer que nós formamos cerca de cinco, seis mil pessoas nesses cinco anos com boa qualidade do que dizer “Nós temos 50 ou 100 EICs”. O nosso indicador, digamos assim, melhor seria esse: termos uma quantidade de alunos bem formados do que dizer que nós temos tantas EICs e não garantir a qualidade do resultado do trabalho que nós estamos fazendo.

P2 - E em termos de captação de recursos, Alcyr? Como é feita hoje em dia a captação no CDI Pará? Quais são as fontes de recursos?

R - A captação de recursos é um outro problema, diria sério, que nós temos no Estado. Nós temos algumas empresas regionais que têm uma vontade política de investir na responsabilidade social. Agora a concorrência é muito grande. Se acorre a essas poucas fontes de recursos diversas iniciativas do segmento do terceiro setor. Não temos ainda uma consciência, eu diria cidadã, permeando a maioria das instituições, das organizações. Não diria que seja uma realidade do Pará, mas talvez seja uma realidade do Brasil, apesar de que essa conscientização hoje é melhor do que era há alguns anos atrás, mas ainda aquém do que as organizações do terceiro setor precisam. Então os esforços de captação, primeiro também são feitos de forma amadora. O esforço é feito por nós, pessoas que estão formando os nossos educadores, os nossos coordenadores das EICs. É feito pelo nosso coordenador pedagógico, é feito pelo nosso coordenador de projeto, é feito por mim, é feito pelos nossos diretores. Então não existe um profissional alocado para isso, que seria logicamente ideal para que a gente pudesse estar sistematizando essa atividade no nosso dia a dia. A captação de recursos é uma atividade vital para uma organização do terceiro setor.  A gente sobrevive de apoio, e apoio, financeiro ou não, da sociedade, para que a gente possa levar a cabo nosso trabalho. E, felizmente, até apoiado pela parceria que a fundação CDI Matriz abriu junto à Fundação da Vale do Rio Doce. Outras empresas do Grupo Vag [Grupo Volkswagen] passaram a enxergar o nosso trabalho no Estado e também quiseram apoiar por iniciativa própria. Então, como o nosso contato se estreitou dentro da Albrach, por exemplo, que é uma grande fábrica de alumínio que nós temos aqui próximo a Belém, aqui em Barcarena, a ALUNORTE, que é outra também, a Pará Pigmentos, que é uma outra empresa aqui do Estado, quer dizer, são empresas mineradoras que têm necessidade de investir em função do trabalho que elas fazem a suas comunidades, têm trabalhos não só em apoio ao CDI, mas outros muito significativos que essas empresas estão fazendo para essas comunidades, e intervindo positivamente na transformação social desse público, desse povo, dessa população. E a informática, também por eles entendida como uma ferramenta imprescindível para a formação dessas pessoas. E o trabalho do CDI que veio respaldado por essa credibilidade que o CDI do Rio de Janeiro teve, facilitou em muito essa parceria junto a Albrach, a ALUNORTE e a Pará Pigmentos. Estamos construindo uma agora com a Mineração Rio do Norte, que também é uma empresa da Vale, mas que atua no baixo Amazonas, aqui no Pará. E uma outra que nós estamos alinhando com a Cobra Computadores, que são parcerias que estão sendo assim construídas a partir de portas que foram abertas por outras parcerias, em especial essa da Vale do Rio Doce, que foi oportunizada pelo CDI Matriz. Hoje, sem ter um profissional dedicado para isso, a gente está -graças a Deus - conseguindo algumas parcerias e fazendo com que tenhamos uma perspectiva de sobrevida do nosso trabalho no Estado. E, como falei ainda há pouco, é um trabalho permanente. É uma atividade que a gente não pode descuidar, que não pode deixar de lado, que não pode negar. Temos trabalhado nos últimos meses em reuniões também com o Programa de Articulação da Cidadania do Governo do Estado do Pará, tentando ver de que forma o CDI poderia, sem prejuízo da sua metodologia, dos seus valores, se juntar com o Governo do Estado para aproveitar espaço das escolas públicas e criar escolas de informática e cidadania, em especial à noite e nos fins de semana, para aproveitar o espaço dessas escolas. E aí são mais de 220 escolas no Pará. Seria uma reviravolta gigantesca e que logicamente teria que ter um apoio significativo do Governo para que a gente pudesse atender a essas EICs dentro dessas escolas públicas. Nós já fizemos algumas reuniões. Ainda não encontramos um caminho que a gente entenda que vá fluir, mas é possível que talvez para o ano a gente consiga concretizar alguma coisa. Tivemos parcerias com a prefeitura também, em especial numa escola ribeirinha, numa comunidade, num local que faz parte de Belém, numa ilha de Cutijuba, em parceria com a prefeitura e também com a Cesupa, na montagem de uma EIC, num local que não tinha nem energia elétrica. Tínhamos um gerador, num posto de saúde da prefeitura, que nós tivemos que, em parceria com a prefeitura, utilizar da energia desse gerador para construir essa EIC. Então esses esforços são permanentes e quem faz hoje somos nós. É uma coisa que a gente precisa consolidar e sistematizar uma carteira, digamos assim, de captação de recursos, calcada por um profissional que possa ter a experiência nisso e possa até, não só captar recursos, mas apoiar na divulgação do trabalho junto à sociedade, fazendo o CDI se tornar conhecido, não mais restrito ao meio do segmento de informática, mas junto à sociedade, para que isso facilite a absorção de novas fontes de recursos para dar um apoio sustentado para o nosso trabalho. Hoje a gente não tem ainda, diria assim, uma sustentabilidade concretizada. A gente está vivendo de uma parceria. A cada temos que buscar uma outra para até darmos uma segurança para os nossos colaboradores que vivem dessa atividade conosco. A nossa editoria é voluntária, mas os nossos colaboradores, nossos cinco colaboradores vivem dessa atividade. São pessoas que têm perfil dedicado, nos seus valores pessoais, mas esses valores também tiram seu sustento no próprio CDI Pará. Nós temos responsabilidade também pela manutenção dessa nossa equipe.

P2 – E quanto à arrecadação do equipamento? Ela é feita aqui no Estado? Ela é interna? Como que é isso?

R – A captação, não só de recursos financeiros, mas de equipamentos e computadores, que são fundamentais para a gente criar as EICs, é outra dificuldade que nós temos na região. As empresas, não só por não doarem, mas quando doam a concorrência por aquele recurso é grande, dada a carência que diversos segmentos têm. Nós tivemos doações de algumas empresas do local, a Albrach é hoje a nossa principal fonte regional de doação de equipamentos. Tivemos o Banco do Brasil doando alguns poucos computadores, a Sol Informática, a Amazon Corporation, Cesupa, são essas empresas que estão mais próximas. A Amazônia Celular também doou alguns computadores, mas nós tivemos uma grande doação que aconteceu em 2001 que foi um apoio do CDI Matriz com uma parceria com uma ONG japonesa, o Peace Boat, que num de seus destinos no mundo incluiu Belém e nos trouxe, na época, em 2001, cerca de 80 computadores.

P2 – O que é o Peace Boat? Você pode explicar?

R – O Peace Boat é uma organização não governamental do Japão que tem a finalidade de intercambiar culturas de povos desenvolvidos com povos em desenvolvimento ou subdesenvolvidos em diversos segmentos. Então ela tem, eu não sei exatamente se é dela, ou se as parcerias que ela tem, ela aluga um navio, que não é um pequeno navio, é um navio bastante grande. É um navio que cinde os mares do planeta, aportando em diversas cidades e trazendo nessa viagem diversos grupos com interesses diversos. Então tem grupos de pessoas que vem simplesmente por interesse cultural, para conhecer as culturas, tem grupos que vem por interesse turístico, tem grupos que vem por interesse em intercâmbio esportivo, ou grupos que vem por interesses sociais para conhecer a realidade social de países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. E aqui em Belém veio. Chegaram nesse navio cerca de 600 japoneses, a maioria deles japoneses. E dentro desse grupo de 600 cerca de 40 pessoas que vieram para fazer intercâmbio social em entidades sociais aqui de Belém, entre elas o CDI, o CDI e a Fase, que é uma outra ONG aqui de Belém – essa é a que eu me recordo bem –. Então nós passamos com esses cerca de 30, 40 japoneses visitando o nosso trabalho nesses dois dias que eles estiveram aqui. E esse grupo então trouxe cerca de 80 computadores nesse navio. Teve um pequeno prejuízo na saída lá do Japão porque teve um tufão e os computadores vieram em caixas, uma em cima da outra, e caíram uns computadores. Chegaram uns 10 quebrados por aqui. Mas deu para... alguns recuperamos, outros não teve jeito mesmo. Foi uma doação importante de uma única vez e que nos permitiu planejar a criação de diversas EICs. Foi nesse momento em que nós, de 2001 para cá, pudemos evoluir com a criação de mais escolas. E a Mega Ajuda, que é promovida pela associação do comércio de São Paulo, é uma outra importante fonte de captação de recursos para gente. Importante, mas um pouco problemática, porque nem sempre eles conseguem o transporte. A gente tem que bancar o transporte de lá para cá. Mas eu diria que foi a segunda fonte de captação de equipamentos que nos permitiu criar as escolas que nós temos hoje. Não só criar, mas já reequipar. Porque os primeiros computadores eram 386, 286, que nós colocamos e que hoje nós já tiramos todos eles. No Japão, por exemplo, enquanto aqui as empresas achavam que eram grande coisa um Pentium 233, 266, nós recebemos de lá esses equipamentos. Quando aqui, quando muito, a gente conseguia um 486. Então vieram computadores multimídia, com HD de 20 Giga. Coisa que aqui a gente só conseguia, quando muito, de 2 Giga nas doações. De 500 k, alguma coisa assim.

Então, em determinadas EICs, por exemplo, com esses computadores a gente tinha que dar uma aula de Word, processador de texto, quando chegava no módulo de planilha, desinstalava o Word para instalar a planilha. Chegava no módulo de apresentação, desinstalava a planilha para instalar a apresentação. Então essa foi uma realidade das nossas primeiras escolas que receberam esses primeiros equipamentos. Com a vinda dessa doação do Japão nós pudemos então ter.... O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] também, no início, nós conseguimos um recurso pelo CDI Matriz para adquirir computadores novos. Nós compramos equipamentos para 2 EICs, 20 computadores novos. Eram a menina dos olhos dessa EIC, quando chegaram os computadores novos. E hoje, nós, graças a Deus, temos equipamentos que não são os melhores, longe de serem os melhores, mas são razoavelmente adequados para salas de aula, para as finalidades que a gente tem lá. A gente sempre procura dotar as EICs de pelo menos um equipamento de melhor porte, que é aquele que vai fazer algumas atividades até de apoio à comunidade.

Então essas têm sido nossas fontes de captação de equipamentos, inclusive nesse momento, já estamos precisando de mais equipamentos. Não estamos mais porque nós estamos represando a criação de outras EICs, exatamente porque o nosso contingente hoje não está preparado em quantidade para apoiar muitas EICs, mas hoje nós temos algumas demandas que precisariam de equipamentos de boa qualidade, em bom estado, para criar algumas escolas que estão com demanda.

P2 - ... o perfil das EICs no Pará. Dá para dividir em alguns tipos diferentes? Como que são? Tipo de público que atinge?

R – Mais ou menos.

P2 – Ou então citar exemplos de EICs que você acha que são significativos.

R – Nós temos uma realidade no Pará que eu diria, tentando fazer um paralelo, por exemplo, do interior do Pará com o interior de São Paulo, do Rio de Janeiro, Minas Gerais, sem citar alguns interiores que são, que tem uma qualidade de vida melhor, como a do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, o nosso... e até... também fazendo paralelo com o interior do Nordeste. Nós temos assim, a característica de um povo que está afastado do acesso, que não tem acesso à cultura. Não é um povo miserável, eu diria, porque ele tem o açaí, que é uma fonte de alimento para ele importante, tem a farinha de mandioca, tem os rios, que provém o pescado de diversas formas: caranguejos, peixes, diversas variedades de peixes nós temos aqui na região.... agora é um povo extremamente pobre. Pobre porque ele está limitado à cultura que ele teve acesso, que é a cultura do interior, está limitado à nutrição que ele tem acesso, então é um povo carente, de extrema carência cultural e nutricional, digamos assim. O povo nordestino, do interior do Nordeste, além de ser um povo pobre, é um povo também miserável, porque em determinada localidade do Nordeste nem condição de ter o alimento ele tem. A gente vê essas reportagens que deixam bem claro algumas situações, em função até da seca e da falta de recursos naturais para extrair alimento. E a realidade do Sul e do Sudeste é uma outra realidade, onde as pessoas já tem acesso ao conhecimento, à informação. Hoje, aqui no Pará, de alguns anos para cá é que a federal levou seus campi para o interior. Em alguns interiores nós já temos a condição de formar pessoas e graduar pessoas em nível superior na própria localidade em alguns cursos básicos. Não são cursos de ponta.

Então nós temos um perfil do nosso povo que é ávido por conhecimento. Um indicativo claro disso é um inchamento que tem a capital, Belém, em comparação ao interior. No Amazonas isso é mais acentuado ainda. O Amazonas é um estado grande, com uma pequeníssima densidade populacional, densidade demográfica, como o Pará também é, e onde as pessoas acorrem à capital para ter acesso, para ter educação, para ter saúde, para ter lazer. Então o nosso interior é carente desse tipo de conhecimento, desse aspecto: saúde, conhecimento, lazer. Então quando a gente chega com a informática é um apelo muito grande porque eles percebem que isso é um meio para que eles possam galgar uma condição melhor. Eles veem que isso só têm na capital. E nós temos mais da metade das nossas EICs sediadas no interior. Menos da metade em Belém e mais de metade no interior. E com diversas características. O Pará é um Estado que tem uma diversidade geográfica e cultural e de atividades econômicas muito diversas. Cultural porque nós temos, no nosso Nordeste e Sudeste, Sul-Sudeste do Pará, uma influência muito grande do povo nordestino e do povo que vem inclusive do Sul. Se tu fores em Marabá, por exemplo, Paraopeba, onde nós temos EICs, Conceição do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, o sotaque do povo paraense é diferente do povo aqui do Norte do Pará. Nós puxamos o “s” como o carioca puxa, nós falamos na terceira pessoa “tu”. A gente só fala “você” com pessoas que a gente tem menos intimidade. Então isso é influência da cultura que esses povos do Sudeste, Sul e Nordeste trouxeram para essa nossa área do Sul do Pará. Atividade econômica é diversa também. Nós temos a criação.... é o quinto maior produtor de gado do país. Tem uma atividade mineral da maior expressão, uma das maiores expressões no mundo, não só do Brasil. A nossa reserva mineral é para centenas de anos de exploração de ouro, de platina, de ferro, de alumínio, uma série de metais nobres. Temos uma área de praia, onde se explora turismo, aqui para o norte do Pará. E temos comunidades que são isoladas, que são comunidades ribeirinhas, que estão próximas às vezes de Belém, mas que estão distantes, porque levam duas, três, quatro, cinco, seis, oito horas de barco para chegar à capital, como sendo o único meio de transporte. E a via fluvial é uma via de transporte muito utilizada no Estado. E aí a gente tem esse nosso público dessas nossas EICs diferenciadas. Por exemplo, em agosto nós criamos a primeira EIC rural do Pará, uma EIC localizada numa área bem com característica rural mesmo.

Então nós temos a EIC rural que foi criada agora em setembro. Nós temos EICs ribeirinhas que atende à população, que moram na beira do rio. Às vezes nem constitui uma vila, uma cidade. Tem a vila, mas pessoas que moram na beira do rio, que estabelecem a sua família com uma barreira de madeira na beira do rio. E no Marajó, por exemplo, nós tínhamos um aluno que remava com canoa, por três horas, do local que ele morava, dentro da Ilha do Marajó, até um ponto que ele pegava uma bicicleta e andava por mais 1 hora para participar da aula. Ele concluiu o curso dele todo dessa forma. Temos EICs que são sediadas na periferia de Belém, cuja realidade é a de jovens que estão envolvidos em gangues. A gente tem muito isso aqui em Belém. E eventualmente está no noticiário aí jovens que se matam porque brigaram entre eles. Há droga entre pessoas que consomem droga. Em comunidades que não têm esse perfil, mas que são pessoas pobres, que têm muito pouco para seu sustento e que veem na escola do CDI uma oportunidade para colocar os seus filhos para adquirir um conhecimento que pode lhes dar uma oportunidade melhor de trabalho. Temos diversos casos, em especial aqui em Belém, de pessoas que conseguiram melhorar de emprego ou conseguiram emprego por ter adquirido esse conhecimento básico de informática. Então é uma diversidade de público que é proveniente da diversidade que o Estado tem, da diversidade cultural, da diversidade de atividades econômicas e que nós estamos convivendo no dia a dia com todas elas.

P1 – Teria um assunto que você gostaria de falar?

R – Vocês foram fundo...

P1 – Que nós não perguntamos, que você se lembre, que gostaria de contar algum fato, levantar algum assunto que não foi tratado ainda aqui?

P2 – Colocar algo...

R – Olha, é até capaz de ter, mas eu realmente agora.... Se vocês provocarem tem. Mas acho que vocês provocaram bastante. Acho que deu para.... Eu não tenho uma memória muito boa. Talvez eu pudesse ter enriquecido com os dados mais detalhados. Mas eu, reconhecidamente, pelos que me cercam, sou uma memória que não guarda muitos detalhes para poder, de repente numa oportunidade dessas, citar alguns números até. Mas acho que o mais importante a gente não deixou de falar não.

P1 – O que você achou de prestar este depoimento aqui?

R – Olha, eu confesso para vocês que a minha expectativa não era que fosse um tempo desse e que a gente fosse falar coisa de dez, 15 minutos, e que tivesse que tentar pinçar as coisas mais relevantes, mais expressivas, para em pouco tempo tentar retratar. Para mim foi extremamente positivo porque me deu a oportunidade de rever uma história que a gente não tem a oportunidade muito de relatar, de contar, e que se não for documentada certamente a gente perde com o tempo. Com certeza o que eu relatei hoje está um pouco longe de expressar a realidade. Eu talvez não tenha conseguido relatar com riqueza os fatos que aconteceram. Então falar nessas duas ou mais horas foi uma experiência onde eu pude reviver e relatar para vocês um pouco da história, não só do CDI, mas um pouco da nossa vida, da trajetória desde quando nós começamos a compreender o mundo e o papel que nós temos dentro dele. Eu acho que foi muito positivo. Me trouxe um sentimento - não deixa de ser - de realização, ao rever um pouco do que a gente já fez e da realidade ao perceber que falta muito para fazer, em perceber que é quase nada, diante de tanta coisa que a gente vê no dia a dia. E de tanta necessidade que a gente vê o nosso povo passar. É um pouquinho talvez do que a gente pode contribuir e a gente espera um dia poder contar a outra parte dessa história com resultados mais significativos do que os poucos que a gente tem conseguido encontrar. Eu, de fato, queria agradecer essa oportunidade e a iniciativa da gente estar podendo relembrar e relatar para documentar um pouco dessa história.

P1 – E o que você acha da ideia do CDI de fazer a história dele assim: contar a sua história através da história das pessoas?

R – Eu acho que nada melhor do que contar a história do CDI, das pessoas falando de como elas foram beneficiadas pelo CDI. E como o CDI contribuiu para a formação dessas pessoas. Eu acho que não poderia se ter uma melhor ideia, uma melhor forma do que falar de uma realidade ou de um trabalho do que mostrar resultados, do que ser testemunho do que uma entidade, do que uma ideia pode realizar. Eu acho que não poderia ser melhor.

P1 – Então está bem. Em nome do Museu da Pessoa e do CDI agradecemos muito o seu depoimento aqui.

R – De nada. Nós que agradecemos.

P1 – Muito obrigada.

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