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História de: Luciana Pellegrino
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/02/2017

Sinopse

Luciana Pellegrino é paulistana, nascida em 1974. Em sua entrevista, nos conta sobre a influência grande que a família teve em sua vida, experiências estas que Luciana tenta passar para os filhos. Ao concluir os estudos escolares, optou por seguir a carreira de Administração com ênfase em Comércio Exterior e teve a oportunidade de participar de um intercâmbio nos EUA , experiência que lhe permitiu o ingresso na ABRE, Associação Brasileira de Embalagens, onde exerce hoje a diretoria executiva.

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História completa

Meu nome é Luciana Pellegrino, nasci em São Paulo em 12 de abril de 1974. O meu pai, ele foi formado em Engenharia Naval, mas nunca trabalhou nessa área, trabalhou mais na área financeira e administrativa de diferentes empresas. Minha mãe sempre foi dona de casa, mas desde que eu me recordo ela se envolveu com um trabalho espiritual, onde ela sempre se dedicou muito na formação de um grupo e a promoção de estudos para esse fim. Isso, certamente, teve uma grande influência na minha vida.

 

Sempre morei em São Paulo, até os seis anos, quando pequena, nos Jardins e era um apartamento pequeno e muito gostoso. Eu me lembro desse ambiente, da gente brincando no sofá, transformando o sofá em carruagem, brincando muito dentro do apartamento e aquele limite de espaço já era o suficiente pra nós. Depois, com seis anos, me mudei para um apartamento maior, onde os meus primos moravam no mesmo prédio. Então, a gente já tinha essa vida mais social em convivência com eles, mas também sempre a nossa vida mais calcada com esse esforço dos meus pais em nos proporcionar experiências do que proporcionar coisas. Minha família tem até hoje no Mato Grosso do Sul uma fazenda. Fomos a vida inteira para lá e é onde passamos muitas férias, continuo passando ainda hoje, e é um lugar que nos deu uma vivência muito rica e muito em contato com a natureza, uma experiência muito rica que eu sempre carreguei comigo de uma forma muito forte. Ao mesmo tempo, também tivemos acesso a um sitio muito gostoso em Nazaré Paulista, onde a gente passava muitos finais de semana, por ser mais próximo. Então, na minha infância, eu tenho muito nítida essa presença de que os meus pais não podiam nos dar coisas materiais, não tinham essa possibilidade, mas ao mesmo tempo, todo esforço da minha família em nos proporcionar experiências. Experiências e vivências muito ricas, que até hoje eu tento passar para os meus filhos também.


Quando eu acabei a escola, eu decidi que eu ia fazer Administração com ênfase em Comércio Exterior, porque também tinha vindo do meu pai essa referência de que eu devia sempre tentar viajar na minha vida, conhecer outros países, ter acesso a outras culturas, a outros locais, como isso poderia ser enriquecedor. E fiz a faculdade no Mackenzie e logo no primeiro ano eu já fui buscar um trabalho, e conseguir uma oportunidade como trainee, buscando desenvolver desde já uma experiência profissional que me permitisse o crescimento. O primeiro estágio foi na Câmara Americana de Comércio, existia um programa de trainee muito interessante na época, onde eles convidavam os jovens a serem trainees da Câmara, ter uma primeira experiência profissional, primeiro contato com o mercado de trabalho e qual seria essa postura, como que a gente se envolveria nesse ambiente. Essa experiência foi muito importante pra mim, porque foi ali que eu conheci mais pra frente aquele que viria a ser o presidente da ABRE, da Associação Brasileira de Embalagens, e que me convidou para trabalhar na ABRE.

 

Por um ano eu tranquei a faculdade e fui morar fora, fui morar nos Estados Unidos para aperfeiçoar o meu inglês e ter uma experiência diferente. Foi realmente uma experiência muito rica, e foi ali que eu comecei a minha trajetória no mundo da embalagem, porque na época, o então presidente da Câmara Americana que eu tinha conhecido era o dono de uma das principais indústrias de embalagem aqui no Brasil e eles tinham uma joint venture com uma empresa nos Estados Unidos. Então, quando eu estava indo para lá estudar inglês, eu já falei: “Eu vou estudar inglês por um tempo, mas eu queria depois poder estar na empresa que você tem essa joint venture nos Estados Unidos”, e ele falou: “Tá bom, não tem problema, mas com uma condição, de que quando você voltar para o Brasil, que você venha trabalhar na Associação”, porque ele estava assumindo a presidência da ABRE. Fui encontrá-lo em Chicago, onde estava tendo uma feira de embalagens, a PACK EXPO International, que até hoje é uma das principais feiras do setor. A ABRE tinha um stand lá, então eu já fui ficar nesse stand para conhecer um pouco da associação do tema. No final daquele ano eu voltei para o Brasil e já em janeiro eu comecei a trabalhar na ABRE ainda como estagiária, porque eu ainda não tinha me formado na faculdade, então ainda atuei dois anos como estagiária para depois, ser efetivada na Associação.

 

Quando eu me formei, fui efetivada e comecei a ter acesso a toda essa questão ambiental, à discussão ambiental, no caso, mais propriamente na questão de resíduos. Fui convidada para participar de algumas reuniões do CONAMA para discutir uma possível regulamentação no que referia à gestão de resíduos e aí, naquele momento, eu falei: “Nossa, eu acho que eu vou fazer um curso”, então eu já emendei o final da faculdade com um curso de especialização em Ciências Ambientais para tentar entender um pouquinho mais esse tema. No decorrer do curso eu precisei aprender muito sobre esse tema na minha experiência profissional, realmente, porque eu falava: “Gente, a gente não pode ser visto dessa forma, a indústria de embalagens não pode ser vista como uma vilã da sociedade”, e sempre com uma angustia: onde a gente vai achar informações e referências para conseguir trabalhar essa visão e a própria atuação da indústria? Em 2002, já muito cedo, eu virei diretora executiva da ABRE, e com isso, já tive que participar de mais reuniões, e aí eu acho que muito na calcada de toda essa experiência, eu fui entendendo que eu tinha que ser uma protagonista desta discussão, até por ser diretora da ABRE eu tinha que começar realmente a criar referências sobre o assunto, a dar palestras sobre o assunto, e resolvi escrever uma cartilha sobre o tema. Fiz essa cartilha, a ABRE imprimiu e a gente distribuiu para os associados, deixou esse conteúdo disponível e a partir daí, eu comecei, daí não mais sozinha, mas comecei a incentivar que os associados da ABRE construíssem outras referências. Então comecei a buscar, muito a partir da minha visão de mercado como diretora da ABRE, o acesso aos lugares, as discussões e reuniões que eu tinha, que tipo de informação que tinha que ser construída para a indústria.

 

A indústria hoje, ela vai ao detalhe do detalhe para conseguir em cada elo da cadeia trazer uma eficiência ambiental e isso porque a indústria já percebeu que é um tema relevante para a sociedade e ela precisa, ela tem essa responsabilidade de integrar essa eficiência ambiental em cada estágio dessa cadeia e, a partir daí, olhar para o fechamento desse ciclo. No caso das embalagens, a embalagem sustentável é aquela que protege o produto que ela condiciona, o primeiro pilar é esse cumprimento da função da embalagem, como que eu consigo garantir que o produto vai ser consumido devidamente e não vai ser desperdiçado. E é muito interessante, porque a gente consegue enxergar toda a matéria-prima e os recursos naturais que foram usados para fabricar aquela embalagem, mas a gente não consegue enxergar o que foi usado para fabricar o produto em si, sendo que na grande maioria das vezes, o impacto ambiental por trás de um produto chega a ser 90% maior do que o impacto da sua própria embalagem.  O papel da embalagem é essa função de proteger e viabilizar o uso adequado, de até quando um produto que, depois da embalagem aberta, se estraga, como que a gente agrega tecnologias de acondicionamento, de refechamento para que a gente preserve esse produto até o seu uso adequado. Então, como que essa embalagem consegue agregar todo um coeficiente de segurança no que se diz respeito à integridade do produto, a sua qualidade, a toda a sua esterilidade para que não tenha ali nenhum possível contaminante. A indústria de embalagens evolui de uma forma muito precisa junto com a sociedade, tanto em relação ao seu desenvolvimento econômico social, como também justamente aos seus anseios, aos temas que são relevantes para aquela sociedade, ao seu comportamento, aos seus hábitos. A embalagem, assim, ilustra muito bem quais são os hábitos daquela geração, daquela sociedade, qual que é a dinâmica econômica, qual que é o desenvolvimento do varejo, enfim, trata-se de um processo de evolução continuo e mesmo no que se refere à sustentabilidade. Hoje, qual que é o tema que a gente precisa trabalhar? O quê que é o mais urgente que a gente precisa trabalhar no que se diz respeito à sustentabilidade? Então, é eficiência no uso de recursos naturais? É eficiência nessa recuperação? Numa revalorização? É eficiência na redução de desperdícios de produtos? A sociedade vai apresentando temas que a indústria precisa trabalhar e apresentar soluções para atender aquela nova demanda da sociedade.

 

Engajar o consumidor é um desafio até hoje, pois é uma questão de atitude da pessoa e de uma atitude onde ela está no momento dela, onde ela vai ter que ter primeiro a consciência para, daí, entender a mudança de hábito. A gente vê, mesmo com o uso de recursos naturais, a questão da água, provavelmente só quando passamos por aquela crise hídrica é que as pessoas passaram a ter mais consciência do uso da água. Agora passando toda essa campanha de economia de água, o que ficou nas pessoas? O que a gente espera é que essa campanha tenha de fato, enraizado uma consciência, que tenha mudado a sua atitude para fechar a torneira quando ela vai escovar os dentes, fechar mesmo durante o banho enquanto ela está passando xampu. Agora, se ela vai ou não vai é realmente de cada individuo, porque ele está sozinho naquele momento. O principal fator é educação, sem dúvida nenhuma, é um desafio que passa pela educação. Hoje é mais difícil a gente sensibilizar as gerações mais velhas, que não adotaram essas práticas desde jovens, diferente do que ocorre com essa geração que já tem isso como um tema presente, com esse entendimento de que meio ambiente, a questão da sustentabilidade, não é mais aquele assunto tão genérico e amplo que está tão longe da gente, mas sim muito mais hoje voltado para pequenas ações e escolhas e atitudes do nosso dia a dia e que isso tem um impacto, sim, no todo deste grande cenário.

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