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História de: Celso Charneca Leopoldino
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/10/2015

Sinopse

A vida de Celso durante a infância, sua relação com a família e a escola. O vestibular e ingresso no curso de Comunicação. A experiência em Caraíba. Contratação na VALE e suas funções na companhia.  Reação das comunidades locais realocadas por conta dos empreendimentos. Relação com a família. A adaptação da esposa em todos os lugares onde moraram.

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História completa

P1 – Boa tarde, Charneca!

 

R – Boa tarde!

 

P1 – Eu vou começar te perguntando o teu local e data de nascimento.

 

R – Bom, eu me chamo Celso Charneca Leopoldino, nasci em Nilópolis, Baixada Fluminense em 23 de março de 1954 às 13 horas da tarde.

 

P1 – Eu queria que você falasse pra gente o nome dos seus pais e seus avós?

 

R – Meu pai se chama Antônio Leopoldino e minha mãe Joarina Charneca Leopoldino, os meus avós maternos eram Manoel e Rita e os meus avós paternos, João e Iara.

 

P1 – O que seus avós faziam profissionalmente?

 

R – O meu avô materno era português e jardineiro de profissão, ele ganhava a vida como jardineiro, a minha avó materna era do lar, né, e o meu avô paterno era comerciante e minha avó materna também era do lar, agora ela tinha uma peculiaridade, ela fazia tricô e crochê maravilhosamente bem, então ela vivia disso, né?

 

P1 – Ela vendia?

 

R – Vendia, isso.

 

P1 – E seus pais?

 

R – Meu pai é aposentado hoje, ele trabalhou a vida inteira na polícia civil do Rio, no departamento de telecomunicações e minha mãe nunca trabalhou, minha mãe sempre se dedicou à família que era um pouquinho grande.

 

P1 – Qual é a origem do nome da tua família?

 

R – Olha, Charneca Leopoldino, ambos são de Portugal, como sobrenome, agora o Charneca tem uma particularidade, este sobrenome é de origem espanhola, agora a palavra charneca tem origem lá na Escócia, significa pântano, lugar alagado, é mais ou menos por aí.

 

P1 – Quantos irmãos você tem?

 

R – Tenho três, comigo são quatro.

 

P1 – E, fala um pouco da tua casa, tua infância, o bairro onde você morava?

 

R – Bom, eu morei em Nilópolis até 1979, quando eu fui embora, depois de formado, eu fui pra Bahia e não voltei mais pro Rio pra morar. Mas eu sempre morei na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma rua, né, era uma casa grande, como é até hoje. O quintal era imenso, enorme, hoje tem casas da família em toda área que era o quintal, mas a minha infância era o quintal enorme, cheio de frutas, cheio de árvores, essas coisas, né? E, assim, as minhas recordações de infância são muito legais, a adolescência também, muito boas, sabe, tenho amigos daquela época até hoje, a gente se encontra sempre que eu estou no Rio, sempre que eu venho passar Natal, Ano Novo, qualquer festa, evento, meus pais fizeram bodas de ouro esse ano, então nos encontramos e, assim, tenho recordações bastante legais.

 

P1 – E a sua família mora na mesma casa até hoje?

 

R – Meu pai e minha mãe sim. Meus irmãos, tem um que mora no Rio, tem um que mora em Natal, ele é da aeronáutica e o mais novo mora em Minas, quer dizer, no mesmo estado que eu moro, né?

 

P1 – O quê você lembra, assim, da tua infância, das brincadeiras?

 

R – Bom, eu lembro que eu roubava muita fruta dos vizinhos, como todo menino, bom menino que se preze, né? A gente jogava muita bolinha de gude, futebol, soltava pipa, tudo que menino do Rio faz com a vantagem de que, naquela época, não tinha violência, então a gente brincava de pique a noite até onze horas, meia noite, sem nenhum problema. O único problema que a gente tinha era com os vizinhos, né, quando tinha um vizinho que a gente não gostava, jogávamos pedras no telhado dele, essas coisas, assim, de menino. Mas a minha infância e, realmente, a minha adolescência foram fantásticas, é uma pena, eu acho que os meninos de hoje não têm essa oportunidade, a minha eu não posso me queixar não.

 

P1 – Lembra do cotidiano, como era o cotidiano na tua casa?

 

R – Lembro, a gente estudava, né, eu estudei uma parte da minha vida de infância e adolescência de manhã, depois a tarde e a minha tia, ela já faleceu, ela nunca quis casar, preferiu se dedicar aos sobrinhos, a criar os sobrinhos, ela era fundadora e diretora do colégio que eu estudei a vida inteira, então, assim, ela era muito rigorosa e nós, todos os quatro, sempre tivemos notas muito boas, até a hora que nós nos rebelamos contra esse negócio, enfim, aquela coisa de adolescente, né? Mas ela era muito rigorosa, então a formação que nós temos hoje é, com certeza, graças a ela em boa parte, e aos meus pais, quer dizer, meu pai trabalhava e minha mãe era preocupada com meus avós, uma tia minha que era doente na época, mas era uma rotina, eu diria que era uma rotina fora da rotina, porque quando a gente ia pro colégio era uma coisa, quando vinha pra casa era bagunça o tempo inteiro, quatro homens dentro de casa, você já viu, né, era complicado.

 

P1 – Quem que exercia a autoridade dentro de casa?

 

R – Minha mãe, até hoje minha mãe, ela é super brigona, sabe, ela defende a gente em qualquer situação, se precisar ela sai no tapa, até hoje, 72 anos e tá lá, firme.

 

P1 – E você teve uma orientação, assim, religiosa e política?

 

R – Religiosa, com certeza, né, nós somos católicos, todos lá em casa foram batizados, crismados, aquelas coisas todas, a igreja que nós frequentávamos era de padres franciscanos e como a gente vivia aprontando, tomava lambada daquela cordinha cheia de nozinhos dos franciscanos, sabe? Mas, assim, foi uma formação interessante, foi uma formação religiosa bastante interessante, hoje continuamos católicos, mas eu tenho um irmão, meu terceiro irmão, ele é católico, mas ele seguiu o lado espírita dele, então ele hoje ele é mais praticante do espiritismo do que do catolicismo, mas, assim, a nossa formação foi muito legal, nós fomos direcionados, depois cada um escolheu um caminho. Agora formação política, lá em casa nós sempre fomos, nós nunca demos muita importância pra política não, sabe, porque eu sempre achei que política, sempre achei que é uma besteira, hoje eu sei que não é uma besteira é uma coisa muito importante, porém eu e meus irmãos, eu tenho certeza, porque a gente conversa muito sobre isso, meus pais, nós votamos sempre na pessoa e nunca no candidato, a gente vota na pessoa, se a pessoa é do nosso convívio, a gente conhece a pessoa, o trabalho, a vida, não sei o quê, é nele que a gente vota, independente do que ele tá prometendo, sabe, então eu diria que isso não é uma formação, mas acho que a vida nos ensinou a ir por esse caminho e por enquanto tá indo legal.

 

P1 – O fato do seu pai trabalhava na polícia, ele era muito rígido, assim, ele tinha uma formação mais rígida?

 

R – O meu pai sempre foi muito rígido, né, mas, assim, ele nunca bateu na gente, mas sempre foi bastante rígido, deu uma formação, deu uma linha de conduta muito peculiar, né, assim, muito pro lado da correção, né, então até hoje ele é assim, apesar de 72 anos dele, até hoje é assim, de vez em quando ele cobra alguma coisa que a gente deixou de fazer ou fez da forma que ele: “Não, era pra fazer assim, por que vocês não fizeram desse jeito?”. Enfim, ele sempre foi muito rígido, mas sempre foi muito de diálogo, sempre foi muito brincalhão, sempre foi muito aberto, né, até hoje, então, assim, foi uma formação eu diria que bastante interessante, muito legal, acho que nós quatro não temos muito do que reclamar com relação a isso.

 

P1 – Você é o mais velho?

 

R – Eu sou o mais velho.

 

P1 – Bom, você estudou sempre nessa escola, até o científico?

 

R – Até o científico, até o terceiro ano.

 

P1 – E você acha que alguma coisa nesse seu ensino na escola, te influenciou na escolha da tua profissão?

 

R – Olha, eu sempre quis fazer Engenharia, graças à deus não deu certo, porque eu acho que ia ser um engenheiro meio frustrado, porque, na verdade, eu não gosto de matemática, nunca gostei, sempre gostei das matérias da área humana, sempre gostei de história, de português, já dei aula de português, então só gostava de química, por mais paradoxal que isso seja, mas eu gostava de química. Mas eu tentei fazer Engenharia e eu não passei, graças a deus, porque eu errei na escolha da escola, se eu tivesse colocado qualquer outra universidade, eu fiz pra UFRJ e fui na onda do diretor do cursinho que era professor do colégio também e ele falou assim: “Pode botar que vocês vão passar fácil.”, e passaríamos mesmo, se eu tivesse botado UFF, UERJ, na época, até Rural, eu tinha passado, graças a deus, eu escolhi a escola errada, tanto que quando eu fiz vestibular em seguida para Comunicação eu passei, nem estudei nada, tinha certeza que ia passar e passei numa boa, sabe?

 

P1 – Mas essa mudança de rumo teve, alguém te influenciou?

 

R – Não, lá em casa a minha tia queria que alguém lá de casa fosse médico, minha mãe queria que alguém lá de casa fosse militar, meu irmão, o segundo é militar, mas, assim, cada um foi pra um canto, cada um seguiu o que achou que fosse melhor pra si, né, não teve essa, tinha uns desejos, mas desejo, a gente tinha os nossos também, então nós fomos pelos nossos.

 

P1 – O quê você lembra, assim, por exemplo, da fase do científico, o que você lembra de marcante, dos teus amigos, o que vocês faziam pra se divertir?

 

R – Olha, na escola a gente tinha um grupo de amigos bastante grande e todos, os meninos e as meninas, todos praticávamos esporte na escola, eu era do time de basquete, de futebol de salão, handebol, essas coisas, os colegas também e uma boa parte desses colegas também, assim como eu, tocávamos na banda de música do colégio, então isso me marcou bastante. Eu tocava na banda marcial e na banda de música, depois eu parei com a música, faltou tempo, eu tocava pistom, aí faltou tempo, eu parei, mas isso marcou muito. Outra coisa que marcou muito foi a amizade, né, que nós fizemos e que ficou, ao longo desse tempo, a gente, de vez em quando a gente se encontra, quando tem tempo, sabemos onde estão as pessoas, alguns já morreram, mas, enfim, faz parte da vida. Mas, assim, a nossa formação escolar foi muito legal, muito boa, lembro muito do dono da escola que era extremamente exigente, chato, sabe, a gente vivia aprontando com ele, enfim, aquelas coisas de adolescente, né, mas se eu acho que o fato de eu ter estudado num colégio só foi legal porque a nossa formação foi única, né? A gente não teve diferença de formação, diferença de conceito, a gente teve um conceito só e pra mim foi muito legal, pra mim foi muito bom, pros meus irmãos também, tenho certeza.

 

P1 – Era uma escola pública?

 

R – Não, particular.

 

P1 – Qual era a formação da escola, era religiosa?

 

R – Não, não tinha formação religiosa, ela era completa, ia do jardim de infância, ao Segundo Grau, mas não tinha formação religiosa, a parte religiosa nós fizemos na igreja, na igreja do nosso bairro lá.

 

P1 – Era uma escola particular?

 

R – Era Particular, é até hoje.

 

P1 – Bom, e aí se formou e fez vestibular logo em seguida ou...

 

R – Eu me formei em 1970, não, eu me formei em 1971, aí 1972 e 1973 eu fiz escola técnica federal, eu fazia o curso de química, que eu não coloquei no meu currículo, esqueci e em 1973 eu tive que ir pro CPOR, porque eu pedi adiamento uma vez, segunda vez, na terceira não me deram e na época eu não sabia que aluno de escola técnica era isento do serviço militar, então embarquei igual um bobo, que eu não gostava daquilo ali, mas fui, mas foi um período legal da minha vida, me ensinou muita coisa, fiquei lá 1 ano, fiz CPOR, aí no final de 1974, 1974 eu fiz o primeiro vestibular, 1975 eu passei, fiz a segunda vez e passei.

 

P1 – Você fez a sua faculdade na faixa?

 

R – Na faixa.

 

P1 – E como foi, você já trabalhava, quando você entrou na faculdade você já trabalhava...

 

R – Já trabalhava em jornal, já, quer dizer as matérias de estágio eu não fiz nenhuma delas, porque eu já trabalhava, né, eu tive a sorte de ter jornalistas que não tinham a formação de jornalista, eram provisionados, mas que já tinham a parte prática, eu tive a sorte de tê-los como companheiros de trabalho, que me ensinaram muita coisa, né, que eu trago até hoje, com muitos conselhos que eu carrego comigo até hoje, né, dei essa sorte, então quando eu fui, entrei pra faculdade, já tinha essa bagagem e quando eu saí da faculdade, pra mim, foi muito fácil, né, eu tive a sorte de todo lugar que eu fui, eu consegui empregos que eu considero muitos bons, tanto em nível de emprego quanto em nível de salário, sabe, eu sempre dei muita sorte graças a deus.

 

P1 – Durante todo período da faculdade você trabalhou nesse mesmo jornal?

 

R – Não, trabalhei um tempo nesse jornal, depois saí...

 

P1 – Como chamava mesmo o jornal?

 

R – Jornal de Hoje, jornal de Nova Iguaçu, depois eu fui pra Cruzeiro do Sul, fui pro IBGE, larguei o jornal depois só voltei a trabalhar em comunicação em 1979 quando eu fui pra Bahia, do comecinho eu trabalhei na Amiga, do comecinho de 1979, de janeiro à junho eu trabalhei na Revista Amiga.

 

P1 – E, fala um pouco, então, como que era trabalhar e estudar ao mesmo tempo, como é que você conseguia conciliar...

 

R – Olha só, vou contar uma experiência legal, em 1977 eu entrei pra Cruzeiro do Sul, aí eu trabalhava de turno, estudava a noite na faculdade e trabalhava de turno, só que o turno era assim, o primeiro dia eu pegava às 7 e meia da manhã e largava 3 e meia da tarde, o segundo dia pegava 3 e meia, largava 11 e meia da noite, no terceiro dia, pegava 11 e meia da noite e largava 7 e meia da manhã e aí folgava este dia e o dia seguinte, né, agora em 1978 eu resolvi, também, trabalhar no IBGE, então trabalhei em dois lugares, fazia faculdade, e no IBGE era de meia noite às 6, agora não me pergunta como eu conseguia não, porque eu não sei até hoje, mas tive essa experiência, pra mim foi muito legal, muito interessante.

 

P1 – E tinha tempo pra se divertir, pro lazer?

 

R – Não, nenhum, só pra estudar e, assim, aquela história, né, a gente precisa trabalhar e eu pagava a faculdade, então precisava pagar, a faculdade não era barato, como não é até hoje, né, então tinha que me virar realmente, mas foi legal, como experiência de vida foi fantástico, mas eu só agüentei 1 ano no IBGE também, não deu mais não.

 

P1 – Aí se formou na faculdade...

 

R – Aí me formei, em janeiro eu fui pra Amiga, 6 meses depois eu fui pra Bahia, trabalhar na assessoria de comunicação da Caraíba, aí, caí no mundo, já morei em diversos Estados...

 

P1 – Como foi sua experiência em Caraíba, mudar de cidade, né, era a primeira vez que você saía do Rio, né?

 

R – Caraíba, foi, a primeira vez que eu saí, assim, pra morar fora, com certeza, então na Caraíba eu diria que eu tive, acho que foi a minha maior escola, tanto de vida pessoal quanto profissional, pessoal porque eu fui morar num lugar no sertão da Bahia na época do, aquela época de seca, 6 anos no Nordeste, ficou 6 anos sem chover, eu morava no polígono das secas, quando nós chegamos pra lá, eu cheguei no comecinho da vida da empresa, a empresa tava abrindo a mina, tava começando a construir a fundação dos escritórios e tal. Nós tomávamos banho de água mineral, porque não tinha água, sabe, assim, aquela coisa, aquele deserto, né?...

 

P1 – Qual era a cidade?

 

R – O município chama Jaguarari, ele fica, mais ou menos, a 50 quilômetros para dentro do sertão de onde aconteceu a guerra de Canudos, pra você ver como que era o negócio lá, assim, aquela caatinga seca a maior parte do tempo, sabe, cabrito pra tudo quanto era lado, jegue, não sei o que, cobra, escorpião, aquelas coisas, mas, assim, foram 8 anos, eu conheci a minha esposa lá e ela é de Itabira, eu fui trabalhar lá também, então nós nos conhecemos lá, casamos em Itabira, voltamos pra lá, enfim, eu, a minha vida inteira eu diria, a vida profissional, com certeza começou mesmo, pra valer, lá, sabe, eu considero assim, e a minha vida pessoal com certeza, né, o casamento, os filhos.

 

P1 – Até então você não tinha tempo, nem pra namorar quase?

 

R – Nada, quando eu fui pra lá eu falei assim: “Eu vou ficar 1 ano e vou embora.”, fiquei 8 que aí, no final desse primeiro ano eu conheci a Alice, aí, assim, a gente vivia numa gandaia solta lá, né, quando eu conheci a Alice, vi que a coisa era mais séria e tal, eu fui largando aquela vida e fui entrando na outra, a vida mais sério um pouco e casamos, já são 23 anos quase.

 

P1 – Voltando um pouquinho, que você teve uma experiência de professor de português, quando você tava na universidade ainda...

 

R – Foi, dei aula 2 anos, foi, nos últimos 2 anos da faculdade...

 

P1 – Quer dizer, além do IBGE...

 

R – Dar aula eu não considero como trabalho não, os meninos é que me davam muito trabalho, mas, assim, eu fiquei 2 anos só, na verdade eu parei, porque eu ficava olhando os meninos e fazendo as mesmas coisas que eu fazia com os meus professores, eles fazendo comigo, eu falei: “Não vai ter jeito de eu continuar aqui não.” Mas não foi por isso que eu parei, não, foi exatamente por falta de tempo, eu tinha que direcionar minha vida, não queria ser professor, né, não queria ficar dando aula, então eu direcionei a minha vida, quer dizer, a oportunidade apareceu, aquela história, né, quando o pessoal diz que o cavalo passa na nossa porta selado uma vez só, né, eu montei nele e fui embora.

 

P1 – Como que apareceu, como é que você soube dessa, foi um concurso que você fez pra Caraíba?

 

R – Não, eu trabalhava na Amiga e todo dia eu vinha pra cá, a Amiga era ali na Praia do Russo, né, então todo dia eu vinha, de Nilópolis pra cá e eu vinha sempre com uma colega minha, amiga, a Luzia, e ela trabalhava na Caraíba, o escritório da Caraíba era na Rio Branco ali no edifício Bokel, em frente o, ali na Cinelândia e aí um dia eu conversando com ela e ela falou que trabalhava na Caraíba, aí eu perguntei com que é, aí ela falou: “Ah, a Caraíba é uma empresa da Bahia, o escritório é aqui no Rio mas a mina é lá no sertão da Bahia.”, eu comentei: “Eu tenho um padrinho, meu padrinho de crisma mora na Bahia.”, então quando eu falei o nome dele: “Ah, ele é o nosso diretor de recursos humanos.”, aí a luzinha, clin, acendeu, eu tava doido pra sair do Rio um tempo, aí pronto, ela fez contato com ele e aí a primeira oportunidade que ele veio ao Rio, ele me chamou, eu fui na Caraíba e fiz entrevista, prova, não sei o que e entrei, foi dessa forma, quer dizer, aquela história das oportunidades, né, apareceu e dei sorte mais uma vez, né?

 

P1 – Aí você ficou lá 8 anos?

 

R – 8 anos.

 

P1 – E saiu de lá?

 

R – Saí de lá e fui pro triângulo mineiro, fui morar em Araxá, trabalhar na área fértil, foi uma experiência legal também, eu trabalhava numa mina de cobre e fui trabalhar numa empresa de fertilizantes, né, coisas completamente diferentes, mas profissionalmente eu fui fazer na área fértil o que eu já fazia na Caraíba, eu fui contratado para criar a área de comunicação interna, que não existia, criei o jornal mensal nosso e fui tocando até que apareceu a oportunidade de eu começar a prestar um serviço para Vale do Rio Doce e como a área, toda empresa de fertilizante ela é sazonal, ela produz na entressafra e vende na safra, então ela admite quando tá produzindo e demite quando não tá produzindo, né, então eu fiz um acordo com a empresa, já tinha a sinalização da Vale, aí saí de lá, aí fiquei 1 mês dando uma descansada, aí fui pra Vale prestar serviço e da Vale, quando o Collor entrou, acabou aqueles contratos nas estatais e eu saí, o meu contrato quando terminou não foi renovado e eu fui pra Carajás, admitido como empregado e to na Vale até hoje.

 

P1 – Aí ficou em Carajás a quanto tempo?

 

R – 4 anos e meio.

 

P1 – Também trabalhando na área de comunicação?

 

R – Trabalhei 6 meses na área de treinamento e os outros 4 anos na área de comunicação.

 

P1 – Mas treinamento de que...

 

R – Treinamento...

 

P1 – De RH?

 

R – De RH, que eu já tinha experiência de treinamento antes, né, mas o pessoal não deixou eu ficar porque, ele falou: “Não, nós estamos precisando de uma pessoa na área de comunicação, o gerente de comunicação tinha assumido um outro cargo.”, aí eles me colocaram lá, quer dizer, eu tive uma ascensão profissional, em 1 ano eu saí de um nível técnico pra um cargo de gerência, um nível de gerência, 1 ano, quer dizer, foi assim rapidinho.

 

P1 – O quê você fazia exatamente, qual era a tua função?

 

R – Lá na Vale, eu coordenei, durante uns 6 meses de treinamento eu coordenei o programa de trainee, lá do norte, do sistema norte e depois quando eu fui pra área de comunicação eu fui trabalhar com, eu assumi a comunicação, é uma área chamada comunicação comunitária, na verdade, lá em Carajás tem um núcleo residencial, com uma administração de núcleos, é uma cidade que tem inclusive uma figura que todo mundo chama de prefeito, é empregado da Vale, é um gerente da Vale que administra essa cidade, né, então nós fazemos a comunicação, é o elo de ligação entre a parte industrial e a parte comunitária, né, então fiz um tempo isso, lá tem uma TV até hoje, uma TV profissional, né, da Vale em super V e eu fui gerente dessa TV 4 anos, né, então depois que eu assumi isso, aí nós passamos a atender também a área industrial, então, assim, foi uma experiência diferente, boa, muito boa, em termos profissionais foi excelente.

 

P1 – O núcleo dessa cidade são todos empregados da Vale?

 

R – A maioria, 90% são empregados da Vale com suas famílias e 10% é população flutuante, é comerciante, o pessoal que vai lá fazer algum negócio, visitantes, né, mas 90% é o pessoal que mora lá empregado e suas famílias.

 

P1 – E esse programa, essa televisão, o quê vocês passavam...

 

R – Televisão, não sei como funciona hoje, na minha época funcionava assim, a gente entrava na programação da Globo, como lá, é direto do satélite, a gente tinha os espaços em brancos, né, no horário dos jornais ficava 15 minutos sem nada, tela branca e tal, então nós fizemos um convênio com a TV Liberal que é a afiliada da Globo lá no Pará, então nós jogávamos a nossa programação nesses espaços, então nós tínhamos telejornal, fazíamos a cobertura de todos os eventos que aconteciam lá, jogávamos em formato de telejornal e tinha as matérias de utilidade pública, as matérias de interesse da comunidade, Carajás sempre recebeu muitos visitantes, né, e a área de recepção de visitantes de Carajás é bem ____, sempre foi, então sempre dava material pra TV, sempre coisa interessante, entrevistas, assim, era bastante dinâmico, deve ser até hoje, acho que não mudou muita coisa não.

 

P1 – Tinham trabalhos comunitários, assim, voltado mais pro lado social?

 

R – Tinha, logo que eu assumi essa comunicação comunitária, tinham umas coisas que a gente conta ninguém acredita, né, por exemplo, na minha estrutura, tinha o pessoal de comunicação, o pessoal da TV, nós tínhamos um jornal mensal, nós tínhamos uma estrutura que nós chamávamos de CAC que é uma estrutura que dava apoio às esposas de empregados que não tinham trabalho formal com a empresa, então nós tínhamos a oficina de costura, de culinária, fazíamos cursos pras mulheres de empregados, tudo era ligado à comunicação comunitária. Tinha um centro cultural que era cinema e teatro, grande, são 400 e tantos lugares, também era ligado a mim, eu era responsável por todos os eventos de lá, nós tínhamos uma verba grande, mais de 1 milhão por ano, pra levar eventos, né, levava shows, peças teatrais, enfim, né, eventos culturais de uma maneira geral, a vídeo locadora da cidade também era da Vale, era ligada a mim, enfim, era um, a gente tinha lá uma série de atividades, que em tese não tem nada a ver com a comunicação, mas eram todas ligadas à essa área de comunicação, então, assim, foi, em termos de experiência profissional, uma escola...

 

P1 – Diversificada, né?

 

R – Com certeza, uma escola, é por isso que hoje, qualquer lugar que eu vou, hoje mesmo no aeroporto eu encontrei meia dúzia de pessoas de lugares diferentes, as pessoas falam assim: “Mas você conhece todo mundo.” É pela, onde eu morei, pelo que eu fiz, né, essas atividades que eu desenvolvi, realmente, eu conheço muita gente, isso é muito bom, né?

 

P1 – Você tem alguma lembrança, algum fato marcante, alguma coisa nesse tempo que você teve lá em Carajás?

 

R – Tenho, tenho um fato marcante e trágico, você lembra da época que a onça pegou um menino lá e matou? Pois é, foi exatamente pertinho da minha casa, só que eu não estava lá, minha cunhada tinha falecido no acidente, ela trabalhava em Araxá, tava indo pra Itabira, no meio do caminho ela teve um acidente e morreu, nós fomos pro enterro dela, então na semana seguinte a onça pegou o menino, então isso me marcou muito, a partir, e foi assim, eu morava na última rua do núcleo e nessa época a floresta encostava na cerca da casa no fundo, né, e aí a Vale resolveu chegar a floresta pra trás, ou seja, ela suprimiu a floresta na faixa de uns 200 metros, então fez uma cerca em volta do núcleo hoje, com 6 metros de altura, então isso, me lembro disso, assim, foi uma época muito complicada porque os meninos andavam sozinhos, a pé, de bicicleta, um lugar super tranquilo, né, a gente saía de férias, eu cansei de deixar a porta da minha casa sem passar a chave, ficar 40 dias fora, sabe, lá só tem a Vale, só entra quem a Vale deixa, você não tem acesso, o acesso é de avião ou por terra, quando você chaga na portaria da Vale, só passa quem a Vale quer, quem a Vale deixa, na verdade e você tem que ser convidado de alguém que mora lá, tem que ser parente de alguém, esse alguém tem que dar autorização pra você entrar, então segurança total, né, e quando aconteceu isso foi um baque na vida de todo mundo, isso marcou bastante, né, agora o que me marcou também em termos pessoais, foi a época em que eu e minha esposa mais nos aproximamos, mais nos estruturamos, vida em núcleo residencial tem isso, ou você se une, ou o casamento vai embora, sabe, não tem meio termo...

 

P1 – É isso que eu queria te perguntar, porque você passou uma boa parte, né, já quando você casou e no interior da Bahia, que era também meio confinado...

 

R – Era um núcleo também...

 

P1 – É um núcleo também bem isolado naquele sertão que não tem nada, depois de uma experiência breve, né, em Minas, interior, e depois passa quanto, 8 anos, né, você passou?

 

R – Lá em Carajás?

 

P1 – 8 anos foi na Bahia?

 

R – 4 anos e meio, quase 5 anos.

 

P1 – Como é essa vida, né, porque é muito fechado, né?

 

R – Isso, assim pra quem viaja muito, mora em muitos lugares diferentes, quando os filhos são pequenos ainda vai, porque eles ainda não fixam muito a raiz, não fixa muito a raiz em nenhum lugar, mas quando ele começa aí, a crescer mais, entrar na fase de adolescente é mais complicado, mas pra sorte, nessa época nós já estávamos morando em Itabira então todo, minha esposa é de Itabira, então a família dela toda tá lá, então as raízes dos meninos foram todas fincadas em Itabira, né, porque antes nós éramos nômades, né, ficávamos andando pra lá e pra cá.

 

P1 – Mas é muito complicado mesmo essa vida, meio confinada assim?

 

R – Eu, nós acostumamos, sabe, eu já mudei 19 vezes, assim, de um lugar pro outro e dentro das cidades ou núcleos, já mudei duas, três vezes em cada lugar, então a gente acaba acostumando, mas, assim, chega uma hora que você tem que dar uma parada, apesar que hoje se pintar um outro desafio, eu to nele, sabe?

 

P1 – Qual a população, qual é, você tem idéia de Carajás, quantas pessoas...

 

R – Carajás, tenho, Carajás, se não aumentou, tem mil e 290 unidades residenciais, isso dá em média, 7 mil e 800 pessoas por aí, era mais ou menos a população de lá, entre fixos e flutuantes, né?

 

P1 – Uma cidade.

 

R – Cidade boa, maior que muita cidade no interior de Minas.

 

P1 – E vocês tinham relação, assim, com o mundo externo, assim, o quê tem mais próximo de...

 

R – A cidade de um porte maior mais próxima, é Marabá que fica 200 quilômetros, depois Belém, né, quase 700 quilômetros, na minha época a gente tinha que passar por 98 pontes pra chegar em Belém, gastava umas 12 horas de viajem, hoje não, fizeram pontes naquelas ilhas todas, então você vai pra Belém hoje por estrada, de lá até Belém, por asfalto, sem nenhum problema, antes tinha que atravessar duas balsas, uma balsa levava 1 hora, e é um rio, você não vê o outro lado do rio, sabe, a natureza amazônica é muito interessante, né, as coisas da região amazônica são muito interessantes.

 

P1 – Deu pra fazer bastante turismo ecológico?

 

R – Deu, eu tenho fitas que o pessoal da TV gravou da nossa vida na aldeia dos índios de lá, são coisas fantásticas, tem experiências, assim, que ninguém, pouca gente tinha nesse mundo.

 

P1 – Você tinha contato, vocês fizeram bastante contato com os indígenas?

 

R – Tinha, lá tem uma tribo que chama Xicrins, né, Xikrins do Cateté que eles são, existe um convênio da Vale com a FUNAI pra, em benefício dessa aldeia, então lá tem professor, tem duas ou três professoras que ficam lá o tempo todo, elas ensinam português e o G, que é a língua deles, a idéia do convênio é exatamente manter acesa os costumes, os hábitos, a história, a cultura deles, né, eles aumentaram muito a quantidade de indivíduos, quando começou o convênio eles eram poucos e agora tem, aumentaram bastante, a aldeia cresceu e tem todo uma assistência técnica, vamos dizer assim, da FUNAI, né, por conta desse convênio, a área que eles moram é preservada, talvez seja uma das maiores reservas de mogno do Estado do Pará, preservadas, a Vale não deixa botar a mão, né, nem a FUNAI, por conta desse convênio, né, então, assim, a gente ia muito lá fazer matéria com eles, né, pra TV e, assim, a gente só consegue ir pra lá de helicóptero, não tem estrada, não tem nada, então essas histórias são muito legais, muito interessantes.

 

P1 – Isso é hoje o que a gente, né, é um termo mais novo, né, mas a responsabilidade social é um trabalho que a Vale faz lá já há algum tempo.

 

R – Pra você ter idéia como é a vida em Carajás, é o lugar do mundo que tem mais coletor de lixo por habitante por metro quadrado, a cidade mais limpa que eu já conheci na minha vida inteira e outra coisa, educação ambiental é uma coisa que é curricular, desde que Carajás começou, aliás Carajás só foi viável, só foi viabilizado o empreendimento, por causa de uma cláusula ambiental, senão Carajás não teria sido implantada, então, assim, o meio ambiente na região de Carajás, e é uma região bastante grande, o meio ambiente lá é condição fundamental, é proibido caçar, é proibido, você não pode ter animal doméstico pra não atrair o felino, né, pra dentro da cidade, pra não atrair doenças também, nós estamos no meio de uma floresta tropical, né, e com todas as doenças que tem numa floresta tropical e lá não tem nenhuma ocorrência, exatamente por causa desses cuidados, né, e, assim, é super limpo, menino que morou em Carajás, com certeza, se chega numa cidade grande não joga papel no chão, sabe, se vê alguém fazendo isso, chama a atenção, é uma coisa interessante e isso é matéria de escola, sempre foi.

 

P1 – Além dessa tribo, dos Xikrins, a Vale faz algum outro trabalho com comunidades próximas?

 

R – Faz, Parauapebas, que é o município, Parauapebas nasceu em função da Vale, hoje Parauapebas tem perto de 100 mil habitantes e a Vale começou a operar em 1982, 1983, que ela começou a pré operação e até 1982, Parauapebas não existia, então, assim, pouco mais de 10 anos ela saiu do zero para 100 mil habitantes, então a Vale investe pesado lá em Parauapebas na parte de saneamento básico, né, tratamento de água, de esgoto, investe na educação, tem muitos programas, aliás, ao longo de toda a área onde a Vale está inserida, ela tem muitos programa social, muito, tem N programas, sabe, e, assim, são programas sempre em parceria com a comunidade, nada é colocado paternalmente, é sempre uma relação de parceria, nós temos os programas, mas a gente sempre chama a comunidade pra opinar, pra moldar o programa à realidade da comunidade, não a gente chegar com o pacote pronto, por que senão aí não dá certo, né, se não for a realidade da comunidade, então tem isso, sabe, lá no norte, muito fortemente, tem em toda onde a Vale está inserida, mas no norte mais fortemente, pela própria carência, né, do norte.

 

P1 – Bom, aí você sai de Carajás e vem pra Itabira?

 

R – Fui pra Vitória.

 

P1 – Pra Vitória primeiro?

 

R – Isso, fiquei 2 anos e meio em Vitória, em Vitória eu trabalhei exclusivamente na recepção de visitantes, a comprador de minérios, visitantes vips, né, autoridades, essas coisas, fiquei 2 anos e meio nessas atividades, aí quando eu fui pra Itabira, eu fui já coordenando a área de comunicação do interior de Minas, aí fazia tudo isso, recepção de visitantes, imprensa, comunidades, todas as ações ligadas à área de comunicação.

 

P1 – Era um objetivo seu voltar, né, ir pra Itabira ou?

 

R – Apesar de eu gostar muito de Itabira, não era, eu não imaginei que um dia fosse morar lá em Itabira, que eu nunca tinha morado antes, conheci a Alice na Bahia, fui pra Itabira pra casar, mas nunca pensei em morar lá.

 

P1 – Pra ela foi bom?

 

R – No primeiro momento foi um choque, né, porque ela ficou 20 anos fora de Itabira, né, perto de 20 anos, então, assim, o retorno foi um negócio interessante, porque os amigos de infância, cada um com sua família, cada um com um novo círculo de amizades, as coisas mudam em 20 anos, né, e até voltar tudo, você aproximar tudo, foi um negócio legal, foi uma experiência interessante, hoje não, hoje é como se nós não tivéssemos saído de lá.

 

P1 – Bom, hoje você trabalha em Belo Horizonte mas mora...

 

R – Eu fico em BH durante a semana e toda sexta feira eu vou pra Itabira, eu tenho a minha filha mais velha fica comigo lá, que ela tá fazendo jornalismo, tá no quinto período e o resto da família tá lá em Itabira.

 

P1 – A sua família mora toda lá então...

 

R – Mora lá, a Alice trabalha na APAE de Itabira e os meus meninos estudam lá, né, eles não querem ir pra BH, então, como é muito perto, então a gente dá pra conciliar, isso já são mais de 2 anos nesse vai pra lá, vem pra cá.

 

P1 – Ida e volta.

 

R – É.

 

P1 – Então fala um pouco dessa tua experiência lá, em Itabira, qual é a sua função lá, o quê é que você faz?

 

R – Em Itabira, eu coordenava a comunicação lá, né, minha área de atuação ia de Itabira até a divisa com o Espírito Santo, então a gente pegava uma boa parte das ferrovias e as minas, né, na época nós tínhamos minas em Itabira e tinha uma mina em Barão de Cocais, em São Gonçalo do Rio Abaixo, que é lá perto, hoje não, depois que eu saí de lá a Vale já comprou a Samitri, comprou a Ferteco, comprou não sei o que, saiu incorporando um monte de minas mas, assim, a gente tinha uma equipe pequena para cuidar disso tudo então era um trabalho bastante pesado e a relação da comunidade com a Vale, sempre foi uma relação, assim, a Vale começou em 1942 em Itabira, então a Vale era estatal então tinha uma relação, assim, a Vale sempre fez muito por Itabira e pelas comunidades que estão na área de influência da Vale, onde a Vale atua, né, mas, assim, tinham programas da empresa, programas institucionais, então não tinha muito essa coisa de parceria, a Vale dava e não tinha o retorno da comunidade, depois foi mudando, né, essa relação vai se aperfeiçoando, né, então hoje eu diria que essa relação tá muito legal, mas antes era uma relação, assim, eles sempre ficavam esperando que a Vale fosse dar alguma coisa, sempre esperando a Vale, assim, eles imaginavam a Vale como uma grande mãe, né, que ia dando as coisas, ia fazendo os projetos e tal, sem pedir nada em troca e às vezes as comunidades não davam muito valor pra isso, né, quando você recebe sem você participar de nada, né, mas hoje não, essa relação mudou muito, eu diria que hoje a coisa ficou mais, não é profissional, a coisa ficou mais próxima da realidade, sabe, é difícil você estabelecer uma relação profissional com comunidade, né, a relação é muito mais pessoal, muito mais afetiva do que outra coisa, né, por mais que você tente dar uma cara profissional pra isso, né, mas eu acho que hoje tá muito legal, hoje eu acho a equipe maior, a equipe de comunicação é maior, então dá pra desenvolver, hoje tem muito mais programas sendo aplicados, sendo desenvolvidos, então hoje você consegue ter uma atividade, você consegue colocar mais programas, a comunidade participa mais e, assim, a troca é muito maior.

 

P1 – Então o trabalho era além da, deveria ter uma parte de comunicação interna, né?

 

R – Que não era ligada a mim, era ligada à RH, aí depois mudou, com a criação da diretoria de comunicação isso tudo veio pra baixo de um guarda chuva só, então hoje a atividade é toda interligada, antes você tinha uma divisão.

 

P1 – A comunicação era mais voltada pra...

 

R – Você tinha a comunicação interna e você tinha a comunicação externa, eram coisas diferentes e ligadas a departamentos diferentes, hoje não, hoje é todo mundo ligado numa gerência só.

 

P1 – E a partir de que ano, você agora é responsável pela área de comunicação da diretoria de energia...

 

R – Comunicação da diretoria de energia, foi de 2001 pra cá.

 

P1 – Por isso que você tá em Belo Horizonte, né, a sede é lá?

 

R – Isso, exatamente, foi um pouco antes da mudança, da criação da diretoria de comunicação, e tal, que eu fui pra Belo Horizonte, pouco antes, alguns meses antes.

 

P1 – Que a área de energia também é uma área nova, né, mais recente na Vale?

 

R – A energia foi criada em 1999, exatamente ela foi criada para estudar como a Vale poderia entrar nesse segmento de energia, porque a idéia inicial era a Vale produzir energia pras suas unidades, que é o que acontece hoje e depois a energia passou a ser um bom negócio pra vender, então quem tinha energia pra vender, era um bom negócio, mas a essência da área de energia, tanto da Vale quanto de qualquer empresa que não é, que cujo o foco não é produção de energia, é exatamente você produzir energia, pra diminuir seus custos de produção, né, pra você otimizar seus custos, então a Vale entrou, tá no segmento hoje, é um dos três segmentos, na verdade, é um dos três carros chefes da Vale, a mineração, logística e energia e a idéia é exatamente essa, que a Vale hoje é o maior consumidor de energia do Brasil, a Vale consome 4,5% de toda a energia consumida no país, isso é muito grande, a Vale hoje tá presente em dez empreendimentos de energia, quando os dez tiverem operando, gerando, nós vamos estar produzindo 50% do que a gente precisa, ou seja, ainda falta ter um outro pedaço bastante grande aí pela frente.

 

P1 – É, são várias usinas, né?

 

R – São dez, três já operam, já geram energia, uma nós estamos querendo colocar pra gerar agora até o final do ano, e tem outra pra entrar em geração o ano que vem e tem algumas em fase de licenciamento ambiental, mas é uma experiência completamente diferente do que eu já tinha feito até então, porque, em termos de comunicação, você interage o tempo inteiro com a comunidade, por quê? Você tá chegando num local, você tá barrando um rio, você vai inundar, vai alagar uma área grande, dessa área, geralmente tem gente morando, tem cidade lá, então você tem que mudar esse pessoal de lugar, construir cidades novas, sabe, você impacta as vidas das pessoas então você tem que, de alguma forma, minimizar esses impactos, né, então tem uma série de programas que são feitos, que são colocados, normalmente as pessoas moram em cidades pobres, cidades, casas muito pobres e vão pra casas infinitamente melhores, né, mas, assim, tá tudo dentro de um programa de controle ambiental, cada empreendimento tem um programa desse, né, específico pra região, então, assim, é uma forma que a empresa tem de minimizar ao máximo possível os impactos que um empreendimento dessa natureza causa, né?

 

P1 – E qual é exatamente o teu trabalho, quer dizer, o que a comunicação...

 

R – É fazer a ligação entre o empreendimento e as comunidades, aí quando eu falo comunidade, é o pessoal que tá sendo impactado, a imprensa da região, ou a imprensa local ou regional, enfim, todos os segmentos políticos, enfim, é exatamente fazer a ligação entre o empreendimento e, o geral, a Vale, ou nenhuma outra empresa tá sozinha nesse negócio, ela sempre está associada a alguém, porque é muito dinheiro pra você aplicar num empreendimento, então a empresa, em geral, se associa a alguém pra tocar o empreendimento, então você tem que fazer essa ligação também com os sócios, os sócios têm que trabalhar muito afinados, né, e, assim, por isso que eu acho um trabalho, é diferente, é uma coisa bem diferente, antes eu era ligado à estrutura de comunicação da Vale, hoje eu não sou, sou ligado diretamente à diretoria de energia, então é uma coisa, profissionalmente é uma coisa bem diferente e gratificante porque você interage o tempo inteiro com as pessoas, né, com as pessoas que estão lá na ponta do negócio, lá na comunidade, quietinha, a gente chega, né, vai chegando devagarzinho: “Oh, vou fazer uma parede aqui nesse rio.”, aquela coisa assim, né?

 

P1 – Mas no geral, a receptividade é boa, ou?

 

R – É boa, porque o empreendimento é colocado muito transparentemente pras pessoas, pros segmentos, pros órgãos licenciadores, né, é colocado de forma muito aberta, muito clara, as pessoas sabem exatamente o que vai acontecer, né, então não tem nada escondido, nada em baixo dos panos, não existe isso, senão você não consegue implantar o empreendimento.

 

P1 – É, porque é uma mudança, né, as pessoas em geral, são muito presas à sua casa, né, então você vai mudar elas de lugar, você tem que mostrar muita vantagem, né, pra que ela vá?

 

R – Com certeza, você tem, por exemplo, nessa que nós vamos botar pra gerar esse ano, tinha uma senhora que faleceu há uns 2 meses, mais ou menos, ela tinha mais de 100 anos, uns dizem 103, uns dizem 115, enfim, mas ela tinha mais de 100 anos, quer dizer, ela nasceu ali, tem gente que o avô nasceu, o bisavô nasceu, ele nasceu e foi criado ali, então você tá mexendo com a história das pessoas, então por isso, aí que entra o nosso trabalho, mostrar pras pessoas que, apesar do impacto, elas têm um futuro diferente, mas um futuro legal na frente, diferente da vida delas até aquele momento, mas é um futuro legal e o empreendimento ele vai, se instala, é inaugurado e tal, mas o empreendedor continua dando assistência à comunidade porque o contrato de concessão de uma hidrelétrica, em geral, são 30 anos, 35 anos, então, quer dizer, a gente, o empreendimento vai atuar ali durante muito tempo, então existem programas pra antes da geração, durante, né, e pós geração de energia, então, assim, a gente muda um pouco a realidade do local, mas a gente também dá toda assistência e todos os programas que são possíveis serem colocados em prática.

 

P1 – Já tiveram algum problema mais sério, assim, de alguém dizer: “Daqui eu não saio!”?

 

R – Esse discurso sempre tem, mas as pessoas acabam saindo, é porque tem muita gente que é mais arraigada, ou...

 

P1 – Os mais antigos, principalmente...

 

R – É, mas as pessoas acabam descobrindo que ela vai ter uma vida diferente, mas ela vai ter uma vida boa, talvez até melhor lá na frente, sabe, mas isso a gente deixa as pessoas perceberem por elas mesmas, você não pode absolutamente impor nada, né?

 

P1 – É um trabalho muito delicado, né?

 

R – Com certeza, por isso mesmo, muito gratificante.

 

P1 – Você consegue, né, fechar o pacote e colocar todo mundo bem instalado...

 

R – Isso, com certeza, o ano passado nós inauguramos um empreendimento, nós realocamos, nós fizemos três cidades novas, então, assim, é muito legal, é diferente, legal, gratificante e...

 

P1 – No geral, essas novas cidades estão respondendo bem, tão, as pessoas satisfeitas?

 

R – Estão sim, não temos tido problemas não.

 

P1 – Alguma coisa, assim, que você queira lembrar e falar de mais marcante na tua experiência na Vale?

 

R – Olha, uma coisa, realmente, na Vale que pra mim foi muito bom é que, o conhecimento que eu tenho das pessoas, né, eu passei a conhecer muita gente, em muito lugar que eu chego, eu chego, eu não conheço ninguém, eu falo meu nome: “Ah, eu vi seu nome em algum lugar.”, sabe, então isso é legal, isso é muito bom, agora, Carajás, particularmente, pra mim foi bom em todos os sentidos porque foi um negócio que eu nunca tinha imaginado na minha vida, morar na floresta amazônica, sabe, e participar o tempo todo e ativamente da vida das pessoas e da vida daquela natureza, né, a vida naquele lugar, pra mim isso não tem, com certeza nunca vou ter outra coisa igual, com certeza, nunca, com certeza, então a Vale me proporcionou isso, né, e quando eu trabalhei em Araxá também, eu conheci lugares que eu não imaginava que existiam, né, que eu conheci cidadezinhas no interior de Minas, por exemplo, próximo da nascente do Rio São Francisco, as cidades pequenininhas, o povo, um negócio, assim, impressionante, você não imagina, o povo lá, a pessoa não tem nada, mora numa casinha ali muito humilde, mas, assim, te recebe de braços abertos, sabe, você tá no outro mundo, então a Vale me proporcionou isso tudo, né, e pros meus filhos, né, as experiências que eles tiveram, estão tendo, de vida, a gente pulando de galho em galho, pra eles experiência de vida, experiência como ser humano, eu acho que talvez seja o mais marcante pra mim, sabe?

 

P1 – É, o quê você faz hoje nas tuas horas de lazer?

 

R – Não to tendo muita hora de lazer não, mas, normalmente, se eu puder eu fico com a minha família o tempo inteiro, porque eu já fico muito longe deles, né, então eu procuro compensar isso, ficando o mais próximo deles e participando do que eles querem, né, o que eles querem fazer, eu procuro estar junto, mas continuo jogando minha bola, batendo o meu futebolzinho de vez em quando, tomando a cervejinha com os amigos, enfim, pra mim, o melhor é ter oportunidade de ficar com os meus, com a minha família, isso pra mim é o mais forte.

 

P1 – Você tem uma filha você falou que tá na universidade, né?

 

R – Tá no quinto período de jornalismo.

 

P1 – E os outros?

 

R – Eu tenho um filho que é baiano, minha filha nasceu em Itabira, essa que tá na faculdade, meu filho nasceu na Bahia, ele tá no segundo ano da escola técnica do SEBRAE, de formação gerencial do SEBRAE, e as minhas caçulas são gêmeas, nasceram em Araxá, estão no primeiro ano do segundo grau, tão lá, uma quer ser veterinária, a outra ainda não definiu o que quer ser, enfim, meu filho cada hora ele quer ser uma coisa, enfim, mas ainda não chegou a hora deles, a hora que chegar o momento de decidir, eles vão decidir, a gente só orienta, né, porque não tem muita coisa pra fazer, a não ser isso, né, a não ser orientar, minha esposa trabalha na APAE, gosta muito, é monitora na APAE, é professora e, sabe, esses negócios de ajudar pessoas que precisam e têm necessidades especiais, pra ela, é uma coisa extremamente gratificante, e pra gente que vive essa experiência, né, ali no dia a dia, também é muito gratificante, você poder compartilhar da vida de uma pessoa, que você fala assim: “Essa pessoa não tem, ela tá passando na vida.”, mas não é bem assim, elas têm valores, têm coisas completamente diferentes do que a gente imagina, que a gente nunca pensa naquilo, né, a gente sempre pensa por um lado, esquece que aquilo ali tem um ser humano igualzinho a gente que por uma obra qualquer do destino tá naquela situação, sabe, mas pensa igual a gente, eles não conseguem falar, mas conseguem se expressar, enfim, é uma coisa muito legal, sabe, acho que as pessoas deviam dedicar um pouquinho do tempo delas, pra entidades dessa natureza.

 

P1 – Ela sempre se dedicou a esse tipo de atividade?

 

R – Não, ela entrou na APAE o ano passado, mas, assim, a gente já tem amigos que já trabalhavam lá e sempre falavam, né, quando apareceu oportunidade ela entrou, mas ela sempre fez isso voluntariamente, nunca foi, agora não, ela é empregada da APAE, então ela tá lá no dia a dia, ela é monitora de um projeto que tá dando certo, muito certo aliás, um projeto que tá servindo até de exemplo para outras APAEs, então, assim, ela tá super satisfeita e nós também.

 

P1 – Fala um pouquinho dela, lá na Caraíba, ela foi pra trabalhar na Caraíba?

 

R – Ela foi pra ser secretária de um cunhado dela que era superintendente lá, então ela passou um tempo como secretária, aí depois, quando nasceu o meu segundo filho, e lá é complicado, mão de obra, essas coisas e ela teve que parar de trabalhar, não teve outra solução, não tinha creche, não tinha nada, mas, assim, parou por pouco tempo, quando nós fomos pra Araxá, ela andou fazendo, Araxá ela não trabalhou muito não, andou fazendo algumas coisas lá, mas ela trabalhou mesmo foi em Carajás, que ela era responsável pela área de contratos da administração de núcleos, tal, mas era assim, sempre trabalhou em banco, por muito tempo antes da gente se conhecer, então ela sempre trabalhou, desde pequena, ela foi gerente de uma loja da mãe dela, quando ela tinha 15 pra 16 anos, enfim, ela sempre trabalhou, mas agora, o trabalho mais gratificante dela tem sido esse da APAE.

 

P1 – Ela pra acompanhar, né, a tua trajetória, né, profissional, ela, é difícil, né, ela tem que se adaptar a alguns?

 

R – Na Caraíba ela trabalhou, também deu aula numa escolinha, né, enfim, ela sempre trabalhou, sempre se ajeitou, pra onde eu fui, sempre achou um espaço...

 

P1 – Achou um espaço pra ela?

 

R – Sempre.

 

P1 – Então a gente tá meio que se encaminhando, assim, pro final, eu queria te perguntar se tivesse que mudar alguma coisa na tua trajetória de vida, você mudaria?

 

R – É difícil responder isso, né, é difícil responder, não sei, sabe, com toda a honestidade, eu to muito satisfeito com a minha vida, sabe, muito satisfeito, pessoal e profissional, mas talvez eu não tivesse ido pro exército e tivesse terminado o curso de química, só, o resto, porque se eu tivesse feito química, a minha vida, com certeza, seria completamente diferente da que é hoje e não sei se eu teria conhecido a Alice, enfim, não sei se eu teria tido essa família, né, mas acho que não mudaria muito não, talvez, certamente eu não ia cometer os erros que eu cometi, isso com certeza, certamente, mas, assim, até os erros você aprende com os erros, aliás, você só aprende com os erros, né, com os acertos você não aprende nada, né, passa por você, você acertou, legal, vai embora, alguém te elogiou, pronto, com erro não, você tomou uma bronca, você parou pra pensar: “Não, eu não posso fazer isso, sabe, tenho que fazer de outra forma.”, então você acaba aprendendo, então acho que eu não trocaria nem os erros, sabia, pensando direitinho, acho que não, to muito satisfeito.

 

P1 – Tem algum sonho, assim, que ainda, alguma coisa que você queira realizar?

 

R – Eu tenho um sonho, bom, eu gostaria de ter uma condição de vida que eu pudesse educar meus filhos com mais tranquilidade, né, porque quatro filhos não é fácil, né, os quatro estudam em escola particular e aquelas coisas todas, quer dizer, tá dando pra levar numa boa, mas se eu tivesse uma condição melhor, certamente eu teria mais tranquilidade pra isso, né, mas no geral, talvez, se eu pudesse ter conhecido minha esposa antes, seria uma coisa legal também, é até interessante essa coisa, porque quando, nós tínhamos um casal de filhos, e eu achava ótimo um casal e minha esposa sempre falou: “Não, nós vamos ter três, porque já que nós temos um casal, um casal são dois filhos únicos, então nós vamos ter um terceiro.”, aí quando ela engravidou de novo, já eram gêmeas, aí eu falei assim: “Nem dois, nem três éramos pra ter quatro e pronto, a vida, como todo mundo diz por aí, nada acontece por acaso.”, né, mas, assim, eu gostaria de ter essa condição, sabe, de ter mais tranquilidade para criar os meninos, e tal, e ajudar as pessoas, sabe, eu acho que a gente passa por aqui, a gente tem que ter essa parcelazinha, eu sempre falo isso, eu falo pro pessoal: “Isso não é demagogia não, gente, se eu tivesse condição eu tava ajudando.”, que eu acho que tem tanta gente precisando de ajuda aí, tanta gente muito pior que a gente, gostaria de ter essa condição pra fazer isso, mas um dia, quem sabe, né, é um grande, agora outro grande sonho é ver os meus filhos formados, todos encaminhados, né, na boa, eu passar minha velhice legal, sabe, tranquilo, é, acho que é o sonho de todo mundo, né, eu não sou muito diferente, uma época da minha vida eu quis morar fora do país, depois quando eu comecei a ter contato com a realidade de fora do país, eu vi que lá, eu prefiro o Brasil, sabe, prefiro muito mais aqui, se hoje a Vale fala assim: “Você vai morar nos Estados Unidos.”, eu ia pensar duas vezes, com toda honestidade, que eu não gosto dos Estados Unidos, sabe, enfim, foi um pensamento que passou na minha vida uma época e que eu já tirei ele da cabeça, que eu prefiro muito mais ficar aqui, sabe, com tudo que tá acontecendo aí, a gente ainda não tem furacão, não tem terremoto, não tem atentado, sabe, o pessoal aqui no Rio, o pessoal sempre pergunta: “Você não quer voltar pro Rio?”, eu falo: “Só se for por castigo, pra morar?”, desacostumei, né, sempre morei em lugar tranquilo, então não quero não, com toda honestidade, não quero mesmo, me deixa lá quietinho, mas é isso, no geral, eu to muito satisfeito com a minha vida, de uma maneira geral.

 

P1 – O quê você acha de ter participado do projeto Vale Memória, e de estar dando esse depoimento pra gente?

 

R – Olha, primeiro, eu fiquei gratificado em ser lembrado, segundo, espero que a minha história, que não tem nada de excepcional, agrade as pessoas, né, e que eu possa ajudar de alguma forma, possa contribuir de alguma forma pra esse projeto, né, que eu já conheço há muito tempo, né, desde lá, o primeiro contato que eu tive com o projeto foi em Itabira, né, 1998 eu acho, 1999, não me lembro agora, mas, assim, eu acho um projeto muito interessante, e ter sido lembrado pra participar dele, pra mim foi fantástico, espero que as pessoas gostem, se alguém quiser trocar uma ideia, né, bater papo sobre essas andanças por aí, que as histórias vão, né, na mesa de boteco as histórias vão aparecendo, não é, se tivesse uma cervejinha aqui, um choppinho, vinha mais história, não é, pois é, mas isso é legal, eu conheci muita gente na época de Carajás quando eu era responsável pelos shows, conheci muito artista, sabe, que tá no auge do sucesso ainda, que eu conheci no comecinho da carreira lá, por exemplo, Só Pra Contrariar, Zezé di Camargo e Luciano, estavam bem no comecinho da carreira quando eles foram pra lá fazer shows, então isso é legal que você acaba estabelecendo contato com as pessoas que um dia você pode encontrar ou não, mas, enfim, fica aquela troca de experiência, né, você consegue passar alguma coisa, receber alguma coisa em troca, e você, isso pra mim é fundamental, né?

 

P1 – Então tá, Charneca, muito obrigado, a gente agradece o seu depoimento.

 

R – Não doeu nada, né?

 

P1 – Não.

 

R – Que bom. (risos)

 

[Fim da Entrevista] 






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