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Idas e vindas da vida

História de: Lú Schuartz
Autor: Lú Schuartz
Publicado em: 07/06/2015

Sinopse

História sem fim...

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História completa

As novelas são histórias criadas com o objetivo de recriar uma realidade, muitas vezes, nada agradável aos olhos do público que acompanha diariamente pela televisão.  Mesmo que elas tenham em suas raízes a arte dramática elas podem, sim, mostrar aos seus espectadores que a realidade, muitas vezes, não deixa nada a desejar para a realidade do dia a dia, apresentando-se até mais cruel do que as situações vivenciadas por cada habitante desse planeta.

Quando saímos do âmbito novelístico e entramos na particularidade de cada indivíduo, percebemos o quanto somos sensíveis e quanto fazemos parte de um contexto nada planejado, embora cada pessoa tente planejar sua própria vida e fazer desse planejamento sua bíblia diária. Sinto-lhe informar, mas, a vida se encarrega de escrever o destino de cada um.

Com essa reflexão, inicio aqui uma parte da minha história, uma parte importante, que fez mudar completamente meus planos e sonhos. Parece exagero, mas é bem isso... Depois deste momento retomei a minha vida de uma maneira diferente, da maneira que julguei a mais sensata para recomeçar... Recomeçar algo que, até então, não havia começado.

Ainda na época do colégio, no Ensino Médio, conheci uma pessoa linda, por dentro e por fora, porém, por uma artimanha do destino, houve interesse mútuo entre as parte, de imediato – dizem que não existe amor à primeira vista, neste momento existiu. Com o passar dos dias, o envolvimento parecia inevitável, mesmo relutando, dizendo para nós mesmos que aquilo não passaria de uma bela amizade, porém, não foi o que aconteceu, deixamos os nossos sentimentos aflorarem e tomar conta de nossos pensamentos e ações.

Diante disso, tínhamos, então, um grande problema, duas pessoas que precisariam ser avisadas: o meu pai (conservador e turrão) e a namorada dele. Como não tínhamos mais nada a fazer, ele (chamarei de D.) decidiu tomar conta da situação e disse, ao final da aula, que precisava falar comigo urgentemente até o final do dia. Até aí, tudo bem. Senti que depois daquele momento, algo mudou em mim. O dia parecia cumprido demais. À tardinha, passei diante do apartamento onde D. morava para buscar minha afilhada na escola e o vi na janela, vestido de preto (o que era incomum), com um semblante fúnebre, sem esboçar nenhuma reação. Achei estranho. Achei mais estranho ainda, porque não conseguimos conversar, pois eu estava cheia de coisas para fazer.

No dia seguinte, foi para a escola, porém não conseguimos conversar, aliás, apenas nos cumprimentamos e nem tocamos no assunto, como se tivéssemos esquecido. O dia novamente parecia longo demais. As horas não passavam. Tive que sair para resolver umas coisas no centro da cidade. E, quando retornei, passei diante do condomínio onde ele morava. Percebi que algo tinha acontecido, pois a movimentação estava fora do comum.

 Às 18 horas recebo a notícia: D. havia falecido a poucas horas, devido ao acidente que sofreu. Um casal que estava no carro, que estava discutindo, desviou de um carro e bateu em cheio no D. A batida foi tão forte que ele perdeu a vida na hora. Perdi o chão. Fiquei em choque por algumas horas. Não conseguia nem chorar. Parecia que até estava prevendo que algo poderia acontecer. Minha sensibilidade sempre foi muito presente. Neste momento percebi que a minha vida mudaria para sempre. Os planos feitos, jamais seriam concluídos.

Após um tempo, novamente o destino prega mais uma peça. Conheço uma pessoa, que parece ser bacana, porém, meu pai deixa claro que com 15 anos, uma menina só tem que pensar em estudar. Namorar está fora de cogitação. Bem... Então, como ele não deixou, iniciamos nosso relacionamento escondido mesmo... O que não é correto, mas, como o sentimento e a vontade era forte demais, foi o que nos restou.

R. sempre foi muito simpático com todos e todas, e isso sempre foi motivo para muita briga e discussões desnecessárias. Mas, com o passar do tempo essas situações começaram a se tornar raras. Pensei que, com isso, nossa condição mudaria e eu, enfim, poderia pedir para o meu pai novamente se nós poderíamos namorar. Porém, o destino mais uma vez deu o ar da graça. Num certo dia, após uma briga, R. precisou fazer uma viagem para visitar seus pais em São Paulo, mas, deixamos combinado que, quando retornasse, sentaríamos e resolveríamos nossa situação.

Quando retornou, ele não me procurou e eu também não tive pré-disposição para tanto. Com isso, ficou subentendido que nosso relacionamento teria chegado ao fim. Evidente. Mas, não foi o que aconteceu ao longo de todos os anos em que estivemos separados. Sempre que conversamos ou nos reencontramos, as conversas são cercadas de insinuação, desejo e carinho. Até houve a intenção de um “remember”. E se tivesse esse remember? Ah... Acho que as borboletas na barriga ficariam mais inquietas que o normal. Às vezes, até confundimos com um amor encubado dentro dos nossos corações que, a qualquer momento, implodirá feito um vulcão em erupção.

Se ainda o amo? Pode ser. Se ele me ama? Acredito que sim. Mas, temos a certeza de que esse amor não poderá mais ser efetivado, pois o destino, mais uma vez, nos deixou longe... E que esse amor mudou... Ele existe, não há como não existir, mas, de uma maneira diferente... Um amor de pessoas especiais... De pessoas que marcaram a vida um do outro... Apenas isso...  R. casou, voltou para sua terra de origem e tem filhos. Eu, conheci uma pessoa bacana para construir a minha vida, que apareceu no momento em que menos esperava (lógico que tinha que ser em uma festa) – uma vez que casamento não fazia parte dos meus planos há muito tempo – , que me faz bem, que consegue entender minhas “loucuras” e ações. Só sei que depois que entrou na minha vida, promoveu mudanças que até então ninguém havia conseguido... Aprendi conjugar novamente o verbo amar... A aplicar o substantivo união... E a planejar o futuro... Futuro esse que só pode ter bons frutos... boas ideias... E muita cumplicidade... O destino fará a parte dele, como sempre o fez. Ele é justo, amigo, implacável e cruel.

Só sei que com tantas mudanças, encontros e desencontros, não há como não dizer que a vida imita a arte ou vice-versa... Não há como não dizer que a nossa vida é, de fato, a própria novela.

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